ABRUPTO |
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jppereira@gmail.com
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31.5.04
22:27
(JPP)
Jean Moorcroft Wilson / Cecil Woolf (Ed.) , Authors take sides on Iraq and the Gulf War, Cecil Woolf Publishers, 2004 Um vasto conjunto de intelectuais responde � simples pergunta se est�o ou n�o de acordo com a guerra no Iraque. A resposta � a que se esperava � na sua esmagadora maioria, s�o contra. Meia d�zia � a favor, quase sempre em breves palavras, contrastando com a prolixidade e o tom afirmativo dos que s�o contra. O tom � interessante, para al�m dos argumentos. Das raras respostas a favor, saliento duas. A de D. M. Thomas, que come�a assim: "I would much rather trust the views of taxi-drivers on any matter of great political importance than those of writers and intellectuals. History shows that the latter almost always get it wrong." e a de Alan Sillitoe, que cita (parece que erradamente quanto � refer�ncia de origem�) um poema, "The End of Violent Men" de John Milton Oh, how comely it is and how reviving To the Spirits of just men long opprest! When God into the hands of their deliverer Puts invincible might To quell the might of the Earth, th' oppressour, The brute and boist'rous force of violent men... He all their Ammunition And feats of War defeats With plain Heroic magnitude of mind... Their Armories and Magazins contemns, Renders them useless, while With winged expedition Swift as the lightning glance he executes His errand on the wicked, who surpris'd Lose their defence distracted and amaz'd.
18:19
(JPP)
O amador de livros gosta tamb�m de revistas. Muito. As revistas saem todas as semanas, todos os meses, todos os trimestres. Mais do que tr�s meses, � como se fossem um livro. A expectativa tem assim trela mais curta, um sabor mais repetido, um alimento mais regular para o rel�gio dominatrix do coleccionador-leitor. Muitas revistas, muitos pequenos gostos. ![]()
08:43
(JPP)
IMITAZIONE. Lungi dal propio ramo, Povera foglia frale, Dove vai tu? Dal faggio L� dov�io nacqui, mi divise il vento. Esso, tornando, a volo Dal bosco alla campagna, Dalla valle mi porta alla montagna. Seco perpetuamente Vo pellegrina, e tutto l�altro ignoro. Vo dove ogni altra cosa, Dove naturalmente Va la foglia di rosa, E la foglia d�alloro. (Leopardi) * Bom dia! 30.5.04
23:27
(JPP)
Ele h� dias em que os jornais s�o boa companhia para as viagens. Os estrangeiros. Como hoje. Grandes pequenas hist�rias de blogue, quando os blogues forem melhores. A do padre carmelita Reginald Foster e da sua luta no Vaticano pela sobreviv�ncia do latim � for�a Reginaldus! - no International Herald Tribune de 29-30 de Maio; a daqueles para quem �blogging never stops �, no mesmo IHT; no Le Monde de 30-31, a not�cia de que os �bobos� compram casas na �banlieue rouge� de Paris, e j� n�o h� vergonhas que cheguem para o PCF; Saramago � invocado no Finantial Times de 29 para a sua �revolu��o do voto em branco� ilustrar a absten��o para que se caminha nas europeias; e, no mesmo FT, a fabulosa hist�ria de engano e guerra sobre a Sala de �mbar do pal�cio do czar, roubada pelos alem�es e supostamente desaparecida de vez. Parece que agora, com ajuda de documentos da STASI, se sabe que foi destru�da por inc�ria pelo pr�prio Ex�rcito Vermelho, no local onde os alem�es a tinham escondido. (Visitei, h� uns anos, a sala, quando esta estava a ser reconstru�da de raiz - foi inaugurada em Maio de 2003; � sua volta, acontecia um intenso neg�cio clandestino de venda de pe�as de �mbar, envolvendo os trabalhadores do pal�cio. Se quisesse, tinha trazido um bocado da sala para Portugal�)
17:07
(JPP)
![]() ![]() ![]() Comprados, por ler, com excep��o de grande parte do Anthony Sampson, Who Runs This Place? The Anatomy of Britain in the 21st Century, Londres, John Murray, 2004. O livro de Sampson, na sequ�ncia de outros anteriores, tentando retratar os mecanismos do poder real, entre o estudo acad�mico e o trabalho jornal�stico, mostra bem a diferen�a entre os detentores formais do poder e os reais. Se existisse alguma coisa de semelhante em Portugal, a vis�o do poder mudaria , ver-se-ia por exemplo a completa irrelev�ncia de org�os como as Comiss�es Pol�ticas dos partidos, e de quase todo o Parlamento, a favor de assessores e grupos informais "de aconselhamento" que nunca s�o escrutinados pelos eleitores. O livro de Richard Holmes, Acts of War. The Behaviour of Men in Battle, Londres, Weidenfield and Nicholson, 2003 � certamente bom, escrito por um not�vel historiador militar, de que li recentemente Redcoat, um retrato muito vivo do quotidiano do soldado ingl�s do s�culo XVIII e XIX. Quanto ao livro de Julian Barnes, The Lemon Table, Londres, Jonathan Cape, 2004, � um conjunto de contos que, como toda a fic��o, � imposs�vel de comentar sem abrir, ler.A capa � bonita, mas o m�rito � de quem fez os lim�es. 29.5.04
11:01
(JPP)
![]() das colinas de Columbia est� o "Esp�rito". Nos EUA e no Canad�, h� quatro cidades com o nome de Columbia, uma prov�ncia do Canad� "brit�nico", um "district" nos EUA com Washington dentro, um rio, uma universidade, uma enciclop�dia, uma nave espacial tombada das alturas, um memorial em Marte com uma parte de uma sonda em forma de flor. "O "Esp�rito" nasceu l� dentro - lembrar-se-�, agora que vai subir, que tamb�m ele est� "nel mezzo del cammin di nostra vita" ?
10:17
(JPP)
What thou lovest well remains, the rest is dross What thou lov'st well shall not be reft from thee What thou lov'st well is thy true heritage Whose world, or mine or theirs or is it of none? First came the seen, then thus the palpable Elysium, though it were in the halls of hell, What thou lovest well is thy true heritage What thou lov'st well shall not be reft from thee (Ezra Pound) * Bom dia! 28.5.04
27.5.04
08:31
(JPP)
Cold Morning Through an accidental crack in the curtain I can see the eight o'clock light change from charcoal to a faint gassy blue, inventing things in the morning that has a thick skin of ice on it as the water tank has, so nothing flows, all is bone, telling its tale of how hard the night had to be for any heart caught out in it, just flesh and blood no match for the mindless chill that's settled in, a great stone bird, its wings stretched stiff from the tip of Letter Hill to the cobbled bay, its gaze glacial, its hook-and-scrabble claws fast clamped on every window, its petrifying breath a cage in which all the warmth we were is shivering. (Eamon Grennan) * Bom dia! 26.5.04
17:00
(JPP)
![]() Verdadeiramente dif�cil escolher um retrato na Tetryakov, que tem uma das melhores colec��es do mundo de retratos do s�culo XIX. O retrato de Pushkin, de Kiprensky, com a face grosseira do poeta, o auto-retrato de Briulov, toda a galeria de Repin, alguns dos retratos do "realismo socialista" na Nova Tretyakov, como o de Staline com o seu estado maior, imensa pan�plia do poder nacional sovi�tico, todos podiam aqui estar. Mas h� neste Dostoyevsky uma for�a sombria, um desalinhamento interior que quase n�o arranca a pintura do fundo escuro, como se a claridade que nos permite ver a cara e o corpo do escritor fossem conseguidos com imenso esfor�o e o retrato quisesse voltar para tr�s, para a sombra e o escuro.
13:07
(JPP)
![]() O quadro de Surikov � dos mais prejudicados pela reprodu��o. � um fresco gigantesco, retratando o momento dram�tico da hist�ria russa em que a Igreja ortodoxa se dividiu, no s�culo XVII, com os Velhos Crentes (staroviery) remetidos para a clandestinidade e para a persegui��o. Os Velhos Crentes contestavam a reforma da Igreja e foram excomungados at� 1971. Sobreviveram, escondidos de todos os regimes, e hoje s�o cerca de um milh�o em v�rios pa�ses da �rea ex-sovi�tica. O quadro retrata a pris�o de Morozova, que acabou por morrer de fome. Gestos inici�ticos, incluindo uma forma diferente de persigna��o, identificavam os Velhos Crentes e alguns dos presentes fazem esses gestos de identidade. ![]()
10:52
(JPP)
![]() ![]() A esquerda comunista e socialista europeia sempre desprezou o sindicalismo americano. Considerava-o n�o politizado, anticomunista, infectado pela m�fia e demasiado obcecado pelo bem-estar dos trabalhadores e pelos seus fundos de pens�es. Personalidades como Jimmy Hoffa, dos Teamsters, simbolizavam esse rep�dio. Mas enganam-se � na hist�ria da �luta de classes� poucos sindicatos lutaram com mais dureza contra as grandes companhias. N�o h� na Europa muitos exemplos de confrontos de �classe� como o que op�s o sindicalista Hoffa ao menino rico Robert Kennedy nas audi�ncias do inqu�rito sobre crime organizado. De antologia.
09:37
(JPP)
Morning Sorrows Sad memory wakes anew at morning's touch And, as some muscles move without our will, She seizes, with involuntary clutch, The sorrow that we hate, our bosom ill; But we are formed with such fine wisdom, such A Providence our moral need supplies, That we can seldom overrate our sighs Nor prize our organs of regret too much; Then welcome still these ever-new returns Of anguish! Who escapes or can escape The burthen, while the great world sins and mourns? Grief comes to all, whatever be her shape To each, but we are framed with pain to cope; And, when we bow, we help our climbing hope. (Charles Turner) * Bom dia!
02:16
(JPP)
![]() Escolher um quadro de Repin foi dif�cil. Havia literalmente outras dez escolhas poss�veis, entre as quais um genial retrato de Mussorgsky (� esquerda) ![]() ![]() 25.5.04
10:49
(JPP)
Algu�m me pode ajudar a resolver um problema bizarro de desapari��o de imagens, apesar de tudo estar a funcionar normalmente? * Obrigado a Albano Ferreira que identificou o problema: "O problema n�o � com as imagens, mas com o Blogger.De h� uns tempos para c� os endere�os com www d�o problemas.Ou seja, o http://abrupto.blogspot.com/ funciona bem, mas o http://www.abrupto.blogspot.com/ j� n�o. Como as imagens tem o www no URL, consegue-se ver o Blog mas n�o as imagens." Experimentei mudar o URL e a �ltima imagem que coloquei ficou vis�vel, mas espero que o Blogger volte ao normal e resolva o problema antes de mexer mais nas outras.
09:37
(JPP)
A Guerra Que Aflige Com Os Seus Esquadr�es o Mundo A guerra que aflige com os seus esquadr�es o Mundo, � o tipo perfeito de erro da filosofia. A guerra, como tudo humano, quer alterar. Mas a guerra, mais do que tudo, quer alterar e alterar muito E alterar depressa. Mas a guerra inflige a morte. E a morte � o desprezo do universo por n�s. Tendo por conseq��ncia a morte, a guerra prova que � falsa. Sendo falsa, prova que � falso todo o querer-alterar. Deixemos o universo exterior e os outros homens onde a Natureza os p�s. Tudo � orgulho e inconsci�ncia. Tudo � querer mexer-se, fazer cousas, deixar rasto. Para o cora��o e o comandante dos esquadr�es Regressa aos bocados o universo exterior. A qu�mica direta da Natureza N�o deixa lugar vago para o pensamento. A humanidade � uma revolta de escravos. A humanidade � um governo usurpado pelo povo. Existe porque usurpou, mas erra porque usurpar � n�o ter direito. Deixai existir o mundo exterior e a humanidade natural! Paz a todas as cousas pr�-humanas, mesmo no homem! Paz � ess�ncia inteiramente exterior do Universo! (Fernando Pessoa) * Bom dia! 24.5.04
22:32
(JPP)
![]() Uma excelente antologia de Vasco Gra�a Moura do meu familiar Pedro Homem de Mello. Recordo-o a chamar-me �meu primo� e eu, imbecil, a fazer de conta que n�o percebia a amabilidade. Era o homem do folclore da televis�o da ditadura, dos sargaceiros da Ap�lia, dos ranchos e eu detestava esse mundo. Era tamb�m um grande poeta, daqueles que brilham numa antologia, escolhidos a dedo, com dedos que descobrem muitos poemas magn�ficos. Fica este para amostra, mas h� muitos mais: SOLID�O O solid�o! A noite, quando, estranho, vagueio sem destino, pelas ruas, o mar todo � de pedra... E continuas. Todo o vento � poeira... E continuas. A Lua, fria, pesa... E continuas. Uma hora passa e outra... E continuas. Nas minhas m�os vazias continuas, No meu sexo indom�vel continuas, Na minha branca ins�nia continuas, Paro como quem foge. E continuas. Chamo por toda a gente. E continuas. Ningu�m me ouve. Ningu�m! E continuas. Invento um verso... E rasgo-o. E continuas. Eterna, continuas... Mas sei por fim que sou do teu tamanho! ![]() Nancy Mitford, Noblesse Oblige, Oxford University Press, 2002 Finalmente vou ler o famoso debate entre os �U� e os �non-U�, que conhecia das refer�ncias da irm� comunista. ![]() George Steiner, Lessons of the Masters, Harvard University Press, 2003 Por raz�es mais que obvias. ![]() Mohammad-Ali Amir.Moezzi / Christian Jambet, Qu�est-ce que le Sh�isme? , Paris, Fayrad, 2004 Por raz�es �bvias, para ver se estudo alguma coisa da mat�ria para al�m das hist�rias de Ali e Hussein.
