ABRUPTO |
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jppereira@gmail.com
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30.11.03
11:28
(JPP)
de ontem , uma das mais belas fotografias de sempre, � de Man Ray e data de 1929. Chama-se �Hands on Lips�, um gesto que pode ser tudo na sua infinita delicadeza.
11:16
(JPP)
![]() Que Sol entrava nas estufas feitas com as centenas de milhares de negativos tirados durante a guerra civil americana e vendidos ao desbarato como placas de vidro? Que luz ia, pouco a pouco, fazendo desaparecer as faces dos soldados, os grupos de amigos dum regimento confederado ou da Uni�o, as imagens de um banal campo de trigo cheio de sangue invis�vel, os montes de membros amputados a apodrecer ao lado de uma tenda de campanha? Como nos esquecemos? Tempus edax rerum. � verdade que sobra o vidro, areia restitu�da a uma forma mais perfeita, mais eterna que uma rocha. Nem tudo o tempo come.
10:46
(JPP)
Acordar com Borges ser� verdadeiramente acordar? Ser� que quem adormeceu � o mesmo que acorda? Ou os sonhos s�o uma esp�cie de body snatchers que cada noite nos colocam �del otro lado de su muro�? El sue�o "Si el sue�o fuera (como dicen) una tregua, un puro reposo de la mente, �por qu�, si te despiertan bruscamente, sientes que te han robado una fortuna? �Por qu� es tan triste madrugar? La hora nos despoja de un don inconcebible, tan �ntimo que s�lo es traducible en un sopor que la vigilia dora de sue�os, que bien pueden ser reflejos truncos de los tesoros de la sombra, de un orbe intemporal que no se nombra y que el d�a deforma en sus espejos. �Qui�n ser�s esta noche en el oscuro sue�o, del otro lado de su muro?." Jorge Luis Borges, 1964 (cortesia de Jo�o Costa)
03:22
(JPP)
![]() Acabei finalmente de ver a longa s�rie de epis�dios da The Civil War de Ken Burns. Junto com o Shoah de Lanzmann, com a qual tem ali�s parecen�as na economia de meios e na intensidade dram�tica que consegue com essa economia, representa o melhor que se pode fazer em document�rio hist�rico, sendo eles pr�prios obras de grande qualidade est�tica. � dif�cil dizer o que � melhor nesta hist�ria dos anos da guerra da Secess�o: se o retrato das principais personagens, Lincoln primeiro, depois os grandes militares de ambos os lados, Grant, Lee, Sherman, Forrest, e incont�veis comandantes forjados no combate, se a longa sucess�o de fotografias a preto e branco, parte do milh�o de negativos tirados durante a guerra, ou se os coment�rios de grande proximidade afectiva de um escritor do sul, Shelby Foote. Uma coisa a s�rie faz com absoluta precis�o: o uso das palavras, das frases, das cartas, dos discursos, das notas, dos di�rios, dando-lhe uma forte textura liter�ria. E se nessas vozes, muitas vezes quase an�nimas, emergem com grandeza as de Lincoln e Douglass, tamb�m � evidente que um enfermeiro volunt�rio de Nova Iorque, de nome Walt Withman e autor de um livro considerado ofensivo, estava a escrever p�ginas �nicas sobre a experi�ncia da dor e da guerra. 29.11.03
23:50
(JPP)
Para os que ainda se recordam de uma s�rie de notas publicadas no Abrupto h� uns meses, aqui fica a indica��o de um interessante ensaio, encomendado pela Motorola, sobre os efeitos sociais dos telem�veis.
22:26
(JPP)
de ontem era a de Reinhart, retratando-se, numa paisagem italiana. Data de 1835 e est� num museu em Copenhaga.
18:28
(JPP)
![]() �O que encontrou � sua volta no metro, essa sensa��o angustiante de tristeza nos rostos, nos gestos, na postura, senti-a eu quando fui (temporariamente) da minha Coimbra para os sub�rbios de Lisboa, h� alguns anos atr�s. Em Coimbra os transportes p�blicos eram e s�o locais de encontros familiares e habituais. Ouvem-se conversas como se estiv�ssemos num caf�, h� agita��o e risos, por vezes tamb�m discuss�es e os sempre pitorescos lamentos das idosas, que ao mote "Ol�, boa tarde, como est�?", desenvolvem listas de doen�as e queixumes que s� terminam na paragem em que desce o ouvinte ou a queixosa. Mas naquelas linhas de comboios suburbanos que conduziam a Lisboa, sobretudo na linha de Sintra, sentava-me a olhar os rostos e os gestos dos passageiros e sentia essa tristeza a inundar a carruagem e a sufocar. A viagem tornava-se longa e as pessoas que se destacavam n�o o faziam pelo volume da voz ou pela originalidade dos coment�rios, mas pelo sil�ncio e pelo vazio que lhes encontrava no olhar. N�o exagero, foi o que senti. A verdade � que, nesses momentos, me senti sempre deslocado e com saudades de Coimbra. Hoje, ao ler o seu coment�rio, recordei-me.� (Paulo Agostinho) Sobre O ESCRITOR COMO FUNCION�RIO P�BLICO �Sou por defini��o contra a ideia do subs�dio seja para o que for (provavelmente por ter sido agr�noma e ver muito dinheiro desperdi�ado) ideia essa que acho que devia ser abandonada por um algo semelhante a um empr�stimo, em que deveria uma parte ficar com o projecto que o solicitou e a outra parte, ap�s o fim do projecto retornar ao Estado. Agora subs�dios, n�o, porque sempre me pareceu que criam uma ideia falsa de que s�o um direito para quem os recebe, n�o se subentendendo as obriga��es reais que estiveram subjacentes ao seu pedido. Pelo menos por c�, � sempre entendido como �olha, se funcionar funcionou sen�o, paci�ncia�. Sabendo tamb�m dos problemas que h� na fiscaliza��o, ainda mais me conven�o que quem utiliza convenientemente o dinheiro que recebe normalmente n�o o recebe n�o quantidade que devia. Se n�o fosse esse o caso, nesta pequena dezena e um pouco de anos, a nossa agricultura tinha evoluido um pouco mais. O subs�dio vai contra o esp�rito empreendedor. No caso dos escritores, e sempre me pareceu do teatro e cinema, nunca percebi como � feita uma an�lise objectiva e concreta num meio cujo resultado me parece sempre t�o subjectivo. Est� em muito dependente dos gostos de cada um de n�s leitores. Actualmente n�o tanto porque o marketing consegue alterar-nos os gostos e os sabores.� (Elisa Resina) �Todos os subs�dios e bolsas pressup�em uma avalia��o feita sobre o trabalho de quem � benefici�rio. As bolsas t�m um papel a desempenhar, assim como os subs�dios, o que deve existir s�o regras claras e o objectivo da sua concess�o estar delineado � partida, assim como as obriga��es a que o benefici�rio se sujeita. A escrita ainda � das actividades criadores que se consegue fazer com menores meios, no limite, basta papel e caneta, j� outras artes necessitam de mais investimento tecnol�gico. No caso da fotografia, h� sempre alguns gastos que � necess�rio fazer � partida, embora mesmo com uma m�quina muito simples se consigam produzir excelentes fotografias (n�o no sentido estritamente t�cnico do termo), tal como os trabalhos de Bernard Plossu demonstram. No entanto, um dos problemas que se p�e tem a ver com a quest�o da divulga��o dos trabalhos uma vez a fase da cria��o estar terminada. A� penso que faz falta alguma habitua��o do p�blico a encarar as artes de uma forma mais natural e n�o sentirem tanta resist�ncia � compra de obras (obras de artistas reconhecidos e cotados ser�o sempre relativamente elevadas) e a criarem dessa forma alguma revitaliza��o de um mercado muito in�spito para quem n�o � conhecido.� (M�rio Filipe Pires) PORQUE � QUE SE ESCREVE? �Penso que h�: 1. Quem escreva por que tem necessidade de escrever. 2. Quem escreva porque necessita de ser lido. 3. Quem escreva porque tem necessidade de ser conhecido. Podemos at� ter diversas combina��es poss�veis de l�gica entre 1, 2, 3 usando com conjun��es e disjun��es: 1 /\ 2 /\ 3 (escreve por necessidade de escrever E escreve por necessidade de ser lido E escreve por necessidade de ser conhecido) 1 \/ 2 /\ 3 (escreve por necessidade de escrever OU escreve por necessidade de ser lido E escreve por necessidade de ser conhecido) 1 \/ 2 \/ 3 (escreve por necessidade de escrever OU escreve por necessidade de ser lido OU escreve por necessidade de ser conhecido) etc etc etc :-) Atribuindo valores de Verdadeiro ou Falso a 1, 2, e 3, podemos obter resultados sobre cada uma das counjun�oes/disjun��es :-)� (Nuno Figueiredo)
17:38
(JPP)
Poucas coisas na blogosfera s�o mais reaccion�rias que esta nota do Barnab�, intitulada �80 anos para isto�. REACCION�RIO 2 � reaccion�ria porque esta nota s� se pode fazer porque Odete Santos � mulher, n�o tem a beleza, nem das revistas, nem das figuras austeras das Pasionarias diversas do c�none revolucion�rio, tem uma personalidade muito pr�pria, que n�o me cabe a mim, nem a ningu�m julgar, e viola as regras tidas como sendo de conveni�ncia. Este tipo de nota nunca seria feita sobre um homem. Oitenta anos contados a partir de qu�? Da revolu��o russa? 28.11.03
23:42
(JPP)
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23:27
(JPP)
das nossas infra-estruturas principais s�o evidentes. A principal auto-estrada do pa�s, de Lisboa ao Porto, fica horas bloqueada, com filas de dezenas de quil�metros, quando ocorre qualquer acidente, mesmo de pequena dimens�o. Entre ontem e hoje, bloqueamentos sucessivos tornaram viajar entre as duas principais cidades portuguesas num pesadelo. O tempo que demora a resolver qualquer acidente n�o � normal num pa�s europeu. Tem que haver inc�ria. O mesmo se passa com os atrasos de comboios r�pidos, nos quais os passageiros pagam mais caro para chegar mais depressa. No in�cio da semana, um destes comboios entre o Porto e Lisboa ficou parado durante seis horas com os passageiros dentro, sem ar condicionado e sem poderem sair. Seis horas s�o mais que suficiente para que seja poss�vel encontrar alternativas. Tem que haver inc�ria. Nestes casos, no do comboio em particular, devia haver indemniza��es aos passageiros.
20:10
(JPP)
sobre imagem. A de ontem era a do juramento dos Batavios de Rembrandt, recorda��o de um epis�dio da revolta ocorrida na Germania Inferior em 69-70. O homem que conduz a jura n�o tem um olho e � Julius Civilis, um dos dirigentes da revolta. O chap�u que Rembrandt lhe colocou ainda tapa um cabelo normal, mas depois da jura pintou o cabelo de vermelho e deixou-o crescer. S� deveria cort�-lo quando fosse vitorioso. Nunca foi. ![]() 27.11.03
16:56
(JPP)
de ontem era parte de uma fotografia de Richard Long, de um c�rculo de pedras nos Andes. Nada mais.
10:16
(JPP)
As manh�s s�o agora �machadianas�, por puro prazer destas palavras que se bastam completamente: �S�, cada uno y todos sobre la tierra iguales: el �mnibus que arrastran dos pencos matalones, por el camino, a tumbos, hacia las estaciones, el �mnibus completo de viajeros banales, y en medio un hombre mudo, hipocondr�aco, austero, a quien se cuentan cosas y a quien se ofrece vino... Y all�, cuando se llegue, �descender� un viajero no m�s? �O habr�nse todos quedado en el camino?� Ant�nio Machado
10:00
(JPP)
O ideal de muitos escritores em Portugal � serem funcion�rios p�blicos. Muitos j� o s�o, usando esquemas pouco conhecidos e pouco escrutinados em v�rios minist�rios (como o da educa��o) e em certas autarquias, pelos quais recebem dinheiro p�blico por serem �escritores�, praticamente sem contrapartidas. O mais perverso destes mecanismos � o das �bolsas para escritores� em vers�o junior e s�nior, novo, �revela��o�, menos novo e �consagrado�. De h� muito que me pronuncio contra este tipo de subs�dios, que, como todos os subs�dios (e este � relativamente novo), gera a habitual depend�ncia. N�o vale a pena repetir o que j� muitas vezes disse e escrevi, apenas registar a defesa inflamada de Lu�sa Costa Gomes , hoje no P�blico, destes subs�dios e desta depend�ncia: "O Estado deve apoiar, encorajar, acarinhar, alimentar, tendo em conta a situa��o miser�vel da cria��o em Portugal e a agressividade das ind�strias da cultura. H� muito pouca cria��o. O Estado deve ter uma iniciativa de apoio." Todos os argumentos s�o t�picos do racioc�nio burocr�tico e est�o descritos nas v�rias leis que regulam a burocracia como a de Parkinson. Primeiro, o argumento de autoridade, da indiscutibilidade do valor da cultura � ai de quem for contra os escritores subsidiados, s� pode ser por "ressentimento anti-intelectualista". Depois, a amea�a das consequ�ncias, na forma conhecida: quantas p�ginas �nicas da nossa literatura s�o perdidas por que o estado n�o as subsidiou? "Se a Maria Velho da Costa, a nossa maior escritora viva, fosse pedir apoio ao IPLB era um concerto de vozes nos jornais! Isto ofende-me! H� um fervor contra os escritores que � estranho para mim. E isto n�o � esp�rito corporativo. Aquilo que a Maria Velho da Costa escreve, mais ningu�m escreve. Se ela n�o escrever, aquilo perde-se." Depois, tudo � sempre pouco: defende que se "deve aumentar-se o apoio � cria��o, o n�mero e as categorias" das bolsas. "Doze � pouco. Quando os apoios s�o ex�guos, as raz�es administrativas come�am a impor-se." Depois, a descri��o da �carreira� dos escritores sem hierarquia nem senioridade �adquirida�: "Os escritores em Portugal parece que est�o sempre a come�ar carreira, nada est� adquirido. � E, por fim, esta frase fabulosa para um(a) criador(a) : sem dinheiro �acabou-se�, n�o se escreve �Se o Estado n�o d�, acabou-se. N�o h� alternativas, ao contr�rio do que acontece em outros pa�ses." Olhe que sim, olhe que sim. H� outras alternativas: escrever, mesmo com dificuldades, como milhares de escritores fizeram, ao mesmo tempo que trabalhavam, viver pior para ter tempo para escrever e confiar no que se faz, arranjar um mecenas (tamb�m existem), ganhar no mercado as condi��es de escrita que se desejam (n�o, n�o � preciso fazer literatura como a da Margarida Rebelo Pinto, para se ganhar algum dinheiro a escrever e n�o � desonra nenhuma), se o que se escreve n�o tem p�blico, aceitar normalmente que � assim e continuar a escrever, nem que seja num blogue que � gr�tis. Em todos os casos, ser mais fiel � puls�o de escrever do que � �carreira� de escritor. 26.11.03
22:58
(JPP)
O Piton da le Fournaise amea�a, mas n�o passa da amea�a. Abriu ontem pela primeira vez desde o dia em que l� estive, embora n�o se possa aceder �s crateras. Continuam os tremores de terra e o incha�o do vulc�o, mas de erup��o, nada. Saturno � suposto estar num excelente m�s de observa��o obrigat�ria, mas, com este tempo, nada. Nada de nada.
13:08
(JPP)
(OU PORQUE � ASSIM A HIST�RIA OU PORQUE � ASSIM A IT�LIA) ![]() H� uma coisa que ningu�m pode negar � Presid�ncia italiana da UE: as suas realiza��es culturais est�o muito acima do que � habitual. No Parlamento Europeu, onde se dependura a pior pintura do mundo, os italianos trouxeram uma melhoria consider�vel. � entrada est� um cavalo gigantesco de Mimmo Paladino, mais conhecido como o �cavalo de Berlusconi�, e, um pouco por todo o lado, arte contempor�nea que vale a pena ver.
12:53
(JPP)
de ontem era daquelas que os amadores de hist�rias aos quadradinhos identificam num segundo. Foi o que fez Jos� Carlos Santos, uma das pessoas a que o Abrupto deve mais pelo seu animus corrigendi indefect�vel. Cito, agradecendo, a sua carta: �Visto que � extraordinariamente raro eu descobrir qual � a origem das imagens que coloca no Abrupto, � sempre um grande prazer para mim que ocorra uma dessas excep��es. No caso da imagem �FUTURO PRESENTE� o prazer � duplo, por ser retirada daquela que considero ser uma das obras-primas da Banda Desenhada: Le Pi�ge Diabolique, de Edgar Pierre Jacobs. A minha opini�o sobre esta obra est� condicionada por uma paix�o de longa data por hist�rias sobre viagens no tempo. Sou da opini�o de que Le Pi�ge Diabolique � uma das duas melhores hist�rias jamais escritas sobre o assunto sendo a outra, naturalmente, The Time Machine, de H. G. Wells.� Um dia voltaremos a este assunto da m�quina do tempo. O Abrupto sempre se interessou pelo tempo, pela mem�ria, pelo esquecimento, pela hist�ria, pelo MyLifeBits, pelos objectos em extin��o, pela finitude e a perman�ncia. Acho que, se se ler bem a maioria dos textos aqui publicados, eles s�o essencialmente sobre esses temas e � volta disso.
