ABRUPTO |
correio para
jppereira@gmail.com
______________
|
30.6.04
17:29
(JPP)
Um dos efeitos induzidos do populismo � a deser��o do centro pol�tico. Porque � dif�cil, porque d� trabalho, porque n�o d� votos, porque n�o brilha na televis�o, porque n�o estou para me aborrecer com esses mi�dos, porque tenho mais que fazer, porque isto j� n�o tem salva��o, porque � o que as pessoas querem, porque n�o vale a pena fazer nada, porque � Passaremos a ter um combate entre o Bloco de Esquerda e o Bloco de Direita. � a luta final�
15:27
(JPP)
![]() Na NASA algu�m falou de "peaceful beauty" a pretexto deste planeta, na sua gl�ria e esplendor. Olha-se para a fotografia, da sonda Cassini que chega hoje a Saturno, e v�-se o sil�ncio, o movimento perfeito dos gases, a matem�tica da lei dos grandes n�meros a domar o caos, num equilibrio quase imposs�vel. O Sol come uma parte da esfera e dos an�is com a sua sombra. Tudo parece frio e silencioso, exceptuando essa pequena m�quina humana, rugosa e eri�ada de antenas, que est� a colocar-se para nos dar, aos nossos olhos, mais um pouco da beleza do mundo.
09:57
(JPP)
N�o resisto. Estou � procura do tom certo para o artigo do P�blico. Dif�cil. Dif�cil. N�o � a falta de tema, � a abund�ncia de tema. O tom. O dif�cil � o tom. Inspira��o em Miss Ella Fitzgerald. Est� tudo aqui: Gather 'round me, everybody Gather 'round me, while I preach some Feel a sermon coming on here The topic will be sin And that's what I'm agin' If you wanna hear my story Then settle back and just sit tight While I start reviewing The attitude of doing right You got to ac-cent-tchu-ate the positive E-lim-i-nate the negative And latch on to the affirmative Don't mess with mister inbetween You got to spread joy up to the maximum Bring gloom down to the minimum And have faith, or pandemonium Liable to walk upon the scene To illustrate my last remark Jonah in the whale, Noah in the ark, What did they do, just when everything looked so dark? Man, they said, we better Ac-cent-tchu-ate the positive E-lim-i-nate the negative And latch on to the affirmative Don't mess with mister inbetween Pois �. E o tom? J� sei que �The topic will be sin�. Atitude, a de �doing right�. Bem vistas as coisas, o mundo n�o acaba amanh�. E se calhar temos mesmo que ter a li��o colectiva de que �a prova do pudim est� em com�-lo�. Vai ficar caro, o pudim� �have faith, or pandemonium�. Pandemonium, mais provavelmente. Pandemonium, grande palavra. Tudo � solta. No� na arca, Jonas dentro da baleia. You got to ac-cent-tchu-ate the positive E-lim-i-nate the negative And latch on to the affirmative Don't mess with mister inbetween. A continuar assim, n�o h� artigo.
09:17
(JPP)
L'inverno si prolunga, il sole adopera L'inverno si prolunga, il sole adopera il contagocce. Non � strano che noi padroni e forse inventori dell'universo per comprenderne un'acca dobbiamo affidarci ai ciarlatani e aruspici che funghiscono ovunque? Pare evidente che i Numi comincino a essere stanchi de presunti loro figli o pupilli. Anche pi� chiaro che Dei o semidei si siano a loro volta licenziati dai loro padroni, se mai n'ebbero. Ma... (Eugenio Montale) * Bom dia ! E cuidado l� fora! 29.6.04
07:52
(JPP)
o nosso. O abaixamento dos m�nimos crit�rios de qualidade, vindo �de cima�, � um poderoso factor de popularidade e sucesso. No fundo, ficamos todos mais iguais, n�o �? E n�o � esta �igualdade�, o nome que se d� � inveja ressentida que t�o profundamente enche a nossa sociedade? Pensando bem n�o � de admirar, � o mundo de Eva P�ron, a mulher que dizia que n�o se importava que houvesse pobres, o que a incomodava � que houvesse ricos.
07:38
(JPP)
o nosso. H� uns anos, nos momentos mais complicados de dissolu��o da URSS, nada funcionava na R�ssia. Todos os dias de manh�, no Hotel Ukraina, o pequeno almo�o era uma saga. Chegava o samovar com o ch� e n�o havia ch�venas lavadas. Chegavam as ch�venas, n�o havia colheres. Chegavam as colheres e n�o havia ch� outra vez. Os estrangeiros rec�m-chegados protestavam em v�o. Os russos e os velhos habitantes do Hotel Ukraina, que j� conheciam todas as rotinas, iam buscar ch�venas � cozinha, acumulavam duas ou tr�s ch�venas em cima da mesa para armazenar o precioso ch�, etc. Um amigo meu disse-me: �vais ver, ao quinto dia j� estamos como eles, a ir buscar ch� � cozinha, muito caladinhos�. Ao terceiro dia j� �amos buscar ch� � cozinha. N�o h� nada como o h�bito e como o sentimento de impot�ncia para que se aceite tudo. N�o h� nada como a ecologia envolvente para se achar tudo normal. O resvalar cont�nuo para a mediocridade, o abaixamento dos requisitos m�nimos, que antes jurar�amos nunca aceitar. Que eram mesmo inimagin�veis. N�o, meus amigos, � na cozinha que est� o ch�, que est�o as ch�venas, que est� o a��car. � na cozinha. O que � que querem mais? Qualidade no servi�o? Isso n�o � aqui. Nem no Hotel Rossya, do outro lado.
07:25
(JPP)
A Sancho Panza (Fragmento) Sancho-bueno, Sancho-arcilla, Sancho-pueblo, tu lealtad se supone, tu aguante parece f�cil, tu valor tan obligado como en la Mancha lo eterno. Sancho-vulgar, Sancho-hermano, Sancho, raig�n de mi patria que a�n con dolores perduras, y, entre c�nico y sagrado, pones tu pecho a los hechos, buena cara a malos tiempos. Sancho que damos por nada, mas presupones milenios de humildad bien aceptada, no eres historia, te tengo como se tiene la tierra patria y matria macerada. Sancho-vulgo, Sancho-nadie, Sancho-santo, Sancho de pan y cebolla, trabajado por los siglos de los siglos, cotidiano, vivo y muerto, soterrado. Se sabe sin apreciarlo que eres quien es, siempre el mismo, Sancho-pueblo, Sancho-ibero, Sancho entero y verdadero, Sancho de Espa�a es m�s ancha que sus mil a�os y un cuento. Vivimos como vivimos porque tenemos a�n tripas, Sancho Panza, Sancho terco. Vivimos de tus trabajos, de tus hambres y sudores, de la constancia del pueblo, de los humildes motores. Sancho de t� te la llevas, mansa sustancia sin mancha, Sancho-Charlot que edificas como un Dios a bofetadas, Sancho que todo lo aguantas. Sancho con santa paciencia, Sancho con buenas alforjas, que en el �ltimo momento nos das, y es un sacramento, el pan, el vino y el queso. Pueblo callado, soporte de los fuegos de artificio que con soberbia explotamos, Sancho-santo, Sancho-tierra, Sancho-ibero, Sancho-Rucio y Rucio-Sancho que has cargado con los fardos. [...] (Gabriel Celaya) * Bom dia! 28.6.04
22:16
(JPP)
![]() esta. Faltam tr�s dias para l� chegar.
19:44
(JPP)
Continuam a chegar centenas de mensagens, pelo que me � imposs�vel agradecer a todas. Uma selec��o do seu conte�do ser� publicada logo que possa. O Abrupto bater� tamb�m hoje o seu recorde absoluto de visitas e "pageviews", estando j� pr�ximo das 10000 . Alguma coisa est� a mexer l� fora e ainda bem.
10:18
(JPP)
Cito do precioso e erudito Almocreve "Uma n�spera estava na cama deitada muito calada a ver o que acontecia chegou a Velha e disse olha uma n�spera e z�s comeu-a � o que acontece �s n�speras que ficam deitadas caladas a esperar o que acontece" [M�rio Henrique Leiria]
09:59
(JPP)
"Que raio de Europa � esta que privilegia as pessoas aos estados membros? Que convida pessoas independentemente das suas fun��es, independentemente de colocar as situa��es internas dos estados membros em "crise"? Que n�o tem (aparentemente) qualquer percep��o do clima e da vida interna dos seus estados membros?" "O sil�ncio, conveniente ou intimidat�rio � o apan�gio de Portugal. Temos a �qualidade� de s� procurar confronto quando nos enquadramos na linguagem final do interlocutor. Ou seja, nunca � desafiada a linguagem final, nunca s�o postos em causa os limites ou os estratagemas da linguagem ou do discurso. Tudo se passa dentro de uma esfera em que seja permitida, em �ltima inst�ncia, a concilia��o. S� assim nos sentimos bem. S� assim nos sentimos �dentro�. Provocar... sim. Confrontar... dentro dos limites. Mas, na realidade, tudo se destina a obter protagonismo. N�o se trata nunca de confronto "sentido". De desafio de linguagem ou conceito. De defesa ou ataque de ideias convictas. CONVICTAS! S�o coisas, a vida portuguesa � apenas um perp�tuo fait divers. Ser� que isto acarreta alguma qualidade? Talvez..., aquela que releva da aprendizagem que fa�o do meu gato quando me demonstra, todos os dias, que o tempo n�o existe. Lembro sempre nestas alturas o meu querido amigo Agostinho da Silva quando me dizia que o povo portugu�s se situa numa encruzilhada: �povo de ateus, de moral cat�lica. Povo que esqueceu Cristo e nunca conheceu Maom�. (Paiva Raposo) * Alexandre Monteiro no seu blogue. * "A "blogosfera" j� existia mesmo antes de haver blogs com esse nome. Nesses tempos pr�-hist�ricos (j� nem me lembro dos anos) tamb�m a Internet foi o ve�culo de reflex�o, debate e ac��o. Houve certamente v�rios casos. Lembro-me pelo menos de dois onde estive directamente envolvido, embora na altura a difus�o da Internet n�o atingisse a dimens�o de agora. O primeiro foi um debate sobre o Aborto na altura do referendo. Eu era o director de Inform�tica da Cat�lica do Porto e resolvi tentar um f�rum de debate realmente s�rio, uma vez que as campanhas de ambos os lados pareciam usar todos os argumentos errados e intelectualmente desonestos... Apesar de algum receio inicial meu por estar numa institui��o que � partida tinha uma posi��o definida, consegui que houvesse participa��es de todas as tend�ncias (incluindo respons�veis do Sim pela Toler�ncia e do lado do N�o que j� n�o me lembro como se chamava), tendo-se tornado o f�rum online mais bem sucedido a n�vel nacional. :-) (Mod�stia � parte...) Um dia destes vou voltar a colocar online o arquivo que guardei. O f�rum era moderado (havia moderadores quase 24 horas por dia, coordenados por mim) e, entre outras medidas para o tornar transparente, tinha um espa�o de acesso p�blico onde foram colocados _todos_ os coment�rios que chegaram, mesmo os recusados na zona principal. O segundo caso foi na altura do desaparecimento da XFM, em que o site que eu geria com o meu irm�o mais novo se tornou o centro das tentativas frustradas de recupera��o da r�dio. Isto j� parece h� s�culos... Mas mesmo nessa era a Internet j� proporcionava resultados vis�veis." �Sozinho? N�o faz mais do que a sua obriga��o ;-)� (Tiago Azevedo Fernandes) * "Parece-me que o JPP (�), sente-se tra�do com algo, julgo que se sente tra�do por Dur�o Barroso e que o resto vem por acr�scimo, mas, acima de tudo, julgo que se sente tra�do pelo PM." (Lu�s Miguel Rocha) * "Rapidamente, algu�m deve vir explicar ao cidad�o comum o que � que se est� a passar. As pessoas come�am a desconfiar e a sentirem-se desrespeitadas. Eu ando na rua todos os dias e sei o que � que preocupa as pessoas, E nem todos andam embriagados com a bola do Euro. H� gente preocupada e que n�o tem meios para perceber o que � que se est� a passar. O povo tem casa para pagar, os filhos para criar, v� o emprego a fugir. Por favor! Algu�m nos oi�a e nos explique o que se passa com o nosso governo e os nossos governantes." (Andr� Ferreira) * "Mesmo assim, confesso que ao ler o Abrupto ainda n�o percebi contra exactamente o qu� que JPP se est� a manifestar: Se contra Santana Lopes por achar, comos achamos muitos de n�s, que � uma figura que tem um perfil populista e demasiado irrespons�vel para ser primeiro-ministro, ou contra a legitimidade, ( j� que, ao que parece a legalidade, n�o se p�e em