18:23
(JPP)
![]() (Na Nova Tretyakov)
09:33
(JPP)
![]() * Para acrescentar ao quadro, aqui segue uma tradu��o um pouco apressada do Anticristo de Nietzsche sobre este momento: "Para al�m disso, no Novo Testamento s� aparece uma figura digna de honra: Pilatos, o vice-rei romano. Olhar para um embroglio judaico seriamente � estava muito para al�m dele. Um judeu a mais ou a menos � interessava a algu�m? O desprezo nobre de um romano, diante de quem a palavra verdade era manipulada sem vergonha, enriqueceu o Novo Testamento com a �nica frase que tem algum valor � e que � ao mesmo tempo a sua cr�tica e a sua destrui��o: �o que � a verdade?� * Rui Amaral, do Quartzo, Feldspato e Mica, sugere que este quadro seja visto/lido junto com o poema da Spoon River Anthology, de Edgar Lee Masters OAKS TUTT My mother was for woman's rights And my father was the rich miller at London Mills. I dreamed of the wrongs of the world and wanted to right them. When my father died, I set out to see peoples and countries In order to learn how to reform the world. I traveled through many lands. I saw the ruins of Rome, And the ruins of Athens, And the ruins of Thebes. And I sat by moonlight amid the necropolis of Memphis. There I was caught up by wings of flame, And a voice from heaven said to me: "Injustice, Untruth destroyed them. Go forth! Preach Justice! Preach Truth!" And I hastened back to Spoon River To say farewell to my mother before beginning my work. They all saw a strange light in my eye. And by and by, when I talked, they discovered What had come in my mind. Then Jonathan Swift Somers challenged me to debate The subject, (I taking the negative): "Pontius Pilate, the Greatest Philosopher of the World." And he won the debate by saying at last, "Before you reform the world, Mr. Tutt, Please answer the question of Pontius Pilate: "What is Truth?"
09:24
(JPP)
Complainte des cr�puscules c�libataires C'est l'existence des passants... Oh ! tant d'histoires personnelles !... Qu'am�rement int�ressant De se navrer de leur kyrielle ! Ils s'en vont flair�s d'obscurs chiens, Ou portent des paquets, ou fl�nent... Ah ! sont-ils assez quotidiens, Tueurs de temps et monomanes, Et lorgneurs d'or comme de strass Aux quotidiennes devantures ! ... La vitrine allume son gaz, Toujours de nouvelles figures ... Oh ! que tout m'est accidentel ! Oh ! j'ai-t-y l'�me perp�tuelle !... H�las, dans ce cas, rien de tel Que de pleurer une infid�le !... Mais qu'ai-je donc laiss� l�-bas, Rien. Eh ! voil� mon grand reproche ! � culte d'un Dieu qui n'est pas Quand feras-tu taire tes cloches !... Je vague depuis le matin, En proie � des loisirs coupables, Epiant quelque grand destin Dans l'�il de mes douces semblables Oh ! rien qu'un l�che point d'arr�t Dans mon destin qui se d�vide !... Un amour pour moi tout expr�s En un chez nous de chrysalide !... Un simple c�ur, et des regards Purs de tout esprit de conqu�te, Je suis si ext�nu� d'art ! Me r�p�ter, oh ! mal de t�te !... Va, et les goutti�res de l'ennui ! �a goutte, goutte sur ma nuque... �a claque, claque � petit bruit... Oh ! �a claquera jusque... jusque ?... (Jules Laforgue) * Bom dia! 23.5.04
22:39
(JPP)
O destino dos �museus da revolu��o� depois do fim das ditas � particularmente ingl�rio. Conheci v�rios, na RDA, na Alb�nia, na R�ssia. O da R�ssia era naturalmente o mais ambicioso, embora o da RDA fosse um bom exemplo da �cientificidade�alem�. A sala sobre o Muro era magn�fica de humor negro, com o Muro visto do lado dos seus construtores. Uma barreira contra os espi�es, a pornografia, o crime e � as salsichas do fetichismo do consumo. O museu alban�s tinha tantas salas para Enver Hodja que, expurgado delas, parecia uma arrecada��o vazia. O russo chama-se hoje Museu de Hist�ria Contempor�nea da R�ssia mas, l� no fundo, mudou pouco na sua ortodoxia expositiva. Tem muita �revolu��o� do antigamente, bastante Staline, acrescentado recentemente, e que, pelos visto, � popular com os turistas, uma sala apressada com Krutchov e depois � Putin na sua gl�ria de homem de estado. N�o se v� o longo Brejnev, nem os breves Andropov e Tchernenko, censurados. Gorbachov, idem. (Continua)
22:22
(JPP)
foi uma s�rie do Abrupto muito participada pelos seus leitores em 2003. Jos� Paulo Andrade colocou agora em linha fotos de alguns desses objectos aqui.
12:06
(JPP)
![]() No Abrupto ser�o reproduzidos dez quadros de pintura russa expostos na Galeria Tretyakov em Moscovo. A escolha � minha, e � como todas as escolhas. A ordem � arbitr�ria. S�o quadros muito conhecidos na R�ssia, mas quase ignorados fora dela, e o mesmo acontece com os seus autores. � dif�cil num blogue dar uma ideia da for�a imensa destes quadros, alguns gigantescos de dimens�o, outros com t�o fino tra�o pict�rico que os pormenores se perdem na reprodu��o. Mesmo assim, acho que vale a pena. (Texto sobre Vereshchagin em breve)
11:16
(JPP)
(Para o Almocreve das Petas no seu anivers�rio) Moscovo. Biblioteca de L�nguas Estrangeiras. Sala Oval. Estantes at� ao tecto com livros alem�es. Encaderna��es de luxo. Nenhum livro posterior aos anos vinte. Hist�rias de regimentos. Livros de anivers�rio do Kaiser. Pensei que a colec��o datava da primeira guerra mundial, tendo talvez como origem uma biblioteca militar especializada, tal era a abund�ncia de militaria. Talvez do ex�rcito czarista para estudar o inimigo alem�o. Era e n�o era. Ekaterina Genieva, directora da Biblioteca, no meio de uma conversa sobre a �grande guerra patri�tica�, a segunda, disse de repente: �Est�o a ver nesta biblioteca toda essa hist�ria. Um pa�s normal n�o tem �bibliotecas de l�nguas estrangeiras�, tem bibliotecas. Isto foi uma inven��o dos sovi�ticos para separar os livros. Est�o aqui cinco milh�es de volumes, em mais de cento e quarenta l�nguas, mas mais de dez mil s�o �livros-trof�us�. Por exemplo, os que est�o nesta sala.� �Livros-trof�us�, livros saqueados pelo Ex�rcito Vermelho de bibliotecas alem�es durante e no final da II Guerra Mundial, e trazidos para a URSS como trof�us de guerra, cuja devolu��o, junto com milhares de obras de arte, a Alemanha reclama. Estava tudo explicado.
10:50
(JPP)
![]() hoje de manh� est� coberto pela bruma, e descansa do fogo. Mas, no s�bado passado, o Piton de la Fournaise merecia o nome, embora continue hesitante. Este rio de lava desceu do Piton de Bert, passou ao lado do Nez Coup� du Tremblet, mas assustou-se quando chegou �s Grandes Pentes e parou em frente do Grand Brul�. Quando for grande quero ser "nomenclador" de vulc�es tropicais.
10:07
(JPP)
Le frais matin dorait Le frais matin dorait de sa clart� premi�re La cime des bambous et des g�rofliers. Oh ! les mille chansons des oiseaux familiers Palpitant dans l'air rose et buvant la lumi�re ! Comme lui tu brillais, � ma douce lumi�re, Et tu chantais comme eux vers les cieux familiers ! A l'ombre des letchis et des g�rofliers, C'�tait toi que mon coeur contemplait la premi�re. Telle, au Jardin c�leste, � l'aurore premi�re, La jeune �ve, sous les divins g�rofliers, Toute pareille encore aux anges familiers, De ses yeux innocents r�pandait la lumi�re. Harmonie et parfum, charme, gr�ce, lumi�re, Toi vers qui s'envolaient mes songes familiers, Rayon d'or effleurant les hauts g�rofliers, O lys, qui m'as vers� mon ivresse premi�re ! La Vierge aux p�les mains t'a prise la premi�re, Ch�re �me ! Et j'ai v�cu loin des g�rofliers, Loin des sentiers charmants � tes pas familiers, Et loin du ciel natal o� fleurit ta lumi�re. Des si�cles ont pass�, dans l'ombre ou la lumi�re, Et je revois toujours mes astres familiers, Les beaux yeux qu'autrefois, sous nos g�rofliers, Le frais matin dorait de sa clart� premi�re ! (Leconte de Lisle) * Bom dia! 22.5.04
14:24
(JPP)
�Hoje a "nossa" RTP concedeu-nos mais um belo exemplo de "m� f�". No espa�o notici�rio das 20h, o jornalista Jos� Alberto Carvalho fala da Feira do Livro. Para dar um exemplo da imensa variedade das obras dispon�veis nas bancas, escolhe uma. Um livro sobre a "guerra", de algu�m ligado ao Le Monde Diplomatique. Do pref�cio, o jornalista selecciona uma passagem que partilha connosco. N�o a memorizei, mas criticava a (excessiva, subentendia-se) supremacia dos EUA a todos os n�veis. E, "a prop�sito", eis que se passa para a not�cia seguinte, directamente da feira do livro para as torturas no Iraque... � (Paulo Agostinho) "da m� f� de que fala Fernando Gil nos Impasses. Num artigo editorial, do P�blico de hoje, escreve Am�lcar Correia sob o t�tulo �horror infinito� (n�o sei como � que se h�-de chamar ao holocausto, ou ao Gulag, ou aos exterm�nios de Pol Pot ou do Ruanda; talvez �horror ainda mais infinito��)" (Abrupto) Proponho "horror transfinito", usando o termo que Cantor usou para designar os conjuntos cujo cardinal � maior que o cardinal dos conjuntos infinitos." (Ant�nio Cardoso da Concei��o) �Cachec�is e bandeiras do FCP rivalizam nas varandas da Ribeira, Miragaia e Massarelos por um lugar ao sol entre len��is, pijamas, camisas de noite, cuecas e gangas. Sempre achei fascinante este �de dentro� por fora! Talvez sirva para, a todo o momento, nos lembrar a nossa humanidade, no que ela tem de mais pragm�tico e prosaico. O excesso de urbanidade e depend�ncia das m�quinas, nomeadamente da de lavar e secar roupa, permitem esconder, ocultar e sobretudo esquecer estes ciclos e rotinas (sujar, lavar, secar, passar, arrumar, usar, sujar�) em que assentam o nosso confort�vel e higi�nico quotidiano. Nada como um passeio por essas zonas do Porto, para estabelecer as devidas propor��es, de tal modo � vis�vel o grito �aqui vive-se�! E os muitos turistas n�o parecem incomodados.� PS. Divirto-me com os correctores ortogr�ficos e sint�cticos do �Word�. Este �ltimo, comigo, est� sempre a �apitar� e o primeiro hoje diz-me que Massarelos � um erro ortogr�fico! " (Joana) �Vai amanh� (dia 19) a leil�o, na Christie�s de Amsterd�o, parte da carga de um navio portugu�s do s�culo XVI naufragado na Ilha de Mo�ambique. A carga que agora se vai dispersar foi salva pela empresa de ca�a aos tesouros Arqueonautas SA. Em todo o mundo se aperta o cerco contra a actividade das empresas de ca�a ao tesouro. A aprova��o de uma conven��o da UNESCO para a prote��o do patrim�nio cultural subaqu�tico da Humanidade � um bom exemplo desta tend�ncia. Por outro lado, cada vez mais governos de pa�ses com um passado ligado a expans�o mar�tima europeia reclamam direitos sobre os restos dos seus navios, perdidos nos quatro cantos do mundo. Assim, o governo espanhol ganhou recentemente um processo em tribunal, contra uma empresa de ca�a aos tesouros e o Estado da Virg�nia, nos EUA, que havia atribu�do a concess�o de salvados. Acho que temos o direito de saber porque � que o estado portugu�s n�o faz nada para proteger os restos arqueol�gicos dos nossos navios, � semelhan�a dos outros pa�ses do mundo.� (Filipe Castro, Ph.D. Assistant Professor Nautical Archaeology Program Texas A&M University - College Station, Texas, USA)
11:31
(JPP)
continuar�o as notas russas. Nos pr�ximos dias, dez quadros da Galeria Tretyakov escolhidos para o Abrupto.