12:42
(JPP)
Eu sei que � tarde, longe da �early morning�. Mas n�o queria deixar de dar a quem mo pediu um poema sobre a �desconocida llave� da inten��o. De Antonio Machado, o poema: �Cantad conmigo a coro: Saber, nada sabemos, de arcano mar venimos, a ignota mar iremos... Y entre los dos misterios est� el enigma grave; tres arcas cierra una desconocida llave. La luz nada ilumina y el sabio nada ense�a. �Qu� dice la palabra? �Qu� el agua de la pe�a?�
11:24
(JPP)
Revistas lidas. Excepcionalmente : ![]() O n�mero 100 dos Yale French Studies, dedicado �s �guerras culturais� entre a Fran�a e os EUA, n�o podia ser mais oportuno, at� por j� ter sa�do h� uns tr�s anos atr�s e ter sido escrito fora do contexto iraquiano. (Pode-se obter a revista-livro atrav�s do Bookchecker, o servi�o de compara��o de pre�os entre livrarias em linha.) No pref�cio e no artigo de Christie Mcdonald, �Changing Stakes: Pornography. Privacy and the Perils of Democracy�, mostra-se como se cavou fundo a diferen�a, a prop�sito de eventos como a guerra do Vietnam ou o caso Lewinsky. Regularmente: ![]() A Creative Nonfiction sobre os problemas da escrita criativa em temas n�o ficcionais, um g�nero tipicamente americano, tendo como patrono Truman Capote. Existe um endere�o para a revista que habitualmente est� � venda em Lisboa, ou na tabacaria dos Restauradores ao lado do elevador, ou na livraria Thema no Centro Colombo. (Continua)
10:39
(JPP)
O outro aspecto negativo da posi��o portuguesa sobre o d�fice franco-alem�o � o de ser contradit�ria com toda a nossa tradi��o de defesa do fortalecimento da Comiss�o face ao Conselho. Esta �, ali�s, uma das posi��es negociais de Portugal no debate sobre a Constitui��o europeia, a necessidade de uma Comiss�o forte que contrarie os interesses dos grandes pa�ses europeus e os seus ego�smos nacionais. A Comiss�o, obrigada aos tratados, sofre com esta decis�o dos Ministros das Finan�as, uma desautoriza��o completa e grave do ponto de vista institucional. Se � verdade que algu�m (alem�o neste caso) disse que n�o havia nenhum problema em diminuir o d�fice alem�o cortando nas transfer�ncias para os fundos estruturais, este � um perigoso revelador de como est�o as coisas na UE e lan�a uma s�ria suspeita sobre os motivos do entusiasmo franco-alem�o sobre a Constitui��o europeia. 25.11.03
21:25
(JPP)
A quest�o do d�fice � uma daquelas em que o governo n�o pode falhar. � o principal elemento da legitimidade pol�tica da governa��o. � por isso que � incompreens�vel o apoio portugu�s � viola��o do Pacto de Estabilidade pela Alemanha e a Fran�a. � um voto de todas as ambiguidades: sobre o nosso d�fice, sobre as rela��es de for�a na EU, sobre o papel do euro, sobre a Europa do futuro, sobre o valor dos acordos e tratados.
08:59
(JPP)
Na confus�o matinal, � minha volta, abre o Salon de Coiffure Yucef , o Snack Bar Pacha, a Typographie Hellenique, o Restaurante Coimbra, o Salon Iberico, o restaurante Kilimanjaro, a Boucherie Islamique, o caf� da Squadra Azurra e o caf� do Bom Porto. Tomara eu que a Europa seja capaz de ter tudo isto, de "engolir" num melting pot genu�no - que fa�a europeus pr�speros estes europeus do Sul , estes �rabes do Norte e estes congoleses "belgas", sem os deixar perder o seu caftan, os seus gritos napolitanos, aquela peculiar loquacidade turca, ou o ar absolutamente portugu�s do empregado num restaurante italiano que me convida para o restaurante como se fosse o dono dele, ou a alegria um pouco desengon�ada das jovens congolesas de cabelos louros em tran�as feitas no Salon Kinshasa. Onde � que eu podia ver numa tabacaria um jornal parecido com o Crime com grandes t�tulos "Kabila demande des excuses a ..."? Mas, quando subo � minha casa belga, no meio deste maelstrom, encontro uma novidade: a minha senhoria resolveu instalar portas blindadas nos apartamentos. Cada porta deve ter custado milhares de euros, mas uma brigada de m�rtires j� pode disparar umas rajadas de metralhadora, ou at� um rocket a uma dist�ncia conveniente, que nem os c�ezinhos de porcelana se partem. Que eu saiba, para al�m dos protestos da porteira, porque lhe sujam a porta (blindada) da rua, nunca houve um assalto a este pr�dio. Agora, vivo num pequeno cofre forte, suspeito que � custa do medo do tabacaria Scutari e da Taberna Mirandesa. 24.11.03
19:02
(JPP)
O metro de Bruxelas, ou se calhar apenas a minha linha, a 55 Bordet-Silence, � de uma infinita tristeza. N�o consigo encontrar uma pessoa nas carruagens que tenha um ar, j� n�o digo feliz, mas normal. Parece que uma parte de Bruxelas foi ali soterrada em vida , numa esp�cie de c�rculo do Inferno e condenada a andar eternamente �s voltas na linha 55. ![]() Olho para a carruagem: gente pobre, gente evidentemente pobre, emigrantes magrebinos, velhos trabalhadores marroquinos com o ar duro e esculpido, jaquetas de napa preta, raparigas mu�ulmanas, com ar infeliz, invariavelmente vestidas de escuro ou tons de cinzento, v�u, camisola e cal�as, sapatos grosseiros (poucas coisas dizem mais da pobreza que os sapatos), jovens negros e um ou outro rasta, toda a gente mais embrulhada na roupa do que vestida, uma jovem coreana gr�vida, agarrada � sua bolsa vermelha, imobilizada no seu assento de um, velhas senhoras dignas na sua loucura mansa. Sil�ncio. Mesmo as crian�as que sobem, empurradas pelas m�es, para estas carruagens inc�modas ficam imediatamente silenciosas. Toda a gente traz sacos de pl�stico, toda a gente se agarra ao seu saco de pl�stico, como se encontrasse nele um equil�brio que n�o h� em lado nenhum. Sil�ncio, s� se ouvem as rodas nas jun��es dos carris. Todos parecem cansados, todos devem estar cansados, porque esta linha � trabalho-casa, ou trabalho-compras-casa. Saem muitos na Gare du Midi, outros em Rogier para as compras, nos paup�rrimos centros comerciais locais, comparados com os luxuosos portugueses. Mesmo a� o subterr�neo prolonga-se nos bares e pequenos restaurantes enterrados ao n�vel da esta��o de metro. Como � poss�vel que algu�m queira a� estar, num corredor sem luz nem ar fresco?
18:24
(JPP)
![]() N�o tem sofistica��o nenhuma � � para coleccionadores e o que est� l� serve exclusivamente esse prop�sito e por isso � muito �til. Livros � venda, livros � compra, pequenos artigos sobre um autor e as suas edi��es, capas e pre�os, leil�es e colec��es, uma enorme quantidade de informa��o, alguma muito inesperada. Entre a inesperada est� o valor elevad�ssimo de algumas edi��es modernas, por exemplo, a primeira edi��o de 1997 de J. K. Rowling, Harry Potter and the Philosopher�s Stone atingiu 19.480 libras, mais do que o valor previsto num leil�o para a primeira edi��o do Ulysses de Joyce, a edi��o de Paris, que s� teve 750 exemplares, avaliado entre 10.000 e 15.000.
12:15
(JPP)
![]() Bateu todos os recordes a venda, num leil�o da colec��o de selos La Fayette, da c�lebre quadra de selos de 1 franco "vermillon vif" com um "t�te-b�che", o termo filat�lico para designar um selo invertido por erro. Os filatelistas t�m esta particularidade que partilham com o Isl�o: d�o valor � imperfei��o humana como sinal de mod�stia face � perfei��o divina. Como o azulejo, propositadamente mal colocado pelo fiel pedreiro mu�ulmano, o "t�te-b�che" da parede ou do ch�o de azulejo, tamb�m os filatelistas amam nos selos as imperfei��es.
11:57
(JPP)
em conformidade com a natureza humana, que n�o foi feita para voar, regressarei aos livros, sob um c�u bruxelense azul. Logo haver� bibliofilia. 23.11.03
12:39
(JPP)
Ilustrando teses em s�rie, imagens em s�rie. De cima para baixo: �Les marchands de craie� do bar�o belga L�on Frederic, pintado em 1882. Os de cima olham para os de baixo. Os de baixo s�o muitos. A caveira � do autor da primeira imagem que publiquei no Abrupto: Gijbrechts, feito na segunda metade do s�culo XVII, uma natureza morta com um trompe l�oeil ilustrando a Vanitas. Os negros s�o de Rubens, os p�ssaros ex�ticos de Frans Snyder e � suposto estarem a dar um concerto. A �ltima � uma foto de uma �aktion� , a prop�sito dos �48 retratos� de homens, de Richter e ocorreu no Museu Ludwig em Col�nia no dia 8 de Agosto de 1990. O cartaz, que Annete Frick e Gaby Kutz empunhavam, dizia "Die geistigen Impulse der 90-er Jahre werden von den Frauen ausgehen" (�Os impulsos intelectuais dos anos 90 v�o ser inventados pelas mulheres�.) Na revista electr�nica dedicada � obra de Joseph Beuys, Athena, h� uma refer�ncia a este protesto.
11:00
(JPP)
![]() Esta manh� tenho essa sorte rar�ssima: o Dicion�rio de Educadores Portugueses dirigido por Ant�nio N�voa e editado pela Asa. Ningu�m l� um dicion�rio de fio a pavio, mas eu comecei por procurar os meus professores no Liceu Alexandre Herculano e fiquei logo pelo meu professor de Filosofia, Cruz Malpique, uma personagem muito especial, inesquec�vel para gera��es sucessivas de estudantes. E continuei por figuras desse mundo perdido que eram os liceus portugueses, locais de elite para a elite, mas onde trabalhavam um conjunto de intelectuais, artistas e educadores, que marcaram invisivelmente Portugal, mais do que se pensa. Um dia que se fa�a um trabalho sobre a nossa mem�ria selectiva, ver-se-� como a mem�ria escolar, da escola prim�ria, do liceu, e da escola t�cnica, tem um peso nas gera��es at� � minha e depois vai-se esfumando. A democratiza��o das escolas, o ensino de massas tornou a escola uma experi�ncia colectiva, penosa e indiferenciada. Dela se tem mem�rias, mem�rias muitas vezes traum�ticas, mas essas mem�rias perdem individua��o, - onde est�o os professores que ainda s�o personae? � e tornam-se parte de um magma colectivo. Se h� coisa que a forma��o dos professores tem tentado esmagar debaixo da pedagogia � exactamente essa qualidade de personagem, de pessoalidade, do professor substit�do por "m�todos", mec�nicas de ensinar, estrat�gias de sedu��o . O Dicion�rio � um grande trabalho, mostrando os indiv�duos por detr�s dessa m�quina de reprodu��o social, uma esp�cie de requiem pelo ensino antes da massifica��o. Se quisermos fazer um mesmo dicion�rio, centrado nos dias de hoje, nos �ltimos trinta anos, quantos destes �educadores� seriam professores, professores a s�rio, e quantos encontrar�amos apenas como burocratas no aparelho do Minist�rio? Ao se ler as biografias percebe-se a imediata diferen�a. 22.11.03
23:44
(JPP)
A da flor perdida, h� um dia, � de uma gard�nia branca de Christian Rohfls de 1932, estava Hitler a preparar-se para subir ao poder. A onda � espanhola, de Guillermo Gomez Gil, e est� em Sevilha no Museu das Belas Artes. N�o sei a data, mas o mar � quase eterno. As flores s�o menos.
12:20
(JPP)
N�o sei em que jornal (no P�blico, talvez) escrevi, no in�cio do s�culo XXI, estes �desejos em dois mil caracteres a favor da anestesia e contra a bomba at�mica�. Infelizmente, o ponto dois tornou-se rapidamente actual. Este texto � obviamente anterior ao 11 de Setembro e ao Iraque, mas parece-me ser texto de blogue e dever ficar registado aqui. ![]() �Primeiro : resolver o dilema malthusiano entre o crescimento da popula��o e os recursos. Resolver este dilema sob as suas formas cl�ssicas e modernas implica v�rias coisas dif�ceis: mudar o nosso modelo predat�rio de crescimento industrial , controlar as press�es sobre a ecologia geradas pelo acesso das multid�es do terceiro mundo a consumos de massa , descobrir novos processos agr�colas , encontrar na conquista espacial um novo �espa�o vital� para a humanidade . ![]() Segundo : resolver o problema da evolu��o da guerra para formas baratas e facilmente dispon�veis de destrui��o maci�a . Isto significa encontrar meios para controlar a dissemina��o do armamento nuclear, qu�mico e biol�gico, a miniaturiza��o das armas , o terrorismo tecnol�gico . N�o se v� bem como, sem haver uma pol�cia mundial. ![]() Terceiro : impedir a utiliza��o do conhecimento do genoma humano e das t�cnicas de engenharia gen�tica para criar uma vers�o moderna dos �homens superiores� . Aproveitar, pelo contr�rio, o enorme potencial dos conhecimentos previs�veis do c�digo gen�tico para aumentar o numero de anos de vida dos humanos , evitar as doen�as evit�veis e adaptar os humanos �s mudan�as da sua ecologia . Seguir no caminho das �nicas coisas que parecem um verdadeiro progresso neste s�culo: a anestesia, por exemplo . ![]() Quarto : encaixar sem crises o prov�vel conhecimento e contacto com biologias extra-terrestres no nosso sistema solar ou fora dele, aceitar que a vit�ria do Deep Blue no xadrez lan�a a luz certa sobre a nossa �intelig�ncia� , compreender profundamente as novas dimens�es do saber que nos trar�o telesc�pios como o Hubble renovado ou as novas t�cnicas biol�gicas . ![]() Quinto: impedir que se viva numa outra sociabilidade na qual a democracia estar� em risco de ser substitu�da por uma demagogia medi�tica totalit�ria , em que se sobreviva tecnologicamente �dopado� por uma envolv�ncia afectiva de imagens em movimento em todas as dimens�es , em que a riqueza e a pobreza ser�o resultado da forma como soubermos usar a informa��o e resistir � manipula��o , em que a cria��o e a beleza ter�o que ser defendidas da usura dos tempos . N�o � brilhante, pois n�o? Mas as heran�as do XX para o XXI s�o estas.�
09:08
(JPP)
Pela nossa manh�, n�o � ainda manh� em Nova Iorque, e o poema de Lorca (cortesia de Jo�o Costa) estar� umas horas dentro da noite americana. Pobre Nova Iorque de Lorca onde �no habr� para�so ni amores deshojados�! Mas manh� � manh�, e esta era do tempo do crash: LA AURORA "La aurora de Nueva York tiene cuatro columnas de cieno y un hurac�n de negras palomas que chapotean las aguas podridas. La aurora de Nueva York gime por las inmensas escaleras buscando entre las aristas nardos de angustia dibujada. La aurora llega y nadie la recibe en su boca porque all� no hay ma�ana ni esperanza posible. A veces las monedas en enjambres furiosos taladran y devoran abandonados ni�os. Los primeros que salen comprenden con sus huesos que no habr� para�so ni amores deshojados; saben que van al cieno de n�meros y leyes, a los juegos sin arte, a sudores sin fruto. La luz es sepultada por cadenas y ruidos en imp�dico reto de ciencia sin ra�ces. Por los barrios hay gentes que vacilan insomnes como reci�n salidas de un naufragio de sangre." Federico Garc�a Lorca Bom dia , aos das nossas horas !