causa ), de quem quer seja de assumir o cargo, n�o tendo sido o l�der que foi, ainda que indirectamente, a votos. Na minha opini�o, mesmo Manuela Ferreira Leite, Marques Mendes ou outro qualquer n�o tem legitimidade para governar se n�o for a votos como l�der partid�rio. Sobretudo tendo em conta o clima de contesta��o social que se vive, a derrota nas elei��es europeias, que n�o foi, obviamente, uma derrota de Deus Pinheiro e sim da coliga��o governativa, e atrevo-me a dizer, depois do padr�o �tico que se estabeleceu com a demiss�o de Ant�nio Guterres." (S. Joffre Gouveia) * "O que mais me arrepia nesta hist�ria (ou est�ria?) � a inquietante sensa��o de que muita gente ficar� a pensar que n�o vale a pena termos a ma�ada de ir votar nas elei��es. Ant�nio Guterres foi-se embora porque teve um resultado desfavor�vel numas elei��es, Dur�o Barroso vai-se embora porque, dizem, � importante para a Europa (????) e para Portugal (????) a sua ida para a Presid�ncia da Comiss�o Europeia. Ent�o para qu� ir votar? Para que, a meio do mandato e inopinadamente, aquele que elegemos se ponha a andar por conveni�ncias imposs�veis de explicar e entender? Realmente talvez seja melhor nas pr�ximas elei��es irmos para a praia do que arriscarmo-nos a ver o nosso voto desprezado e adulterado." (Dion�sio Leit�o) * No suprises A heart that�s full up up like a land fill. A job that slowly kills you. Bruises that won�t heal. You look so tired and happy. Bring down the government, they don�t, they don�t speak for us. I�ll take a quiet life, a handshake, some carbon monoxide. No alarms and no suprises, No alarms and no surprises. Silent, silent. This is my final fit, my final bellyache with no alarms and no surprises. Such a pretty house, such a pretty garden. No alarms and no surprises. Thom York � Radiohead (enviado por Paulo Raimundo) * "Pe�o-lhe apenas que n�o ridicularize este exacerbado apoio do nosso povo � selec��o de futebol, bem sei que talvez pare�a exagerado, no entanto, n�o me parece que seja sin�nimo de ignor�ncia, insensatez e/ou falta de interesse pelos verdadeiros des�gnios nacionais. Penso que nunca como hoje o povo portugu�s teve um sentido cr�tico t�o apurado e conhecedor. H� apenas que admitir que o euro 2004 e a nossa selec��o s�o um bom �bal�o de oxig�nio� para a nossa sociedade e at� para o nosso Governo, queira este aproveitar a aglutina��o de optimismo e de moral." (Rui Alvim Pinheiro) * "O problema, o malfadado n� cego, � que o golo, o resultado, o grito do jogador que vence, tem impacto imediato. N�o � a prazo. Existe, pode-se ver e constatar sem o auxilio de estat�sticas. A retoma est� a�? � poss�vel. Mas viu-a? Acotovelou-a ao balc�o durante o rito do caf�? Pois �, o ingrato lusitano urra desmamado pelo golo do seu �dolo, extens�o concisa do seu clube de bola (esse sim o partido que importa � maioria dos nacionais), apenas e s� por ser o gesto que de si depende. Sen�o, veja um pai desempregado. O ministro e o comentador prometem-lhe tempos risonhos. Est� a� a viragem, falta pouco. Por sua vez, os da tal oposi��o, que n�o, que ainda n�o � desta, que eles � que sabem, que um dia, que quando forem eles... E o coitado, sem fonte de rendimento, sem as notas no bolso, sem a vontade e com a vergonha de confessar ao filho que at� talvez tenha passado honrosamente o ano lectivo e merece a tal bola para chutar nas f�rias, sente na explos�o da bola dentro da baliza o b�lsamo que o resto da vida teima em recusar. Porque o problema, o verdadeiro problema � que o comum dos portugueses vive no dia a dia. E nesse palmilhan�o rotineiro h� que sentir a satisfa��o m�nima e o doping que impele a manh� seguinte." (Jos� Barata) * "Para ter orgulho no nosso pa�s � necess�rio ter �dolos, mas onde eles est�o?!! J� n�o os h� como houve outrora.Os �dolos, noutros tempos , eram valorizados e compreendidos pelas suas qualidades,pelo seu carisma, pelo valor, pela honestidade, n�o pela imagem, n�o pelo protagonismo, n�o por nada. Agora, para ser �dolo basta ser famoso , ou seja,ser pela imagem que transmite e nada mais,porque n�o � preciso!! Sem �dolos, n�o h� refer�ncias,n�o h� rumo, n�o h� sacr�ficios.... Nos �ltimos anos, s� o futebol nos tem dado �dolos.... No entanto, os �dolos do futebol transmitem valores como disciplina, concentra��o,respeito, (o �rbitro tem mais poder num campo de futebol do que um ju�z tem num julgamento), organiza��o.Defendem o nome de Portugal no mundo.Canta-se o hino nacional onde n�o se canta em mais lado nenhum." (Gon�alo Pacheco Pereira)
08:19
(JPP)
Ce qui doit m'�tonner excite mon courage Ce qui doit m'�tonner excite mon courage, Et ma t�m�rit� me conduit au cercueil ; Je sers une beaut� plus dure qu'un �cueil, Et l'amour se conserve o� l'espoir fait naufrage. Aveugle passion, fureur, manie et rage, Vous faites que j'adore un insensible orgueil. Le plus cruel abord est comme un doux accueil, Et j'appelle un m�pris un agr�able outrage. J'ai pour toute faveur, et pour rigueur du sort, Une peine charmante, une amoureuse mort, Et je fonde la vie en ce qu'elle a de pire. Mon astre me r�duit � la n�cessit� De ne respirer point, alors que je soupire, Et ma seule douleur est ma f�licit�. (Jean Ogier de Gombauld) * Bom dia! Est� sol. 27.6.04
23:40
(JPP)
Entre o correio que est� a chegar vem , enviado por Maria Jos� Silva, este poema de Maiakovski "Na primeira noite Eles aproximam-se E colhem uma Flor Do nosso jardim E n�o dizemos nada. Na segunda noite, J� n�o se escondem: Pisam as flores Matam o nosso c�o, E n�o dizemos nada. At� que um dia O mais fr�gil deles Entra sozinho em nossa casa, Rouba-nos a lua e, Conhecendo nosso medo, Arranca-nos a voz da garganta E porque n�o dissemos nada, J� n�o podemos dizer nada." * "O poema que publicou como sendo de Maiakovski - "Na primeira noite/ Eles aproximam-se..." - n�o � de Maiakovski, mas sim do brasileiro Eduardo Alves da Costa. Trata-se de um dos mais interessantes equ�vocos liter�rios que eu conhe�o. O poema foi editado em 1936 e � muito mais longo do que a vers�o que publicou no Abrupto. Pode encontr�-lo numa antologia relativamente recente (2001) organizada por Jos� N�umanne Pinto e intitulada Os Cem Melhores Poetas Brasileiros do S�culo. J� t�nhamos feito uma refer�ncia sobre este interessant�ssimo caso aqui." (Rui Amaral)
23:25
(JPP)
O Abrupto n�o foi feito para servir as minhas opini�es pol�ticas. N�o me faltam meios para o fazer e aqui pretendi (e pretendo) falar de outras coisas que me interessam. Mas o Abrupto � tamb�m parte da minha voz e, em momentos especiais, de emerg�ncia, tamb�m aqui falo de pol�tica. � o caso dos �ltimos dias. As centenas de mensagens e os muitos milhares de visitas ontem e hoje traduzem essa sensa��o de emerg�ncia partilhada com os seus leitores. E est� a ter resultados, numa situa��o in�dita na blogosfera nacional. Vamos ver, pode ser que se consiga mudar alguma coisa. O principal factor � o tempo real, e isso d� uma for�a especial aos blogues nestes momentos de interesse colectivo.
19:58
(JPP)
S� h� uma maneira de impedir o que parece um curso inexor�vel: que quem deve falar, fale. Que diga, alto e bom som, o que pensa e o que diz em privado. Que quem tem autoridade para falar, e muita gente a tem, fale. Que haja debate e controv�rsia. Que se perceba que n�o h� nenhuma unanimidade, bem longe disso. Nem maioria. Eu estou um pouco farto de o fazer sozinho e de arcar com as consequ�ncias. Mas f�-lo-ei, sozinho que seja. Porque, nestes dias, quem cala consente. E o pa�s � mais importante que o partido, n�o �? N�o era S� Carneiro que o dizia?
11:57
(JPP)
Em todo o correio recebido, registo esta frase de John Lydon dos Sex Pistols, enviada por Jo�o Santos Lima: "Have you ever had the feeling you've been cheated?"
10:42
(JPP)
Muito correio, como se imagina, dados os eventos. Com uma excep��o, as largas dezenas de mensagens t�m todas o mesmo sentido. Bom senso, respeito por n�s pr�prios, respeito pelo pa�s que somos. Nalguns casos, quase desespero, impot�ncia, perplexidade, revolta, indigna��o. Como compreendem, dificilmente poderei responder a todas, mas obrigado por todas.
10:37
(JPP)
o nosso, que padece de Ac�dia. Ac�dia? O pecado que a gente aprende como sendo a �pregui�a�, para facilitar a compreens�o dos jovens catequistas e catequisados. Mas o pecado mortal n�o � evidentemente o que chamamos �pregui�a�, venial predisposi��o do corpo e da alma. A Ac�dia � outra coisa muito mais importante: � a apatia, ou a indiferen�a perante a pr�tica da virtude, ou o espect�culo do mal. Sabemos que est� mal, mesmo muito mal, e ficamos calados. Ac�dia. Vai-se para o Inferno por isso.
10:14
(JPP)
Rima IX Besa el aura que gime blandamente las leves ondas que jugando riza; el sol besa a la nube en occidente y de p�rpura y oro la matiza; la llama en derredor del tronco ardiente por besar a otra llama se desliza; y hasta el sauce, inclin�ndose a su peso, al r�o que le besa, vuelve un beso. (Gustavo Adolfo B�cquer) * Bom dia!
00:32
(JPP)
o nosso. Ser� que se faz ideia, em particular nos �rg�os de comunica��o social, da enorme confus�o que as pessoas comuns, menos politizadas, sentem face a not�cias que est�o a ouvir nos intervalos do futebol? Not�cias que se precipitam, com pequena clareza e explica��o, feitas por gente que acompanha ao detalhe a luta pol�tica exclusivamente para gente literata na nossa pol�tica, sem cuidar da inseguran�a que geram? As pessoas intuem que alguma coisa de importante se est� a passar, mas n�o sabem o que �. Imaginam os coment�rios perplexos que, numa pequena aldeia, traduzem essa impot�ncia pela falta de informa��o, ou pela informa��o apressada? O que � que se est� a passar? O nosso PM morreu? Os comunistas v�o ganhar? Vai mudar tudo? Quem vai governar � a Europa? Todos estas perguntas me foram feitas. Esta � a realidade da percep��o p�blica de uma crise inesperada, que surge com a m�xima estranheza porque fora do quadro eleitoral normal. 26.6.04
18:24
(JPP)
"Constitui��o Europeia Dizem os jornais que o Presidente da Rep�blica, no referendo sobre a Constitui��o Europeia, tomar� partido e far� campanha pelo �sim�. Ainda n�o li/ouvi cr�ticas. Ser� que h� neste caso unanimidade? Eu, pessoalmente e independentemente da minha posi��o sobre a CE, n�o estou de acordo com a tomada de posi��o do PR." (Joana) * "Saiba mais sobre a vida e a obra da grande violoncelista GUILHERMINA SUGGIA. Pretendemos reunir o m�ximo de documentos e testemunhos poss�veis acerca de uma das mais importantes figuras da m�sica no seu tempo. Ajude-nos. Leia. Comente. Divulgue. Comunique-nos tudo o que souber sobre Suggia." (Virg�lio Marques) * "Permito-me recomendar: Final Freedom: The Civil War, the Abolition of Slavery, and the Thirteenth Amendment, de Michael Vorenberg, da Brown University, 2001 Cambridge U.P. Comprei-o na altura por causa dos meus estudos sobre os antecedentes da Lei Seca, que no plano pol�tico se cruzam com com o problema da escravatura: os republicanos eram maiorit�riamente anit-esclavagistas e anti-proibicionistas, os democratas eram perme�veis � influ�ncia de evangelistas, quakers e demais puritanos. O livro � muito bom." (Filipe Nunes Vicente)
18:12
(JPP)
![]() Circula para a� a convocat�ria de uma manifesta��o. Sei bem quem agradece a amabilidade, porque � dif�cil fazer melhor para obter os resultados exactamente contr�rios aos pretendidos. Menosprezem o populismo, menosprezem ...