10:50
(JPP)
![]() 20.5.04
21:26
(JPP)
Putin apontou os indicadores econ�micos de Portugal como um objectivo para a R�ssia. * Gaidar, antigo primeiro ministro, conta que o PC da Uni�o Sovi�tica o mandou a Portugal em 1988 explicar a perestroika ao PCP. De regresso, encontra-se com uma carta do PCP ao PCUS protestando por lhes ter sido enviado um "comunista pouco firme". * K., acad�mico russo, pergunta: "Se Staline tivesse chegado ao Canal da Mancha, seria que lhe chamavam o "libertador da Europa"? * Outro acad�mico: "H� os russos e os da R�ssia". * Chekov dizia da intelectualidade russa: "V�s sois talentosos e tamb�m muito perigosos". (Continua)
21:18
(JPP)
Aparecem no mercado mais ovos de Faberg�. J� h� supermercados e centros comerciais. Mas tamb�m h� qualquer coisa de estranho no ar. Algumas liberdades estabilizaram-se, mas n�o h� "ar de liberdade". Putin governa com os seus amigos do KGB. Parece um homem sem tenta��es de corrup��o pessoal, mas gosta do poder autocr�tico. A pompa do poder agrada-lhe e sobe sozinho a longa escadaria do Kremlin, pisando uma passadeira vermelha sem fim, para jurar, num p�lpito isolado, a sua fidelidade � R�ssia. � natural que pense que, procedendo assim, d� uma nova imagem do poder russo, num pa�s deprimido por anos ingl�rios e dif�ceis. Mas tanta solid�o do poder ostensiva � tamb�m um sinal do autocrata. A R�ssia � um grande pa�s e n�o � de geografia que falo. A R�ssia � um grande pa�s, por dentro. Por dentro. H� uma imensa for�a neste lado do mundo. Para onde vai, n�o sei.
09:32
(JPP)
A R�ssia de Putin revela a sua estranheza, a estranheza dos momentos de transi��o, em que n�o se � nem uma coisa, nem outra. O centro de Moscovo est� cheio de lojas de luxo, os autom�veis, cada vez mais de importa��o, enchem as gigantescas vias circulares, e todos os pre�os s�o exorbitantes. Moscovo � hoje mais cara do que T�quio. Os excessos de h� cinco anos, os magotes de pedintes ou de gente muito pobre vendendo o samovar do av�, ou os patins da juventude, ou cestos de gatinhos, quase desapareceram das escadas do metro e do grande centro comercial de luxo ao lado da Pra�a Vermelha. Mas a Chech�nia, a "quest�o nacional", permanece tabu. O vocabul�rio � policiado. As fotos de milion�rios russos na pris�o lembram aos "novos capitalistas" o risco da sua profiss�o. A diferen�a entre o que � legal e ilegal permanece discricion�ria, principalmente na �rea econ�mica. Quem decide? O poder pol�tico. Aparecem no mercado mais ovos de Faberg�. (continua) 18.5.04
22:44
(JPP)
not�cias da cidade mais cara do mundo, entre o Hotel Nacional e a m�mia de L�nine, as pinturas da Tretyakov e o ex-museu da revolu��o, entre Zukov a cavalo e as matrioskas com John Kerry "presidente", entre o soviet-chic e o soviete coisa nenhuma. 17.5.04
07:11
(JPP)
� lumineux matin � lumineux matin, jeunesse des journ�es, Matin d'or, bourdonnant et vif comme un frelon, Qui piques chaudement la nature, �tonn�e De te revoir apr�s un temps de nuit si long ; Matin, f�te de l'herbe et des bonnes ros�es, Rire du vent agile, oeil du jour curieux, Qui regardes les fleurs, par la nuit repos�es, Dans les buissons luisants s'ouvrir comme des yeux ; Heure de bel espoir qui s'�bat dans l'air vierge Emm�lant les vapeurs, les souffles, les rayons, O� les coteaux herbeux, d'o� l'aube blanche �merge, Sous les tr�fles touffus font chanter leurs grillons ; Belle heure, o� tout mouill� d'avoir bu l'eau vivante, Le frissonnant soleil que la mer a baign� �veille brusquement dans les branches mouvantes Le piaillement joyeux des oiseaux matiniers, Instant salubre et clair, � fra�che renaissance, Gai divertissement des gu�pes sur le thym, - Tu �cartes la mort, les ombres, le silence, L'orage, la fatigue et la peur, cher matin... (Anna de Noailles) * Bom dia! 16.5.04
23:10
(JPP)
com um pequeno telesc�pio: V�nus est� de quarto crescente, J�piter com os sat�lites atr�s. Ao longe, noutro planeta, passam benfiquistas buzinando. Dava um haikai.
11:57
(JPP)
Actualizados, com uma hist�ria sobre Marcello Caetano e a liberta��o da militante comunista Fernanda Paiva Tom�s, incluindo uma carta, que penso in�dita, do ent�o Presidente do Conselho.
10:25
(JPP)
Ser� pois �olimpianismo� o neologismo que utilizarei j� esta semana no artigo do P�blico. O meu pedido recebeu de imediato v�rias respostas muito interessantes e fundamentadas, que agrade�o. Algumas delas ficam aqui registadas e, embora o texto fique longo, sempre estamos a assistir � entrada de um neologismo na l�ngua portuguesa. Por v�rias raz�es, falar-se-� o suficiente de �olimpianismo� para o termo se fixar. 1. Segundo compreendi, Kenneth Minogue define-o assim: "Olympianism is the project of an intellectual elite that believes that it enjoys superior enlightenment and that its business is to spread this benefit to those living on the lower slopes of human achievement (...) Olympianism burrowed like a paradise into the most powerful institution of the emerging knowledge economy - the university"(cita��o indirecta atrav�s deste s�tio). � para este conceito que � preciso cunhar um termo ou express�o que o exprimam com a maior clareza poss�vel. 1 - Na l�ngua inglesa, segundo o Webster's de 1913, Olympianism \O*lym"pi*an*ism\, n. Worship of the Olympian gods, esp. as a dominant cult or religion. No Webster's de 1993 que tenho em casa, "olympianism" n�o aparece (talvez uma indica��o de pouca ocorr�ncia da palavra nos dias de hoje), apenas h� "olympian", sendo a sua introdu��o na l�ngua inglesa datada de 1585-95. No entanto, na Internet encontrei v�rias utiliza��es de "olympianism" que se enquadram com "olimpismo" quando esta palavra define o "esp�rito que preside as competi��es desportivas dos Jogos Ol�mpicos" ou "movimento ol�mpico internacional". De qualquer modo, pelo tipo de s�tios que utilizavam a palavra, ela parecia-me de uso relativamente restrito, quase t�cnico. Apenas uma pesquisa segundo a "lingu�stica de corpora" seria capaz de me dizer se a palavra, neste sentido, � de uso t�o corrente como "olimpismo" em portugu�s. Temos assim que, na l�ngua inglesa, a palavra "olympianism" corresponde, pelo menos, a tr�s defini��es diferentes. 2 - Como traduzir para portugu�s? Olimpiano ou olimpismo? Em portugu�s, encontrei o adjectivo "ol�mpico" e o adjectivo e substantivo masculino "olimpiano". "Ol�mpico" encontra-se em todos os dicion�rios mas "olimpiano", apenas encontrei no Morais (10.� edi��o, publicada a partir de 1949), e no Novo Dicion�rio Aur�lio de L�ngua Portuguesa, para al�m do Houaiss (como mencionou no seu blog, pelo que omiti-lo-ei) e o da Porto Editora (8.� ed.), que n�o adianta muito para o assunto. Aur�lio ol�mpico (do lat. olimpicu) adj. 1. Pertencente ou relativo ao Olimpo. 2. Pertencente ou relativo aos deuses do Olimpo [sin., nessas acep�: olimpiano] 3. Ol�mpio (1). 4. Referente �s Olimp�adas. 5. Fig. Grandioso, majestoso, divino, nobre, sublime. olimpiano (do lat. olimpianu) adj. ol�mpico (1 e 2) * s. m. O natural ou o habitante de Ol�mpia. Morais olimpiano - adj. e s. m. (de Olimpo, top.). Pertencente ou relativo ao Olimpo. Habitante do Olimpo. Mit. Designa��o dos deuses principais: J�piter, Marte, Neptuno, Plut�o, Vulcano, Apolo, Juno, Vesta, Minerva, Ceres, Diana e V�nus. no entanto, a defini��o de "ol�mpico" neste dicion�rio � bastante interessante: ol�mpico - adj. (de Olimpo, top.). Relativo a Ol�mpia, cid. do Pelopeneso. / Relativo ao Olimpo; que habita o Olimpo ou morada dos deuses / Por ext. Tudo quanto � ou tem a pretens�o de ser acima do vulgar ou do humano: �Em Portugal, h� grande facilidade em criar jerarquias ol�mpicas; fazem-se anjos, arcanjos, serafins e potestades� Camilo, Ecos Humor�sticos, II, I. e ainda define olimpismo - neol. Pr�tica, sistema, institui��o dos Jogos Ol�mpicos. 3 - Que conclus�o tiramos de tudo isto? Como se pode ver, em portugu�s, "olimpiano" parece ser mais descritivo, ao passo que "ol�mpico" disp�e do sentido figurado que parece ir, de modo mais adequado, ao encontro da defini��o de "olympianism" de Kenneth Minogue. Por outro lado, isso parece confirmado pelo uso que o adv�rbio "olimpicamente" pode ter, denotando o desprezo que algu�m pode ter por alguma coisa, devido � sua superioridade, por se considerar acima dessas coisas. No entanto, h� uma objec��o a que "olimpismo" designe o conceito definido por Minogue. Essa objec��o � aquela que a Carla j� mencionou no seu blog: a conota��o que "olimpismo" tem com o desporto, j� bastante enraizada (embora em ingl�s isso tamb�m aconte�a em certo grau) Todavia, na terminografia moderna, por influ�ncia da s�cio-terminologia, j� n�o se procura com tanto afinco um termo absolutamente monoss�mico. Entende-se que o contexto (entre outras coisas mais que a lingu�stica de texto costuma estudar) �, normalmente, suficiente para esclarecer ou desfazer a ambiguidade sobre o sentido em que a palavra � utilizada. Em princ�pio, "olimpismo", segundo este racioc�nio, deveria ser a palavra que ilustraria o conceito definido por Minogue. Ainda encontrei outros exemplos que poderiam levar � escolha de "olimpismo": Comparando com o franc�s, encontrei isto: N'oublions pas non plus de mentionner l'influence de Goethe sur Schubert qui a d'ailleurs mis un tr�s grand nombre de ses textes en musique. Il n'a jamais rencontr� Goethe mais il lui a envoy� certains de ses ouvrages et Goethe ne lui a pas r�pondu. Ce c�t� olympien de Goethe - l'olympisme de Goethe apr�s 1810 - est l'une de ses caract�ristiques jusqu'� la fin de sa vie. Il s'est enferm� dans une sorte de tour d'ivoire. Il adopte d'ailleurs le m�me comportement � l'�gard du po�te Heinrich Heine qui aura des sentiments extr�mement mitig�s vis-�-vis de Goethe. Il y a donc un contact qui ne s'est pas �tabli, une relation manqu�e entre Goethe et les intellectuels allemands, de quelque art qu'ils soient, contemporains ou post�rieurs � lui. (Fonte) Bem como, este s�tio brasileiro com esta defini��o: OLIMPIANO - Adjetivo usado por Edgar Morin (Cultura de massas no s�culo XX) para designar a categoria sagrada dos campe�es, pr�ncipes, reis, astros de cinema, playboys, artistas c�lebres. Diz Morin: "o olimpismo de uns nasce do imagin�rio, isto �, dos pap�is encarnados nos filmes (astros); o de outros nasce de sua fun��o sagrada (realeza, presid�ncia), de seus trabalhos her�icos (campe�es, exploradores) ou er�ticos (playboys). � claro que neste caso estamos perante uma tradu��o do franc�s "olym= pien". O facto de "olimpismo" em portugu�s estar conotado com o movimento ol�mpico n�o pode ser raz�o suficiente, pelo menos � partida, para que esse termo n�o possa ser tradu��o de "olympianism". Mas tamb�m n�o me perturba que "olimpianismo" possa ser adoptado