00:49
(JPP)
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00:31
(JPP)
BUSH EM LONDRES - �Ontem decidi-me a ver os notici�rios das televis�es - um habito que tenho vindo a perder, dada a sua manifesta falta de qualidade. A minha inten��o era ver a reportagem sobre a visita de George W. Bush a Inglaterra. Sabia que o Presidente Norte-Americano tinha pronunciado um discurso, cujo conte�do me interessava. Nas actuais circunst�ncias, seria seguramente relevante para se perceber a posi��o dos americanos em rela��o ao Iraque, numa altura em que as coisas n�o t�m corrido bem. Para minha surpresa - e apesar de fazer um "zapping" pela SIC e pela RTP (a TVI j� nem conta) -, n�o consegui vislumbrar uma palavra do discurso! No telejornal do hor�rio nobre destas cadeias, a cobertura da visita presidencial limitou-se � filmagem de uns manifestantes mais folcl�ricos e ao relato do incidente originado pela contrata��o de um jornalista como empregado do Pal�cio de Buckingham. Sobre o conte�do da visita, nada! (�) Uma vez que considero relevante o referido discurso de George W. Bush, ainda mais ap�s os tr�gicos acontecimentos de Istambul, indico o seu endere�o" ( Ricardo Prata) LINCOLN EM GETTYSBURG - �Acabei de ler o seu post acerca do famoso discurso de Gettysburg do Lincoln. E tenho alguns reparos a fazer. Em primeiro lugar � f�cil ficar fascinado pela m�sica das palavras do Lincoln. Por ali passa alguma da melhor prosa de lingua inglesa alguma vez escrita. Tamb�m � f�cil ficarmos fascinados pela evoca��o do hero�smo dos combatentes. Tudo isto � f�cil e concordo consigo em que se trata de um peda�o de prosa muito poderoso. Maia importante, � muito f�cil v�-lo como evoca��o de um passado em que a honra, a valentia e a coragem eram dignificadas. Mas � necess�rio ver o outro lado... o significado profundo e politico das palavras deste grande discurso. Por exemplo, de que liberdade � que o Lincoln fala? Do direito � autodetermina��o dos povos? N�o me parece, porque � isso precisamente que o Lincoln tentou (e conseguiu) impedir em rela��o aos estados Sulistas que reivindicavam o direito de se separarem da Uni�o. Por outro lado, de que "unfinished work" � que o Lincoln fala? Do trabalho inacabado dos soldados da confedera��o na sua luta pela seu direito a ser independentes ou do trabalho inacabado dos soldados da Uni�o no sentido de o impedirem? Este discurso � muito belo mas tem algumas resson�ncias sombrias. Quando o Lincoln invoca a Liberdade � no fundo para justificar a supress�o da mesma. A ideia da sacraliza��o daquele solo tem como �nico objectivo, n�o a evoca��o do hero�smo dos soldados, mas sim o refor�o do car�cter sagrado (e por isso intoc�vel) da Uni�o. A associa��o dos mortos desta batalha aos Pais Fundadores tamb�m n�o � inocente. O que se passou na Guerra da Secess�o foi de facto a refunda��o de uma na��o. Mais forte e mais unida...mas menos democr�tica e menos livre Este discurso no fundo � um grande exemplo de double talk: Liberdade � Opress�o. Extraordinariamente bem escrito, com uma poesia muito profunda que toca toda a gente. Mas � isso que o faz terrivel. Mas isso era o Lincoln, um homem inteligente, frio, um grande estratega e grande prosador que construiu (e aqui estou de acordo consigo) uma grande Na��o." (Rui Silva) RTP INTERNACIONAL E FUTEBOL- � O jogo de esperan�as entre Franca e Portugal passou na TV francesa como pode verificar na seguinte ligacao, na programa��o do Canal + . E' por isso que a RTPi n�o podia transmitir em directo o jogo em questao. Os direitos de transmiss�o dos jogos da UEFA sao atribuidos apenas a uma estacao por pais, como o Canal + comprou esses direitos para o territ�rio franc�s a RTPi nao podia transmitir. Eu vivi quatro anos em Franca, curiosamente em Estrasburgo, e este tipo de problemas os emigrantes j� os conhecem bem. Nos jogos das ta�as europeias s� passam em Franca os jogos cujos direitos foram comprados por televis�es francesas. As TVs internacionais como a RTPi, a TVE internacional, as TVs Polacas, Eg�pcias, etc s� passam jogos internacionais das suas selec��es, excepto quando estas jogam contra a Fran�a. Caso em que as TVs francesas adquirem esses direitos. O que chateava os emigrantes era o desrespeito dos acordos que a TVI e a SIC tinham com a RTPi quando havia derbies importantes em Portugal. Por exemplo, quando havia um Benfica-Porto que fosse transmitido pela SIC estes deveriam ceder as imagens 'a RTPi. Coisa que raramente fizeram, nem que fosse para transmitir os jogos em diferido." (Rui Silva) M�QUINA / HOMEM E OUTRAS INTELIG�NCIAS - �Ainda sobre a quest�o humanos/m�quinas e intelig�ncia artificial gostaria de o alertar que existe vasta literatura sobre o assunto, uma obra importante e pol�mica � o do f�sico matem�tico ingl�s R.Penrose (Emperors New Mind) que est� traduzida em portugu�s e cuja tese que explana ao longo de muitas p�ginas � a de que � imposs�vel 'criar' intelig�ncia humana artificialmente. Para uma breve introdu��o ao assunto aconselho um pequeno livro que tamb�m existe em portugu�s: O Quarteto de Cambridge onde quatro c�lebres cientistas discutem o problema. A quest�o principal neste assunto �: pode ser criada uma 'inten��o' humana' artificialmente. Para tal h� que saber o que � de facto 'inten��o humana'. A.Turing resumiu o problema no seu c�lebre teste que do meu ponto de vista n�o 100% correcto. Um teste s�rio seria ter 2 m�quinas e 1 humano, sendo a uma das m�quinas que caberia a decis�o do teste. Quanto ao problema mais restrito da IA - intelig�ncia artificial, aconselho-o, se se quer debru�ar sobre ele, a 'b�blia' acad�mica do assunto Artificial Inteligence a Modern Approach - Russel& Norvig. T� l� tudo o que � necess�rio saber para construir manipuladores de informa��o �teis ao homem." (AJFonseca) �Como engenheiro e cientista sinto-me frequentemente frustrado pela falta de prepara��o que os nossos pol�ticos e decisores revelam em assuntos relacionados com ci�ncia e tecnologia. Os decisores em Portugal s�o claramente influenciados por fortes correntes p�s-modernistas, em que se destacam intelectuais como Boaventura Sousa Santos (BSS) e Eduardo Prado Coelho (s� a t�tulo de exemplo). Em Portugal as ci�ncias socias s�o claramente sobrevalorizadas em detrimento das chamadas 'ci�ncias duras', com efeitos vis�veis no nosso sistema de ensino. Esta corrente n�o � suficientemente combatida talvez porque quem o poderia fazer n�o tem uma presen�a ass�dua nos media. Por outro lado, alguns dos que a combatem n�o o conseguem fazem da melhor maneira, como � o caso do F�sico Ant�nio Batista que tem alimentado interessante pol�mica com BSS nas p�ginas do Expresso (edi��o do �ltimo S�bado - 2� caderno). Apesar de concordar por inteiro com o conte�do das suas cr�ticas, n�o me parece que o tom e o estilo utilizados sejam os melhores, � semelhan�a do que se pode constatar tamb�m no seu �ltimo livro... Quando se entra numa pol�mica t�o acesa n�o interessa apenas o conte�do. � necess�rio tamb�m encontrar o tom correcto... (�) J� agora, reparei que no seu blog tem discutido assuntos relacionados com intelig�ncia articifial, tendo abordado o velho mito do 'Fantansma dentro na M�quina'. A esse prop�sito recomendo vivamente um livro do Steven Pinker, Professor de Ci�ncias Cognitivas no MIT, ainda n�o traduzido em Portugu�s, intitulado: The Blank Slate: The Modern Denial of Human Nature, em que ele tenta, quanto a mim com sucesso, desmontar tr�s dos principais mitos do nosso tempo (em alguns casos influenciados pelos p�s-modernistas): O mito da 't�bua rasa' - the Black slate, o mito do nobre selvagem e o mito do 'fantasma dentro da m�quina'. (�lvaro Carvalho) "H� um livro muito bom que trata sobre intelig�ncia artificial, de um dos maiores cientistas do nosso tempo: Roger Penrose, catedr�tico de Oxford. O livro est� editado em Portugu�s como nome: A Mente Virtual, da editora Gr�vida. A primeira edi��o em Ingl�s � de 89, com o nome: The Emperor's New Mind-Concerning Computers, Minds and Laws of Physics; da Oxford University Press. Claro que o livro, mesmo sendo dirigido para o p�blico geral, n�o � de f�cil leitura, mesmo para pessoas formadas em Filosofia, Sociologia, etc." (Lu�s Alves) 21.11.03
18:42
(JPP)
tudo junto explica a aus�ncia. Pouco a pouco, regresso.
18:28
(JPP)
![]() 19.11.03
16:05
(JPP)
"Uma pequena reflex�o maquinal: O homem � um animal racional, pensamos n�s desde a Gr�cia. Se � o "racional" que nos diferencia dos outros animais, n�o deixa de ser com uma saborosa ironia que vemos o racional como a primeira v�tima s�ria do assalto dos computadores (os trabalhos f�sicos e os repetitivos s�o irrelevantes para o caso)." Jorge Cam�es SerPortugues(Ter Que) "Como � evidente, estamos muito longe das m�quinas verdadeiramente inteligentes (aut�nomas) da fic��o cient�fica. Mas ainda que fosse poss�vel virmos a criar este tipo de m�quinas, n�o deixar�amos de ser n�s os "transmissores" dessa intelig�ncia. Porque ser� que alguns de n�s apreciam tanto comparar-se �s m�quinas que criamos? Acho que poder�amos chegar a interessantes conclus�es, se analis�ssemos esta quest�o� Imagine que eu sou do tempo dos cart�es perfurados e das primeiras m�quinas tabuladoras. Imagine o meu espanto e a minha satisfa��o quando utilizei, pela primeira vez, uma m�quina programada por mim (n�s�) para calcular vencimentos! Que diabo! Ent�o se, com a ajuda da m�quina, consegui fazer um trabalho em 2 horas que demorava uma semana a executar a uma equipa de meia d�zia de pessoas (com grosseiros erros � mistura�), n�o ser� um motivo de enorme satisfa��o para quem o realizou? A que prop�sito me deveria sentir humilhado por um punhado de circuitos impressos?" (J. C. Marques) "Relativamente � discuss�o sobre Intelig�ncia Artificial, naquele caso o xadr�s, achei que teria interesse em visitar este s�tio. Trata-se de um 'bot', neste caso um 'diva-bot' que pretende emular uma pessoa real. O programa deste bot (a Lauren) e muitos outros, tem ra�z no ALICE, o primeiro bot deste tipo, constru�do atrav�s de milhares de instru��es fornecidas por gente em todo o mundo. Estes bot's aprendem e fazem perguntas tamb�m. Caso queira experimentar, tente fazer perguntas interessantes, mesmo filos�ficas. Ficar� surpreendido. O algoritmo � algo limitado mas � fascinante ver a sua capacidade de interpretar linguagem natural e a sua 'cultura geral'. Caso as perguntas sejam muito complexas ele dar� respostas gen�ricas (erros). H� bots de todo o tipo. Alguns t�m bases de dados de ci�ncia, outros de produtos banc�rios etc., e j� est�o a ser utilizados em sites oficiais como hosts virtuais. O futuro certamente... " (Louren�o Bray)
10:21
(JPP)
Volto � p�tria por via televisiva. Procuro not�cias, o telejornal, encontro um programa da RTP Internacional ainda mais bizarro do que o costume. Um filme portugu�s do tempo do PREC, que apanho no fim, numa c�pia de t�o m� qualidade que quase nada se via no ecr�. Depois uma sucess�o ca�tica de pequenos filmes sem nexo: uma Contra-Informa��o, uns spots musicais, um do Lu�s Represas, uns filmes tur�sticos sobre Portugal profundo, uns reclames repetidos n vezes sobre como era boa a televis�o p�blica, outros sobre o "futebol de interesse p�blico", quatro vezes o an�ncio do programa do Francisco Jos� Viegas. Parecia que algu�m tinha deixado bocados de filme em piloto autom�tico durante quase tr�s horas. Nem uma palavra sobre quando � que passaria o telejornal, nem o que se passava com a programa��o. De repente, out of the blue, �s 23,53, o telejornal. Vim depois a saber que a RTP estava a transmitir um jogo de futebol, o en�simo, para Portugal, e a RTPI enchia o espa�o com o que algum funcion�rio pregui�oso encontrava em arquivo. Nenhuma explica��o, nenhum texto dizendo a que horas haveria programa��o normal, o que se estava a passar. O jogo, por sua vez, entre Portugal e Fran�a, era invis�vel aos emigrantes portugueses em Fran�a - eis o "futebol de interesse p�blico". A completa falta de respeito da televis�o p�blica para com os emigrantes. Inimagin�vel.
10:06
(JPP)
Cinzento e frio, o fumo permanece baixo. O costume. * Entro �s 8,15, saio normalmente entre as 21 e as 22. O Parlamento � uma grande pris�o, diz-se que foi feito por um arquitecto especializado em pris�es. O edif�cio � compacto e cinzento no exterior, lajes de ard�sia, a�o, vidro, todos os tons de cinza. No interior, umas lianas artificiais prolongam-se do tecto para um ch�o negro de ard�sia ou xisto, para dar uma sensa��o de verde. De h� muito que n�o s�o verdes, com um p� pertinaz que as suja. Como s�o praticamente imposs�veis de limpar, continuam sujas. * O edif�cio ganhou um pr�mio de arquitectura, mas est� cheio de coisas que devem ter sido car�ssimas e n�o servem para nada, como umas estruturas parecidas com uns cornetos invertidos ( ou uns embrulhos de fish and chips) de bet�o, napa e alcatifa, supostamente com uns telefones no meio para os deputados irem l� dentro falar. Basta entrar um, que ficam ocupados, porque n�o h� privacidade nenhuma. H� mais de seiscentos utentes, mais milhares de assistentes, lobistas, visitas, que tamb�m os usam. H� cinco ou seis cornetos, servem dez pessoas o m�ximo, no seu esplendor de mobili�rio in�til. * Presido � sess�o da manh�. Est� a Comiss�o em peso porque se discute o seu Programa. As suspeitas de fraude na Comiss�o com o Eurostat s�o o prato forte do debate. Muitos deputados, ingleses e holandeses em particular, falam uma linguagem pouco comum ao discurso parlamentar portugu�s: a da defesa do dinheiro dos contribuintes. Prodi provoca um incidente parlamentar com as suas refer�ncias � pol�tica interna italiana, onde parece que pretende candidatar-se a deputado nas pr�ximas elei��es. Hoje a pol�tica mais quente no Parlamento � a italiana. * Falo, por videoconfer�ncia, numa vers�o especial do Flashback chamada Flashforward, integrada no Congresso das Comunica��es, em Lisboa. Foi o primeiro Flashback depois da extin��o na TSF, antes de passar para a SIC Not�cias. Como bom liberal, critico a contradi��o que me parece existir nos chamados "objectivos de Lisboa", que inclu�am um f�rmula de apar�ncia muito parecida com a que usou Krutchov h� uns anos: ultrapassar os EUA em 2010, Guterres dixit. A contradi��o � tentar criar uma eEuropa com o objectivo de combater o desemprego. Defendo que uma eEuropa deve ter como objectivo aumentar a produtividade e esta gerar riqueza e emprego. � uma coisa muito diferente do que arrastar o c�lebre "modelo social europeu" �s costas. Os primeiros resultados do famoso benchmarking previsto � que os indicadores do atraso ainda mais se acentuaram. Apesar do "programa de Lisboa", os EUA alargaram o fosso tecnol�gico. * Durante a tarde, a habitual sucess�o de reuni�es. No Parlamento Europeu h� reuni�es para preparar reuni�es para preparar reuni�es. N�o � brincadeira, � a s�rio, e �s vezes ainda � mais complicado. * A meio da tarde, em frente � minha janela, que � bastante alta, passa um bando de corvos. Passam uma vez, mais baixo, picam, sobrevoam umas �rvores e sobem outra vez. Nunca tinha visto um bando de corvos. Lembrei-me dos P�ssaros de Hitchcock. A seguir, um ou dois retardat�rios parecem perdidos. Ainda mais um. Aug�rios. * Afinal consegui um intervalo para descer, como os corvos, a Estrasburgo cidade. � rar�ssimo poder ver Estrasburgo �s horas de vida normal. J� � princ�pio da noite, porque, entre as 17 e as 18 horas, j� � noite. * � nestas alturas, em v�speras de Natal, que Estrasburgo parece uma pequena cidade alem�, uma vila renana rica e recatada no particular conforto das terras do Norte. Nas ruas, as lojas brilham, come�a a sentir-se o cheiro a vinho quente, a massap�o e p�o doce com canela. Aparecem as primeiras decora��es de Natal e as brasseries ostentam cartazes com a bi�re de N�el. Nas ruas, longas bancadas de livros. Em breve, conviver�o o dia todo com as prim�cias alsacianas, as trufas, o foie gras, os queijos, os enchidos, os mil e um produtos de qualidade destes campos f�rteis da PAC. Terra rica, s�lida, burguesa. * Olho para o outro lado imagin�rio. A meia d�zia de quil�metros, est� uma terra dostoiewskiana, Baden-Baden. Hotel, casino e termas. Sombras czaristas, jogadores perdidos. agentes secretos, velhas damas alem�s, concursos de dan�as de sal�o. O ant�doto. (Continua) 18.11.03
14:46
(JPP)
"Os coment�rios que li sobre o duelo homem versus m�quina no dom�nio do xadrez deixaram-me confuso e um pouco perplexo. 1. N�o � nenhuma trag�dia, nem nenhuma vergonha, o homem ser vencido por uma m�quina. Se isso nos perturba, ent�o tamb�m deveriamos ficar perturbados com o facto de os carros (ou as bicicletas) correrem mais depressa do que n�s, de os avi�es poderem voar e n�s n�o podermos, de os r�dio-telesc�pios verem mais longe do que n�s, de as calculadoras conseguirem multiplicar n�meros mais depressa do que n�s. 2. Se a industria de componentes electr�nicos continuar a desenvolver-se ao mesmo ritmo como at� agora (o que � muito prov�vel), os computadores acabar�o por vencer sistematicamente os humanos, tanto em xadrez como no go e noutros "jogos finitos" (em que h� um n�mero finito de jogadas de cada vez). Isto � t�o certo como amanh� ser outro dia, pois a velocidade de c�lculo dos computadores tem-se duplicado todos os tr�s ou quatro anos, enquanto que a velocidade de pensamento dos humanos permaneceu mais ou menos constante ao longo da hist�ria. Maior velocidade de c�lculo significa mais jogadas potenciais analisadas e comparadas e portanto melhor estrat�gia. � matematicamente imposs�vel os humanos n�o perderem frente �s m�quinas, a longo prazo. Ali�s, se h� coisa que me espanta nesta hist�ria � algum humano ainda ser capaz de vencer um jogo de xadrez a uma m�quina. Chego mesmo a pensar que os programadores da respectiva m�quina n�o devem ser brilhantes. 3. Por outro lado, n�o � muito correcto dizer que "a m�quina vence". Quem vence � na realidade um programa escrito por uma equipa de humanos." (Cristian Barbarosie) "Termina o seu post "M�QUINA / HOMEM" com a seguinte frase: ... "Antes de tudo, no �ltimo jogo, Kasparov ganhou - ponto para os humanos." Independentemente de quem ganhe, Kasparov ou qualquer outro homem, ou a m�quina, o ponto ser� sempre para os humanos. Porqu�? N�o foram os humanos que criaram e programaram a m�quina e o jogo? Ent�o, ponto para os humanos!" ( Ourives-da-coroa ) "O que comentaram v�rias colegas de IBM quando Kasparov perdeu: "Durante o jogo de 1997 IBM tinha programadores alterando o c�digo do programa, tornando imposivel a Kasparov pudesse estudar quem tinha em frente, pois era o mesmo que de jogada em jogada tivesse uma pessoa diferente, explicando a raz�o porque Kasparov se levantou super chateado da mesa quando perdeu." N�o sei de certeza se � verdade esta informa�ao que lhe envio, mas que seria poss�vel, sim que � verdade. "The contest is the latest in Kasparov's quest to outsmart computers at the ancient game. He defeated IBM supercomputer Deep Blue in 1996, lost famously to an improved Deep Blue in 1997 and in Feb. 2003, tied with Israeli-built world chess computer champion Deep Junior." (Jo�o Paulo Reis) NOTA: na hist�ria do "humanos marcam um ponto" pretendia ser ir�nico, e n�o � para tomar � letra, nem tenho qualquer nostalgia sobre a "ultrapassagem" dos humanos pelas m�quinas. Bem pelo contr�rio. O que penso sobre a mat�ria encontra-se num artigo j� antigo, publicado quando do jogo com o Deep Blue, o qual n�o tenho comigo agora, mas que, se a discuss�o continuar viva, republicarei. A� afirmo claramente que n�o acho que haja nenhuma limita��o de fundo � descri��o dos humanos como uma m�quina (logo, admitindo a possibilidade de "artificializa��o"), incluindo pensamentos, afectos e criatividade. E at� penso que s�ries de testes, ao modelo do de Turing, sobre cada uma destas componentes, podem dar resultados surpreendentes, j�. � uma discuss�o (faz falta a Formiga de Langton), que remete para praticamente todo o saber humano, desde a filosofia at� � gen�tica, com relevo para a biologia, a teoria da evolu��o, a rob�tica, a intelig�ncia artificial, por a� adiante.