17:45
(JPP)
o nosso. Onde � vital, hoje, que n�o se confunda sil�ncio com consenso, sil�ncio com apatia, sil�ncio com ambiguidade. Est� na altura de falar e falar claro, antes que seja tarde de mais. O que est� em jogo � grave. � aquilo a que uma no��o antiga chamava �bom governo�, a que nos dedicamos por gosto pelo nosso pa�s, gosto pela nossa comunidade antiga, que � a �nica coisa que d� sentido � pol�tica.
12:07
(JPP)
Se houver um Congresso extraordin�rio do PSD, deve ser pr�vio a qualquer escolha para Primeiro-ministro, para n�o colocar os congressistas sob a chantagem do derrube do governo do seu pr�prio partido. A objec��o de que isso significaria um governo quase de gest�o n�o colhe, porque o PR, em boa pr�tica institucional, tamb�m n�o deixaria um Primeiro-ministro que est� a prazo at� � realiza��o do Congresso tomar medidas de fundo. As coisas seriam assim mais limpas e politicamente legitimadas. E o governo de gest�o s� pode ser dirigido por quem tem legitimidade na org�nica governamental: o n�mero dois do governo.
12:00
(JPP)
o nosso. Para o qual eu quero um governo que pense em Portugal em primeiro lugar, que n�o se importe de perder as elei��es, se estiver convicto que pol�ticas dif�ceis s�o vitalmente necess�rias. N�o quero uma comiss�o eleitoral uninominal (ou binominal) que far� tudo apenas com um fito: ganhar as pr�ximas elei��es. Porque esse ser� o seu programa n�o escrito.
09:23
(JPP)
o nosso. Em plena Futebol�ndia, com os notici�rios da televis�o a despachar � pressa as not�cias sobre Portugal, pedindo desculpa por interromperem o Euro.
08:15
(JPP)
o nosso. L� vamos desperdi�ar de novo o que penosamente adquirimos. L� vamos ter que come�ar tudo de novo.
07:54
(JPP)
Sale mi blanca aurora... Sale mi blanca aurora, y en saliendo coge a la obscura noche el negro manto; mas yo, que sin dormir en tierno llanto lo m�s de ella pas� triste y muriendo, en vi�ndola salir blanca y riendo, dejando el lloro, torno alegre al canto y el verla tan hermosa puede tanto que a rienda suelta torno al bien corriendo. "�Ay blanca y amorosa aurora -digo- y cu�nto puede en m� tu alegre vista! y cu�nto el verte tal y tan hermosa! El bien que siento en verte es buen testigo, que vuelve el fiero mal no siendo vista tu clara luz en noche tenebrosa". (Francisco de Figueroa) * Bom dia! Se forem capazes... 25.6.04
21:50
(JPP)
![]() 24.6.04
10:24
(JPP)
![]() Isto � todos os dias sem descanso. Pela manh�, finalmente as formas certas de Febe, l� para as bandas de Saturno. Cuidado com ela, uma das tit�s originais, filha de Urano e Gaea, senhora da Lua, senhora da Lua brilhante. Casou com um irm�o, Coeus, a Intelig�ncia. N�o se pode dizer que casou mal. A sua filha Leto seguiu-lhe a tradi��o lunar, e teve como descend�ncia o par de g�meos sublimes, Artemisia e Apolo. Estamos de novo entre os grandes. O pai? O segundo pai universal: Zeus, seguindo Hes�odo. Como de costume, Hera, a leg�tima de Zeus, perseguiu-a tentando impedir que alguma vez pousasse na terra para que Zeus n�o pudesse� Como de costume, n�o resultou. Complicado, n�o �? Hoje � mais.
09:00
(JPP)
A mis soledades voy... A mis soledades voy, de mis soledades vengo, porque para andar conmigo me bastan mis pensamientos. �No s� qu� tiene la aldea donde vivo y donde muero, que con venir de m� mismo no puedo venir m�s lejos! Ni estoy bien ni mal conmigo; mas dice mi entendimiento que un hombre que todo es alma est� cautivo en su cuerpo. Entiendo lo que me basta, y solamente no entiendo c�mo se sufre a s� mismo un ignorante soberbio. De cuantas cosas me cansan, f�cimente me defiendo; pero no puedo guardarme de los peligros de un necio. El dir� que yo lo soy, pero con falso argumento, que humildad y necedad no caben en un sujeto. La diferencia conozco, porque en �l y en m� contemplo, su locura en su arrogancia, mi humildad en su desprecio. O sabe naturaleza m�s que supo en otro tiempo, o tantos que nacen sabios es porque lo dicen ellos. S�lo s� que no s� nada, dixo un fil�sofo, haciendo la cuenta con su humildad, adonde lo m�s es menos. No me precio de entendido, de desdichado me precio, que los que no son dichosos, �c�mo pueden ser discretos? No puede durar el mundo, porque dicen, y lo creo, que suena a vidrio quebrado y que ha de romperse presto. Se�ales son del j�icio ver que todos le perdemos, unos por carta de m�s otros por cartas de menos. Dijeron que antiguamente se fue la verdad al cielo; tal la pusieron los hombres que desde entonces no ha vuelto. En dos edades vivimos los propios y los ajenos: la de plata los extra�os y la de cobre los nuestros. �A qui�n no dar� cuidado, si es espa�ol verdadero, ver los hombres a lo antiguo y el valor a lo moderno? Dixo Dios que comer�a su pan el hombre primero con el sudor de su cara por quebrar su mandamiento, y algunos inobedientes a la verg�enza y al miedo, con las prendas de su honor han trocado los efectos. Virtud y filosof�a peregrina como ciegos; el uno se lleva al otro, llorando van y pidiendo. Dos polos tiene la tierra, universal movimiento; la mejor vida el favor, la mejor sangre el dinero. Oigo ta�er las campanas, y no me espanto, aunque puedo, que en lugar de tantas cruces haya tantos hombres muertos. Mirando estoy los sepulcros cuyos m�rmoles eternos est�n diciendo sin lengua que no lo fueron sus due�os. �Oh, bien haya quien los hizo, porque solamente en ellos de los poderosos grandes se vengaron los peque�os! Fea pintan a la envidia, yo confieso que la tengo de unos hombres que no saben qui�n vive pared en medio. Sin libros y sin papeles, sin tratos, cuentas ni cuentos, cuando quieren escribir piden prestado el tintero. Sin ser pobres ni ser ricos, tienen chimenea y huerto; no los despiertan cuidados, ni pretensiones, ni pleitos. Ni muemuraron del grande, ni ofendieron al peque�o; nunca, como yo, afirmaron parabi�n, ni pascua dieron. Con esta envidia que digo y lo que paso en silencio, a mis soledades voy, de mis soledades vengo. (Lope de Vega) * Bom dia! 23.6.04
21:01
(JPP)
foi a minha hoje de manh� ao n�o ter colocado este poema de e.e. cummings no Abrupto. Faz pensar e necessita de imagina��o verbal, mas depois � a descoberta. Roeu-me o dia todo e aqui est� ele, na sua gl�ria, como agradecimento ao Causa Nossa pelo pr�mio ao Abrupto. !blac... (1) !blac k agains t (whi) te sky ?t rees whic h fr om droppe d , le af a:;go e s wh IrlI n .g
20:03
(JPP)
numa Europa sem fronteiras, os bilhetes de futebol s�o vendidos por nacionalidades e por quotas nacionais? Para comprar bilhetes para um espect�culo desportivo tem que se ter passaporte? Ent�o os "cidad�os europeus", a que se dirige a Constitui��o, ficam � porta dos est�dios? Ningu�m acha isto estranho... * "Compreendo a sua consterna��o, mas existem raz�es de ordem p�blica que justificam esta "discrimina��o". N�o v� um solit�rio portugu�s ficar na claque inglesa no jogo de hoje � noite!" (Sofia) * "Em rela��o aos bilhetes do jogo Portugal - Inglaterra, o que aconteceria e quais seriam os coment�rios na horr�vel imprensa brit�nica se num Europeu de Futebol disputado em Inglaterra e num jogo dos quartos-de-final com as mesmas equipas 60% da assist�ncia fosse lusa ?" (Pedro Andrade) * "Respeitando a sua opini�o permita-me que dela discorde uma vez que, tratando-se o Campeonato da Europa de uma competi��o entre na��es, julgo fazer todo o sentido que a venda de bilhetes para os jogos se proceda atribuindo quotas a cada um dos pa�ses em causa. Se quiser uma analogia, tamb�m nos jogos de futebol dos diversos campeonatos nacionais a venda dos bilhetes para os mesmos � precedida da atribui��o de quotas dos ingressos aos clubes participantes, independentemente da nacionalidade destes ser a mesma. Ali�s o seu racioc�nio levado ao extremo implicaria, no limite, a dissolu��o do actual modelo competitivo dos campeonatos entre na��es a partir da substitui��o das diversas selec��es nacionais dos pa�ses da UE por uma �nica representante da Uni�o � semelhan�a do que sucede por exemplo com os EUA. �ptimo argumento para os anti-federalistas digo eu..." (Pedro Martins)
10:08
(JPP)
est� um planeta que visto de cima tem destas "vistas": ![]() Na Via L�ctea. No Sistema Solar. O Terceiro. No continente negro. No deserto grande. Na terra dos mouros. Na Maurit�nia. A estrutura de Richat. Vista por um dos meus olhos: o do NASA/National Geospatial-Intelligence Agency Shuttle Radar Topography Mission.
10:03
(JPP)
Leio o P�blico em linha; �early morning� j� tinha lido o Di�rio de Not�cias (que me deixa sempre insatisfeito porque falta qualquer coisa naquele jornal); depois vou aqui saber das sondas marcianas (boa sa�de na meia idade, nos s�tios certos, olhando), depois vou aqui ver como est� a Cassini-Huygens (h� novas fotografias de Iapetus , o planeta Yin-Yang diz o texto do Jet Propulsion Laboratory), depois vou aqui ver como � que est� a Stardust (recomenda-se) e salto para tr�s e para a frente aqui. Depois, volto � humilde condi��o de humano, n�o v�o os �men in black� dar pelos meus vinte olhos e desligo.
09:36
(JPP)
'Tis Sunrise�Little Maid�Hast Thou 'Tis Sunrise�Little Maid�Hast Thou No Station in the Day? 'Twas not thy wont, to hinder so� Retrieve thine industry� 'Tis Noon�My little Maid� Alas�and art thou sleeping yet? The Lily�waiting to be Wed� The Bee�Hast thou forgot? My little Maid�'Tis Night�Alas That Night should be to thee Instead of Morning�Had'st thou broached Thy little Plan to Die� Dissuade thee, if I could not, Sweet, I might have aided�thee� (Emily Dickinson) * Bom dia! 22.6.04
20:49
(JPP)
continua a ser a Leitura, no Porto. Excepcionalmente organizada, com um n�mero significativo de livros estrangeiros, ingleses e franceses, acabo sempre por l� encontrar dezenas de livros que nunca vi em mais lado nenhum. A Leitura ajuda a combater o car�cter cada vez mais ca�tico da distribui��o livreira. � a melhor livraria, de longe. * "Quanto ao que escreveu sobre a Leitura, devo dizer que embora, racionalmente, concorde com os seus coment�rios, n�o deixo de ter uma n�tida prefer�ncia pela Lello. E embora seja uma livraria mais previs�vel, menos dada a surpreender os seus clientes, aquele ambiente � �nico e incompar�vel. Para al�m de ser, provavelmente, a mais bela livraria do mundo." (Jos� Carlos Santos)
17:47
(JPP)
Depois do document�rio sobre a guerra civil americana, comprei o que pude de Ken Burns. Consegui comprar o Jazz e a s�rie sobre a Am�rica, mas somente vi o Jazz. � primeira vista, tudo o que Burns j� tinha feito nos filmes sobre a guerra tamb�m aqui aparece: uma predilec��o da imagem fotogr�fica sobre o filme � o que � estranho num document�rio de televis�o � do preto e branco sobre a cor, uma utiliza��o muito cuidada do texto, que acaba por ter um papel n�o somente narrativo, mas tamb�m est�tico. A meio da s�rie, nos anos do swing, o resultado parecia-me mais frouxo do que na hist�ria da guerra. Havia qualquer coisa que n�o resultava, as palavras pareciam demasiado repetidas, caracterizando �pocas e autores com frases muito semelhantes. Se tivesse parado por a�, teria uma certa desilus�o, mesmo que a s�rie documental continuasse a ser de grande qualidade. No entanto, como muitas vezes acontece, � a empatia do autor que o trai. Quando come�a a retratar a hist�ria do jazz dos anos do p�s-guerra e a defrontar personagens como Charlie Parker, Miles Davis, John Coltrane, o filme ganha uma outra for�a. A estranha intensidade criativa do jazz e o modo como consumia / destru�a os que se lhe dedicavam era patente num c�rculo que ia da m�sica para as vidas. A entrada das drogas no mundo do jazz, potenciando o papel que j� o �lcool tinha, aparece como s�mbolo desse comportamento autodestrutivo. A solid�o de uma m�sica que assenta no solo aparece inilud�vel numa das raras filmagens: Dexter Gordon, solit�rio, num quarto acima do clube onde vai tocar em Copenhaga, e depois solit�rio em palco. O pathos da liberdade, da liberdade criativa levada at� aos limites, � muito bem retratado em Charlie Parker, assim como a associa��o dessa procura de liberdade com a condi��o do negro americano. No �ltimo epis�dio, curiosamente terminado um pouco � pressa com a cacofonia de m�sicas e m�sicos do in�cio dos anos setenta, quase trinta anos antes da s�rie ser feita, sugere-se de forma indirecta que o jazz, como forma de express�o criativa, pode estar morto. A ideia, que Ken Burns enuncia mas n�o aceita, de que uma forma de linguagem criativa possa atingir os seus limites, possa esgotar-se, � muito interessante e pode lan�ar uma luz, que psicologicamente n�o desejamos, sobre a �morte da arte�. E se morreu mesmo e n�s ainda n�o demos por isso? 21.6.04
08:37
(JPP)
Libert� Le vent impur des �tables Vient d'ouest, d'est, du sud, du nord. On ne s'assied plus aux tables Des heureux, puisqu'on est mort. Les princesses aux beaux r�bles Offrent leurs plus doux tr�sors. Mais on s'en va dans les sables Oubli�, m�pris�, fort. On peut regarder la lune Tranquille dans le ciel noir. Et quelle morale ?... aucune. Je me console � vous voir, A vous �treindre ce soir Amie �clatante et brune. (Charles Cros) * Bom dia!