para descrever este novo conceito, embora, semanticamente, me parece mais correcto semanticamente a palavra "olimpismo". N�o sei � se este sentido pegar�, mas o mundo dos termos t�cnicos est� cheio de termos e express�es que veiculam diferentes conceitos conforme o dom�nio de utiliza��o. Penso que o contexto � normalmente desambiguar o sentido do termo, pois as palavras nunca s�o utilizadas isoladas, mas em textos (o conceito de texto � algo de interessante, e h� j� algum tempo que ando �s voltas com ele, pois ser� utilizado na minha disserta��o de mestrado). Para mim, "olimpismo" ser� mais correcto, por raz�es sem�nticas. Mas "olimpianismo" tamb�m � defens�vel, at� por raz�es de clareza, que s�o bastante importantes. E a decis�o, quando se cunha um novo termo, nem sempre � s� de ordem lingu�stica, embora se apoie nela. E de qualquer modo, precisaria de fazer, mais uma ou duas indaga��es para ter a certeza em alguns dos pontos. (Rui Oliveira) 2. Apesar de olimpianismo seguir correctamente as regras de forma��o de neologismos em portugu�s, a tradi��o lexicogr�fica preconizou o uso da forma olimpismo, que se encontra registada quer em vocabul�rios mais antigos, mas ainda hoje tidos como refer�ncia, como o Vocabul�rio da L�ngua Portuguesa de Rebelo Gon�alves, quer noutros mais recentes como o Dicion�rio da L�ngua Portuguesa Contempor�nea, da Academia das Ci�ncias/Verbo, ou o portentoso Houaiss, do Instituto Ant�nio Houaiss/C�rculo de Leitores. Parece tamb�m haver uma distin��o sem�ntica entre essas duas palavras: enquanto olimpianismo poderia ser definido como �car�cter ou qualidade do que � olimpiano�, ou seja, de tudo o que est� relacionado com o Olimpo e com os seus deuses, olimpismo refere-se, como nos informam os dicion�rios acima referidos, � �organiza��o e institui��o dos Jogos Ol�mpicos e ao esp�rito que lhes preside�. Do ponto de vista da tradu��o, se pretender manter-se fiel ao original ingl�s, e como olympianism parece ser tamb�m um neologismo (�), talvez fosse prefer�vel optar pela forma olimpianismo. Olimpismo seria a tradu��o directa do ingl�s olympism ou do franc�s olympisme, que se encontram j� dicionarizados. (Pedro Mendes / Priberam Inform�tica ) 3. Em que � que ficamos? O Abrupto pergunta o seguinte: "Como � que traduzo olimpyanism? Por "olimpianismo", fiel ao uso conceptual novo (veja-se nota sobre Kenneth Minogue), ou "olimpismo"? No Houaiss h� "olimpiano" e "ol�mpico", mas n�o "olimpianismo"..." Pois voto em olimpianismo. Embora "olimpiano" n�o esteja registado no Dicion�rio da Academia, nunca poder�amos traduzir esse novo conceito por "olimpismo", uma vez que a palavra tem um determinado significado que o associa aos Jogos Ol�mpicos e que o afasta do sentido que se pretende. Olimpianismo parece-me um bom aportuguesamento. (Carla na Bomba Inteligente)
10:03
(JPP)
Em breve, um resumo das respostas que recebi ao pedido de opini�es e saberes sobre que forma adoptar para traduzir �olimpyanism�.
09:51
(JPP)
Hoje todo o �early morning� � de autoria de Fernando Almeida e Costa, a que agrade�o a colabora��o. Composed upon Westminster Bridge EARTH has not anything to show more fair: Dull would he be of soul who could pass by A sight so touching in its majesty: This City now doth like a garment wear The beauty of the morning; silent, bare, Ships, towers, domes, theatres, and temples lie Open unto the fields, and to the sky; All bright and glittering in the smokeless air. Never did sun more beautifully steep In his first splendour valley, rock, or hill; Ne'er saw I, never felt, a calm so deep! The river glideth at his own sweet will: Dear God! the very houses seem asleep; And all that mighty heart is lying still! "Numa manh� do in�cio do sec.XIX, William Wordsworth viajava com a sua irm� Dorothy, de Londres para Calais. Era ainda muito cedo quando atravessaram a Westminster Bridge, e a vis�o matinal da cidade e do rio tocou-os profundamente. Dorothy escrevia magnificamente e, nos seus di�rios - que foram publicados - surge a seguinte descri��o [Journal July 31, 1802]: "It was a beautiful morning. The city, St. Paul's, with the river, and a multitude of little boats, made a most beautiful sight as we crossed Westminster Bridge. The houses were not overhung by their cloud of smoke, and they were spread out endlessly, yet the sun shone so brightly, with such a fierce light; that there was something like the purity of one of nature's own grand spectacles." Wordsworth parece que n�o gostava particularmente de cidades, demasiado sujas, complexas e perigosas. Mas escreveu um bel�ssimo soneto sobre esse instante em que o cora��o poderoso e perigoso de Londres est� ainda adormecido. Na "early morning" da Londres de hoje � poss�vel ter uma experi�ncia, apesar de tudo, muito semelhante. " 15.5.04
12:01
(JPP)
![]() ("Esp�rito", h� dois dias, olha para tr�s.) Que me valem longe, olhando esse deserto marciano, terr�vel e limpo. Lembrando Nietzsche : �infeliz daquele que ama o deserto�. Que me valem junto do fogo, traidor vulc�o, fornalha que s� se acendeu quando lhe virei costas. ![]() (Erup��o em curso.)
11:43
(JPP)
![]() �Um grupo alegadamente ligado � Al-Qaeda exibiu um v�deo com imagens da decapita��o de um civil norte-americano, Nick Berg, cuja morte deveria ter sido prontamente condenada por todas as comunidades mu�ulmanas. Militantes do Hamas exibiram orgulhosos os restos mortais de seis soldados israelitas atingidos mortalmente em Gaza; no mesmo dia em que o ex�rcito de Israel fazia mais sete v�timas palestinianas. Como se isto n�o bastasse, as imagens insuport�veis da pris�o iraquiana de Abu Ghraib multiplicam-se e muitas (e piores) imagens est�o ainda por divulgar. O mundo n�o est�, de facto, mais seguro depois da morte pol�tica de Saddam e o horror amea�a reproduzir-se at� ao infinito. � Muito bem. Tr�s casos de horror. Melhor, quatro, porque tamb�m l� est�o �as sete v�timas palestinianas� (quem ser�o? Civis? Militantes do Hamas? N�o sabemos, s� sabemos que est�o l� para servir de contrapartida da �exibi��o� dos restos mortais dos soldados israelitas). Mas � sobre este �horror� que Am�lcar Correia vai escrever? N�o. N�o �. O resto do artigo � s� sobre um fragmento desse horror: "� medida que nos vamos aproximando da data prevista para a transi��o de poder no Iraque, � cada vez mais evidente a contradi��o e a fal�cia entre o discurso da liberdade e da democracia que conduziu a guerra e a pr�tica de torturas e de todo o tipo de arbitrariedades durante o p�s-guerra (70 a 90 por cento dos detidos s�o presos por engano)." E � assim at� ao fim. No caminho, ficou o �grupo alegadamente ligado � Al-Qaeda� (que prud�ncia!) e os militantes do Hamas; o �horror�, afinal, � bem mais finito do que parece. � americano.
10:01
(JPP)
Deixo de parte a quest�o das torturas do Iraque, que condenei sempre desde o primeiro momento de forma inequ�voca, facto que n�o conv�m lembrar por aqueles que hoje as usam essencialmente para propaganda pol�tica. Sim, porque salvo raras e honrosas excep��es, as torturas est�o a ser usadas de forma puramente instrumental para atacar a interven��o americana. Foi esse car�cter instrumental do uso das torturas para a propaganda pol�tica que eu �estraguei� lembrando a exist�ncia do chamado �relat�rio das sev�cias� de 1976, e da� a evidente irrita��o. N�o foi qualquer equival�ncia moral ou relativismo, como se pode ver lendo os textos originais que escrevi e o que disse sobre a mat�ria, pr�tica sempre saud�vel nestas coisas. Mas este t�tulo de �desonestidade intelectual� refere-se a uma frase do artigo do P�blico de Eunice Louren�o hoje. �Pacheco Pereira, que h� bem pouco tempo tinha andado a desvalorizar as torturas feitas pela PIDE�. Isto j� n�o � mat�ria de pol�tica, � de pura e simples honestidade. Eunice Lisboa est� a referir-se � cr�tica que fiz (numa nota publicada no Abrupto, em 25 de Janeiro de 2004) � sua colega de jornal S�o Jos� Almeida, e que reproduzo a seguir integralmente: �Num artigo de hoje do P�blico S�o Jos� Almeida escreve o seguinte sobre as torturas utilizadas pela PIDE: Depois acrescentei posteriormente: �Esta nota motivou uma reac��o indignada de S�o Jos� Almeida e de outros jornalistas do P�blico no Gl�ria F�cil, reafirmando a veracidade e o fundamento do que se escrevera no artigo. Entendi nada dizer porque todas as pessoas que conhecem a hist�ria da repress�o em Portugal sabem do completo infundado das afirma��es de S�o Jos� Almeida e n�o valia a pena qualquer coment�rio pelo que era uma manifesta��o de ignor�ncia solid�ria. � Ainda estou � espera que me provem que na PIDE era �tamb�m usual interrogar os presos despidos, sobretudo quando se tratava de mulheres. � Foi esta a minha �desvaloriza��o das torturas da PIDE�. Julguem como entenderem, mas isto � mau jornalismo em nome do antifascismo, e desonestidade intelectual na imputa��o a outr�m de posi��es que nunca teve, para obter efeitos pol�ticos.
09:22
(JPP)
La belle matineuse Le silence r�gnait sur la terre et sur l'onde, L'air devenait serein et l'Olympe vermeil, Et l'amoureux Z�phire affranchi du sommeil Ressuscitait les fleurs d'une haleine f�conde. L'Aurore d�ployait l'or de sa tresse blonde, Et semait de rubis le chemin du Soleil ; Enfin ce dieu venait au plus grand appareil Qu'il soit jamais venu pour �clairer le monde, Quand la jeune Philis au visage riant, Sortant de son palais plus clair que l'Orient, Fit voir une lumi�re et plus vive et plus belle. Sacr� flambeau du jour n'en soyez pas jaloux ! Vous par�tes alors aussi peu devant elle Que les feux de la nuit avaient fait devant vous. (Claude Malleville) * Bom dia! 14.5.04
18:13
(JPP)
![]() Agora j� se pode revelar o quadro que escolhi para comentar na Funda��o de Serralves, numa s�rie organizada em que um convidado escolhe um quadro e comenta-o com mais duas pessoas. No meu caso, o cr�tico de arte Bernardo Pinto de Almeida e o psiquiatra Jaime Milheiro. O quadro, datado de 1879, � de William Harnett, que, com John Peto, � autor de uma s�rie de naturezas mortas e composi��es hiper-realistas, na segunda metade do s�culo dezanove. Harnett, conhecido como o �American Zeuxis�, do pintor grego que tinha fama de pintar umas uvas t�o reais que os p�ssaros as queriam comer, teve um problema id�ntico: pintou um quadro com uma nota de cinco d�lares t�o perfeita que a pol�cia o queria condenar como fals�rio. Noutro epis�dio do mesmo estilo, uma das suas pinturas levava quem a via a querer retirar os objectos que pensava estarem dependurados no quadro, e teve que se colocar um guarda ao lado. 13.5.04
10:34
(JPP)
Em actualiza��o: editoras comunistas no Porto, nos anos trinta, e identifica��o de um desenho editado clandestinamente.