09:17
(JPP)
Conhe�o bem a rua onde se deu o atentado contra uma sinagoga de Istambul, sob a sombra sempre presente da Torre de Galata, na antiga Pera genovesa. � um bairro de ruas e ruelas de pequeno com�rcio alimentar, de of�cios antigos e pequenos escrit�rios comerciais, de ignotas e misteriosas companhias, que t�m pouco mais do que o nome. � territ�rio que dava para come�ar um livro de Jonh LeCarr�: "um dia um homem bateu �s sete da manh� numa porta onde estava a placa escurecida da Eastern Anatolia Carpets and Rugs ...". Infelizmente, o que bateu � porta da antiqu�ssima col�nia judaica de Istambul, e matou muitos bons mu�ulmanos que passavam na rua, foi uma bomba da Al Qaeda. Muito significativamente, a bomba explodiu, matou quem matou, aumentou as tens�es turcas, mas nem o eco dessa explos�o se ouviu de Atenas para c�. Uma multid�o prepara-se para "receber" Bush em Londres, com aquela apet�ncia para tomar como alvos preferenciais os nossos, sejam eles menos bons , med�ocres, iludidos, arrogantes, enganados, perigosos, est�pidos, ineptos, o que quiserem, e esquecer os verdadeiramente maus, os que n�o vivem sen�o de um terror absoluto e abstracto. Quantos dos milhares, dezenas de milhares, centenas de milhares, que v�o chamar a Bush assassino, sairiam para a rua contra a Al Qaeda? N�o � uma pergunta ret�rica, � uma provoca��o pela verdade. Um em dez mil? Talvez, j� estou benevolente como Deus com os seus mensageiros a Sodoma e Gomorra, para saber se havia mais justos na cidade do que a fam�lia de Lot. N�o havia. Como est�o confundidas as nossas prioridades!
08:49
(JPP)
O problema filos�fico, ou mais modestamente antropol�gico, � simples de colocar e dif�cil de resolver: existe uma reserva espec�fica de pensamento "humano" que n�o possa ser emulado por uma m�quina? N�o basta que a limita��o a essa emula��o seja apenas a da complexidade, � preciso que haja uma qualidade indissol�vel do humano que n�o seja poss�vel tornar "artificial". Daqui se deriva para mil e um problemas conexos: o que � o "homem" , � ele tamb�m uma m�quina? ou, como Descartes o colocava, como pode um "fantasma" (a alma) controlar uma m�quina (o corpo), o software o hardware? a partir de que ponto � que se pode considerar que uma m�quina "pensa" (a quest�o do teste de Turing)? n�o s�o as m�quinas (e o software neste caso) produto humano e portanto as m�quinas n�o s�o inteiramente m�quinas? podem as m�quinas ser programadas para ter afectos (a quest�o do filme Artificial Intelligence)? , etc. Por a� adiante. Rios de tinta filos�fica, cient�fica e ficcional tem tentado responder a esta quest�o, que o "nosso" representante Kasparov, est� a ajudar a resolver, diante do representante "deles". * "No meu blog, tenho dedicado uns posts a este evento. Desde h� longa data que acompanho estes duelos Homem / M�quina. No xadrez, o dom�nio da m�quina ainda n�o se verifica, pois estas ainda t�m imensas dificuldades em lidar com posi��es cerradas. Quando n�o h� 'nada para fazer' os diversos programas patinam, fazem lances de espera que normalmente deterioram a posi��o. � evidente que isto varia em alguns programas. Talvez o Fritz n�o seja o melhor advers�rio para defrontar Kasparov. O 'Deep Junior' revelou-se muito mais poderoso e outros, que n�o arranjam patroc�nios comerciais, poderiam dar mais luta, mesmo no campo estrat�gico. � o caso do 'Schredder 7.0' e muito especialmente do 'Hiarcs 9.0'! " (Valdemar) "Nos pr�ximos tempos, penso que ainda podemos ostentar "orgulhosamente" o triunfo da mente sobre a m�quina! :) Apesar da capacidade de previs�o simplesmente astron�mica que uma m�quina daquelas consegue implementar associada a t�cnicas mais elaboradas de intelig�ncia artificial, ainda n�o � capaz de superar - pelo menos nem sempre! - a capacidade de "computa��o biol�gica" quando bem treinada e alimentada, como � o caso de mestres como Kasparov." (Ricardo Rafael) Recebi tamb�m uma carta, (cujo original infelizmente se perdeu), lembrando que os humanos ainda permanecem imbat�veis no jogo oriental do Go , uma simula��o , como o xadrez, de uma batalha. 17.11.03
19:32
(JPP)
A prop�sito do coment�rio que fiz na SIC sobre o duelo de xadrez entre Kasparov e um computador, correndo o programa X3D Fritz, recebi v�rias cartas e mensagens que, em breve, publicarei. Antes de tudo, no �ltimo jogo, Kasparov ganhou - ponto para os humanos.
19:10
(JPP)
n�o o da velha revista, mas o dos romances de aventuras, comemorado na Biblioteca Nacional a prop�sito do anivers�rio de Alexandre Dumas. O cat�logo foi editado com um t�tulo que diz tudo: Antes das Playstations: 200 anos do romance de aventuras em Portugal, e � uma excelente bibliografia. Ao folhear os t�tulos da prodigiosa f�brica de Dumas (que tinha uns n�gres a trabalhar para ele), e as capas das suas edi��es portuguesas, e depois as de Verne e Emilio Salgari, percebe-se que remoto est� este mundo. Hoje n�o se passa al�m da true adventure, como do true crime, mas isso n�o � "romance". N�o h� her�is �picos (percebe-se porqu� com a hist�ria do "army private" Jessica Lynch), e n�o h� "esp�rito de aventura" fora do cinema, e mesmo a� est� a morrer aos poucos.
18:48
(JPP)
O avi�o fez uma longa paralela a toda a extens�o dos Alpes. Voava mais baixo do que o costume, com muita turbul�ncia. Um tecto de nuvens prolongava-se por entre as montanhas e todos , todos, os picos, muralhas de rocha, paredes de pedra, mon�litos gigantes, estavam cobertos de neve, num cont�nuo de cor branca. Era branco sobre branco, brilhando ao sol. Nunca vi os Alpes assim, poderosos, calmos e �nicos. 16.11.03
13:10
(JPP)
Nota-se, cada dia que passa, um maior esmorecimento na defesa da interven��o no Iraque. � natural, tudo o que podia correr mal, parece correr mal. N�o se v�em os resultados esperados, o descr�dito que caiu sobre as administra��es americana e inglesa por causa das armas de destrui��o massiva (e por cont�gio, sobre todos os que, como eu, lhe atribu�ram um papel fundamental na legitima��o da interven��o) limita a sua ac��o, � cada vez maior o cansa�o e hostilidade da opini�o p�blica, a sensa��o crescente de um beco sem sa�da, a hesita��o que se nota com a combina��o entre o n�mero de mortos e as manobras eleitorais americanas, tudo parece apontar para um falhan�o de consequ�ncias devastadoras para este in�cio do s�culo. A �nica coisa que posso (e podemos) fazer � continuar a discutir e a defender as raz�es porque � preciso perseverar e n�o dar sinais de hesita��o, ou melhor, n�o hesitar. H� caminhos pol�ticos, militares e diplom�ticos que, com firmeza, podem inverter a situa��o e corrigir os erros. E chamar a aten��o para que, nada havendo de comum no terreno entre o Iraque e o Vietname, as consequ�ncias de um fracasso no Iraque ser�o muito mais pesadas do que as do Vietname. (Lembrando algumas dessas consequ�ncias: os boat people, as guerras de Angola e Afeganist�o, etc., etc.). Esta nota � breve e inicial; depois continuarei.
11:57
(JPP)
Hoje n�o h� (n�o houve ) nada para ningu�m . Depois de uma noite com vento cicl�nico, alguma �rvore caiu em cima de uma linha e a luz sumiu-se. Agora vem e desaparece, vem e desaparece. At� breve e bom dia, ao vento que me bate de frente. 15.11.03
12:41
(JPP)
![]() Ao fim de semana faz-se a volta das colec��es. Junta-se a recolha da semana: livros, selos, postais, ef�mera, nadas e pequenos nadas. Os coleccionadores sabem o prazer que isso d�. Para quem pensa assim, � indispens�vel o �ltimo livro de Krzysztof Pomian, Des Saintes Reliques � l�Art Moderne. Venise-Chicago XIIe. � XXe, Si�cle, Paris, Gallimard, 2003.
11:39
(JPP)
Como hoje fazemos oitenta, vetusta idade para a atmosfera e decrepitude absoluta para a blogosfera, um presente aos leitores sobre a forma de uma li��o de hist�ria quando havia her�is, ou seja, h� muitos s�culos. Hist�ria antiga, l�ngua antiga, gente antiga. � a hist�ria de Alexandre �meilleur roi que Dieus laissast morir� e completa est� aqui. Para que serve �l'istoire rafreschir�? No in�cio do romance explicam-se as raz�es: �Qui vers de riche istoire veut entendre et o�r, Pour prendre bon example de prouece acueillir, De connoistre reison d'amer et de ha�r, De ses amis garder et chierement tenir, Des anemis grever, c'on n'en puisse eslargir, Des ledures vengier et des biens fes merir, De haster quant leus est et a terme soffrir, O�z dont le premier bonnement a loisir. Ne l'orra guieres hom qui ne doie pleisir; Ce est du meilleur roi que Dieus laissast morir.� Com Alexandre, bom dia! 14.11.03
23:05
(JPP)
Carlos Fino, na RTP2, fez uma muito boa an�lise das condi��es amador�sticas em que os jornalistas portugueses v�o para situa��es de risco, e a irresponsabilidade das empresas que os enviam, sem cuidar de garantir a sua seguran�a. Subscrevo inteiramente o que ele disse.
21:01
(JPP)
de ontem: o velho le�o de Rembrandt, poderoso e triste na sua tinta castanha; e "L'Ombrelle Rouge ou la Cour du Louvre" de Kerr-Xavier Roussell, que est� numa colec��o privada e � de 1894-5. La belle et la b�te.
20:55
(JPP)
"Sa�ram no P�blico de ontem tr�s textos sobre Derrida, a prop�sito do doutoramente Honoris Causa que lhe vai ser atribu�do pela Univeridade de Coimbra. Um desses textos, de Raquel Ribeiro, � o seguinte: O Desconstrucionismo de Derrida "A no��o de desconstru��o foi apresentada pela primeira vez por Jacques Derrida na introdu��o � sua tradu��o de 1962 da �Origem da Geometria�, de Husserl. O processo de desconstru��o, explica Jos� Bragan�a de Miranda, docente da Universidade Nova de Lisboa, � �uma metodologia que trabalha para a 'abertura do sentido' do texto filos�fico, atrav�s de procedimentos como a invers�o, desloca��o ou an�lise�. �O desconstrucionismo n�o est� fora do tempo da cria��o, n�o � 'a posteriori', tem de estar presente na arquitectura do trabalho da constru��o�, diz Derrida no document�rio. A desconstru��o privilegia leituras dentro do texto, incluindo refer�ncias hist�ricas, culturais e sociais. Para Derrida, �n�o h� nada para al�m do texto�. Porque � que Derrida � importante? �Porque tem um pensamento interveniente que prop�e uma releitura da filosofia contempor�nea, como Heidegger, Marx ou Husserl�, diz Bragan�a de Miranda. �A receptividade americana � metodologia da desconstru��o acabou por dar uma maior projec��o a esta filosofia.� Muitos te�ricos enquadram o pensamento de Derrida no p�s-estruturalismo (americano) ou no p�s-modernismo (europeu). Mas Bragan�a de Miranda vai mais longe: �Coloc�-lo-ia no limite da filosofia, numa certa �rbita do fechamento filos�fico, na fronteira dessas correntes. E n�o para al�m delas.� Ao ler exte texto, n�o consigo deixar de pensar que nenhum editor do P�blico permitiria a publica��o no caderno principal do jornal de um texto sobre qualquer outra �rea do conhecimento (F�sica, cr�tica musical, Economia, urbanismo, etc) que fosse t�o incompreens�vel para o grande p�blico como este. J� h� bastante tempo que me apercebo deste car�cter particular da Filosofia em Portugal: julgo ser a �nica �rea do conhecimento relativamente � qual se publicam, em publica��es generalistas, textos que exigem uma grande prepara��o te�rica espec�fica." (Jos� Carlos Santos) 13.11.03
20:39
(JPP)
de ontem : uma paisagem de Carl Rottmann, de 1836, e um v�deo de Pipilotti Rist, um �Pipilotti mistake�, de 1988.
19:46
(JPP)
Na s�rie de Ken Burns sobre a guerra da Secess�o tudo converge para o momento decisivo da batalha de Gettysburg. A batalha ocupa um lugar central, os v�rios dias de morte � solta, a carnificina de regimentos inteiros, a ceifeira democr�tica a atingir soldados e oficiais, as tradi��es marciais comuns dos dois lados traduzidas na imensa coragem de todos. � uma guerra em que o �comando� � ainda decisivo e a personalidade dos homens que combatem traduz-se nas suas ac��es. Mesmo aqui, todo o filme se sustenta na dualidade entre as fotografias e a palavra, n�o h� grandes grafismos sobre os movimentos de tropas e as t�cticas. � o combate, ou seja, a morte e a coragem, que contam. ![]() E depois, meses depois, vem Lincoln inaugurar o cemit�rio e falar os seus escassos minutos, depois de duas horas do discurso de um dos grandes oradores da �poca, Edward Everett. Recebe uns aplausos dispersos e a hostilidade da imprensa. At� o fot�grafo n�o consegue focar o presidente, que aparece apenas perdido numa pequena multid�o oficial a descer do palanque. Mas as menos de 300 palavras ainda hoje se ouvem: Four score and seven years ago, our fathers brought forth upon this continent a new nation: conceived in liberty, and dedicated to the proposition that all men are created equal. Now we are engaged in a great civil war. . .testing whether that nation, or any nation so conceived and so dedicated. . . can long endure. We are met on a great battlefield of that war. We have come to dedicate a portion of that field as a final resting place for those who here gave their lives that this nation might live. It is altogether fitting and proper that we should do this. But, in a larger sense, we cannot dedicate. . .we cannot consecrate. . . we cannot hallow this ground. The brave men, living and dead, who struggled here have consecrated it, far above our poor power to add or detract. The world will little note, nor long remember, what we say here, but it can never forget what they did here. It is for us the living, rather, to be dedicated here to the unfinished work which they who fought here have thus far so nobly advanced. It is rather for us to be here dedicated to the great task remaining before us. . .that from these honored dead we take increased devotion to that cause for which they gave the last full measure of devotion. . . that we here highly resolve that these dead shall not have died in vain. . . that this nation, under God, shall have a new birth of freedom. . . and that government of the people. . .by the people. . .for the people. . . shall not perish from this earth.