01:26
(JPP)
Estava magn�fica para montar o telesc�pio. Pitch dark, com uma lua em D, fin�ssima. Depois distra�-me uma hora e, quando regresso, uma miser�vel n�voa tapa-me metade do c�u. 20.6.04
10:49
(JPP)
�Para tudo h� um momento e um tempo para tudo o que se deseja debaixo do c�u: Tempo de nascer e tempo de morrer, tempo de plantar e tempo de arrancar plantas, tempo de matar e tempo de curar, tempo de destruir e tempo de edificar, tempo de chorar e tempo de rir, tempo de lamentar e tempo de dan�ar, tempo de atirar pedras, e tempo de as ajuntar, tempo de abra�ar e tempo de evitar o abra�o, tempo de procurar e tempo de perder, tempo de guardar e tempo de atirar fora, tempo de rasgar e tempo de coser, tempo de calar e tempo de falar, tempo de amar e tempo de odiar, tempo de guerra e tempo de paz. Que proveito tira das suas fadigas aquele que trabalha? Eu vi a tarefa que Deus imp�s aos filhos dos homens para que dela se ocupem. Todas as coisas que Deus fez, s�o boas a seu tempo. At� a eternidade colocou no cora��o deles, sem que nenhum ser humano possa compreender a obra divina do princ�pio ao fim. Eu conclu� que nada � melhor para o homem do que folgar e procurar a felicidade durante a sua vida. Todo o homem que come e bebe e encontra felicidade no seu trabalho, tem a� um dom de Deus.� (Eclesiastes 3, 1-8) * Bom dia! 19.6.04
12:56
(JPP)
Por m�rito do Ant�nio Lobo Xavier, a discuss�o de hoje na Quadratura sobre as elei��es e o futuro da coliga��o vale a pena ser ouvida. � uma discuss�o livre, aberta, comprometida, franca, de pol�tica portuguesa que me deu muito prazer ter.
10:40
(JPP)
Apesar de todas as cr�ticas, a NASA. Um exemplo trivial, fora do brilho das sondas espaciais: o empr�stimo dos restos da destru�da nave Columbia � ind�stria para investiga��o e aperfei�oamento de novos materiais. Aqui. * ![]() J� que estamos a falar disto , estas s�o as �ltimas sobre a Stardust "part of NASA's Discovery Program of low-cost, highly focused science missions, was built by Lockheed Martin Space Systems and is managed by JPL for NASA." - o cometa Wild 2 na sua gl�ria. Como no Armageddon de Bruce Willis.Tudo aqui e aqui. * "Tenho para mim que neste caso como em muitos outros, o que est� na g�nese do gosto pela astronomia e suas descobertas � a poesia. Quem gosta de poesia gosta das estrelas, e tem �sede de infinito�. Juntando-lhe curiosidade e racionalidade aproximamo-nos da astronomia. Este � o caminho que as pessoas de �artes e humanidades� percorrem para chegar � astronomia. (...) Qual mapa do genoma humano! Qual vacina para a mal�ria! Qual m�todo para fazer os pandas procriarem! Qual teoria sobre o sobreaquecimento da terra! Ci�ncia para os poetas � a astronomia! O espa�o, o infinito." (JPC)
10:10
(JPP)
"Acabo de ler no seu Blogue uma refer�ncia a Neca Rafael e isso despertou em mim uma certa nostalgia. Vivo na Amadora desde que me conhe�o, mas nasci no Porto e passei, at� aos meus 15 anos, todas as minhas longas f�rias escolares no Porto, no velho Porto � l� a minha casa era na rua da Vit�ria, entre os Cl�rigos e a Ribeira, junto �s escadinhas e � �Cal�ada�, �Bataria� � muita mis�ria, muita canalha de p� descal�o� Neca Rafael, Conjunto Maria Albertina e Conjunto de Ant�nio Mafra, assim como alguns sons de velhos an�ncios dos �Emissores do Norte Reunidos� ficar�o para sempre na minha mem�ria, do mesmo modo que algumas figuras t�picas: o �Carlinhos da S�, o �Chona�, a Maria Z� Bid�o da Casa Grande, etc� De Neca Rafael lembro-me, a� por 1964, tinha eu uns 7 anos, no Pal�cio, cantando exactamente esse �J� est�s com os copos�� Onde se meteu esse tempo e essa gente digna de filme italiano, num registo algures entre Tot� e Fellini?" (Edmundo Moreira Tavares) * "Creio pertencer a uma gera��o, ou a um grupo dentro de uma gera��o, que nunca ligou nada � no��o de P�tria. Lembro-me de ouvir quando era crian�a falar dos homens que, no Ultramar, davam a vida pela P�tria e achava isso muito vago, bizarro e sem sentido. J� adulta sempre achei que dei mais � P�tria do que ela a mim e dizia que a P�tria nunca nada tinha feito por mim, mostrando algum desprezo por essa no��o abstracta e pelos seus s�mbolos: a bandeira e o hino. A vida (uma das minhas no��es abstractas preferidas) encarrega-se, com a sua infinita sabedoria, de nos mostrar o que �s vezes n�o sabemos ou n�o queremos ver. Agora o futebol: n�o resisto a algum clima de mundial, europeu ou de importante jogo ou final internacional de clubes e lembro-me do sentimento de frustra��o quando h� precisamente 4 anos Portugal perdia as meias-finais para Fran�a, naquele mal fadado penalty. Mas o que n�o consegui nunca esquecer, e ainda guardo na mem�ria as imagens que as televis�es nos mostraram, foi a tremenda desilus�o, tristeza e impot�ncia estampadas nas caras dos portugueses que, nos ecr�s gigantes das pra�as de Paris e de outras cidades francesas, seguiam o jogo. O facto de Portugal ter perdido o jogo tornou-se irrelevante face �quela tristeza e foi comovida que vi aquelas imagens e me senti um deles. Sempre que a selec��o ou um clube portugu�s jogam no estrangeiro � com algum espanto e quase inveja que vejo o entusiasmo e entrega (por vezes t�o irracional) com que os portugueses que l� vivem apoiam o lado Luso. Quarta-feira (antes do Portugal-R�ssia), no tr�nsito da Pra�a de Espanha, passou por mim um carro cheio de rapazes vestidos a rigor de adeptos da selec��o nacional que, com janelas abertas, bandeiras nacionais e ru�do, saudavam os demais �companheiros� de tr�nsito. Sorri, respondi � sauda��o e quando arrancaram vi que era um carro de matr�cula francesa. Num arrepio revi as imagens de h� quatro anos e outras tantas tornaram-se vivas e senti uma emo��o quase inc�moda e que n�o passou de imediato� �� a P�tria, est�pida! Tem sussurrado uma voz ultimamente. Deve ser. S� pode ser! Andava eu a tentar entend�-la noutros lados: nas contabilidades do deve e do haver, nos �ndices do desenvolvimento e do crescimento econ�mico, nas op��es est�ticas das cores e s�mbolos da bandeira nacional, na pertin�ncia da letra do Hino Nacional, nas boas ou m�s governa��es. Sem saber, ela estava a� e sem a entender, senti-a." (JPC) * "Tantas memorias!!Tantas noites no T�cnico e em Ci�ncias � volta dos malditos "stencis", com aquele pincel das emendas(era com uma especie de verniz que se faziam as emendas, n�o era?), os copiografos sempre a avariar,pois trabalhavam horas a fio impiedosamente,apesar da solidariedade dos t�cnicos da "Gestetner"(soa-me assim,j� n�o me lembro se era assim que se escrevia), que vinham logo que podiam,a qualquer hora!! E ficava aqui o resto da manh�... " (A.Pina Cabral)
09:37
(JPP)
Bon chevalier masqu� qui chevauche en silence Bon chevalier masqu� qui chevauche en silence, Le Malheur a perc� mon vieux coeur de sa lance. Le sang de mon vieux coeur n'a fait qu'un jet vermeil, Puis s'est �vapor� sur les fleurs, au soleil. L'ombre �teignit mes yeux, un cri vint � ma bouche Et mon vieux coeur est mort dans un frisson farouche. Alors le chevalier Malheur s'est rapproch�, Il a mis pied � terre et sa main m'a touch�. Son doigt gant� de fer entra dans ma blessure Tandis qu'il attestait sa loi d'une voix dure. Et voici qu'au contact glac� du doigt de fer Un coeur me renaissait, tout un coeur pur et fier Et voici que, fervent d'une candeur divine, Tout un coeur jeune et bon battit dans ma poitrine ! Or je restais tremblant, ivre, incr�dule un peu, Comme un homme qui voit des visions de Dieu. Mais le bon chevalier, remont� sur sa b�te, En s'�loignant, me fit un signe de la t�te Et me cria (j'entends encore cette voix) : " Au moins, prudence ! Car c'est bon pour une fois. " (Paul Verlaine) * Bom dia!