09:04
(JPP)
A manh� raia. N�o: a manh� n�o raia. A manh� � uma cousa abstracta, est�, n�o � uma cousa. Come�amos a ver o sol, a esta hora, aqui. Se o sol matutino dando nas �rvores � belo, � t�o belo se chamarmos � manh� �come�armos a ver o sol� Como o � se lhe chamarmos manh�; Por isso n�o h� vantagem em p�r nomes errados �s cousas, Nem mesmo em lhe p�r nomes alguns. (Alberto Caeiro, cortesia de Jo�o Costa) * Bom dia! 12.5.04
17:00
(JPP)
Como era bom quando o mundo era simples e o senhor Samuel Pepys, hoje, h� trezentos e quarenta e um anos, anotava no seu di�rio: �After dinner Pembleton came and I practised�. O senhor Pembleton era o seu professor de dan�a.
12:23
(JPP)
aos amigos linguistas. Como � que traduzo "olimpyanism"? Por "olimpianismo", fiel ao uso conceptual novo (veja-se nota sobre Kenneth Minogue), ou "olimpismo"? No Houaiss h� "olimpiano" e "ol�mpico", mas n�o "olimpianismo"...
01:54
(JPP)
Matin Voici le matin bleu. Ma rose et blonde amie Lasse d'amour, sous mes baisers, s'est endormie. Voici le matin bleu qui vient sur l'oreiller �teindre les lueurs oranges du foyer. L'insoucieuse dort. La fatigue a fait taire Le babil de cristal, les soupirs de panth�re. Les voraces baisers et les rires perl�s. Et l'or capricieux des cheveux d�roul�s Fait un cadre ondoyant � la t�te qui penche. Nue et fi�re de ses contours, la gorge blanche O�, sur les deux sommets, fleurit le sang vermeil, Se soul�ve et s'abaisse au rhythme du sommeil. La robe, nid de soie, � terre est affaiss�e. Hier, sous des blancheurs de batiste froiss�e La forme en a jailli libre, papillon blanc. Qui sort de son cocon, l'aile coll�e au flanc. A c�t�, sur leurs hauts talons, sont les bottines Qui font aux petits pieds ces allures mutines, Et les bas, faits de fils de la vierge crois�s, Qui prennent sur la peau des chatoiements ros�s. Epars dans tous les coins de la chambre muette Je revois les d�bris de la fi�re toilette Qu'elle portait, quand elle est arriv�e hier Tout impr�gn�e encor des senteurs de l'hiver. (Charles Cros) * Bom dia! 11.5.04
17:51
(JPP)
![]() Presid�ncia da Rep�blica, Relat�rio da Comiss�o de Averigua��o de Viol�ncias Sobre Presos Sujeitos �s Autoridades Militares, Nomeada por Resolu��o do Conselho da Revolu��o de 19 de Janeiro de 1976, Imprensa Nacional � Casa da Moeda, 1976. Algumas notas complementares: uma, os factos referem-se ao p�s-25 de Abril, essencialmente a 1975, o Presidente que assina a portada do livro era o general Costa Gomes, e o Conselho da Revolu��o era liderado pelos �militares de Abril� que costumam ir � frente das manifesta��es. Apesar de nunca ter havido julgamentos destes casos � como de muitos outros envolvendo a chamada �rede bombista� - no caos ainda prevalecente nesses anos, o Regimento do Pol�cia Militar foi dissolvido, voltando uma parte a ser o Regimento de Lanceiros 2 e criando-se a Pol�cia do Ex�rcito. Os factos relatados nunca foram verdadeiramente contestados na sua veracidade. A cadeia de comando de 1975 � conhecida: o comandante era o major Campos Andrade, que chegou a estar preso com um n�mero consider�vel de acusa��es, e libertado sem julgamento e o segundo comandante foi o Major Tom�, expulso do ex�rcito em Abril de 1976. ![]() Minist�rio da Justi�a. �Caso FP-25 de Abril� . Alega��es do Minist�rio P�blico com anexo documental, Lisboa, 1987. O livro, com quase 1050 p�ginas, foi distribu�do institucionalmente, enviado para os outros minist�rios, para a Assembleia, e, de repente, resolveu-se parar com a distribui��o, pelo que nunca chegou nem sequer � livraria do estado. Os anexos, incluindo a enorme massa documental apreendida nas opera��es policiais contra as FP 25 de Abril, com destaque para os muitos manuscritos de Otelo, s�o um retrato excepcional de uma t�pica organiza��o terrorista da �poca.
16:39
(JPP)
O conceito de �olimpianismo�, exposto por Kenneth Minogue, num artigo de Junho de 2003 do New Criterion ( e que infelizmente n�o est� em linha), � muito importante para perceber as mudan�as dos dias de hoje. H�, no entanto, um artigo complementar do mesmo autor, The Fate of Britain's National Interest , que discute quest�es pr�ximas e que tamb�m se refere ao �olimpianismo�. N�o � preciso concordar com tudo, mas que d� para pensar, d�.
11:36
(JPP)
Foi publicada recentemente a lista dos dez piores lugares do mundo para o exerc�cio do jornalismo em 2003, elaborada pelo Comit� para a Protec��o dos Jornalistas (CPJ): Iraque, Cuba, Zimbabwe, Turquemenist�o, Bangladesh, China, Eritreia, Haiti, Cisjord�nia, Faixa de Gaza, R�ssia. Usarei esta lista para fazer uma esp�cie de geografia do mal.Agora seria interessante ver, em termos de espa�o de indigna��o, que lugar cada um ocupa na escrita jornal�stica �indignada� � not�cias de �jornalismo de causas�, editoriais, coment�rios de opini�o. Imediatamente se podiam excluir os conflitos sem aparente interesse geo-estrat�gico, nos fundos malditos do Terceiro Mundo - Bangladesh, Eritreia, Haiti �, ou os lugares demasiado ex�ticos como o Turquemenist�o. Como, em nenhum caso, parece haver um envolvimento especial dos EUA, ningu�m se interessa. O caso do Haiti at� seria interessante de analisar em separado, mas deixemo-lo de parte para j�. Depois h� os desinteresses da indigna��o em que Cuba e o Zimbabwe t�m papel relevante, com dois regimes �anti-imperialistas� e socialistas. Cuba costuma ter duas ou tr�s frases de desobriga, mas n�o � preciso nenhuma lupa para perceber que h� mais inc�modo do que indigna��o. O Zimbabwe quase que s� � uma quest�o brit�nica, vista com desinteresse generalizado. A China � atacada mais pelo crime da sua economia de mercado do que pelo crime do seu comunismo. A R�ssia merece grandes sil�ncios. O Iraque, a Cisjord�nia e a Faixa de Gaza j�, pelo contr�rio, acumulam as indigna��es, o que tem todas as justifica��es. Mas, mesmo assim, as indigna��es s�o selectivas e seria dif�cil encontrar quem se tenha indignado com as viol�ncias palestinianas contra os jornalistas, tamb�m referidas no relat�rio do CPJ. Crit�rios objectivos para medir o que digo? As escolas do jornalismo do futuro far�o esse estudo, mas n�o seria dif�cil desde j� medi-lo usando a frequ�ncia e o valor simb�lico dos adjectivos utilizados e os metros quadrados de prosa e de tempo de antena.
11:00
(JPP)
![]() O �Esp�rito� continua a subir. Farto de plan�cies, farto de buracos no ch�o, j� andou uma milha com os olhos numas colinas que parecem, em tanta planura, montanhas. O �Esp�rito� leu Roland Barthes na sua juventude, nalguma parte da sua mem�ria reconstru�da est� o gosto pelas montanhas.
09:41
(JPP)
Ma chaumi�re Ma chaumi�re aurait, l'�t�, la feuill�e des bois pour parasol, et l'automne, pour jardin, au bord de la fen�tre, quelque mousse qui ench�sse les perles de la pluie, et quelque girofl�e qui fleure l'amande. Mais l'hiver, - quel plaisir, quand le matin aurait secou� ses bouquets de givre sur mes vitres gel�es, d'apercevoir bien loin, � la lisi�re de la for�t, un voyageur qui va toujours s'amoindrissant, lui et sa monture, dans la neige et la brume ! Quel plaisir, le soir, de feuilleter, sous le manteau de la chemin�e flambante et parfum�e d'une bourr�e de geni�- vre, les preux et les moines des chroniques, si merveil- leusement portraits qu'ils semblent, les uns jouter, les autres prier encore ! Et quel plaisir, la nuit, � l'heure douteuse et p�le, qui pr�c�de le point du jour, d'entendre mon coq s'�gosiller dans le gelinier et le coq d'une ferme lui r�pondre faible- ment, sentinelle juch�e aux avant-postes du village endormi., Ah ! si le roi nous lisait dans son Louvre, - � ma muse inabrit�e contre les orages de la vie ! - le seigneur suzerain de tant de fiefs qu'il ignore le nombre de ses ch�teaux ne nous marchanderait pas une chaumine ! (Aloysius Bertrand) * Bom dia! 10.5.04
18:58
(JPP)
Sobre POEIRA DE 9 DE MAIO ![]() 1. A ci�ncia de Galileu e a sua mais recente trai��o Era uma vez um famoso cientista chamado Galileu Galilei, que foi julgado pela Inquisi��o e obrigado a renegar a sua doutrina. O caso provocou um grande tumulto e, durante bem mais de duzentos e cinquenta anos, continuou a gerar indigna��o e dist�rbio � muito ap�s a opini�o p�blica haver conquistado j� a sua vit�ria e a Igreja se ter tornado tolerante para com a ci�ncia. Mas esta � agora uma hist�ria muito antiga e receio que tenha perdido o seu interesse, pois, segundo tudo indica, a ci�ncia galilaica j� n�o tem inimigos: a sua vida est� doravante segura. A vit�ria, h� muito conquistada, foi definitiva, e nada perturba o sossego desta ex-frente de batalha. Lan�amos assim, hoje em dia, um olhar distanciado sobre o caso, tendo aprendido, pelo menos, a pensar em termos hist�ricos e a compreender ambos os lados de uma discuss�o. E j� ningu�m tem paci�ncia para ouvir os ma�adores que n�o conseguem esquecer um velho agravo. Em que � que consistia afinal este velho caso? No cerne da quest�o estava o estatuto do �Sistema do Mundo� de Cop�rnico que, entre outras coisas, explicava o movimento diurno do Sol como meramente aparente e devido � rota��o da nossa pr�pria Terra. A Igreja estava perfeitamente disposta a admitir que o novo sistema era mais simples do que o antigo; que constitu�a um instrumento mais c�modo para os c�lculos astron�micos e previs�es. E a reforma do calend�rio do Papa Greg�rio fez pleno uso pr�tico dele. N�o havia nenhuma objec��o ao ensino da teoria matem�tica por Galileu, desde que este deixasse claro que o seu valor era apenas instrumental; que n�o passava de uma �suposi��o�, como o Cardeal Bellarmino dizia, (*) ou de uma �hip�tese matem�tica� � uma esp�cie de artif�cio matem�tico �inventado e assumido para abreviar e facilitar os c�lculos.� Por outras palavras, n�o havia objec��es desde que Galileu estivesse disposto a p�r-se de acordo com Andreas Osiander, que escrevera no seu pref�cio ao De revolutionibus de Cop�rnico: �Estas hip�teses n�o precisam de ser verdadeiras ou de se assemelhar sequer � verdade; pelo contr�rio, basta-lhes apenas uma coisa: produzirem c�lculos que se harmonizem com as observa��es.� O pr�prio Galileu estava, como � �bvio, perfeitamente disposto a real�ar a superioridade do sistema copernicano enquanto instrumento de c�lculo. Mas, ao mesmo tempo, conjecturava e, inclusivamente, acreditava que esse sistema constitu�a uma descri��o verdadeira do mundo. E para Galileu (como para a Igreja) este era, de longe, o aspecto mais importante da quest�o. (*) Galileu agir� avisadamente�, escreveu o cardeal Bellarmino �� se falar hipoteticamente, ex suppositione�: dizer que descrevemos melhor as apar�ncias supondo a Terra em movimento e o Sol em repouso de que se us�ssemos exc�ntricos e epiciclos � falar acertadamente. N�o h� perigo nisso, e � tudo aquilo de que o matem�tico necessita� Mais � frente Popper escreve: "Hoje em dia, a perspectiva da ci�ncia f�sica instaurada por Osiander, pelo Cardeal Bellarmino e pelo Bispo Berkeley venceu sem que nenhum outro tiro tivesse sido disparado." D� que pensar� chega mesmo a ser ir�nico o problema epistemol�gico, afinal o cardeal inquisidor estava mais pr�ximo da vis�o actual da ci�ncia do que � primeira vista parecia. (Carlos Pereira da Cruz)
18:52
(JPP)
Hoje, h� cento e quarenta anos, Arthur F. Munby cruzou-se no Covent Garden com Charles Dickens. Munby era um poeta menor e um funcion�rio com uma obsess�o secreta. Tinha uma paix�o sem limites pelas mulheres da �working class�. Para a levar � pr�tica casou em segredo com a criada. Dickens estava sozinho a passear. Tinha um chap�u novo. Munby achava-o vaidoso, mas dava um desconto. Podia ser da roupa. �Thus he passed before me, and thus, in superficial casual way. I judged of him�. Munby preferia Thackeray com a seu �grave and sad-absorbed look�.