13:09
(JPP)
![]()
12:58
(JPP)
(Tardiamente colocados devido � manuten��o do Blogger.) De novo, � volta do Iraque, come�am os sinais de intoler�ncia, crescem as palavras, sobe o tom de voz. N�o v�o ser tempos f�ceis, com tantas raz�es em cima da mesa e com tudo em aberto, o que quer dizer tudo dependendo da luta pol�tica pela opini�o. Este � um daqueles momentos malditos da hist�ria em que os lados se imp�em, em que o centro � destru�do. N�o h� centro na quest�o do Iraque, n�o h� equidist�ncia. H� atitudes de distancia��o, h� centramentos fora do v�rtice do conflito, h� posi��es humanit�rias, h� actos de dedica��o �s v�timas, mas n�o resultam como factores de distancia��o. Estamos condenados ao compromisso, mesmo quando o recusamos. N�o ser� como na guerra de Espanha ou do Vietnam, em que parecia haver dois lados, e combater um era enfileirar noutro. Aqui � mais complicado, ningu�m cabe verdadeiramente em nenhum dos lados, mas � empurrado para um deles. Quando se fala, a favor ou contra, acrescenta-se legitimidade e for�a a um dos lados. Tudo o que eu digo, queira ou n�o patrocinar as asneiras dos �meus�, prende-me nelas. O que outros dizem, queiram ou n�o, prende-os aos �seus�. N�o adianta esconjurar este efeito. � por isso que cresce a intoler�ncia, porque � um combate, � um combate cruel com mortos e feridos e destrui��o de tudo, material e espiritual, e esse combate mobiliza reservas morais que s�o intolerantes na sua ess�ncia. Eu tenho um lado, mas ningu�m me ouvir� dizer que este � o lado de Deus, como na can��o de Bob Dylan. Mas ouvir-me-�o dizer que este � um lado dos homens, do modo de vida que escolhi (escolhemos), de uma prec�ria mas identificada civiliza��o (a palavra � adequada) que j� mostrou o que vale e que n�o vive do terror, nem da viol�ncia, mas da procura da concilia��o de interesses e modos de vida. Nenhuma outra civiliza��o me d� as liberdades e a possibilidade de felicidade que esta me d�, a mim e, potencialmente, a todos os homens. N�o estou certo de tudo, mas das duas frases anteriores estou inteiramente convicto. 12.11.03
23:48
(JPP)
Sobre uma quest�o colocada na Bloguitica. V�rias vezes exprimi a opini�o que deveriam ser as nossas for�as armadas a estarem presentes e n�o a GNR. A raz�o porque tal aconteceu teve a ver com a necess�ria concilia��o entre o Governo e o Presidente da Rep�blica. Este opunha-se � presen�a de tropas sem enquadramento das Na��es Unidas. A resolu��o 1511 acaba com essa limita��o, mas parece ter permanecido o entendimento de que n�o se justificava uma altera��o de planos. Uma mudan�a de decis�o implicava um novo per�odo de prepara��o e uma redefini��o da miss�o, o que demoraria muito tempo. Sendo as coisas o que s�o, a solu��o actual, n�o sendo ideal, tamb�m n�o � m�. A miss�o da GNR � adaptada �s suas caracter�sticas de for�a de seguran�a, e o tipo de problemas que vai defrontar s�o compat�veis com a prepara��o que teve. O atentado de Nass�ria n�o altera essa situa��o. No Iraque, pelo menos em certas zonas, miss�es de seguran�a s�o mais importantes do que miss�es militares.
22:01
(JPP)
� exactamente porque aconteceu o que aconteceu no Iraque que � fundamental que Portugal envie as suas tropas. O atentado de Nass�ria torna ainda mais importante refor�ar os contingentes militares no pa�s e internacionaliz�-los, mobilizar todos os esfor�os da comunidade internacional para ganhar o combate da estabiliza��o do Iraque. Ao fim de meses sem conta a ouvir falar da comunidade internacional e das Na��es Unidas, como argumentos �ltimos de autoridade, conv�m n�o esquecer que hoje este esfor�o militar � tamb�m caucionado por essa comunidade e por essas mesmas Na��es Unidas. O combate do Iraque n�o � contra qualquer �resist�ncia� nacional, � contra os restos do regime do Baas e de Saddam, e contra grupos terroristas internacionais, gente que, se alguma vez voltasse ao poder, provocaria um banho de sangue entre os iraquianos. Os primeiros a saber disso s�o os pr�prios iraquianos.
17:25
(JPP)
�Li hoje o seu texto sobre �Jornalistas e poder pol�tico� e, sendo do �meio, (�) a minha discord�ncia relativamente � sua aceita��o de jornalistas que desempenhem fun��es pol�ticas e/ou partid�rias. O tema � de an�lise dif�cil, pois remete para conceitos de liberdade individual e direitos c�vicos. Na minha opini�o, o exerc�cio da actividade de jornalista pressup�e a aceita��o de algumas limita��es aos referidos direitos, especialmente em Portugal onde a comunica��o social �, por �defini��o�, apartid�ria, apol�tica e equidistante. Mesmo sabendo-se que, de facto, assim n�o �. Para outros pa�ses, com outras tradi��es, aceito a sua opini�o como correcta, mas na nossa realidade parece-me excessivamente permissiva. Os nossos jornais, r�dios e televis�es pretendem ser �generalistas�, no sentido de n�o estarem engajados a qualquer corrente de opini�o, de pol�tica ou de interesses econ�micos, culturais ou desportivos, por exemplo. O leitor do �Expresso� tanto ser� de esquerda como de direita, o ouvinte da TSF idem, o espectador da TVI outro tanto. Sei que n�o � assim �c� fora�, mas � este o conceito. Sei tamb�m que muitos jornalistas, muitos directores e editores n�o se co�bem de dar um cunho �ideol�gico� aos meios onde trabalham. Isso � uma coisa e, se o leio, vejo e ou�o bem, o dr. Pacheco Pereira tem-se oposto � situa��o. Escrevo ali atr�s que os jornalistas deviam aceitar algumas limita��es c�vicas, tal como os funcion�rios do Estado, por exemplo, devem cumprir as suas obriga��es independentemente da cor do governo de servi�o. A situa��o dos jornalistas �, por�m, ainda diferente: porque escrevem sobre factos � s�o (ou deviam ser) os olhos e os ouvidos de quem l� n�o est� � est�o obrigados a regras que, quanto a mim, s�o incompat�veis com qualquer milit�ncia, partid�ria ou de outra ordem. Quando sou destacado para acompanhar um qualquer evento, quando escrevo sobre uma reuni�o da Assembleia Municipal, os meus leitores n�o querem saber o que penso sobre os assuntos; querem saber o que se passou, quem disse o qu�, porqu� e para qu�. Eu, jornalista, sou um cidad�o igual aos outros: a minha opini�o � importante para mim e para os meus familiares e amigos. N�o o � para a generalidade dos meus concidad�os. Para estes, o importante � disporem dos factos para formar a pr�pria opini�o. Dir-se-� que o que est� errado � termos �rg�os de comunica��o social �equidistantes�. Concordo. E, ent�o, os esfor�os talvez devam ser direccionados para a clareza: cada jornal, cada r�dio, cada televis�o deve poder assumir uma orienta��o �ideol�gica�. A� chegados, seria ent�o natural que os seus jornalistas fossem livres de desempenhar algumas fun��es pol�tico-partid�rias. Na nossa situa��o, n�o. Dir-se-� que, mesmo em Portugal a �declara��o de interesses� dos jornalistas clarificaria o panorama da comunica��o social. Talvez. Mas receio que todos se viessem declarar apartid�rios, apol�ticos e sem amigos ou conhecidos na pol�tica (ou em qualquer outro sector). Toda a sua an�lise cr�tica, suspeito, continuaria a fazer sentido, mas com mais uma mentira. Conhecer� o �meio� melhor que eu, jornalista �de prov�ncia�. Mas veja o caso do presidente do Sindicato, candidato da CDU, e de muitos subscritores de abaixo-assinados que por a� pululam, de cada vez mais jornalistas que mant�m colunas de opini�o enquanto escrevem not�cias... Lembro-me, h� alguns anos, de uma tentativa de criar uma Ordem dos Jornalistas e recordo-me do slogan dos do contra (organizados em torno do sindicato�: �N�o nos metam na ordem!�. Francisco M. Figueiredo (jornalista em Leiria)
09:53
(JPP)
dos �ltimos dias incluem um cartaz de an�ncio a uma revista Radar, que prometia �le tour du monde en 150 images�; um Norman Rockwell de 1948, que est� no Museu de Brooklyn, e era inconfund�vel no seu tra�o (o que n�o se via na imagem, debaixo dos espectadores ululantes, era uma equipa destro�ada pela derrota); e um vaso de tulipas brancas, pintado em 1962, por Anne Redpath e que est� na Scottish National Gallery em Edimburgo.
09:44
(JPP)
Faltava este �acordar�, cheio de imagens bel�ssimas como a da madrugada �leve senhora dos cumes dos montes�, na nossa lista matinal. Aqui vai ele com esplendor: Acordar "Acordar da cidade de Lisboa, mais tarde do que as outras, Acordar da Rua do Ouro, Acordar do Rocio, �s portas dos caf�s, Acordar E no meio de tudo a gare, que nunca dorme, Como um cora��o que tem que pulsar atrav�s da vig�lia e do sono. Toda a manh� que raia, raia sempre no mesmo lugar, N�o h� manh�s sobre cidades, ou manh�s sobre o campo. � hora em que o dia raia, em que a luz estremece a erguer-se Todos os lugares s�o o mesmo lugar, todas as terras s�o a mesma, E � eterna e de todos os lugares a frescura que sobe por tudo. Uma espiritualidade feita com a nossa pr�pria carne, Um al�vio de viver de que o nosso corpo partilha, Um entusiasmo por o dia que vai vir, uma alegria por o que pode acontecer de bom, S�o os sentimentos que nascem de estar olhando para a madrugada, Seja ela a leve senhora dos cumes dos montes, Seja ela a invasora lenta das ruas das cidades que v�o leste-oeste, Seja A mulher que chora baixinho Entre o ru�do da multid�o em vivas... O vendedor de ruas, que tem um preg�o esquisito, Cheio de individualidade para quem repara... O arcanjo isolado, escultura numa catedral, Siringe fugindo aos bra�os estendidos de P�, Tudo isto tende para o mesmo centro, Busca encontrar-se e fundir-se Na minha alma. " (�) �lvaro de Campos Bom dia, "invasora lenta"! 11.11.03
21:55
(JPP)
aos homens e mulheres corajosos que v�o partir para o Iraque. Que tenham sucesso na sua miss�o perigosa e que voltem todos.
07:52
(JPP)
Hoje � feriado belga e todos os notici�rios desta parte da Europa abrem com as comemora��es do Armist�cio que terminou com a guerra de 1914-18. Compreende-se porqu�: com o seu cortejo de milh�es de mortos, a guerra cavou fundo na mem�ria em Fran�a, na Alemanha, na B�lgica. Os campos de mortos est�o sempre � dist�ncia de poucos quil�metros. Nos notici�rios portugueses, nada, embora Portugal tenha participado na guerra e tamb�m tenha c� mortos. Se o esquecimento fosse s� com a guerra de 1914-18, v� que n�o v�. Agora, o que mais me intriga � a nossa capacidade de amn�sia colectiva em rela��o a quase tudo. Dos �ltimos duzentos anos nada sobra, a n�o ser um 5 de Outubro, penosamente recordado � for�a, e um 25 de Abril que, como tem vivas as suas gera��es, ainda � lembrado. Bom dia , mem�ria! 10.11.03
21:12
(JPP)
Penso escrever alguma coisa sobre o que se escreve e diz a prop�sito do anivers�rio de Cunhal, ou no Abrupto ou noutro s�tio. Os lugares comuns e os coment�rios ultra-repetitivos abundam. Agora o que n�o posso � suportar a s�rie de erros factuais que se repetem por pregui�a ou neglig�ncia (j� n�o pode ser por ignor�ncia porque pelo menos t�m as mil e quinhentas p�ginas que escrevi para tirar d�vidas), por todo o lado. Agora foi o notici�rio da RTP a dizer que Cunhal esteve preso catorze anos, quando a pris�o foi de 1949 a 1960, quase onze anos� Tudo feito em cima do joelho.
11:26
(JPP)
Num dia em que vi o Sol nascer, limpo por cima das nuvens, este poema matinal de Donne (cortesia de Jo�o Costa), que n�o o queria ver nascer. DAYBREAK TAY, O sweet, and do not rise! The light that shines comes from thine eyes; The day breaks not: it is my heart, Because that you and I must part. Stay! or else my joys will die And perish in their infancy. 9.11.03
10:59
(JPP)
Sem jornais n�o h� uma boa manh�, ou melhor, pode haver uma boa manh� mas n�o h� uma manh� completa. Costumo dizer que �I love the smell of napalm in the morning�. Na manh�. N�o na �early morning�. Sucede que os jornais n�o chegam ao interior do pa�s e a essa parte do interior do pa�s que � Bruxelas, pelo que me fico com os jornais em linha, o que � uma verdadeira revolu��o que a minha gera��o agradece aos programadores militares da Arpanet e as gera��es seguintes v�o considerar um direito adquirido. Mas, como gosto muito de jornais, uma semana depois leio-os todos em papel, descobrindo as mil e uma coisas que nos escapam em linha. Por mim, nunca haveria crise nas compras da imprensa por causa da Internet. Hoje, o P�blico (em linha) est� magn�fico: tem o dossier sobre as assessorias pol�ticas dos jornalistas que j� falei, e dois bons artigos, um de D�maso e outro de Luciano Alvarez � este �ltimo mais que bom, certeir�ssimo. Tem tamb�m um dossier sobre Cunhal, mas est� na mulher do P�blico, a P�blica, que me � inacess�vel em linha apesar de p�blica. No Jornal de Not�cias (em linha) volta mais uma vez o �arrasar� uma express�o favorita dos jornalistas portugueses � agora � Ferro a �arrasar� Carrilho e Soares . Quando verbos como este desaparecerem do jornalismo portugu�s, este fica melhor. Que o dia vos arrase de bom. Bom dia!
10:12
(JPP)
Naquilo que � certamente um eco � long�nquo que seja, mas ignorado � de um pedido que aqui fiz para que se conhecessem os casos de jornalistas que circulam entre as redac��es e a assessoria pol�tica, o P�blico de hoje tem o m�rito de fazer um primeiro dossier sobre o assunto. A lista publicada � uma contribui��o para a transpar�ncia, mas, pela sua exiguidade, est� longe de dar uma ideia da dimens�o da circula��o entre jornalistas e gabinetes pol�ticos. Pode inclusive induzir em erro os leitores dando-lhes a entender que s�o apenas aqueles os casos existentes. As entrevistas a �acad�micos� de jornalismo, uma das quais ela pr�pria antiga assessora de M�rio Soares, d�o do problema uma vis�o ben�vola e complacente. Esta benevol�ncia e complac�ncia nunca existiria com os pol�ticos e ainda bem. H� nas respostas a confus�o entre duas situa��es: uma � a actividade pol�tica leg�tima de qualquer jornalista, incluindo o exerc�cio de fun��es como autarca, deputado, dirigente partid�rio, etc. N�o h� em si nenhuma objec��o a esta liberdade e capacidade c�vica. Outra coisa � a utiliza��o dos conhecimentos profissionais, e n�o necessariamente os mais �limpos�, como todos sabem e preferem ignorar, para exercer fun��es na zona mais cinzenta e menos escrutinada da comunica��o social: a produ��o de not�cias, o agenda setting, os truques interiores ao discurso comunicacional e sua efic�cia. H� um aspecto claramente minimizado nos coment�rios �o da alta confian�a pol�tica que tal fun��o presume. A assessoria pol�tica de um jornalista coloca-o no �mago dos mecanismos do poder como ele hoje � exercido: no centro das fugas de informa��o, da gest�o de �fontes an�nimas�, da manipula��o das not�cias. Os �acad�micos� ignoraram este aspecto, mas � muito positivo que a discuss�o tenha come�ado. 8.11.03
23:26
(JPP)
de ontem incluem uma batalha de Anton Romako de 1880 e que est� em Viena e um Man Ray , �the black tray�, de 1914, da Phillips Collection em Washington.