01:25
(JPP)
![]() Como este Wild 2, um cometa fotografado pela �poeira das estrelas�, Stardust, mais uma sonda da NASA. Nunca se viu assim um cometa. Debaixo dos nossos olhos, de Marte a Febe, de Saturno aos viajantes cometas, do olhar do Hubble, l� longe entre o espa�o mais long�nquo e o tempo mais distante e velho, est�-se a dar uma revolu��o no nosso conhecimento. S�o de facto os novos descobrimentos. Not�cias aqui. 18.6.04
07:52
(JPP)
![]()
07:46
(JPP)
Odysseus to Telemachus My dear Telemachus, The Trojan War is over now; I don't recall who won it. The Greeks, no doubt, for only they would leave so many dead so far from their own homeland. But still, my homeward way has proved too long. While we were wasting time there, old Poseidon, it almost seems, stretched and extended space. I don't know where I am or what this place can be. It would appear some filthy island, with bushes, buildings, and great grunting pigs. A garden choked with weeds; some queen or other. Grass and huge stones . . . Telemachus, my son! To a wanderer the faces of all islands resemble one another. And the mind trips, numbering waves; eyes, sore from sea horizons, run; and the flesh of water stuffs the ears. I can't remember how the war came out; even how old you are--I can't remember. Grow up, then, my Telemachus, grow strong. Only the gods know if we'll see each other again. You've long since ceased to be that babe before whom I reined in the plowing bullocks. Had it not been for Palamedes' trick we two would still be living in one household. But maybe he was right; away from me you are quite safe from all Oedipal passions, and your dreams, my Telemachus, are blameless. (Joseph Brodsky) * Bom dia! 17.6.04
13:29
(JPP)
De repente, apeteceu-me ouvir os CDs do P�blico sobre a hist�ria do fado. Apetites. Estranheza, porque sou pouco do mundo do fado, embora goste de muitas can��es. Talvez porque estou a ver a s�rie de Ken Burns sobre o Jazz, de que falarei depois. Chega de justifica��es. Ou�o o Marceneiro gabar-se de ser marceneiro e o orgulho de ser conhecido com esse nome. Do mundo dos touros e marialvas, n�o sei nada, mas o mundo do Marceneiro conhe�o-o dos trabalhos sobre a Lisboa oper�ria e estimo esse orgulho pela profiss�o, pela �arte�, hoje j� arqueol�gico. Recordei-me do equivalente ao Marceneiro no Porto, cidade quase sem fadistas, Neca Rafael, ou melhor, o senhor Neca Rafael, que havia mais respeito. Depois de um dia de agita��o estudantil end�mica e a meio de uma noite, farto de remendar os miser�veis �stencis� que se rasgavam com os sublinhados (*), ia com os meus companheiros comer um mini-prato de tripas ao �Luso�, que custavam 7$50. O local, �s tr�s ou quatro da amanh�, de uma cidade que fechava � meia-noite no m�ximo, era frequentado pela mais bizarra das faunas. E l� estava, sentado numa mesa, muito direito e silencioso, acompanhado por uma senhora. Os empregados, que se chamavam criados, tratavam-no com muita defer�ncia. E Neca Rafael, j� com muita idade, l� acabava por sair com a sua senhora na noite brumosa da cidade. O seu fado mais popular era �J� est�s c'os copos�, com esta letra de outro mundo: Quando vou de gr�o na asa e nem dou conta de mim abro a porta entro em casa e a mulher canta assim j� est�s c'os copos j� est�s c'os copos j� est�s c'os copos Ponho-me a fazer teatro que � para a coisa disfar�ar cruzo a perna, fa�o um quatro e ela p�e-se a cantar j� est�s c'os copos (canta... canta que logo bebes) j� est�s c'os copos j� est�s c'os copos � mulher ou tu te calas ou eu ponho-te na rua vai pr'os teus e leva as malas e a tipa continua j� est�s c'os copos (vai.. vai dar recomenda��es � maezinha) j� est�s c'os copos j� est�s c'os copos Vou p'ra cama e reconhe�o que bebi mais um copinho sabem que eu que adorme�o com ela a cantar baixinho j� est�s c'os copos j� est�s c'os copos j� est�s c'os copos (*) Nota para os tempos de hoje: o meio mais acess�vel para publicar comunicados era o copi�grafo que permitia, quando era de qualidade, o que raras vezes acontecia com aparelhos que eram sobre usados e estavam a desfazer-se, fazer tiragens de 1000-2000 panfletos. O elo fraco, entre muitos, era que a matriz para a reprodu��o era escrita � m�quina numas folhas especiais, os �stencis�, plural popular de stencil, que tinham um papel especial em que a m�quina de escrever furava as letras. Se se fazia um sublinhado, o stencil acabava por romper por a� e tinha que ser recolado com muito cuidado. Era uma trabalheira.
09:25
(JPP)
Ah bed, the field where joy's peace some do see, The field where all my thought to war be train'd, How is thy grace by my strange fortune stain'd! How thy lee shores by my sighs stormed be! With sweet soft shades thou oft invitest me To steal some rest, but wretch I am constrain'd (Spurr'd with Love's spur, though gall'd and shortly rein'd With Care's hand) to turn and toss in thee. While the black horrors of the silent night Paint woe's black face so lively to my sight, That tedious leisure marks each wrinkled line: But when Aurora leads out Phoebus' dance Mine eyes then only wink, for spite perchance, That worms should have their Sun, and I want mine. (Sir Philip Sidney) * Bom dia! 16.6.04
19:33
(JPP)
![]() (Jos� Matos)
19:22
(JPP)
Hoje, h� cento e quarenta e nove anos, uma jovem crist�, que sofria de curvatura da espinha, Catherine, foi levada a casa por William Booth, um impulsivo pregador local que ouvia vozes. Era a primeira vez que se encontravam e ela escreveu: �Antes de chegarmos a casa, ambos sent�amos que t�nhamos sido feitos um para o outro�. Uma hist�ria de amor � primeira vista. Casaram e uma das vozes que ele ouvia intimou-o a uma miss�o extrema � converter os � wife-beaters, cheats and bullies, prostitutes, boys who had stolen the family money, unfaithful husbands, burglars, and teamsters who had been cruel to their horses", talvez por esta ordem. N�o sei. Catherine e William fundaram ent�o um ex�rcito de novo tipo, o da Salva��o.
09:09
(JPP)
![]()
08:53
(JPP)
L'Astrologue qui se laisse tomber dans un puits Un Astrologue un jour se laissa choir Au fond d'un puits. On lui dit : "Pauvre b�te, Tandis qu'� peine � tes pieds tu peux voir, Penses-tu lire au-dessus de ta t�te ? " Cette aventure en soi, sans aller plus avant, Peut servir de le�on � la plupart des hommes. Parmi ce que de gens sur la terre nous sommes, Il en est peu qui fort souvent Ne se plaisent d'entendre dire Qu'au livre du Destin les mortels peuvent lire. Mais ce livre, qu'Hom�re et les siens ont chant�, Qu'est-ce, que le Hasard parmi l'Antiquit�, Et parmi nous la Providence ? Or du Hasard il n'est point de science : S'il en �tait, on aurait tort De l'appeler hasard, ni fortune, ni sort, Toutes choses tr�s incertaines. Quant aux volont�s souveraines De Celui qui fait tout, et rien qu'avec dessein, Qui les sait, que lui seul ? Comment lire en son sein ? Aurait-il imprim� sur le front des �toiles Ce que la nuit des temps enferme dans ses voiles ? A quelle utilit� ? Pour exercer l'esprit De ceux qui de la Sph�re et du Globe ont �crit ? Pour nous faire �viter des maux in�vitables ? Nous rendre, dans les biens, de plaisir incapables ? Et causant du d�go�t pour ces biens pr�venus, Les convertir en maux devant qu'ils soient venus ? C'est erreur, ou plut�t c'est crime de le croire. Le Firmament se meut ; les Astres font leur cours, Le Soleil nous luit tous les jours, Tous les jours sa clart� succ�de � l'ombre noire, Sans que nous en puissions autre chose inf�rer Que la n�cessit� de luire et d'�clairer, D'amener les saisons, de m�rir les semences, De verser sur les corps certaines influences. Du reste, en quoi r�pond au sort toujours divers Ce train toujours �gal dont marche l'Univers ? Charlatans, faiseurs d'horoscope, Quittez les cours des Princes de l'Europe ; Emmenez avec vous les souffleurs tout d'un temps : Vous ne m�ritez pas plus de foi que ces gens. Je m'emporte un peu trop : revenons � l'histoire De ce Sp�culateur qui fut contraint de boire. Outre la vanit� de son art mensonger, C'est l'image de ceux qui b�illent aux chim�res, Cependant qu'ils sont en danger, Soit pour eux, soit pour leurs affaires. (Jean de la Fontaine) * Et pour cause ... Bom dia ! 15.6.04
20:06
(JPP)
![]()
20:00
(JPP)
Agrade�o a todos os que me t�m felicitado pela nomea��o para a Miss�o permanente na UNESCO. � um lugar de responsabilidade que aceitei com muito gosto e que me vou esfor�ar por cumprir o melhor que sei e posso. Como � �bvio, depois de tomar posse, e dada a natureza do cargo, n�o tem qualquer sentido continuar a ter um papel activo no coment�rio pol�tico. J� de h� algum tempo tenho estado a preparar essa situa��o nos �rg�os de comunica��o social onde colaboro. Escreverei sobre outras coisas, sempre que tenha oportunidade, e continuarei o Abrupto dentro desses condicionalismos. � um sil�ncio que desejei e escolhi, ap�s anos e anos de voz muitas vezes solit�ria. Haver� outros caminhos e certamente outros tempos.
10:10
(JPP)
que est�o l� para baixo, no limbo do blogue, foram actualizadas. V�o na vers�o 2.0.
09:30
(JPP)
Libro de buen amor Las ranas que demandaban un rey Las ranas en un lago cantaban et jugaban, cosa non las nuc�a, bien solteras andaban, creyeron al diablo que de mal se pagaban, pidieron Rey a Don J�piter, mucho gelo rogaban. Envi�les Don J�piter una viga de lagar, la mayor quel pudo, cay� en ese lugar: el grand golpe del fuste fizo las ranas callar, mas vieron que no era Rey para las castigar. Suben sobre la viga cuantas pod�an subir, digeron: non es este Rey para lo nos servir: pidieron Rey a Don J�piter como lo sol�an pedir, Don J�piter con sa�a h�bolas de o�r. Envi�les por su Rey cigue�a mansillera, cercaba todo el lago, ans� fas la ribera, andando pico abierta como era venternera de dos en dos las ranas com�a bien ligera. Querellando a Don J�piter, dieron voces las ranas: se�or, se�or, ac�rrenos, t� que matas et sanas, el Rey que t� nos diste por nuestras voces vanas danos muy malas tardes et peores ma�anas. Su vientre nos sotierra, su pico nos estraga, de dos en dos nos come, nos abarca et nos traga: se�or, t� nos defiende, se�or, t� ya nos paga, danos la tu ayuda, tira de nos tu plaga. Respondi�les Don J�piter: tened lo que pedistes el Rey tan demandado por cuantas voces distes: vengu� vuestra locura, ca en poco tuvistes ser libres et sin premia: re�id, pues lo quisistes. Quien tiene lo quel' cumple, con ello sea pagado, quien puede ser suyo, non sea enagenado, el que non toviere premia non quiera ser premiado, libertad e soltura non es por oro comprado. (Juan Ruiz, Arcipreste de Hita) * Bom dia!
01:09
(JPP)
Sem ordem, nem sistema, nem pretens�o de cobrir todos os aspectos das elei��es. Ser�o acrescentadas � medida que forem escritas, pelo que o texto ser� continuamente alterado. * A linha melhor para interpretar as elei��es � a linha do bom senso. Aqui o bom senso � considerar que tudo o que parece, �. N�o � preciso nenhuma sofistica��o especial: o PS, o BE e o PCP ganharam, por esta ordem. O PSD e o PP perderam, por esta ordem. * Os partidos que ganharam sobreviveram melhor � absten��o, o PS porque os seus eleitores queriam penalizar o governo, o PCP e o BE porque disp�em de um voto militante. O voto militante no PCP � defensivo, no BE � ofensivo. Um tem sucesso porque est� a crescer, o outro porque resiste a diminuir. * Na maioria dos pa�ses europeus, os partidos coligados no governo concorrem separados nas elei��es europeias, sem que isso ponha em causa os entendimentos governamentais.� um sinal de fraqueza e n�o de for�a que se tenha entendido projectar a coliga��o governamental, � unida por um l�gica de poder executivo �, para as elei��es europeias * O PSD elegeu sete deputados, o PP dois. O PSD tinha nove deputados, o PP dois. O grande perdedor da coliga��o � o PSD. Esta contabilidade pol�tica real funciona como um �cido no PSD. * A coliga��o ajudou a enfraquecer o Partido Popular Europeu, partido em que os deputados do PSD se integram. Sendo agora menos no PPE (sete em vez de nove) dificilmente conseguir�o quer atrav�s do m�todo de Hondt, quer de negocia��es, obter cargos relevantes para os portugueses, mesmo apesar da maioria PPE do pr�ximo Parlamento Europeu (PE) . Pelo contr�rio, os dois deputados do PP que se integram noutro grupo pol�tico europeu ( o PP foi expulso do PPE) , a Uni�o para a Europa das Na��es, mant�m a mesma for�a pol�tica, mas, como seu grupo conta menos no PE, isso � irrelevante. No seu conjunto, a representa��o nacional onde mais conta, no PPE, est� mais fraca. * Tenho de h� muito a opini�o que n�o � normal n�o existirem partidos euroc�pticos fora das margens do sistema pol�tico. Mais ou menos euroc�pticos, euroc�pticos totais, como o partido ingl�s da �independ�ncia do Reino Unido�, e euroc�pticos quanto ao curso pol�tico da UE , sem p�r em causa a sua exist�ncia. N�o � natural que, por exemplo, a recusa da Constitui��o europeia, s�mbolo de uma certo processo de upgrade pol�tico europe�sta, seja marginal ao mainstream do sistema pol�tico. Esta disfun��o � tanto mais grave quanto se houver, como � exig�vel que haja, um referendo sobre a Constitui��o, se ver� que h� um n�mero muito significativo de cidad�os que a recusam. Esses cidad�os n�o est�o certamente representados em Portugal pela Nova Democracia. Esta � uma raz�o do desinteresse pela Europa: a disfun��o na representa��o pol�tica do debate europeu, falso consenso a mais. * Em Portugal, como ali�s em quase toda a Europa, com a excep��o amb�gua do Reino Unido, a quest�o da guerra do Iraque n�o parece ter sido directamente relevante para os resultados eleitorais. Em Portugal, certamente n�o foi. N�o � poss�vel qualquer teoria explicativa consistente para explicar pelo Iraque os votos espanhois, franceses, alem�es ou polacos. (Continua) 14.6.04
18:59
(JPP)
ser�o publicadas em breve. Sobre as elei��es em Portugal, na Europa, Constitui��o, etc. 13.6.04
23:53
(JPP)
H� muitas coisas que podiam ser ditas sobre estas interessantes elei��es , com resultados a exigir an�lise detalhada. Mas h� uma coisa que de imediato deve ser discutida: como � que daqui a dias os governos europeus v�o aprovar uma Constitui��o cujo sentido pol�tico � fortemente deslegitimado pelos resultados eleitorais e pela absten��o? (Escrevo em m�s condi��es, depois desenvolverei.)