07:58
(JPP)
Sempre me intrigou que uma pergunta nunca tenha sido feita. Ningu�m contesta que houve viol�ncias sexuais sobre menores da Casa Pia. Este � um facto incontroverso. Ningu�m pode presumir outra coisa que n�o seja a inoc�ncia dos arguidos, mas eles sair�o do tribunal ou inocentados ou culpados. Imaginem que s�o, como muita gente pensa (e outra n�o), inocentes e nada tinham a ver com os crimes cometidos. Se for assim, quem � que os cometeu?
07:37
(JPP)
Bonne pens�e du matin A quatre heures du matin, l'�t�, Le sommeil d'amour dure encore. Sous les bosquets l'aube �vapore L'odeur du soir f�t�. Mais l�-bas dans l'immense chantier Vers le soleil des Hesp�rides, En bras de chemise, les charpentiers D�j� s'agitent. Dans leur d�sert de mousse, tranquilles, Ils pr�parent les lambris pr�cieux O� la richesse de la ville Rira sous de faux cieux. Ah ! pour ces Ouvriers charmants Sujets d'un roi de Babylone, V�nus ! laisse un peu les Amants, Dont l'�me est en couronne. � Reine des Bergers ! Porte aux travailleurs l'eau-de-vie, Pour que leurs forces soient en paix En attendant le bain dans la mer, � midi. (Rimbaud) * Bom dia! 9.5.04
21:59
(JPP)
H� um documento portugu�s, posterior ao 25 de Abril, demasiado esquecido, que retrata uma realidade id�ntica �quela que envolve alguns soldados americanos. Chama-se Relat�rio da Comiss�o de Averigua��o de Viol�ncias Sobre Presos Sujeitos �s Autoridades Militares, editado pela Imprensa Nacional em 1976. � hoje uma raridade bibliogr�fica. Algumas das sev�cias cometidas s�o semelhantes �quelas que foram infligidas aos prisioneiros iraquianos, em particular, humilha��es de tipo sexual. Nesses comportamentos destacou-se o Regimento de Pol�cia Militar ent�o dirigido, entre outros, pelo Major Tom�, posteriormente dirigente da UDP.
21:29
(JPP)
Hoje, h� vinte e um anos, Jo�o Paulo II cancelou a condena��o de Galileu, ocorrida em 1633. Durante trezentos e setenta e um anos, a terra esteve doutrinariamente no centro do universo. N�o estava. N�o estava? Por detr�s do quinto c�u, junto aos anjos, Ptolomeu duvidava: �se a prendermos com um alfinete ao quadro universal do espa�o, e se utilizarmos um mais que complexo sistema de equa��es, epiciclos e deferentes, ela bem pode ficar sossegada no centro dos c�us��
08:54
(JPP)
De In Memoriam, 4 To Sleep I give my powers away; My will is bondsman to the dark; I sit within a helmless bark, And with my heart I muse and say: O heart, how fares it with thee now, That thou should fail from thy desire, Who scarcely darest to inquire, "What is it makes me beat so low?" Something it is which thou hast lost, Some pleasure from thine early years. Break thou deep vase of chilling tears, That grief hath shaken into frost! Such clouds of nameless trouble cross All night below the darkened eyes; With morning wakes the will, and cries, "Thou shalt not be the fool of loss." (Lord Alfred Tennyson ) * Bom dia! 8.5.04
23:41
(JPP)
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23:30
(JPP)
"Porque n�o chamar ao PEV (Partido Ecologista Os Verdes), SV/CDU - Sec��o Verde/CDU? A quest�o � importante porque a preocupa��o pela ecologia n�o �, nunca foi, uma quest�o puramente partid�ria. N�o existe raz�o nenhuma para que cada partido pol�tico n�o tenha os seus PEV 's como, na minha opini�o, n�o existe raz�o nenhuma para o PEV n�o ser um partido completamente independente, constitu�do por gente dos mais diversos quadrantes pol�ticos, mas com provas dadas no campo da ecologia. N�o � isso que se verifica e � pena. A legitimidade politica do PEV � nula e a sua capacidade de intervir de forma independente e objectiva � claramente inexistente. " (Afonso de Azevedo Silva Neves) Gostaria de fazer um pequeno coment�rio ao texto que lhe foi enviado pela leitora Joana, a prop�sito do Porto. Antes de tudo, parece-me que est� na hora de nos deixarmos desta disputa, umas vezes mais velada do que outras, entre Porto e Lisboa ou, Lisboa e Porto. � que as cidades, felizmente n�o s�o todas iguais (ou parecidas), de maneira a que possamos estabelecer entre elas uma esp�cie de hierarquia da beleza. Devo dizer que sou daquelas pessoas que gostam muito de Lisboa e gostam muito do Porto. Quanto ao Porto - e � este o ponto que eu queria salientar -, o facto de ser "cinzento", "s�rio" ou "fechado" ou, ainda, outros adjectivos v�rios de apar�ncia negativa que se possam aplicar (dada as ideias estereotipadas que hoje em dia circulam), n�o me parece conter em si nada de negativo: s�o apenas caracter�sticas, n�o defeitos. Na minha opini�o, � precisamente este car�cter escuro e cinzento do Porto que lhe imprime muito do seu encanto. A mescla de pedra escura, de fachadas barrocas revestidas de azulejo, de tempo chuvoso, � que lhe permite ter esse car�cter �nico e fortemente po�tico. O Porto � uma cidade bel�ssima, tal como �, e n�o precisa constantemente de ser comparado a Lisboa. Quanto a Lisboa, devo dizer que me entristece ouvir dizer (ler, neste caso) que tem uma beleza f�cil. Se h� coisa que Lisboa n�o tem � uma beleza f�cil (aqui, sim, sente-se um tom depreciativo). E, f�cil porqu�? N�o vale a pena pensarmos que s� algumas cidades precisam de tempo de descoberta. Todas precisam. As cidades s�o demasiado complexas e cont�m demasiadas subtilezas para que possamos pensar que rapidamente as podemos apreender. Lisboa � absolutamente magn�fica. Os escor�os, as igrejas embebidas nos quarteir�es, os rasg�es da Lapa com vista para o Tejo, A Rua do Alecrim que mergulha a nossa vista no rio, a topografia, a inconst�ncia de vistas, etc., etc., para n�o falar na "famosa" luz de Lisboa, tudo isto, demora tempo a interiorizar. Nada � f�cil! E a "corte" nada tem a ver com isto. J� � tempo de as pessoas do Porto deixarem de ter esse "complexo" de que Lisboa � a "cidade da "Corte"" (mesmo quando lutam constra isso, l� vem ao de cima involuntariamente). Lisboa �, de facto, a cidade da Corte. E da�? N�o � por isso que a sua beleza � mais f�cil. Porque Lisboa � a cidade da Corte (o que por si s� n�o implica facilidade na beleza), mas tamb�m � a cidade dos mouros, de Alfama, dos arameiros, dos estivadores, das prostitutas, da Cordoaria, dos portos, dos guindastes, da burguesia, do povo, do Chiado, do Bairro Alto, das ru�nas, da vaidade, da tristeza... Eu sou Lisboeta e cada vez gosto mais da minha cidade! E quanto mais viajo mais gosto de Lisboa! Mas tamb�m gosto muito, muito do Porto. Lisboa � bel�ssima, mas o Porto tamb�m. N�o interessa comparar. Nunca em Lisboa se poder� passar um fim de tarde como os da Foz nos dias em que h� vento, o c�u est� cinzento e o mar, verde, perde o seu tom azul. Nunca no Porto, poderemos ver as fachadas brancas das ruas tortas a brilhar com o brilho que sobe do Tejo. E isto, � que � magn�fico! (Clara Germana Gon�alves)
16:25
(JPP)
est� l� em baixo, com uma primeira actualiza��o. De novo, obrigado a todos.
15:28
(JPP)
Feito de tarde, com um poema matinal de Pascoaes, que a A Montanha M�gica dedicou ao anivers�rio do Abrupto. A Montanha M�gica foi o primeiro blogue com quem "falei", merece um lugar especial. De Manh� I �s vezes, quando acordo, fico a olhar As paredes do quarto; e, extasiado, Nelas, vejo, confusa, divagar Uma sombra que vem do sol doirado; Sol, que, atrav�s das frinchas, ao passar, E sendo pelas trevas assaltado, Perde o sangue, desmaia, e faz lembrar, Por uma lan�a, um corpo trespassado! E a sombra esvoa�a, na parede nua, Onde a cal branca evoca a luz da lua; Luz que molda em penumbra um mundo ignoto... E tu criatura humana, �s igualmente Vis�vel projec��o dum transcendente E invis�vel esp�rito remoto... (Teixeira de Pascoaes) 7.5.04
08:07
(JPP)
Nom cach� ![]() Le v�ritable Nom n'est pas celui qui dore les portiques, illustre les actes ; ni que le peuple m�che de d�pit ; Le v�ritable Nom n'est point lu dans le Palais m�me, ni aux jardins ni aux grottes, mais demeure cach� par les eaux sous la vo�te de l'aqueduc o� je m'abreuve. Seulement dans la tr�s grande s�cheresse, quand l'hiver cr�pite sans flux, quand les sources, basses � l'extr�me, s'encoquillent dans leurs glaces, Quand le vide est au coeur du souterrain et dans le souterrain du coeur, - o� le sang m�me ne roule plus, - sous la vo�te alors accessible se peut recueillir le Nom. Mais fondent les eaux dures, d�borde la vie, vienne le torrent d�vastateur plut�t que la Connaissance ! (Victor Segalen)
07:55
(JPP)
Numa refer�ncia ao anivers�rio do Abrupto, o Bisturi lembra uma nota que publiquei, em 30 de Agosto de 2003, e que permanece para mim program�tica: L� FORA "H� tanta coisa interessante, h� tanta coisa para aprender, como � que nos podemos aborrecer, como � que nos podemos fartar? Claro que h� tanta coisa interessante, mas � l� fora. L� FORA. Mesmo quando a trazemos para dentro � L� FORA. Mesmo quando � em n�s que essas coisas est�o, � L� FORA, longe da pegajosa circularidade do eu. Como � que algu�m se farta em dois meses, numas f�rias, em meio ano, em tudo que seja menos de uma vida inteira, n�o de escrever aqui, porque isso � o menos, � circunst�ncia, mas de ter a cabe�a L� FORA? " � o que a face meia espantada, meia curiosa, do homem � janela, que nos acompanhar� a partir de agora, quer dizer. � L� FORA.