09:37
(JPP)
Voltamos �s manh�s, com este sol e frio brilhantes. Mas, antes a noite, e para o Aviz que pergunta �a noite o que �?� esta resposta de Lope de Vega A la noche "Noche fabricadora de embelecos, loca, imaginativa, quimerista, que muestras al que en ti su bien conquista, los montes llanos y los mares secos; habitadora de cerebros huecos, mec�nica, fil�sofa, alquimista, encubridora vil, lince sin vista, espantadiza de tus mismos ecos; la sombra, el miedo, el mal se te atribuya, sol�cita, poeta, enferma, fr�a, manos del bravo y pies del fugitivo. Que vele o duerma, media vida es tuya; si velo, te lo pago con el d�a, y si duermo, no siento lo que vivo". E agora a manh� com anjos de Emily Dickinson �Angels in the early morning May be seen the dews among, Stooping, plucking, smiling, flying: Do the buds to them belong? Angels when the sun is hottest May be seen the sands among, Stooping, plucking, sighing, flying; Parched the flowers they bear along.� Bom dia!
00:45
(JPP)
"Apercebi-me uma liga��o interessante entre dois t�picos muito distintos recentemente abordados no Abrupto. Por um lado, referiu-se ao quase total desconhecimento que h� no nosso pa�s relativamente �s guerras liberais e, por outro lado, falou da professora que o ensinou a ler na Rua das Doze Casas. H� uma palavra cuja aus�ncia me intrigou neste �ltimo texto; trata-se da palavra �mestra� que era, julgo eu, a designa��o que era usada para aquele tipo de professoras. O que liga os dois textos � a men��o que faz, a prop�sito da Rua das Doze Casas, � Rua da Alegria. A respeito do nome desta art�ria, escreve Eug�nio Andrea da Cunha e Freitas no seu livro Topon�mia Portuense: "Recebeu esta designa��o, cremos que comemorando �com alegria� a vit�ria das armas constitucionais. Numa �poca de euforia, consequente dessa vit�ria, o Senado Municipal distribuiu prodigamente nomes novos pelas art�rias citadinas, lembrando os seus her�is, as datas dos principais sucessos militares e pol�ticos, que ent�o se julgavam padr�es eternos, e hoje quase ningu�m sabe o que significam; outros ainda que, � falta de melhor termo que n�o nos ocorre, chamaremos �aleg�ricos�: Triunfo, Restaura��o, Regenera��o, Firmeza, Alegria..." � claro, para al�m dos nomes �aleg�ricos�, tamb�m temos, por exemplo, o Bairro do Cerco, a travessa do Paiol, a Rua Marqu�s S� da Bandeira (esta em Vila Nova de Gaia), e assim por diante." (Jos� Carlos Santos) 7.11.03
23:17
(JPP)
�Penso que podemos bem sonhar com uma PBS. No entanto, penso que � um sonho dificil de se tornar realidade por estas raz�es: 1) Somos pequenos e poucos (l�, em 2002, 144 milh�es assitiram a um canal da PBS pelo menos 7 horas por m�s); 2) S� teriamos um dois (?) canais para a nossa PBS(l� s�o 350); 3) N�o temos o n�mero de Funda��es, universidades, empresas (nem incentivos para as mesmas) para contribuirem para tal viabilidade; 4) Os fundos da PBS s� originam parcialmente dos membros (23%) e o restante � de sponsors, universidades, funda��es, governo federal, etc. Last but not least, a PBS n�o � um mar de rosas. Enquanto o cabo (comercial) tem crescido a PBS tem apenas mantido o seu n�mero de telespectadores. A PBS tem sofrido com o medo do terrorismo pelos norte-americanos (lets watch CNN round the clock), com a falta de simpatia de Washington com o "dizer a verdade" da PBS (e com avers�o pela Cultura t�o inerente aos Republicanos - metam uns boxers no David), com o desaparecimento de sponsors em parte gra�as � recess�o econ�mica, com alguns compromissos feitos na programa��o, etc. A UE n�o poderia ter uma PBS mas em que n�o fosse tudo produzido na Alemanha e Fran�a? ;-) MAs ser� que na Europa � poss�velter uma televis�o "politicamente incorrecta" (leia-se verdadeiramente democr�tica) que sirva para o debate, e a abertura a diversas opini�es, de maiorias e minorias, e sem uma �nica verdade religiosa? Tanto mais que havia por falar. Est� tudo no s�tio do costume. Na WWW. :-)� (Nuno Figueiredo)
22:09
(JPP)
de ontem: uma pintura abstracta de Silja Rantanan e uma, bem pouco abstracta mas metaf�sica, de uma �corbeille de verres� de Sebastien Stoskopff. Os vidros partidos est�o em Estrasburgo.
10:25
(JPP)
Ant�nio Machado, de novo, em este �Recuerdo infantil� que me fez o milagre da mem�ria, porque era exactamente assim. Exactamente assim. Recuerdo infantil "Una tarde parda y fr�a de invierno. Los colegiales estudian. Monoton�a de lluvia tras los cristales. Es la clase. En un cartel se representa a Ca�n fugitivo, y muerto Abel junto a una mancha carm�n. Con timbre sonoro y hueco truena el maestro, un anciano mal vestido, enjuto y seco, que lleva un libro en la mano. Y todo un coro infantil va cantando la lecci�n: "mil veces ciento, cien mil, mil veces mil, un mill�n". Una tarde parda y fr�a de invierno. Los colegiales estudian. Monoton�a de la lluvia en los cristales." Aprendi a ler antes de ir para a escola prim�ria, com uma professora reformada que tinha uma �escola� privada em sua casa, na Rua das Doze Casas, no Porto. A �escola� era numa sala da sua casa e funcionava como uma esp�cie de jardim infantil. Como na altura a pedagogia era uma preciosidade bizarra, a professora fazia o que sabia fazer e o que durante incont�veis anos j� tinha feito numa escola prim�ria � ensinar a ler, escrever e contar. Os meninos tinham quatro anos? Ela queria l� saber, era ler, escrever e contar como se estivessem na primeira classe. A escola era para aprender n�o era para ningu�m se divertir: "Monoton�a de la lluvia en los cristales." Acho que me recordo de tudo com grande nitidez: a Rua das Doze Casas, que come�ava na Rua da Alegria, depois da Cooperativa dos Pedreiros, com uma f�brica de refina��o de a��car, onde depois se fez o Hotel Castor. Eu espreitava pelas janelas para uma esp�cie de cave onde, nos caldeir�es, uma massa pegajosa era mexida. O cheiro a a��car castanho nunca mais o esqueci. Depois, a pequena rua, quase um beco, escondendo-se por detr�s das fachadas burguesas de azulejo verde escuro das casas do Porto, t�picas da Rua da Alegria e da Rua D. Jo�o IV � uma cave com janelas t�rreas, um r�s do ch�o ligeiramente elevado e um andar por cima. Atr�s, um longo quintal com �rvores de frutos, couves e capoeira. A casa da professora era uma vers�o um pouco mais pobre dessas casas, s� com um andar, mas tinha a mesma configura��o para a rua, a mesma porta vermelha com grades, batente e puxador de ferro forjado, a mesma entrada com uma escada de quatro ou cinco degraus e depois, virando-se para a esquerda, a sala de jantar transformada na �sala de aulas�: meia d�zia de carteiras, daquelas que tinham s�tio para o tinteiro, e um quadro negro de lousa com giz. A� aprendi a ler, o melhor que jamais aprendi. Por isso, no meu invis�vel mapa do Porto, h� uma luz brilhante sobre a Rua das Doze Casas. Bom dia!
00:38
(JPP)
Guerra peninsular e Wellington - �Quem conhece os "dispatch of general lord Wellington" penso que numa edi��o de 1852 (Havia uma cole��o no British Council, neles um dos volumes � o da guerra peninsular..devia ser leitura obrigat�ria dos portugueses porque l� s�o mencionadas algumas das nossas "caracter�sticas"..j� nesse tempo Quanto ao "Boney" � melhor n�o falarmos..segundo a tradi��o sou proprietario de umas oliveiras que serviram cerca de 1811 como forcas para uns portugueses!!!� (A. R.) Guerra civil portuguesa � �A sua sugest�o da programa��o patrocinada por utilizadores � muito boa. Permitiria debelar um dos grandes escolhos dos que fazem trabalho volunt�rio, que � o acesso a material e conhecimento especializado, e que n�o � justo esperar que seja cedido em troco de nada. No entanto os custos s� seriam suport�veis se houvesse bastante gente disposta a financiar os projectos. Uma Associa��o poderia desempenhar esse papel, mas o esp�rito associativo � escasso em Portugal. Enfim, pode ser que haja algu�m interessado em desenvolver a ideia." (M�rio Filipe Pires do Retorta) Jo�o Ricardo dos Meninos de Ouro lembra que " Ricardo Veiga escreveu um pequeno ensaio sobre a guerra, a 19 de Setembro de 2003, intitulado "A Derrocada Do Antigo Regime". ![]() Guerra da Secess�o - "A prop�sito do post "Guerra Civil Americana" recomendo a leitura do Lincoln de Gore Vidal, bem como os outros volumes da s�rie hist�rica, nomeadamente Burr e 1876". (Joana Gomes Cardoso) De arqueologia , um muito interessante epis�dio da guerra civil americana que tocou os A�ores: "Curioso mesmo � saber que a nossa ilha Terceira est� umbilicalmente ligada � Guerra da Secess�o. Para al�m do armamento na ba�a do Fanal do Erica, mais tarde o infame e conhecid�ssimo CSS Alabama, temos o caso Run'Her. Durante os �ltimos anos da guerra civil, os navios do Sul que furavam o bloqueio dos portos imposto pelo Norte eram, geralmente, propriedade do governo Confederado. Essa propriedade era, no entanto, camuflada de modo a se evitar que os navios fossem classificados como "vasos sob um pavilh�o nacional" o que poderia levar a que se vissem submetidos �s regras estritas de neutralidade exigidas para navios de guerra e de transporte. Sofrendo de uma falta cr�nica de cr�dito estrangeiro, o governo Confederado viu-se obrigado a estabelecer contratos de aquisi��o de navios junto de seis grandes construtores navais brit�nicos, fornecendo estes �ltimos navios equipados com maquinaria de alta tecnologia por troca com carregamentos de algod�o - s� quando o n�mero de fretes executados fosse suficiente para amortizar a d�vida de constru��o receberia o governo Confederado o controlo completo do navio em causa. No �mbito do programa Confederado de constru��o de navios especificamente destinados a furar o bloqueio, foi lan�ado � �gua, a 3 de Mar�o de 1863, o The Southerner. Com com cerca de 90 metros de comprimento e 300 cavalos de pot�ncia, apresentava pela primeira vez na hist�ria da constru��o naval mercante uma caldeira com superaquecimento de vapor e um casco refor�ado com blindagem. Este navio, com 18 n�s de velocidade de ponta, viria a dar o mote para aquilo que seria a constru��o naval em 1864. Nesse ano, sa�a dos estaleiros de Spence Pile, West Hartlepool, o vapor de p�s Whisper, com 80 metros de comprimento e uma velocidade de 14 n�s. Partindo de Falmouth a 16 de Novembro de 1864, o Whisper fazia parte de uma frota de quatro furadores de bloqueio que carregavam quase exclusivamente equipamento destinado � constru��o de minas navais de detona��o el�ctrica (uma nova arma de destrui��o e uma das muitas a surgir deste conflito). Destes quatro navios, o Whisper foi o �nico que conseguiu furar o bloqueio, ap�s ter escalado Angra a 26 de Novembro de 1864. Dos outros, dois foram apresados e o �ltimo, o Run�Her, naufragou na Ba�a de Angra do Hero�smo. Pelas informa��es recolhidas no Arquivo Distrital de Angra do Hero�smo, sabe- se que coube ao cidad�o americano Hunter Davidson, a tarefa de coadjuvar o capit�o do Run�Her, Edwin Courtenay, na manobra do navio. Hunter Davidson, nascido no estado da Virg�nia em 1827, foi nomeado para o cargo de guarda-marinha a 29 de Dezembro de 1841, ap�s ter conclu�do os seus estudos na United States Naval Academy de Annapolis, Maryland, naquele que foi o segundo curso a ser ministrado nesta institui��o. A sua carreira naval prosseguiu com a sua nomea��o a tenente, no ano de 1855 e terminou cinco anos mais tarde quando Hunter apresentou a sua resigna��o, pouco antes de se juntar � popula��o rebelde do seu estado natal. � durante o decorrer do primeiro ano do conflito armado que Davidson � nomeado para o posto de 1� tenente da Marinha Confederada, em Junho de 1861. Durante a guerra veio a ocupar v�rios cargos, quer embarcado, quer em terra, distinguindo-se pelo papel que desempenhou aquando da primeira escaramu�a havida entre dois navios coura�ados, o CSS Virg�nia e o USS Monitor. Ap�s o fim da sua comiss�o de servi�o a bordo do CSS Virg�nia, Davidson dedicou-se de corpo e alma � idealiza��o de minas submarinas, tendo sido assistente de Matthew Fontaine Maury, brilhante cientista naval. Quando este �ltimo foi destacado para servi�o de investiga��o na Europa, Davidson tomou a peito as tarefas de melhoramento, constru��o e posicionamento de minas navais no interior do leito do rio James, no �mbito do plano de defesa da capital sulista, Richmond, tendo os seus esfor�os sido amplamente recompensados com o afundamento de v�rios navios nortistas. Davidson foi tamb�m o respons�vel pela forma��o do Naval Submarine Battery Service, servi�o este que respondeu pelo afundamento de algumas dezenas de embarca��es da Uni�o. Em 1864 Davidson foi promovido a comandante - ap�s um semi-submarino por si comandado ter, num ataque particularmente bem sucedido, danificado seriamente a fragata a vapor USS Minnesota, naquela que foi uma das primeiras opera��es b�licas de um submarino em teatro de guerra. m meados de 1864, Davidson tinha concebido um sistema el�ctrico altamente sofisticado de detona��o de minas navais o que o tornou no maior perito, a n�vel mundial, em armas deste g�nero. Devido � dificuldade em obter nos estados Confederados as mat�rias primas e os equipamentos necess�rios para esta nova arma, Davidson foi destacado para a Inglaterra onde veio a trabalhar com os maiores especialistas ingleses nas �reas da telegrafia subaqu�tica e dos explosivos. Entre os v�rios materiais usados - e embarcados no Run�Her - contavam-se v�rios tipos de acumuladores e baterias el�ctricas, cabo el�ctrico submarino isolado, equipamentos de ebonite destinados a tornar as minas estanques, interruptores de tel�grafo, sistemas de teste, detonadores e estruturas de minas por construir. Estas minas eram extremamente eficientes, extremamente mort�feras e desesperadamente precisas num teatro de opera��es que se caracterizava pelo dom�nio naval do Norte Constru�do pelos estaleiros de John & William Dudgeon, em Isle of Dogs, Londres, o Run�Her possu�a cerca de 70 metros de comprimento, 8 metros de boca e 3,5 metros de calado, deslocando cerca de 343 toneladas. Partindo de Londres, com 50 pessoas de tripula��o, o vapor demorou quatro dias a chegar � Terceira onde veio naufragar no interior do porto, ao que parece por culpa do capit�o Edwin Courtenay. O jornal O Angrense d�-nos um breve sum�rio do desastre: "Sinistro - S�bbado 5 do corrente, pelo meio dia, pouco mais ou menos, aproximou-se deste porto o vapor inglez Runher, de 343 tonelladas, capit�o E. Courtenay, com 51 pessoas de tripula��o, com carga de v�veres, proveniente de Londres, com destino para as Bermudas, trazendo 4 dias de viagem. Ao entrar no porto, seguindo a toda a for�a, passou entre os navios ancorados e tomando um bordo bastante � terra encalhou junto ao c�es da alfandega, a bem pouca distancia. O commandante, a cuja imprudencia s� se deve tal sinistro, fez esfor�os para recuar o navio, mas foram baldados. O navio era a primeira viagem que fazia. O commandante precipitou-se, porque se tivesse esperado o pratico, teria fundeado sem perigo algum junto ao outro vapor que se achava no porto. S�o sempre africanadas que custam caro aos donos dos navios e que podem desacreditar o porto." No pr�prio dia em que era dado � estampa o Boletim Oficial que noticiava o naufr�gio, era arrematado, por 800$000 reis, o casco do vapor com todo o seu recheio, � excep��o da m�quina e de uma caixa COM platina. Infelizmente para o comprador, enquanto que a 19 de Dezembro de 1864 se procedia � arremata��o p�blica dos salvados do Run�Her - que subiram em geral a um pre�o fabuloso - o navio era completamente destru�do por um vendaval, na noite do mesmo dia. Parte da sua carga permaneceu ainda em Angra, tal como se pode comprovar pela aquisi��o por parte dum navio ingl�s proveniente do M�xico de v�rios caixotes de carne provindos da carga salvada, a 9 de Abril de 1865, cinco meses depois do naufr�gio. Ap�s o naufr�gio do Run�Her, Davidson regressou a Inglaterra - tendo partido de Angra para Lisboa a 18 de Novembro de 1864 no vapor portugu�s Maria Pia que transportava tamb�m trinta e cinco marinheiros ingleses - onde veio a assumir o comando de um outro navio procedente dos estaleiros Dudgeon, o City of Richmond. Este navio - transportando tamb�m equipamento destinado � constru��o de minas navais - foi desviado da sua viagem inaugural para ir prestar assist�ncia ao coura�ado CSS Stonewall. Este atraso foi o suficiente para o que o City of Richmond visse chegar o fim da guerra antes que pudesse vir a atingir qualquer porto Confederado. Depois da guerra, Davidson nunca chegou a regressar aos Estados Unidos. Serviu como oficial de marinha em diversas for�as navais da Am�rica do Sul e chegou mesmo a combater na Guerra da Tripla Alian�a contra o Paraguai. Davidson serviu tamb�m como consultor tecnol�gico no fabrico de minas navais e torpedeiros at� � sua morte, em 1913, no Paraguai." 6.11.03