09:30
(JPP)
Me dijo un alba de la primavera: Yo florec� en tu coraz�n sombr�o ha muchos a�os, caminante viejo que no cortas las flores del camino. Tu coraz�n de sombra, �acaso guarda el viejo aroma de mis viejos lirios? �Perfuman a�n mis rosas la alba frente del hada de tu sue�o adamantino? Respond� a la ma�ana: S�lo tienen cristal los sue�os m�os. Yo no conozco el hada de mis sue�os; ni s� si est� mi coraz�n florido. Pero si aguardas la ma�ana pura que ha de romper el vaso cristalino, quiz�s el hada te dar� tus rosas, mi coraz�n tus lirios. (Antonio Machado) * Bom dia! 12.6.04
22:55
(JPP)
Uma hora de futebol de �servi�o p�blico�, entre as 20 horas e as 21. �s 21 horas, as not�cias apressadas sobre Portugal e o resto do mundo, quase a pedirem desculpa de existirem fora da futebol�ndia. Depois outra vez futebol. At� a TVI teve mais variedade.
10:53
(JPP)
Na vers�o que se vende c� tem uma tradu��o t�o miser�vel que os DVDs deviam ser proibidos por qualquer controle de qualidade. �Security�, diz o PM, falando do MI5, passa a �seguran�a social�, �primeiro ministro� passa a �ministro�, �Special Branch� a �ramo especial�, � toda uma s�rie de asneiras t�o rid�culas e graves, de ingl�s, de ignor�ncia, que funciona como um insulto a quem compra. Ser� que se pode devolver e pedir indemniza��o vultuosa ou envergonhar quem isto traduz, quem isto p�e � venda?
08:58
(JPP)
Effroyables deserts, pleins d'ombre, et de silence Effroyables deserts, pleins d'ombre, et de silence, O� la peur, et l'hyver, sont �ternellement ; Rochers affreux, et nus, o� l'on voit seulement Le tonnerre, et les vents montrer leur insolence. En quelque part des Cieux que le Soleil s'�lance, Vous estes tousjours pleins d'un froid aveuglement, Et vos petits ruisseaux malgr� leur element Font monter jusqu'aux airs leur foible violence. Lieu o� jamais l'amour ne vint tendre ses rets, Torrents, cavernes, troncs, si parmy ces forests Je me tiens si content, et je vous ayme encore Ce n'est pas qu'en efect vous ayez des appas, Mais puisque vous avez la Beaut� que j'adore, Puis-je avoir ce Bon-heur, et ne vous aymer pas ? (Marin Le Roy de Gomberville) * Bom dia! 11.6.04
20:25
(JPP)
Lino de Carvalho apareceu no Congresso da Oposi��o Democr�tica como �presidente� da sec��o dedicada � educa��o e juventude, num daqueles processos de auto-nomea��o em que o PCP era f�rtil. Quem o nomeara, desconhecia-se; qual a legitimidade da escolha, desconfiava-se. Na sala em que se ia fazer a reuni�o dessa sec��o, a maioria, ou pelo menos um n�mero muito significativo dos presentes, inscritos no Congresso, eram estudantes esquerdistas de variadas cores e feitios, desunidos em tudo, unidos contra os �reformistas� (a vers�o legal dos �revisisonistas�, dos estudantes da UEC, do PCP). Em 1973, na maioria das universidades e liceus, a UEC tinha perdido n�o s� a hegemonia que os comunistas sempre tinham tido sobre o movimento estudantil, como tinham passado, em muitas escolas, a uma pequena minoria acossada. Num ambiente que n�o favorecia a democracia � era dif�cil fazer vota��es em urna em muitas escolas � sucediam-se os golpes e contra-golpes nas assembleias e reuni�es, comunistas e esquerdistas usando uma grande pan�plia de truques, num ambiente de crescente viol�ncia. O Lino de Carvalho, que eu n�o conhecia de parte nenhuma, nem sequer sabia que se chamava assim, apareceu na sala do cine-teatro de Aveiro, com mais duas pessoas, e sentou-se na mesa para �dirigir� a reuni�o. Come�aram os protestos e exig�ncias de que a mesa fosse escolhida pelos presentes. A coisa come�ou a azedar e os estudantes da UEC perceberam que, se houvesse vota��o, perdiam, e fizeram ent�o um golpe habitual e j� conhecido de outras reuni�es: desataram a gritar a favor dos presos pol�ticos, e j� n�o me lembro se apresentaram out of the blue uma mo��o de solidariedade para tentar bloquear a escolha da mesa. Lembro-me de uma coisa semelhante feita num plen�rio do Porto que eu estava a dirigir e do qual resultou tamb�m uma enorme confus�o. De repente, sem perceber como, desatou tudo � pancada. Eu estava na primeira ou na segunda fila, logo calhou-me defrontar a mesa, logo o Lino de Carvalho que n�o era para brincadeiras. Da� o murro (dele) e a cadeirada (minha). Depois, de um momento para o outro, tudo acabou, sem tamb�m se perceber como. Se demorou trinta segundos, foi muito. A reuni�o, que me lembre, acabou ali. Muitos anos depois, quando conheci o Lino de Carvalho na Assembleia, record�mos essa cena, com o olhar mais pac�fico que a vida e a liberdade entretanto nos dera. No dia seguinte, est�vamos todos na avenida principal de Aveiro, diante da pol�cia de choque, na garagem, nos telhados e nos quintais da rua paralela. Quem l� esteve conhece este trajecto.
09:07
(JPP)
Porque foi assim que conheci Lino de Carvalho, � pancada. Preciso: numa breve cena colectiva de pancadaria, daquelas que n�o se sabe bem como come�am e como acabam, numa divis�o de um andar superior da sala de cinema de Aveiro, onde decorria o Congresso da Oposi��o Democr�tica, em 1973. No dia seguinte, lev�mos todos pancada da pol�cia na manifesta��o que �encerrou� a reuni�o. A cena era t�pica do ambiente que se vivia entre os comunistas e os esquerdistas nesses anos de fim de ditadura e, durante o dia de hoje, cont�-la-ei aqui no Abrupto. Fal�mos algumas vezes, eu e ele, com bonomia, sobre essa cena e troc�vamos algumas pequenas provoca��es sobre o murro que ele me deu e a cadeirada que eu tentei dar-lhe. A tecnologia do murro � mais simples do que a da cadeirada, portanto penso que ele teve vantagem, mas n�o me lembro bem, nem interessa. � um mundo que est� a acabar.
01:40
(JPP)
Os blogues tamb�m t�m que se calar sobre mat�rias eleitorais no dia de reflex�o? Ou mais uma vez se demonstra o arca�smo das leis face �s novas realidades comunicacionais? Ou o que � lei l� fora, � lei c� dentro? * Sei que dirigiu a pergunta aos �amigos juristas�, mas, ainda assim, tomo a liberdade de lhe responder. � sua pergunta responderia que sim: os �blogs� tamb�m est�o obrigados a respeitar o per�odo de reflex�o. O n.� 1 do art. 10.� da Lei n.� 14/87, de 29 de Abril (na redac��o que lhe foi conferida por legisla��o posterior) � e que rege a elei��o dos deputados ao Parlamento Europeu eleitos em Portugal � remete para a legisla��o aplic�vel � elei��o de deputados � Assembleia da Rep�blica a disciplina da campanha eleitoral de deputados ao Parlamento Europeu. Ora, disp�e o n.� 1 do artigo 141� da Lei n.� 14/79, de 16 de Maio (na redac��o que lhe foi conferida por legisla��o sucessiva), que a propaganda eleitoral, por �qualquer meio�, levada a cabo no dia da elei��o ou no anterior � pun�vel. Sublinho o �por qualquer meio�, que torna desnecess�rio o aprofundamento da quest�o (embora houvesse, neste ponto, algumas pontos interessantes a discutir) Este artigo deve ser lido � luz do art. 53.� (que limita temporalmente o per�odo de campanha eleitoral) e do art. 54.� (promo��o, realiza��o e �mbito da campanha eleitoral) da mesma Lei. A t�tulo de curiosidade acrescento que a ac��o penal � p�blica, devendo o MP promov�-la em caso de den�ncia, seja ela feita por quem for. (In�s do My Moleskine) * N�o sou jurista mas n�o percebo sequer a l�gica da pergunta. 1) Existe alguma lei que me proiba _a_mim_, como simples cidad�o, de escrever ou falar o que quiser onde quiser no dia de reflex�o? Eu n�o sou um partido, nem um meio de comunica��o social, nem estou a organizar nenhum evento p�blico. Se eu estiver a conversar na pra�a p�blica com os meus amigos e permitir que estranhos ou�am a conversa, isso � equivalente a uma manifesta��o ou um com�cio? Dificilmente o blog de uma pessoa singular pode ser considerado como um meio de comunica��o social, at� porque nem sequer cumpre os requisitos legais para tal. 2) Mas vamos imaginar que o blog era equivalente a um jornal. O seu blog est� alojado na Blogspot, ou seja, nos USA. H� alguma lei portuguesa que proiba um cidad�o portugu�s de escrever o que quiser nesse dia na edi��o estrangeira de um jornal (eventualmente at� portugu�s)? E algu�m pode proibir um eleitor portugu�s de ler esse jornal, seja por que meio for? 3) Sugiro que escreva o que lhe apetecer no dia de reflex�o, � um bom teste. Se quiser eu copio o que escrever para o meu blog em solidariedade. Assim vamos presos os dois, j� temos conversa sobre blogues... ;-) 4) Esta lei do dia de reflex�o de facto n�o faz sentido nenhum nestes dias. Mas de qualquer modo n�o a estaria a violar, na minha modesta opini�o. (Tiago Azevedo Fernandes) * "O ter respondido antes implica que venha sumariamente justificar o que escrevi diante das considera��es tecidas por TAF. Segundo o art. 54.� que referi, a promo��o e realiza��o da campanha eleitoral cabe aos candidatos e aos partidos pol�ticos, �sem preju�zo da participa��o activa dos cidad�os.� Por sua vez, o art. 61.� define propaganda eleitoral como �toda a actividade que vise directa ou indirectamente promover candidaturas, seja dos candidatos, dos partidos pol�ticos, dos titulares dos seus �rg�os ou seus agentes ou de quaisquer outras pessoas, nomeadamente a publica��o de textos ou imagens que exprimam ou reproduzam o conte�do dessa actividade.� O que est�, pois, em causa � a actividade (�que vise directa ou indirectamente promover candidaturas�), e n�o tanto o meio utilizado. Por outro lado, n�o tenho d�vidas de que �quaisquer outras pessoas� remete, em parte, para a �participa��o activa dos cidad�os� prevista no art. 54.�. Logo aqui come�am as dificuldades: o que � isso de uma actividade que visa promover candidaturas? O facto de o �blog� estar alojado na Blogspot �, creio, irrelevante. O C�digo Penal � subsidiariamente aplic�vel � acautela, nos seus arts. 4.� e 5.�, a aplica��o da lei penal portuguesa a factos praticados em territ�rio portugu�s e a factos praticados contra portugueses por portugueses que vivam habitualmente em Portugal ao tempo da sua pr�tica e aqui sejam encontrados. Aqui poder�amos entrar em grandes discuss�es sobre a Internet, a lei aplic�vel e o bem jur�dico em causa. N�o vale a pena, seria um po�o sem fundo. Assim como n�o vale a pena determo-nos sobre, entre outros aspectos, a possibilidade de manipular as horas de publica��o dos �posts�. Acrescento, por fim, que o que � il�cito � a actividade de promo��o das candidaturas. Ningu�m est�, obviamente, impedido de consultar os �sites� dos partidos pol�ticos, ler os jornais da semana anterior ou rever os tempos de antena televisivos que tenha gravado. Terminaria com uma resposta pouco jur�dica: recomendam a prud�ncia, o bom-senso e o respeito pelo acto eleitoral que o dia de reflex�o seja seguido por todos e que essa reflex�o n�o seja feita em voz muito alta." (In�s do My Moleskine) * "Respondendo � primeira pergunta de Tiago Azevedo Fernandes, reproduzo o art. 61.� da Lei Eleitoral para a Assembleia da Rep�blica, a qual � aplic�vel �s elei��es para o Parlamento Europeu: �Entende-se por propaganda eleitoral toda a actividade que vise directa ou indirectamente promover candidaturas, seja dos candidatos, dos partidos pol�ticos, dos titulares dos seus �rg�os ou seus agentes ou de quaisquer outras pessoas, nomeadamente a publica��o de textos ou imagens que exprimam ou reproduzam o conte�do dessa actividade�. Assim, s� ser� propaganda a actividade que vise a promo��o de uma candidatura - ainda que, aparentemente, essa actividade apenas se traduza no denegrir de uma candidatura advers�ria -, e j� n�o uma actividade que vise, por exemplo, promover a absten��o geral ou uma for�a partid�ria que n�o tenha apresentado qualquer candidatura. Todavia, toda a actividade enquadr�vel no conceito de �propaganda eleitoral�, quando praticada no dia das elei��es ou no dia anterior, � pun�vel, independentemente do sujeito que a pratica - podendo, pois, o �cidad�o da rua� incorrer na pr�tica deste crime. Quanto � segunda quest�o, afigura-se ser irrelevante o lugar onde o blog est� alojado. Em Portugal vigora a chamada teoria da ubiquidade - art. 7.� do C�digo Penal. De acordo com esta teoria, o crime considera-se praticado em Portugal desde que no nosso territ�rio ocorra - ou tamb�m ocorra - um dos seus momentos relevantes. Se a publicidade do texto propagand�stico ocorre em Portugal - isto �, ocorre em todo o mundo ligado � Internet e, por conseguinte, em Portugal -, considera-se que o crime teve lugar no nosso pa�s, para efeitos de aplicabilidade da Lei Penal portuguesa e da compet�ncia dos tribunais portugueses - o mesmo sucede se a emiss�o do texto partir de Portugal. No entanto, � sempre necess�rio que tenha havido dolo, isto �, que tenha havido inten��o do agente de tornar p�blico junto dos eleitores portugueses um texto propagand�stico no dia das elei��es ou no dia anterior - ainda que fa�a atrav�s de um blog ou de um �rg�o de comunica��o social com sede no estrangeiro." (P.) * "A sua pergunta :Os blogues tamb�m t�m que se calar sobre mat�rias eleitorais no dia de reflex�o? O dia � de reflex�o e os blogs servem para isso mesmo. Para exp�r ideias. E como � o dia da reflex�o e depois segue-se o dia elei��o � perfeitamente natural que os blogs abordem esse assunto e exponham uma lei ao seu rid�culo. Eu n�o sei como � que o dia da reflex�o apareceu mas percebo em certa medida o aparecimento de certas restri��es, mas acho que deixaram de fazer sentido neste momento. Em rela��o ao meu blog acho que a lei portuguesa n�o � aplic�vel dado o facto de estar alojado numa m�quina fora de territ�rio portugu�s." ( Ricardo Figueira) 10.6.04
18:39
(JPP)
"Ningu�m dir� o �bvio sobre o Professor Sousa Franco: viveu uma linda hist�ria de amor. Bastava olhar para eles�" (JPC)
18:29
(JPP)
Actualizados com uma primeira nota de uma s�rie sobre cifras, pseud�nimos, abreviaturas, siglas, utilizadas pelo PCP na clandestinidade.