00:57
(JPP)
interromper� a actualiza��o r�pida dos agradecimentos. Quando regressar, voltar� a ordem. E o progresso. 6.5.04
20:14
(JPP)
O PIOR "Aqueles que considero serem os piores momentos do Abrupto, t�m ambos a ver com a morte, embora considere o primeiro de que falarei mais infeliz do que o segundo. Falo do texto sobre Victor S� em Necrologias a 3 de Janeiro. N�o vou discutir o conte�do (embora a primeira parte n�o tenha primado pela eleg�ncia chegando quase ao insulto), vou discutir a oportunidade do que foi dito e suas consequ�ncias. Depois de ler o pequeno texto fiquei com a sensa��o de que ele s� serviu um objectivo: magoar quem j� estava ferido, isto �, a fam�lia e os pr�ximos. N�o vejo que outro tipo de utilidade tenha tido o texto. A biografia publicada nos �Estudos sobre Comunismo�, que tive o cuidado de consultar, parece-me �til, o coment�rio de JPP no Abrupto n�o. Os fins n�o justificam os meios. Se era assim importante falar da experi�ncia pessoal com Victor S� (seria?) eu creio que, com um pouco de paci�ncia e de habilidade � deixar passar tempo e arranjar um pretexto para o fazer � esse coment�rio teria passado sem o rasto de m�goa e de amargura que deixou. N�o, a �ltima parte do coment�rio, embora mais �humana� n�o foi redentora, e at� eu senti desconforto com o texto e pensei: se tivesse sido o meu pai, irm�o, marido, filho�. JPP utilizou um registo impressionista, mas distante e frio, com aquela �lucidez� cortante e desprovido de compaix�o para quem fica e sofre. (Eu sei que compaix�o � uma palavra e um conceito fora de moda). Por causa da morte t�o recente, imperava a emotividade e, como era �bvio e esperado, as reac��es surgiram. E aqui, para mim, tudo piorou e se tornou confrangedor. N�o foram reac��es frias, distantes e �objectivas� de colegas de profiss�o ou de alunos ou de camaradas ou de anti-fascistas que poderiam contrapor � frieza de JPP a sua pr�pria frieza. Se houve reac��es dessas que n�o tenham sido publicadas foi muito mau, se essas reac��es n�o chegaram foi ainda pior pois d� mais for�a � opini�o de JPP, que por isso e s� por isso, deveria ter sido mais contido. Foram as reac��es dos familiares, carregadas de amargura e ressentimento e dor que lemos no Abrupto. Por muito �objectivas� que tenham tentado ser e em parte conseguiram com alguma dignidade, a todo o momento transpareceu a �subjectividade� que a proximidade familiar e a dor da perda d�o e que diminui o rigor argumentativo. Lutaram com armas desiguais num terreno em que dificilmente poderiam vencer. Na altura este caso passou-me despercebido sen�o tamb�m teria tido uma reac��o minha. O outro caso diz respeito a reac��o � morte de Feher, 26/01 e seu tratamento na comunica��o social. Aqui estou absolutamente de acordo com o que disse JPP, embora n�o tenha gostado nada da forma e muito menos do t�tulo �Masturba��o da dor�. Mais uma vez pensei: e se fosse meu pai, irm�o, marido, filho teria gostado? Sem negar a qualidade sem�ntica do t�tulo, n�o posso deixar de considerar a express�o feia de mais para a ver atrelada � morte de um ser querido. Sem querer relacionar o caso acima descrito com este coment�rio pergunto-me por que � que se usa esta express�o para a dor e n�o para outras coisas? Ser� uma tentativa de menosprezar nesta �sociedade prozac� o valor e o papel da dor? Que acharemos se substituirmos na express�o a palavra �dor� por outras: �gula�, �orgulho�, �social�, �preconceito�, etc? " (Joana)
20:07
(JPP)
Uma leitora do Abrupto, Joana, fez, durante 2004, uma leitura completa do blogue e enviou-me uma s�rie de textos que v�o muito mais longe do que a aprecia��o do que tenho escrito para valerem por si s� e pela sua qualidade. Dois deles, sobre o "melhor" e o "pior" do Abrupto, guardei-os para esta ocasi�o. O que se segue � uma mem�ria pessoal e afectiva do Porto. O MELHOR "� um contra senso falar nos melhores momentos, mas houve, no entanto dois textos de que gostei de uma forma especial. O texto �Dec�ncia� a 05/07 que a prop�sito do mar do Norte e da sua ess�ncia, fala da dec�ncia. Como mais � frente referirei para mim o mar do Norte est� no Porto e ainda mais a Norte, vai de Viana do Castelo a Caminha. O segundo texto �Uma cidade que se chama Invicta� de 25 de Julho que resumiu muito do que � o meu sentimento pela minha cidade o que dela herdei, e muita da minha emo��o. O Porto, embora l� tenha nascido e vivido, cresceu tarde em mim. (�) Nessa altura o cora��o do Porto passava-me ao lado, e s� ia � Baixa quando ia ao m�dico, �s compras com a minha m�e a algum restaurante ou espect�culo no Coliseu. Foi na adolesc�ncia e nas primeiras sa�das, de autocarro, com as amigas e os amigos, tomar ch� � Arc�dia ou ir ao cinema, entre outros passeios, que comecei a conhecer o Porto, as suas ruas, os seus cantos. Depois comecei a ouvir e entender os coment�rios e aprecia��es que o meu Pai fazia sobre a cidade, mas creio que o primeiro confronto (confronto no sentido de olhar de frente, de face, sem rodeios) com o Porto real o devo a J�lio Dinis e � sua �Uma Fam�lia Inglesa�. Esse romance foi um abrir de olhos e uma ajuda preciosa para entender aquilo que via, para ter vontade de conhecer melhor a minha cidade, a sua Hist�ria, e mergulhar na sua condi��o burguesa e tradi��o comercial, sentir o seu palpitar. Dar um sentido �s ruas, ao Ateneu Comercial, ao �guia d�Ouro, a Fernandes Tom�s, � Boavista, � Foz. Posteriormente comecei a mostrar o Porto a amigos de fora e tive a sorte de o fazer muitas vezes, e fiz o que quem l� vive n�o faz: subi a Torre dos Cl�rigos, atravessei a p� a Ponte de D. Lu�s (tabuleiro superior) fui ao Museu Soares dos Reis, ao Museu Rom�ntico (creio que se chamava assim), atravessei a Ribeira (que n�o era o que � hoje), visiteis igrejas e conheci as principais Caves do Vinho do Porto, etc., etc. O meu segundo confronto com o Porto foi quando me apercebi da sua imensa beleza sem artif�cio e com a alma � vista nas suas ruas cinzentas e estreitas, nos seus bairros antigos, nas suas igrejas e pra�as, na marginal e nas belas pontes, na Foz com as mans�es de in�cios de s�culo da avenida Montevideu e com o seu cheiro a maresia, nos bairros de pescadores, e ao mesmo tempo me apercebi daquilo a que chamo a sua m�stica: sempre achei que o Porto tem uma m�stica pr�pria de cidade fechada e aparentemente �feia� que s� se revela, abre e acolhe quem ela quer. Quando mostrava a cidade e me diziam para ir � Serra do Pilar ver a vista para o Porto protestava e nunca l� ia. Vista deslumbrante era aquela do Cais de Gaia em frente � Sandeman ao fim da tarde: o rio, o mar e a imponente silhueta recortada da cidade desvendando todo o seu mist�rio As cores a� s�o sempre surpreendentes. De cada vez que l� vou n�o o fa�o com indiferen�a, h� sempre um aperto na garganta, um arrepio�At� hoje n�o vi nenhuma vista urbana t�o linda como essa e j� vi vistas deslumbrantes�Nessa altura estava eu na Faculdade de Letras, no Campo Alegre, e quando tinha carro ou ia no carro de uma amiga e vizinha faz�amos quest�o de regressar com tempo, descendo o Campo Alegre at� � Pasteleira, virar no Fluvial para a marginal e fazer esse percurso at� � Foz ao fim do dia e cada dia com a sua cor, e cada dia com a sua emo��o, e cada dia com as suas confid�ncias. Estas recorda��es tenho-as viv�ssimas. O terceiro e �ltimo confronto deu-se quando sa� do Porto e me apercebi o que dele tinha comigo, e que era subtilmente diferente do que outros portugueses tinham: um gosto pelo que � genu�no, por �o que, �, � versus �o que parece �, em todos os aspectos da vida. Notei isto sobretudo nas rela��es com os ouros: o quanto era dif�cil �s vezes as pessoas serem genu�nas, manterem a sua verticalidade, serem iguais a si pr�prias sem excita��es nem hero�smos numa sociedade que vive da apar�ncia e do interesse ao servi�o dos objectivos de cada um. Mas o ser genu�no � tamb�m, e numa vis�o feminina e cheia do quotidiano, usar pouco ouro e n�o muito dourado, ter bons len��is na cama e s� depois ter sapatos de marca, ter boa comida na mesa e partilha-la e s� depois fazer f�rias nas Maldivas, falar do que se conhece (pessoas e coisas) e reconhecer o que se desconhece, versus entreter-se com �name dropping�. Isto � do Porto, do Norte. Herdei tamb�m do Porto o t�o burgu�s gosto pela casa, n�o na vers�o moderna de tudo sacrificar em nome da decora��o (moda em Portugal nos �ltimos 10 anos?), mas na vers�o burguesa do conforto, do acolhimento, do ref�gio. Gosto de viajar, gosto, embora menos, de sair, mas a minha casa � um prolongamento do meu ser, a minha casa sou eu e espelha a minha vida n�o � uma coisa desligada do ser humano em nome da �decora��o�. No Porto viv�amos, entre amigos meus e dos meus Pais, de casa em casa. Havia sempre lugar para mais um � mesa e se eram muitos todos ajudavam e depressa se improvisava um jantar. Conhecia, e conhe�o ainda todas as casas dos meus amigos do Porto. O mesmo n�o se passa noutros locais onde vivi e vivo. Tudo isso acabou. S� uma coisa n�o acabou: os meus amigos (de diferentes quadrantes da sociedade) que resistiram ao tempo, aos caprichos da vida, �s separa��es, �s aparentes infidelidades, e que s�o prova da solidez gran�tica de que fala JPP. Com alguma regularidade, mas pouca frequ�ncia vou ao Porto s� para estar com eles. O texto de JPP sobre o Porto e a integridade � lind�ssimo e identifiquei-me logo com ele. Mas o que escrevi � a minha vers�o do �ser do Porto�, vers�o essa praticamente inalterada ao longo dos anos. O que sinto hoje j� o sentia h� dez e quinze anos atr�s. Atravessar a Ponte da Arr�bida em direc��o ao Porto nunca me deixa indiferente, ouvir o Rui Veloso cantar o �Porto Sentido� � sempre pretexto para me deixar levar, no meu �ntimo, por um pouco de sentimentalismo f�cil. At� a �Pron�ncia do Norte� dos GNR com aquela bel�ssima voz feminina, mas com uma letra pobre, me faz efeito! Talvez porque eu seja sens�vel �s pron�ncias, sotaques, palavras e express�es, sobretudo desde que vivo em Lisboa e adore descobrir aquele �qui�a� que mesmo ao fim de muitos anos no Sul n�o nos deixa d�vida sobre a nossa origem, ou um �� minha beira� em vez do �ao p� de mim�! Por tudo isto, como o percebo bem quando diz �Nunca mostrei a minha cidade, mostrar de mostrar, a quem eu n�o ache �ntegro. Sei de quem nunca l� ir� pelas minhas m�os�. A minha vers�o foi sempre, e ainda �, dizer �pois� de cada vez que me dizem que o Porto � cinzento ou s�rio e fechado (� verdade que n�o tem a beleza f�cil de Lisboa que foi e � sede da �Corte�). N�o perco um segundo do meu tempo nem da minha energia a explicar seja o que for a quem j� tudo sabe, tudo entendeu. O Porto mostra-se a quem o quer ver: a� sim, ent�o n�o perco tempo, partilho-o. " (Joana) (Continua com O PIOR)
18:20
(JPP)
O Abrupto � o verdadeiro blogue do �judeu errante�. Come�ou a ser escrito em N�poles, depois foi escrito em Paris, Veneza, Estrasburgo, Bruxelas, Istambul, Madrid, Bilbau, Pamplona, Viena, Ilha de Reuni�o, Copenhaga, Moscovo e o mais que n�o me lembro. De Lisboa, do Porto, e daqui ![]() Em tr�s continentes, v�rios mares. Alguns vulc�es. De avi�o, de comboio, de barco. Em sovi�ticos cadernos, num Moleskine, no verso de envelopes, no branco das p�ginas de jornais.