22:38
(JPP)
Mas que exibi��o de hipocrisia a pretexto das palavras de Cunhal! O que � que Cunhal diz que n�o se encontre, na sua subst�ncia (a forma � outra coisa), um pouco por todo o lado na esquerda radical? Digam l�, caso a caso, do que � que discordam? Cunhal : �Na evolu��o da sociedade, a revolu��o russa de 1917, sob a direc��o de L�nine e do partido dos bolcheviques, fica marcada, em mil�nios de hist�ria, como a primeira e �nica a estabelecer o poder pol�tico das classes anteriormente exploradas e a empreender com �xito a gigantesca tarefa de construir uma sociedade sem exploradores nem explorados. Com o seu poderio, alcan�ado pela constru��o do socialismo, a Uni�o Sovi�tica alterou a correla��o das for�as mundiais, manteve em respeito durante d�cadas o imperialismo, tornando a competi��o entre os dois sistemas um elemento dominante na situa��o mundial.� Na linguagem marxista deslavada da actualidade, n�o seria dif�cil reescrever a mesma frase, com exactamente o mesmo conte�do, mas tornando-a muito mais aceit�vel. Em que � que esta an�lise � diferente da que fazem os trotsquistas do PSR ou os p�s-mao�stas da UDP? Em que � que � diferente do que escreve o t�o saudado Hobsbawm? Retiradas as modernices verbais, o que � que est� escrito no Imp�rio de Negri sen�o isto mesmo? Os lamentos com o mundo �unipolar�, que papel p�stumo d�o � URSS, sen�o esse de ter �mantido em respeito� o �imperialismo�? Que sentido tem a dualidade �globaliza��o capitalista� versus �globaliza��o popular�, sen�o manter a competi��o �entre os dois sistemas� ? Cunhal: �� ac��o terrorista de 11 de Setembro, os Estados Unidos responderam fomentando organiza��es e ac��es terroristas, desencadeando agress�es e guerras que vitimam igualmente milhares de civis. Proclamando serem os campe�es da luta contra o terrorismo, os Estados Unidos tornaram-se a principal for�a do terrorismo mundial.� Esta ent�o digam l� de que discordam? Tanto quanto eu saiba, manifesta��es da esquerda em Portugal nunca houve contra Kadafi (pelo contr�rio, houve quem recebesse dinheiro dele), contra a dinastia norte-coreana, contra Cuba, contra o Hamas, contra Saddam. S� me recorda haver contra os EUA e com cartazes a dizer �Bush assasino e terrorista�. O que � que Cunhal diz que os escandaliza tanto? Cunhal: �Os trabalhadores, os povos e as na��es n�o podem aceitar que tal ofensiva global seja irrevers�vel. E, se assim �, importa considerar se h� e, havendo, quais s�o as for�as capazes de impedir que o imperialismo alcance o seu supremo objectivo. A nosso ver, s�o fundamentalmente: Primeiro: Os pa�ses nos quais os comunistas no poder (China, Cuba, Vietname, Laos, Coreia do Norte) insistem em que o seu objectivo � a constru��o de uma sociedade socialista. Apesar de ser por caminhos diferenciados, complexos e sujeitos a extremas dificuldades, � essencial para a humanidade que alcancem com �xito tal objectivo." Aqui est� a principal diferen�a face a Cunhal: j� ningu�m acredita que haja um �campo socialista�, e muito menos com estes parceiros. Mas j� quanto a Cuba � Cunhal: �Segundo: os movimentos e organiza��es sindicais de classe, lutando corajosamente em defesa dos interesses e direitos dos trabalhadores. Terceiro: partidos comunistas e outros partidos revolucion�rios, firmes, corajosos e confiantes. Quarto: movimentos patri�ticos, com as mais variadas composi��es pol�ticas, actuando em defesa dos interesses nacionais e da independ�ncia nacional. Quinto: movimentos pacifistas, ecologistas e outros movimentos progressistas de massas. � no conjunto destas for�as que pode residir e que reside a esperan�a de impedir a vit�ria final da ofensiva do capitalismo visando impor em todo o mundo o seu dom�nio universal e final. " Nestes �ltimos casos, qual � tamb�m o esc�ndalo? Nas manifesta��es contra a globaliza��o n�o est� de bra�o dado toda a parafern�lia de movimentos que Cunhal enuncia? Cunhal incomoda-os porque a forma, a linguagem e o estilo, fazem parte de um passado de que ningu�m quer ser herdeiro. Cunhal lembra o movimento comunista internacional. Lembram-se? Existiu, n�o existiu? Mas tudo o resto, o conte�do, a subst�ncia, l�-se todos os dias um pouco por todo o lado.
18:34
(JPP)
Antes do 25 de Abril, o estado de direito come�ava fora das fronteiras portuguesas e espanholas depois dos Pirin�us. Hoje, em Portugal, acaba �s portas fechadas a cadeado da Universidade de Coimbra. Se os cadeados fechassem uma f�brica no vale do Ave, ou da Marinha Grande, j� l� estava o Corpo de Interven��o da GNR, como os estudantes s�o da classe social certa, ningu�m mexe uma palha perante a ilegalidade.
12:54
(JPP)
t�o fundadora do que somos como a guerra da Secess�o, e sobre a qual n�o h� nada que, de perto nem de longe, se aproxime da s�rie americana? A ignor�ncia actual sobre esse evento � quase total, e nem sequer persiste na mem�ria escolar e c�vica, como a guerra da Secess�o no imagin�rio americano. E, no entanto, liberais e miguelistas travaram um duro e cruel combate durante um longo per�odo de tempo, que revolveu Portugal, de Lisboa � mais long�nqua terra de Tr�s-os-Montes. Mil e uma hist�rias fabulosas, de valentia e cobardia, crueldade e compaix�o, imbecilidade e pros�pia, intelig�ncia e valor, est�o escondidas em livros e gravuras oitocentistas. Se procurarmos bem n�o faltar�o palavras, nem imagens para contar �udio - visualmente essa complexa hist�ria do nosso s�culo XIX. Ser� que a televis�o �da sociedade civil� vai produzir document�rios deste tipo? Ou a SIC ? Ou temos que fazer uma pequena revolu��o civil e come�ar uma "viewers sponsored tv", paga por quem se interessa por estas coisas e tem dinheiro para as pagar, muitos pouco, alguns muito? Verdadeiramente o que � que nos impede, aos que s�o liberais e n�o est�o sempre � espera do estado? Talvez a nossa in�rcia. Fica a ideia.
12:34
(JPP)
Continuo a ver os epis�dios da s�rie de Ken Burns ( existe um endere�o da PBS para a s�rie), com o mesmo prazer e sentimento. Agora come�o a dar nova vida a nomes que at� agora eram para mim outra coisa: a come�ar por Lincoln, sobre o qual o meu saber era completamente estandartizado; Frederick Douglass, que sabia quem era e nada mais (vale a pena ver os seus pap�is); Robert E. Lee, uma das personagens mais interessantes do conflito e que escolheu o �patriotismo� do seu estado (Virg�nia) em detrimento do dos EUA; Jonh Brown, o �meteoro� que incendiou a guerra; Farragut que era uma esta��o de metro em Washington, agora � o almirante da Uni�o, etc., etc. N�o h� riqueza para a mem�ria que se compare a esta, a este erguer de gente do passado dos nomes vazios em que est� �imortalizada�, para o meu presente ( e o dos outros). Esta � uma das raz�es porque me interesso pela biografia, pela hist�ria biogr�fica.
12:16
(JPP)
na parte j� inv�sivel ( e no entanto foi s� ontem!): acrescentados coment�rios � nota ATITUDES sobre Wellington.
10:03
(JPP)
"(...) V.P. est� em uma Universidade, onde � f�cil desenganar-se com os seus olhos. Entre no Col�gio das Artes, corra as escolas baixas, e ver� as muitas palmatoadas que se mandam dar aos pobres principiantes. Penetre, por�m, com a considera��o o interior das escolas; examine se o mestre lhes ensina o que deve ensinar: se lhe facilita o caminho para entend�-la; se n�o lhe carrega a mem�ria com coisas desnecessar�ssimas. E achar� tudo o contr�rio. O que suposto, todo este p�so est� fora da esfera de um principiante. Ora, n�o h� lei que obrigue um homem a fazer mais do que pode, e castigue os defeitos que se n�o podem evitar. N�o nego que deve haver castigo; mas deve ser proporcionado. Um estudante que impede que outros estudem; que faz rapaziadas pesadas, etc., � justo que seja castigado e, havendo reincid�ncia, que seja despedido. Seria bom que nessa sua Universidade se desse um rigoroso castigo, ainda de morte, aos que injustamente acometem os novatos, e fazem outras insol�ncias. A brandura com que se tem procedido neste particular talvez foi causa do que ao depois se fez, e ainda se faz. Neste particular seria eu inexor�vel, porque a paz p�blica, que o pr�ncipe promete aos que concorrem para tais exerc�cios, pede-o assim; e em outros reinos executam-no com todo o rigor. Falo somente do castigo que se d� por causa de n�o acertar com os estudos. A emula��o, a repreens�o, e algum outro castigo deste g�nero faz mais que os que se praticam." Luis Ant�nio Verney, Verdadeiro M�todo de Estudar (cortesia de Am�rico Oliveira)
09:58
(JPP)
Continuo com Ant�nio Machado (um dia destes voltamos �s can��es matinais) o meu lenitivo pela aurora: "Cuatro cosas tiene el hombre que no sirven en la mar: ancla, gobernalle y remos, y miedo de naufragar." * Lendo os blogues: os de �direita� est�o, nestes dias, explicativos, citacionais, sottovoce e pedag�gicos; os de �esquerda� cheios de �cido e bragadoccio. Como se uns procurassem a sua raz�o perdida e os outros alimentassem a sua paix�o em perda. No meio, navegam aqueles a que eu chamo os �blogues calmos�: os que, tamb�m nestes dias, t�m menos �miedo de naufragar�.
02:36
(JPP)
De novo � h� quanto tempo! � uma lua japonesa. E um ru�do permanente, agora aqui, agora ali, das folhas a cair com o vento. Partem do topo e v�o batendo umas nas outras, at� ao ch�o. Ser� que s� morrem � noite? Ser� que esperam que ningu�m as veja?
01:24
(JPP)
de ontem s�o de Eduardo Paolozzi, a �Shooting Gallery�, de 1947, e um fragmento da Anuncia��o do Mestre de Flemalle, do in�cio do s�culo XV. As janelas, o espanador e outros objectos completamente prosaicos est�o � volta da Virgem. 5.11.03
20:28
(JPP)
Esta carta do duque de Wellington ao Minist�rio dos Neg�cios Estrangeiros em Londres, enviada durante as campanhas ib�ricas contra Napole�o, representa um daqueles momentos �mpares em que h� uma atitude, uma simples, clara e frontal atitude. N�o abundam. "Exm�s Senhores: Enquanto march�mos de Portugal para uma posi��o que domina a aproxima��o a Madrid e das for�as Francesas, os meus Oficiais t�m cumprido diligentemente os vossos pedidos, enviados no navio de Sua Magestade, de Londres para Lisboa e da�, por estafeta a cavalo ao nosso quartel general. Enumer�mos as nossas selas, r�deas, tendas e respectivas estacas e todos os �itens� pelos quais o Governo de Sua Magestade me considera respons�vel. Enviei relat�rios sobre o car�cter, capacidade e �ndole de todos os Oficiais. Foram prestadas contas de todos os �itens� e todos os tost�es, com duas lament�veis excep��es para as quais pe�o a vossa indulg�ncia. Infelizmente n�o nos � poss�vel responder pela soma de 1 xelim e nove dinheiros, do fundo para o pagamento de pequenas despesas de um batalh�o de infantaria, e houve uma lament�vel confus�o quanto ao n�mero de frascos de compota de framboesa entregues a um regimento de cavalaria, durante uma tempestade de areia no oeste de Espanha. Este descuido censur�vel pode ser relacionado com a press�o das circunst�ncias, uma vez que estamos em guerra com a Fran�a, facto que poder� parecer-vos, senhores, em Whitegall, um pouco surpreendente. Isto traz-me ao meu objectivo actual, que consiste em pedir ao Governo de Sua Magestade instru��es sobre a minha miss�o, de modo a que eu possa compreender melhor a raz�o porque estou a arrastar um ex�rcito por estas plan�cies est�reis. Suponho que, necessariamente, deve ser uma das duas miss�es alternativas, como abaixo indico. Prosseguirei qualquer delas, com o melhor da minha capacidade, mas n�o posso executar as duas: 1. Treinar um ex�rcito de escritur�rios brit�nicos para benef�cio dos contabilistas e mo�os de recados de Londres, ou, talvez: 2. Providenciar no sentido de as for�as de Napole�o serem expulsas de Espanha. Assinado O vosso mais obediente servo Wellington" (enviada por Am�rico Oliveira, e reproduzida da revista Dirigir, n�2) * "Ao ler o seu post (ou posta? e posta de qu�?) sobre Arthur Wellesley, primeiro duque de Wellington, lembrei-me de um livro que li recentemente: "Napole�o e Wellington"; nele pude constatar uma coisa fant�stica, que ainda separa o nosso mundo daquele em que Wellington vivia (a Inglaterra do final do s�culo XVIII e princ�pio do s�culo XIX, em confronto com uma Fran�a imperial, da qual herd�mos muito): a no��o de responsabilidade que os chefes militares, funcion�rios p�blicos, tinham. Wellington mencionava v�rias vezes as explica��es que teria de dar ao parlamento por cada libra gasta, por cada homem perdido, por cada canh�o tomado pelo inimigo. Napole�o, sendo um ditador, n�o tinha de prestar contas a ningu�m, e podia perfeitamente dar-se ao luxo de perder um milh�o de homens ou gastar fortunas em guerras insensatas. Wellington fazia quest�o de pagar os bens adquiridos aos populares dos s�tios por onde passasse, e, depois de ter derrotado Napole�o, n�o permitiu que este fosse morto pelos aliados austr�acos, visto que o direito brit�nico n�o permitia execu��es sem julgamento. Para ele n�o se tratava de nenhum inc�modo, era apenas assim que tinha de ser. Quem nos dera a n�s, duzentos anos depois, termos pessoas assim ao nosso servi�o! Os nossos pequenos ditadores - presidentes de c�maras, ministros, etc - ainda se comportam como se o poder lhes pertencesse, como se n�o tivessem de prestar contas a ningu�m." (Ricardo Peres)
11:01
(JPP)
dos �ltimos dias: as crian�as do �honest day� s�o de Ipolit Strambu, os livros em cima da mesa de Joseph Solman, as �rvores ao fundo de Gerhard Richter e as flores de Fantin-Latour. V�m de milhares e milhares de quadros, de imagens inventadas, uma superf�cie artificial que tenta cobrir o mundo com mais beleza. O homem engana-se assim, mas podia ser pior. * "As "Rosas" de Henri Fantin-Latour foram a capa de um dos mais consagrados discos pop dos anos 80, "Power, Corruption & Lies" dos New Order." (Nuno Figueiredo)
10:35
(JPP)
Muitas vezes penso que bastava a cria��o, a poiesis, e que nada mais era preciso. Estava tudo l�: n�o � a batalha de Austerlitz na Guerra e Paz �melhor� do que qualquer descri��o do que aconteceu no terreno? Depois, ao ver e ouvir esta s�rie (como ali�s com o Shoah de Lanzmann), tenho a certeza de que n�o basta a literatura. N�o est� tudo l�. Faltam palavras, faltam as palavras dentro da mem�ria, e a mem�ria n�o � totalmente sol�vel na poiesis. H� uma realidade incontorn�vel nos acontecimentos da hist�ria, mesmo que os leiamos de forma �liter�ria�, que nos diz sempre mais alguma coisa. E numa guerra civil com a viol�ncia da americana, � a do modo como a guerra atravessa os homens simples, os homens comuns. Pensando bem, n�o h� muitos homens comuns, na literatura. (Mas, na literatura e na arte, onde eles mais est�o � na americana - em Walt Withman, na m�sica � sempre h� uma Fanfare for the Common Man - no cinema, etc).