12:09
(JPP)
![]() Sol 135, agora est� noite em Meridiani. O Inverno chega a Marte e com ele menos luz e menos energia para as sondas. A Oportunidade est� a ter a aventura da sua segunda vida. A primeira foi l� chegar e estar bem, a segunda descer a cratera Endurance e poder ficar l� presa, morrendo a�. Fa�am figas. Figas? Acho que nunca escrevi esta palavra� Sobre as dificuldades da Oportunidade veja-se aqui. * �Achei que gostaria de saber que a Opportunity "decidiu" arriscar e entrar na "Endurance". O s�tio oficial est� algo desactualizado mas o fluxo de imagens continua e a fotografia traseira do SOL 133 n�o engana." (Pedro)
09:43
(JPP)
The Window She looks out in the blue morning and sees a whole wonderful world she looks out in the morning and sees a whole world she leans out of the window and this is what she sees a wet rose singing to the sun with a chorus of red bees she leans out of the window and laughs for the window is high she is in it like a bird on a perch and they scoop the blue sky she and the window scooping the morning as if it were air scooping a green wave of leaves above a stone stair and an urn hung with leaden garlands and girls holding hands in a ring and raindrops on an iron railing shining like a harp string an old man draws with his ferrule in wet sand a map of Spain the marble soldier on his pedestal draws a stiff diagram of pain but the walls around her tremble with the speed of the earth the floor curves to the terrestrial center and behind her the door opens darkly down to the beginning far down to the first simple cry and the animal waking in water and the opening of the eye she looks out in the blue morning and sees a whole wonderful world she looks out in the morning and sees a whole world. (Conrad Aiken) * Bom dia! 9.6.04
17:03
(JPP)
Escrevo amanh� no P�blico um artigo cujo t�tulo talvez diga alguma coisa: �Morto pela Morte inexor�vel e morto pela campanha evit�vel�. O �ltimo artigo da s�rie sobre as democracias e a guerra s� sair� na semana seguinte.
15:38
(JPP)
![]()
09:11
(JPP)
Le matin Moriturus moriturae ! Le voile du matin sur les monts se d�ploie. Vois, un rayon naissant blanchit la vieille tour ; Et d�j� dans les cieux s'unit avec amour, Ainsi que la gloire � la joie, Le premier chant des bois aux premiers feux du jour. Oui, souris � l'�clat dont le ciel se d�core ! - Tu verras, si demain le cercueil me d�vore, Un soleil aussi beau luire � ton d�sespoir, Et les m�mes oiseaux chanter la m�me aurore, Sur mon tombeau muet et noir ! Mais dans l'autre horizon l'�me alors est ravie. L'avenir sans fin s'ouvre � l'�tre illimit�. Au matin de l'�ternit� On se r�veille de la vie, Comme d'une nuit sombre ou d'un r�ve agit�. (Victor Hugo, cortesia de Jo�o Costa) * Bom dia! 8.6.04
21:01
(JPP)
�, do meu ponto de vista, primeiro que tudo, a falta de democracia do processo europeu. Como governos nacionais e burocratas de Bruxelas n�o desejam envolver os cidad�os, evitam a todo o custo um escrut�nio real dos parlamentos nacionais e dos cidad�os. For�ando uma realidade virtual e imagin�ria que � o �cidad�o europeu�, o qual tem o m�rito de n�o existir e, por isso, n�o controlar o que fazem, evitam a todo o custo o �cidad�o nacional-europeu�. Esta �, nos �ltimos anos e cada vez mais (veja-se o processo da Conven��o e o seu fruto, a Constitui��o), um elemento determinante das suas pol�ticas. Depois admiram-se da elevada absten��o nas elei��es europeias ou dos votos �n�o� nos referendos, como o irland�s ou o sueco. O processo europeu � hoje essencialmente vanguardista, elitista e burocr�tico, e tornou-se falsamente consensual. O �nico pa�s da Europa onde h� um verdadeiro debate europeu � o Reino Unido. Excessivo, muitas vezes desequilibrado e chauvinista? � verdade, mas � um facto que a quest�o europeia est� inscrita no centro da agenda partid�ria, no centro do que divide os dois partidos dominantes e dentro dos dois partidos. Em pol�tica, s� o que divide � vivo, e, salvo circunst�ncias de emerg�ncia nacional e internacional, o falso consenso normalmente esconde alguma coisa que interessa esconder e afasta o cidad�o comum. Depois n�o se espere que ele se sinta comprometido e vote. * Um cr�tica de Vital Moreira (de que discordo, mas que vale a pena ler) a esta posi��o em Causa Nossa. * "N�o me sinto menos informado do que a maioria. Sou, talvez, o eleitor m�dio, com esperan�a que a m�dia n�o seja muito ignorante. E devo dizer que, ao contr�rio das motiva��es do voto em elei��es nacionais (legislaivas, regionais, e presidenciais, por ordem de interesse) n�o me sinto confiante para decidir quanto �s elei��es europeias. Acabarei, estou certo, por votar no meu �clube�, no meu lado, com o sentido do voto �til. Mas fico preplexo com as declara��es do Primeiro Ministro, por exemplo, quando afirma que votar na lista da coliga��o � confiar na lealdade dos deputados europeus para com este governo, da sua c�r. Levanta-se o duplo problema: por um lado, espera-se que os deputados portugueses defendam os interesses nacionais; por outro espera-se que sejam �de direita�, ou �de esquerda�, da �coliga��o�, ou da �oposi��o�. H� ainda a falta de entusiasmo na verdadeira import�ncia desta (minha) escolha: que diferen�a far�? N�o consigo identificar, c� no meu canto portugu�s, o impacto que cada grupo parlamentar europeu teve. Eu sei que me poderia informar, mas a sensa��o que fica, para este eleitor m�dio, � a de indiferen�a, ou impot�ncia. E isso n�o contribui para uma ades�o � �Europa�. (Louren�o Ata�de Cordeiro)
11:34
(JPP)
AINDA ACABAM A PROIBIR ( NOVAMENTE) O P�-DESCAL�O: � de uma estupidez e de um provincianismo total pretender que as greves durante o Euro-2004 perturbam a hospitalidade portuguesa que � devida aos b�rbaros que a� v�m. Se querem conhecer Portugal, pois que conhe�am os Jer�nimos, os Est�dios, a sardinha assada, mas tamb�m as dificuldades das pessoas, as lutas laborais, o jogo pol�tico. E que conhe�am tamb�m como um pa�s com tantas car�ncias - sa�de, educa��o, ordenados - constr�i tanto pal�cio de bet�o. Pois que tudo conhe�am e tudo contem, quando retornarem �s suas casas. FNV no Mar Salgado Acrescento: quem conhe�a o "mundo", a parte do mundo onde pode haver greves em legalidade, ainda est� para descobrir o s�tio em que os sindicatos n�o aproveitem o acr�scimo do poder de negocia��o que t�m nestas alturas. Veja-se a Fran�a, cujas greves de transportes, ou do tr�fego a�reo, s�o c�clicas e nos "bons" momentos. Se n�o houver viola��es da lei que protege os servi�os m�nimos, as greves fazem parte da respira��o de uma sociedade democr�tica.
09:38
(JPP)
Incerteza Toda, toda a noite fria O rouxinol cantou. Mas ao raiar do dia Logo se cala triste, Uns dizem que fugiu Outros que n�o existe. (Pedro Homem de Mello, cortesia da Joana) * Bom dia! J� viram V�nus obediente a passar diante do grande Sol? COM CUIDADO porque o Sol n�o � para brincadeiras, n�o se olha de frente. 7.6.04
21:09
(JPP)
![]()
20:47
(JPP)
"Ao ler o seu coment�rio sobre os Jornalistas e a cobertura da campanha eleitoral recordei-me de um pequeno ensaio de Kierkgaard que li h� anos. S� o tenho em tradu��o inglesa, publicado em Soren Kierkegaard, The Present Age and of the Difference Between a Genius and an Apostle, New York, Harper Torchbooks, 1962. Escrito em 1846, intitula-se The Present Age e segue um pequeno extracto, mais precisamente o final do ensaio: "The Media is an abstraction (because a newspaper is not concrete and only in an abstract sense can be considered an individual), which in association with the passionlessness and reflection of the times creates that abstract phantom, the public, which is the actual leveler. . . . More and more individuals will, because of their indolent bloodlessness,aspire to become nothing, in order to become the public, this abstract whole, which forms in this ridiculous manner: the public comes into existence because all its participants become third parties. This lazy mass, which understands nothing and does nothing, this public gallery seeks some distraction, and soon gives itself over to the idea that everything which someone does, or achieves, has been done to provide the public something to gossip about. . . . The public has a dog for its amusement. That dog is the Media. If there is someone better than the public, someone who distinguishes himself, the public sets the dog on him and all the amusement begins. This biting dog tears up his coat-tails, and takes all sort of vulgar liberties with his leg--until the public bores of it all and calls the dog off. That is how the public levels." Actualmente j� ningu�m l� Kierkegaard mas � pena pois ele tem muito para nos ensinar." (Jo�o Costa)
10:30
(JPP)
Ivan Bounine, Tch�khov, Editions du Rocher, 2004 ![]() Citando opini�es de Kurdiumov sobre Chekov, Bunine escolhe esta : �Depois do sangrento cataclismo russo, l�-se Chekov com muita aten��o, porque longe de estar ultrapassado, ele parece-nos agora mais pr�ximo, mais compreens�vel e infinitamente mais importante do que antes.� Serve para os dias de hoje.