17:09
(JPP)
![]() O Abrupto deve muito � dedica��o e perseveran�a de AR e JCS que, sem descanso, o corrigiram das asneiras do seu autor. * E a todos os seus leitores activos que enviaram cr�ticas, coment�rios e colaboraram no pr�prio blogue, com textos, sugest�es de poemas, imagens. Uma lista completa ser� publicada em breve. * Primeira s�rie de agradecimentos ainda en vrac e por ordem alfab�tica. Esta lista ser� actualizada progressivamente e algumas mensagens ser�o publicadas � parte. A. Pina Cabral Afonso de Azevedo Silva Neves Am�lia Pais Anabela Dinis Antes de Cristo Ant�nio Augusto Oliveira Ant�nio Neves Catarina Campos C�sar de Oliveira Eduardo Paz Barroso Esquiz�ide raivoso Fernando Almeida e Costa Filipe Nunes Vicente Filipe Vieira de Castro Francisco Jos� Viegas Gon�alo Rosas Irene J. H. Coimbra Joana Jo�o Costa Jo�o Gomes Jo�o Gundersen Jo�o Melo Jo�o Paulo Brito Jo�o Paulo Silva Jo�o Pedro Dias Jos� Carlos Santos Jos� Pimentel Teixeira Leonel Vicente Luis Ferreira Lu�s Mota Bastos Marco Oliveira Maria Cristina Perry Maria Isabel Goul�o Maria Poppe Maria Teresa Goul�o M�rio Cordeiro Marta Mestre Nuno Baptista Nuno Marta Nuno Mota Pinto Ol�vio Mota Amador Paulo Amaral Paulo Agostinho Paulo Os�rio de Valdoleiros Pedro Lomba Raquel Pinheiro Rita Maltez Rosa Rui Carp Rui Curado Silva Rui Silva Rui Val�rio Sandra Costa Tiago Pais Vital Moreira Walter Rodrigues * Blogues: 4� Ferida Narc�sica Albergue dos Danados Almocreve das Petas Analiticamente Incorrecto Asul Autobiografia Venenosa Avatares de um Desejo Avenida dos Aliados Aviz Babugem Bisturi Blasf�mias Blog-Notas Blogu�tica Bomba Inteligente Carvalhadas on-line Causa Liberal Causa Nossa Cibertulia Circo Cerebral Daedalus Ecl�tico Estrada do Coco Extratos F�rum Comunit�rio Glosas Hauptwege und Nebenwege Impertin�ncias Janela Indiscreta Jaquinzinhos Mar Salgado M�dico Explica Medicina Mem�ria Virtual Modus Vivendi Monologo Montanha M�gica No Quinto dos Imp�rios Origem do Amor O PreDatado O PROJECTO Quartzo, Feldspato e Mica Respublica R�torica e Persuas�o Retorta Santa Ignor�ncia Sebenta Serra M�e Sindicato da Opini�o Terras do Nunca A Toca do Remexido Tugir O Vilacondense Vostrodamos What you represent * Muito obrigada a todos!
16:47
(JPP)
Em complemento hist�rico do que escrevi hoje no P�blico sobre o pseudo-partido �Os Verdes�, acrescento que um dos seus criadores foi Zita Seabra, ent�o membro do CC do PCP. Zita foi a Wuppertal estudar os �Verdes� alem�es por conta do partido e, de regresso, criou os portugueses ex-nihilo. Alguns militantes mais prop�cios para assumirem a fun��o foram escolhidos e eram controlados na pr�pria Assembleia por Zita Seabra. * Nota: veja-se no Causa Nossa uma rectifica��o, com raz�o, de Vital Moreira a uma minha imputa��o de que teria "defendido" os Verdes.
15:39
(JPP)
Lembran�a do Francisco Jos� Viegas no anivers�rio do blogue do "judeu errante" : �Com dor, da gente fugia, antes que esta assi crecesse; agora j� fugiria de mim, se de mim pudesse. Que meio espero ou que fim do v�o trabalho que sigo, pois que trago a mim comigo, tamanho imigo de mim?� (S� de Miranda)
13:55
(JPP)
No fim do dia, agradecerei a todos os que est�o a dar os parab�ns ao Abrupto. 5.5.04
09:48
(JPP)
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07:57
(JPP)
Em honra de Estrasburgo, em honra de Maio, passando pelo Reno, um dos poemas "renanos" de Appolinaire Mai Le mai le joli mai en barque sur le Rhin Des dames regardaient du haut de la montagne Vous �tes si jolies mais la barque s'�loigne Qui donc a fait pleurer les saules riverains ? Or des vergers fleuris se figeaient en arri�re Les p�tales tomb�s des cerisiers de mai Sont les ongles de celle que j'ai tant aim�e Les p�tales fleuris sont comme ses paupi�res Sur le chemin du bord du fleuve lentement Un ours un singe un chien men�s par des tziganes Suivaient une roulotte tra�n�e par un �ne Tandis que s'�loignait dans les vignes rh�nanes Sur un fifre lointain un air de r�giment Le mai le joli mai a par� les ruines De lierre de vigne vierge et de rosiers Le vent du Rhin secoue sur le bord les osiers Et les roseaux jaseurs et les fleurs nues des vignes (Guillaume Appolinaire) * Amanh�, o Abrupto far� um ano. * Bom dia!
07:46
(JPP)
Os deputados europeus tem fama de n�o fazerem nada. Ali�s os deputados em geral. Fama. Ontem � tarde por volta das cinco horas "desci" a Estrasburgo. Faltei a uma reuni�o, mea culpa, mas as reuni�es em v�speras de novas elei��es j� s� s�o congratulat�rias e de despedida. Com alguma perplexidade, percebi que, em cinco anos de mandato, nunca tinha visto a cidade �quela hora da tarde, as pessoas na rua, as lojas abertas, uma anima��o que me era completamente estranha. Como � que durante este tempo todo nunca vim ver os alfarrabistas na rua, o carrocel a funcionar, enfim, as "amenidades" da cidade em pleno? Est�pido, chamei-me a mim mesmo. Fama sem proveito. N�o h� nada a fazer. 4.5.04
14:50
(JPP)
"Mais uma corrida, mais uma viagem", o meu grito-lamento, sempre que entro pela en�sima vez num avi�o. � dif�cil haver um meio de transporte mais inconfort�vel, mais desertificado, mais contra natura do que o avi�o. N�o todos os avi�es, mas o avi�o comercial - o meu doutoramento � em Airbus, com um grau secund�rio em Boeing, mas com semin�rios nos pequenos da Embraer, nos Saab, nos Fokker, nos Avro - onde tudo � mau: o espa�o, a luz, a comida, as cadeiras, o ar. Se tivesse andado em Zeppelins teria saudades. Espero agora que , pouco a pouco, haja menos corridas, menos viagens, quando me despe�o da bela Estrasburgo, uma terra interessante, confort�vel, burguesa, provinciana mas com lastro. Aqui o Parlamento Europeu tem uma absurda passagem obrigat�ria mensal, car�ssima e dispersiva, imposs�vel a prazo de manter quando se acumularem os problemas para c� chegar com a Europa dos 25. Os franceses, que sabem que se os deputados tivessem liberdade de escolher o local de trabalho, fechavam o gigantesco edif�cio prisional do Parlamento no dia seguinte, meteram a obrigatoriedade das sess�es em Estrasburgo nos tratados, com n�mero de sess�es anuais e tudo. 3.5.04
09:06
(JPP)
Good Morning Blues Good Morning Blues Blues, how do you do? Good Morning Blues Blues, how do you do? Well I�m doing all right, Good Morning, how are you? I laid down last night I was turning from side to side I laid down last night I was turning from side to side I was not sick, But I was just dissatisfied I woke up this morning The Blues was walking round� my bed I woke up this morning The Blues was walking round� my bed I went to eat my breakfast The Blues was all in my bread I sent for you baby Here you come walking today I sent for my baby Here she comes walking today She had her mouth wide open She just don�t know what to say Good Morning Blues Blues, how do you do? Good Morning Blues Blues, how do you do? Well I�m doing all right, Good Morning, how are you? (Leadbelly) * O bom dia j� est� incorporado no texto acima. 2.5.04
22:24
(JPP)
�It would nevertheless be wrong and imprudent to entrust the secrets knowledge or experience of the atomic bomb, which the United States, Great Britain and Canada now share, to the world organization (UN), while it is still in its infancy. It would be criminal maddness to cast it adrift in this still agitated and ununited world. No one in any country has slept less well in their beds because this knowledge and the method and the raw material to apply it, are at present largely retained in soundly hands. I do not believe we should all have slept so soundly had the positions been reversed and if some Communist or Neo-fascist state monopolized for the time being these dread agencies. The fear of them alone might easily have been used to enforce totalitarian systems upon the free democratic world, with consequences appalling to human imagination�� Palavras de Winston Churchill no Sinews speech no Missouri logo ap�s a 2� grande guerra. No mesmo discurso enunciava a famosa frase: �From Stettin in the Baltic to Trieste in the Adriatic, an iron curtain has decendend across the Continent�. Pouco depois o armamento nuclear iria aparecer para l� da cortina de ferro dando origem � Guerra Fria Guerra essa que foi tudo menos fria e que levou a trag�dia a muitos povos por esse mundo fora. Hoje, ao mesmo tempo que festejamos mais uma uni�o daquilo que a cortina de ferro separou, deparamo-nos com o perigo duma repeti��o da hist�ria, desta vez com uma menor visibilidade do inimigo e uma maior probabilidade de um conflito nuclear efectivo. A pol�tica externa activa dos EU e Gr�-Bretanha no Afeganist�o, Iraque, L�bia, Paquist�o e.t.c. tem como maior virtude tentar anular a amea�a de estados activamente empenhados em programas de ADM, ou tentar controlar a produ��o e a exist�ncia de ADM que possam vir a cair em m�os indesejadas atrav�s de um qualquer tipo de processo interno. Esta � uma guerra que felizmente tem sido ganha nas v�rias frentes, inexplicavelmente, perante o desprezo de muito dos seus benefici�rios. Agora como em 1946, perante o potencial das ADM, "It would be criminal maddness to cast it adrift in this still agitated and ununited world". Damn right Sir Winston. Jo�o Santos Lima
12:42
(JPP)
![]() ![]() ![]() Mais tr�s livros que entram com gosto. Um, j� lido, � um retrato dos �labregos� galegos, nossos irm�os de vida, que a gente do Norte tem em particular estima, porque somos tamb�m �n�s�. Este manifesto do �galeguismo�, com os seus caciques, padres e alcaides, acrescenta-se ao mundo da Morgadinha dos Canaviais como uma luva. Valent�n Lamas Carvajal, Catecismo do Labrego, Lisboa, Mareantes Editora, 2004 Outro, tamb�m j� lido - como todos os livros de poesia, para tr�s e para a frente - melhorar� os �early morning blues�. Como todos os livros desta colec��o da Everyman�s, � muito bonito, tem mesmo uma fitinha azul para marcar os poemas mais especiais. Deixei a fitinha a ver-se. Blues Poems, Londres, Everyman�s, s.d. O ultimo, que ainda n�o li, fala do p�lo Norte e do gelo, ou pelo menos presumo que fale. Comprei-o para a minha sec��o sobre o frio, neve e gelo, p�los e icebergues. Michel Onfray, Esth�tique du p�le Nord, Paris, Grasset, 2002.
10:49
(JPP)
MORNING JOY Piano buttons, stitched on morning lights. Jazz wakes with the day, As I awaken with jazz, love lit the night. Eyes appear and disappear, To lead me once more, to a green moon. Streets paved with opal sadness, Lead me counterclockwise, to pockets of joy, And jazz. (Bob Kaufman, cortesia de Jo�o Costa) * Bom dia! 1.5.04
09:20
(JPP)
Heureux qui, comme Ulysse, a fait un beau voyage, Ou comme cestuy-l� qui conquit la toison, Et puis est retourn�, plein d'usage et raison, Vivre entre ses parents le reste de son �ge ! Quand reverrai-je, h�las ! de mon petit village Fumer la chemin�e, et en quelle saison Reverrai-je le clos de ma pauvre maison, Qui m'est une province et beaucoup davantage ? Plus me pla�t le s�jour qu'ont b�ti mes a�eux, Que des palais Romains le front audacieux : Plus que le marbre dur me pla�t l'ardoise fine, Plus mon Loire Gaulois que le Tibre Latin, Plus mon petit Lir� que le mont Palatin, Et plus que l'air marin la douceur Angevine. (Joachim du Bellay) * Bom dia!
� Jos� Pacheco Pereira
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