09:56
(JPP)
Coraz�n, ayer sonoro, �ya no suena tu monedilla de oro? Tu alcanc�a, antes que el tiempo la rompa, �se ir� quedando vac�a? Confiemos en que no ser� verdad nada de lo que sabemos. (Antonio Machado) * Bom dia! 6.6.04
11:24
(JPP)
![]() Opportunity on the Edge � o t�tulo que a NASA d� � situa��o da Oportunidade, pendurada numa encosta, olhando para a cratera Endurance. O Esp�rito olha para cima, para as Columbia Hills, a Oportunidade olha para baixo � boa met�fora, dir�o os c�nicos. Mas quando a Oportunidade fala com o Esp�rito, diz-lhe que aquela cova perfeita foi cavada por um gigante que ali se deitou.
09:45
(JPP)
![]()
09:38
(JPP)
On the Disadvantages of Central Heating cold nights on the farm, a sock-shod stove-warmed flatiron slid under the covers, mornings a damascene- sealed bizarrerie of fernwork decades ago now waking in northwest London, tea brought up steaming, a Peak Frean biscuit alongside to be nibbled as blue gas leaps up singing decades ago now damp sheets in Dorset, fog-hung habitat of bronchitis, of long hot soaks in the bathtub, of nothing quite drying out till next summer: delicious to think of hassocks pulled in close, toasting- forks held to coal-glow, strong-minded small boys and big eager sheepdogs muscling in on bookish profundities now quite forgotten the farmhouse long sold, old friends dead or lost track of, what's salvaged is this vivid diminuendo, unfogged by mere affect, the perishing residue of pure sensation (Amy Clampitt ) * Bom dia! 5.6.04
15:31
(JPP)
Hoje, h� mil e dezasseis anos, o que viria a ser a R�ssia entrava na nossa hist�ria comum. O pr�ncipe Vladimir, convertido ao cristianismo ortodoxo, ordenou o baptismo colectivo da popula��o de Kiev, capital do Rus. A partir da�, a hist�ria da R�ssia faz-se para o lado de c� e n�o para o lado de l�.
11:39
(JPP)
Claro que tudo isto tem tamb�m muito a ver com o interesse que os meios de comunica��o social t�m sobre as quest�es europeias, e com a prepara��o dos jornalistas para as tratar � que, salvo honrosas excep��es, � quase nula, em particular nos que s�o "atirados" para seguir os candidatos em campanha. Durante cinco anos no Parlamento Europeu, e com a excep��o dos correspondentes locais em Bruxelas (do Di�rio de Not�cias, da RTP, da SIC, da Lusa) que acompanhavam as quest�es europeias e que as conheciam bem � e que eram os primeiros a queixar-se do desinteresse dos seus �rg�os de comunica��o social, que pouco lhes pediam para al�m de pe�as de circunst�ncia e institucionais � pude testemunhar o completo desinteresse sobre a Europa. Quando havia cobertura dos assuntos europeus era puramente oficiosa, atr�s de ministros em visita, ou pedindo depoimentos de meia d�zia de segundos a todos os partidos em corridinho, para parecer pluralista. Estava feito por encomenda. E n�o � jornalismo, � agenda de obriga��o, sem qualquer vantagem informativa. Este desinteresse � (foi) tanto mais grave quando acompanhou um per�odo de profundas mudan�as qualitativas na Europa. S� para dar um exemplo concreto: que interesse jornal�stico suscitou a participa��o portuguesa na Conven��o que preparou a chamada �Constitui��o europeia� ? Nenhum. E se retirarmos casos isolados de jornalistas que se interessam pela Europa, como Teresa de Sousa ou Sarsfield Cabral, ent�o � menos que nada. E n�o me venham com a treta auto justificativa de que a culpa foi dos pol�ticos que n�o fizeram nada para lhes chamar o interesse, porque pude assistir aos esfor�os em v�o de gente de todos os partidos, querendo discutir as mat�rias controversas e, obviamente, divulgar a sua posi��o. Em v�o. Pelo contr�rio, se havia qualquer vislumbre de esc�ndalo ou pol�mica incidental, ent�o l� corriam em massa para desaparecerem logo de seguida, mesmo que o destino da Europa se discutisse na sala ao lado. S�o esses mesmos do �nada� que agora v�m queixar-se com arrog�ncia de que n�o se fala na Europa.
11:05
(JPP)
Quando � que os senhores jornalistas autorizam que a campanha eleitoral seja sobre qualquer outra coisa que n�o seja os �insultos�? Os insultos ocorreram de facto nos primeiros dias da campanha, de forma inteiramente lament�vel. Chamo insultos aos insultos pessoais porque s� esses merecem a classifica��o de insultos. Classifica��es pol�ticas podem ser consideradas ofensivas, excessivas, radicais, mas n�o s�o insultos. Devem ter respostas pol�ticas e coment�rios pol�ticos, e n�o metidas no mesmo saco da orelha e do periquito. Seguiram-se os pedidos de desculpa e os insultos n�o se repetiram. Podiam ser considerados um epifen�meno da campanha, lament�vel mas que dificilmente caracterizava as principais figuras envolvidas. Ana Manso e Jo�o Almeida (quem �?) n�o s�o propriamente gente grada. Ocorreram, insisto, no in�cio da campanha e, no entanto, para quem ligue uma televis�o, ou uma r�dio, ou leia um jornal, nada mais tem acontecido uma semana depois. Senhores jornalistas � e dou dois exemplos: Constan�a Cunha e S�, na TSF, e Eduardo D�maso, na RTP � fazem arrogantes exerc�cios de superioridade moral sobre essa malta ignara dos pol�ticos que se insultam todos os dias, perante eles, guardi�es da moral e dos bons costumes c�vicos. � por isso que, at� ao �ltimo dia, os senhores jornalistas n�o v�o deixar sair a campanha do epis�dio dos insultos. Conv�m-lhes, d�-lhes pretexto para esta arrog�ncia moral. E, no entanto, e sem distinguir entre os principais candidatos do PS e PSD, eu j� li entrevistas suas e debates em que falam de quest�es importantes para a Europa. Sobre impostos europeus, sobre a defesa europeia, sobre os riscos de direct�rio, sobre o enquadramento institucional, defendendo, nalguns casos, posi��es controversas e mais do que dignas de debate. Algum senhor jornalista, na colecta di�ria de soundbites, lhes fez alguma pergunta sobre a Europa? Algum deu seguimento a qualquer posi��o sobre a Europa que merecesse aten��o? N�o, perguntavam-lhes sobre os insultos, �picavam-nos� na esperan�a de obter novos insultos. (Contnua)
09:52
(JPP)
Madame, ce matin je vous offre une fleur Madame, ce matin je vous offre une fleur Qui du sang de Narcis a pris son origine : Pour vous y comparer Amour vous la destine, Et vous vient consacrer son tige et sa couleur. Vous semblez un Narcis de gr�ce et de rigueur, Il avait comme vous l'apparence divine, De sa vive beaut� l'onde fut la ruine, Et je crains qu'un miroir cause votre malheur ! De moi je suis �cho dolente foresti�re, Qui va cherchant partout votre gr�ce meurtri�re Pour trouver du rel�che � ma captivit�, Mais vous voyant toujours plus fi�re et inhumaine, Je d�sire sans plus que je sois la fontaine O� les dieux puniront votre s�v�rit�. (Sim�on-Guillaume de la Roque) * Bom dia! 4.6.04
23:49
(JPP)
![]() ![]() ![]() ![]() Alguns candidatos. N�o, n�o foram escolhidos pelos seus nomes estrangeiros, n�o foram escolhidos por serem �rabes, ou turcos, ou libaneses, ou gregos. S�o mesmo aqueles cujos cartazes enchem os muros, as lojas, as ruas. H� muitos mais exemplos. N�o aparece nenhum portugu�s. N�o trocaria o meu bairro belga por qualquer outro.
20:04
(JPP)
a manipula��o continua. Notici�rio da RTP das 20 horas abre com a audi�ncia do Papa a Bush. Refer�ncia � afirma��o do Papa da necessidade de devolu��o da soberania ao Iraque. Muito bem. Depois, acrescenta-se esta pequena palavra: "irritado". "O Papa irritado com Bush..." , inven��o do jornalista de um estado de alma numa audi�ncia cordata. � assim que se fazem as coisas.
19:00
(JPP)
![]() Panfleto da Front National belga ![]() Cartaz de propaganda do Parti Citoyennet� et Prosperit� 3.6.04
07:11
(JPP)
J'ay voulu voyager, � la fin le voyage J'ay voulu voyager, � la fin le voyage M'a fait en ma maison mal content retirer. En mon estude seul j'ay voulu demeurer, En fin la solitude a caus� mon dommage. J'ay volu naviguer, en fin le navigage Entre vie et trespas m'a fait desesperer. J'ay voulu pour plaisir la terre labourer, En fin j'ay mespris� l'estat du labourage. J'ay voulu pratiquer la science et les ars, En fin je n'ay rien sceu ; j'ay couru le hasars Des combas carnaciers, la guerre ore m'offence : � imbecillit� de l'esprit curieus Qui mescontent de tout de tout est desireus, Et douteus n'a de rien parfaite connoissance. (Jean-Baptiste Chassignet) * Bom dia! 2.6.04
08:16
(JPP)
Dusty Doors Child of the Aztec gods, how long must we listen here, how long before we go? The dust is deep on the lintels. The dust is dark on the doors. If the dreams shake our bones, what can we say or do? Since early morning we waited. Since early, early morning, child. There must be dreams on the way now. There must be a song for our bones. The dust gets deeper and darker. Do the doors and lintels shudder? How long must we listen here? How long before we go? (Carl Sandburg) * Bom dia! 1.6.04
23:37
(JPP)
que j� viram tudo, em breve , encontrarei, n�o o sil�ncio que conforta, mas o que permite ouvir melhor.
15:32
(JPP)
Ou�o o fio de voz da p�tria: confus�es, erros perigosos, insultos, agita��o pequenina. De passagem por um livro, para escrever uma nota sobre Richard Holmes, encontro as primeiras impress�es de Wellington � chegada a Lisboa. Sinistro. �O mais Horr�vel Lugar que jamais se viu�, assim mesmo, com mai�sculas. O lixo em que Lisboa estava mergulhada tornava a mais �suja pocilga num pal�cio�, escrevia um soldado ingl�s para a fam�lia. Portugal positivo? S� de facto no combate ao Portugal negativo. Erros perigosos. Erros muito perigosos na justi�a, �rea que no seu primeiro embate a s�rio com o escrut�nio p�blico, revelou uma situa��o de �anormalidade� preocupante. Se um inocente esteve preso por uma sanha persecut�ria contra os �pol�ticos� ou as �figuras p�blicas�, esta situa��o equivale �quilo que nas for�as armadas seria um golpe de estado.
10:00
(JPP)
![]() Pela fresca manh�, leitura apropriada da Toccata Of Galuppi's de Robert Browning, muito extensa para colocar aqui. Fica um sabor, um flavour: I Oh Galuppi, Baldassaro, this is very sad to find! I can hardly misconceive you; it would prove me deaf and blind; But although I give you credit, 'tis with such a heavy mind! II Here you come with your old music, and here's all the good it brings. What, they lived once thus at Venice, where the merchants were the kings, Where Saint Mark's is, where the Doges used to wed the sea with rings? III Ay, because the sea's the street there; and 'tis arched by... what you call ... Shylock's bridge with houses on it, where they kept the carnival; I was never out of England�it's as if I saw it all! �.. Como continua? Com uma pergunta ret�rica: �Did young people take their pleasure when the sea was warm in May?�. Depois h� uma par�frase de Catulo sobre a quantidade dos beijos necess�rios e termina no tom de Villon: XIV "As for Venice and its people, merely born to bloom and drop, Here on earth they bore their fruitage, mirth and folly were the crop: What of soul was left, I wonder, when the kissing had to stop? XV "Dust and ashes!" So you creak it, and I want the heart to scold. Dear dead women, with such hair, too�what's become of all the gold Used to hang and brush their bosoms? I feel chilly and grown old. Um pouco gloomy na ironia. "Co l'arte e co l'ingano se vive mezo ano; co l'ingano e co l'arte se vive staltra parte.", diz um prov�rbio veneto. Muitas l�nguas pela manh�. Tudo misturado, ingl�s, italiano, portugu�s.
07:39
(JPP)
Margaret Many birds and the beating of wings Make a flinging reckless hum In the early morning at the rocks Above the blue pool Where the gray shadows swim lazy. In your blue eyes, O reckless child, I saw today many little wild wishes, Eager as the great morning. (Carl Sandburg) * Bom dia!
� Jos� Pacheco Pereira
In�cio |