10:32
(JPP)
no s�culo XIX era maior do que no s�culo seguinte. Da palavra oral e da palavra escrita, principalmente em panfletos, jornais e correspond�ncia. Em particular nesta �ltima. No s�culo XX, a palavra come�ou a ser gritada pelos altifalantes (como sempre tenho insistido, fascistas e comunistas �modernizaram� a propaganda e definiram o padr�o do uso fetichista da palavra), e a perder significado, a n�o ser como uma ordem, brutal ou subliminar. Tenho estado a ver (em DVD) uma magn�fica hist�ria da guerra civil ,realizada por Ken Burns, feita apenas por palavras da �poca, lidas sobre fotografias ou paisagens. Palavras de gente c�lebre e de homens comuns. O efeito � poderoso. As coisas fabulosas que homens como Lincoln disseram, com uma mistura de verdade �ntima, de afirma��o moral e um leve toque de ret�rica, ou apenas de pensar bem e falar melhor. E n�o � preciso quase mais nada para percebermos a queda progressiva da Uni�o na viol�ncia, o dilacerar completo dos estados, os dilemas morais poderosos de gente que os tinha, mesmo na crueldade, mesmo sendo cru�is. Como � que foi poss�vel continuar uma na��o, reconstituir um patriotismo, que � o principal elemento de identidade de uma na��o, depois do que aconteceu? De facto, as palavras chegam para nos transmitir essa complexidade, porque por detr�s delas est� muita vida. Muita vida m�. * "C� s� chega em despropor��o a m� Am�rica. H� tamb�m a Am�rica de "viewers sponosored tv" (PBS) sem cabo onde passam document�rios como os de Ken Burns. (...) Ainda n�o vi o trabalho realizado por ele sobre a hist�ria do Jazz, mas espero um dia poder comprar. Tenho tamb�m alguma curiosidade pelo filme que ele fez sobre Lloyd Wright." (Nuno Figueiredo)
09:52
(JPP)
Pelo bom conv�vio, pela franca discuss�o, por n�o nos levarmos muito a s�rio "�D�nde est� la utilidad de nuestras utilidades? Volvamos a la verdad: vanidad de vanidades." pela toler�ncia, que tantas vezes falta "Es el mejor de los buenos quien sabe que en esta vida todo es cuesti�n de medida: un poco m�s, algo menos..." e por Ant�nio Machado, que nos acompanha hoje, para refrig�rio da alma, como se dizia antigamente "Hay dos modos de conciencia: una es luz, y otra, paciencia. Una estriba en alumbrar un poquito el hondo mar; otra, en hacer penitencia con ca�a o red, y esperar el pez, como pescador. Dime t�: �Cu�l es mejor? �Conciencia de visionario que mira en el hondo acuario peces vivos, fugitivos, que no se pueden pescar, o esa maldita faena de ir arrojando a la arena, muertos, los peces del mar?" Bom dia! 4.11.03
19:36
(JPP)
PRAXES E PROPINAS Frederico Mira George do Saudades de Antero enviou este testemunho eborense: "�vora � noite costuma ser uma cidade de fantasmas e sombras de vampiros (que, como se sabe, n�o t�m sombra, coisa de alentejanos). A cidade tumular que durante o dia assume o aspecto de monumento � desesperada tentativa de encontrar no passado o que n�o se sabe criar para o presente, torna-se � noite num lugar sem tempo, onde seria poss�vel encontrar gente de todas as �pocas, mortos e vivos a lamberem-nos o presente, atormentando-nos os sonhos com imagens de inquisidores, carrascos e poetas desesperados no seu encontro com a morte. Numa destas madrugadas, junto � pra�a onde na idade m�dia se acendiam as figueiras do santo of�cio e hoje, simbolicamente, brota a agua de uma fonte. Dois rapazes de "meia idade", diria pelos seus 24, 25 anos, ajeitavam as suas capas e batinas. � sua volta algumas raparigas digladiavam-se para os ajudar a endireitar os colarinhos. Uma gritava pelo seu direito de prefer�ncia, gritava pelo seu direito de "afilhada" do "doutor". Assim mesmo: "- Eu � que o ajudo porque ele � o meu padrinho!". As outras cederam e afastaram-se. A matilha respeita sempre os direitos e garantias da esp�cie. No fim atacou-lhe os sapatos. Ainda gritaram mais uma tantas coisas e foram-se Porta-Nova fora. Ao longe ainda os ouvi grunhir umas notas de uma conhecida can��o dos "beach-boys". A cidade voltou ao seu sil�ncio sepulcral. Na manh� seguinte a Associa��o de Estudantes fechava a cadeado as portas dos edif�cios da Universidade de �vora. Um dos edif�cios, (...) acumulava uma s�rie de "doutores", empenhados na causa da luta contra as propinas. Devo dizer que em rela��o �s propinas, a minha opini�o � que nem m�xima nem m�nima. O que � tramado � que um dos porta-voz da "luta" nesta cidade tinha estado na noite anterior a deixar-se arrumar no colarinho e em �xtase alco�lico observando, de cima, a cabecinha da sua "afilhada" a apertar-lhe os sapatos. E no meio das palavras de ordem e das justas reivindica��es de um ensino universal e gratuito, l� andava a mocinha a dar mimos ao "padrinho". O "doutor" gritava � menina: "- � (nome) vai buscar as chaves do carro". "Anda c� coisinha, anda dar beijinhos ao teus doutores". A quest�o que se p�e, � que para que uma luta ser s�ria tem necessariamente que ser protagonizada por pessoas genuinamente s�rias. Quem s�o estes senhores e senhoras que conduzem as lutas contra as propinas? � que � evidente a minoria que representam os militantes do associativismo estudantil com verdadeiro empenhamento pol�tico, com genu�nas preocupa��es sociais. Eles existem e trabalham. Mas que for�a tem o seu exemplo perante tamanha animalidade? Que credibilidade pode ter um movimento social que age nos intervalos de sucessivas sess�es de humilha��o? Ser� poss�vel gritar por direitos montado nas costas de um colega a fazer de c�o?" SAUDEMOS O �NDICO 2 O Piton de la Fournaise ainda n�o entrou em erup��o, mas continua interdito aos visitantes. Entretanto, continuam as precis�es ( e os gostos) onom�sticas sobre as ilhas do �ndico. Jos� Bento comenta a resposta de J H Coimbra, �que nas precis�es, existia uma imprecis�o relativamente ao uso da palavra Mauricias, quando na realidade o correcto � a palavra Mauricio. Ora se j� visitou as Mauricias, sabe concerteza que a apesar de a l�ngua francesa ser muito comum a l�ngua oficial � o Ingl�s, assim sendo imp�e-se a tradu��o a partir do Ingl�s e n�o do Franc�s. No entanto imp�e-se coer�ncia e quando se refere � cidade Malgache (ou ser� Malgaxe?) de Tamatave, deve estar a referir-se a Taomasina, pois Tamatave � nome dado � cidade pelos Franceses na �poca colonial. Seria o mesmo que dizer " No ano passado em Louren�o Marques ..." F.J.O.C. escolhe o nome pelo gosto: �� bonito algu�m queixar-se da falta absoluta de gosto com que s�o cunhadas as palavras que usamos. Concordo que � um triste fen�meno, por ser essencialmente ignorante - n�o resisto � tenta��o de lhe lembrar mais um exemplo: "bin" Laden - que os angl�fonos grafam assim para lerem "b�n". Ben significa "filho de", nem sequer � um "de" qualquer, � uma part�cula com significado. Contudo, h�-de concordar que "Ilhas Maur�cio" n�o goza da eufonia de "Ilhas Maur�cias". E uma vez que reconhece que para a maioria de n�s s�o essencialmente um lindo destino tur�stico - viva a calafona - Maur�cias � muito mais bonito e adequado.�
16:18
(JPP)
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(JPP)
Assisto, com um misto de espanto, indigna��o e resigna��o (de facto n�o vale a pena o esfor�o�), ao programa da RTP sobre a Constitui��o Europeia. Conduzido com excesso de nervosismo e intervencionismo por F�tima Campos Ferreira, o programa revela toda a enorme ambiguidade no modo como o debate europeu � feito, quando n�o se quer discutir nada fora do c�rculo interior dos factos consumados e do sistema institu�do. Um grupo altamente qualificado de pessoas convidadas, pouco plural nas opini�es europeias (ou melhor, plural nos detalhes e nos procedimentos, mas menos plural na vis�o global), � conduzido para uma discuss�o irrealista, completamente por cima das realidades f�cticas, da realpolitik que � hoje central no jogo de poder europeu. Falavam como se a Constitui��o e o direito gozassem de uma autonomia em rela��o aos interesses, que hoje, mais do que nunca na hist�ria da Uni�o, s�o o jogo que se joga. � verdade que ocasionalmente a realidade do poder, a realpolitik, entra na sala como um icebergue � Gama e Adriano Moreira enunciaram-na � mas, quase sem nos apercebermos, tiram-nos o Titanic do mar, como se tal passo de m�gica fosse poss�vel. O icebergue est� l� � por exemplo, a completa indiferen�a dos portugueses, e dos europeus em geral, sobre a Constitui��o. E o que � a �ignor�ncia� traduzida nas sondagens sen�o indiferen�a , ou seja , falta de vontade pol�tica, falta de sentimento de perten�a, sentimento de que s�o deixados � parte� falta de democracia? E, no entanto, ningu�m quer saber e avan�a-se para a frente a todo o vapor. Os ingleses t�m sobre a Uni�o Europeia o mais brutal debate, muitas vezes ro�ando o rid�culo, mas dizem verdades como punhos e, acima de tudo, discutem a partir da realidade, e falam de coisas que n�o entram, nem ao de leve, no debate do Pr�s e Contras. Aqui n�o se discute a l�gica de poder da nova burocracia europeia de Bruxelas, a sua subordina��o quase exclusiva ao poder de estados como a Fran�a, a Alemanha, a Espanha e o Reino Unido; a falta de vontade dos estados de ir mais longe na uni�o pol�tica, disfar�ada em pol�ticas de face diferente (uma das quais, a franco-germ�nica, � exactamente a de utilizar como instrumento de hegemonia uma maior integra��o pol�tica, mantendo o comando dos mecanismos de subordina��o); a impot�ncia (tamb�m ela resultado das divis�es europeias) da pol�tica externa europeia, institucionalizada para minar a rela��o atl�ntica sem lhe fornecer alternativa, e, acima de tudo, a perigosa deriva n�o democr�tica e elitista da Uni�o Europeia, andando para a frente a toda a velocidade, numa l�gica de criar um estado europeu fict�cio em tudo menos no poder das na��es a que serve. �, faz falta um debate � inglesa, mas isso em Portugal ser� muito dif�cil porque o gigantesco consenso mata a diferen�a. 2.11.03
10:54
(JPP)
de ontem s�o de um mundo e de um anti-mundo. As �fadinhas� s�o do Bailado das Fadas da Colec��o Manecas, um livro portugu�s de hist�rias infantis dos anos cinquenta, e a �cacofonia� de �L�Oeil cacodylate� de Picabia.
10:39
(JPP)
a O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES e EARLY MORNING BLOGS 70 �S� um pequeno coment�rio acerca do coment�rio (passe a repetic�o) do seu leitor: "desde quando � que os espectadores num est�dio de futebol sao 'multifacetados' ? ". S�o facetados de forma diferente mas s�o tao multifacetados como os presentes num com�cio de um partido ! Em rela��o `as importa��es de "dia disto e daquilo", o exemplo mais engracado da influ�ncia do consumismo nas nossas vidas e h�bitos passa-se em Italia onde existem dois dias de "Natal": o Natal a 25 de Dezembro e a Epif�nia (carinhosamente chamado de Befana, pelos jovens italianos) a 6 de Janeiro. As criancas tem presentes nos dois dias. Quando e' que importamos esse ca' para Portugal ?� (sergio J.)
10:32
(JPP)
�Nas 'precis�es' (�) sobre uma ilha do �ndico encontro o que tomo por 'imprecis�o': dizer 'Maur�cias' parece-me mais uma reprodu��o onomatopaica do ingl�s 'Mauritius' do que a tradu��o do nome no mesmo idioma ou do franc�s 'Maurice' -- que seria para 'Maur�cio'. Portanto, digo eu..., 'ilha Maur�cio'. Sei, por�m, que mesmo em documentos oficiais (para n�o falar dos das ag�ncias de viagens) se optou pelo macaquear oral (depois reduzido a escrito) de 'Mauritius'... Paci�ncia: tamb�m (o)usamos escrever 'Punjabe' porque os ingleses grafam 'Punjab' para dizer 'Panjabe'; 'Honguecongue'; etc. Fora do contexto: quanto � ilha Reuni�o (v� la, aqui salvou-se a designa��o em portugu�s!) e sobetudo ao fogo do vulc�o, h� posts no blogue que me avivaram encantadoras lembran�as (�) um passeio at� Tamatave, Fianarantsoa, Antsirab�, Morondava, etc. E, outra lembran�a no 'spot': uma incurs�o em monomotor a�reo at� �s 'Bassas' da �ndia. Escrevam 'Maur�cias' ou 'Maur�cio' -- que importa?! --, mas saudemos os tr�picos, saudemos o �ndico!� (j h coimbra)
10:16
(JPP)
� impress�o minha ou, na �ltima semana, o lixo no correio electr�nico aumentou exponencialmente? Nos �ltimos vinte minutos recebi esta amostra : a �jenny j.� diz-me para �look what you get for 10 dollars� e oferece uma menina com �big tits�; a �A Real Opportunity� garante-me que posso �Earn More From Home �, mas eu recuso-me a carregar em qualquer destas liga��es, logo n�o sei como; a �Evelyn Longoria�, um nome um pouco neo-rafaelita, manda-me a mais explicita das mensagens �Alprazolam.m Xanax.x Vicodin.n Valium.m uyankcvj hlu� ; e a �Marisela� oferece-me, com um Ver�o de atraso, �The summer of 2003...get ready now� e �1.Body Fat Loss 2.Wrinkle Reduction 3.Increased Energy Levels 4.Muscle Strength improvement 5.Increased Sexual Potency 6.Improved Emotional Stability 7.Better Memory� Que mais � preciso na vida, do que �wrinkle reduction� ? Dinheiro. E o �You Did It� oferece-me �Get $2500 credit line and cash advances up to $1000� e o �Uncle Sam� , ele mesmo, promete �Takes Over Your Bills� e os montantes n�o s�o de desprezar: �$9,500.00 to pay any bills $2,800.00 to pay your heating bills $1,200.00 to pay your mortgage or rent $15,000.00 to pay for child care $3,000.00 to help buy a car $4,000.00 to pay closing costs on a home $500.00 to pay your property taxes $700.00 to pay utility bills $800.00 to pay your food bills $4,800.00 to pay for family expenses $3,000.00 to volunteer in your neighborhood $500.00 to pay your pet's veterinarian bills Even $1,000.00 to pay your bills while you're waiting for other government money!� Felicidade perfeita! O mais bizarro � que isto parece que resulta.
09:48
(JPP)
Uma pecha portuguesa � a de n�o ter humor, mas achar-se engra�ado, ou melhor, engra�adinho. O engra�adinho � uma praga nacional, exercida por milh�es de portugueses que contam anedotas sem gra�a, e transportaram agora para a televis�o o mesmo h�bito da anedota grossa, com umas personagens que parecem sa�das de um comedor r�pido de Odivelas para gravarem cassetes, v�deos, DVDs e mensagens telef�nicas das ditas. O mesmo engra�adinho que se repete, sem um �tomo de imagina��o, nas praxes e outras �brincadeiras� estudantis, espelho da nossa pobreza. Bergson, que escreveu sobre o �riso�, achava que, mais do que qualquer outra actividade, rir-se nos diferenciava dos animais. Mas falava do riso e n�o de esgares mais ou menos ritmados, que isso penso que at� uma moreia ou uma am�ijoa s�o capazes de fazer.
09:16
(JPP)
O n�mero de Erd�s aplicado aos blogues � um grande achado da Klepsydra, que tamb�m se irrita com a importa��o de Halloween (na minha aurea mediocritas, ainda domina o �p�o por Deus�). Acrescento �s importa��es mal amanhadas de �dias�, a do Dia de S. Valentim, o Dia dos Namorados, outra inven��o t�pica da era dos Centros Comerciais. Irritar, irrita um bocado (ali�s um comportamento genuinamente blogosferico), mas, pensando bem , who cares?, sen�o daqui a pouco estamos a defender as �excep��es culturais�. Para contrabalan�ar com o ar do mundo, esta constata��o (um galicismo penso�) dos U2 , com palavras de Bono ( cortesia da Cl�udia Vicente) de que �some days are better than others� Some Days Are Better Than Others "Some days are dry, some days are leaky Some days come clean, other days are sneaky Some days take less, but most days take more Some slip through your fingers and on to the floor Some days are you're quick, but most days you're speedy Some days you use more force than is necessary Some days just drop in on us Some days are better than others Some days...it all adds up And what you got is enough Some days are better than others Some days are slippy, other days are sloppy Some days you can't stand the sight of a puppy Your skin is white but you think you're a brother Some days are better than others Some days you wake with her complaining Some sunny days you wish it was raining Some days are sulky, some days have a grin Some days have bouncers and won't let you in Some days you hear a voice Taking you to another place Some days are better than others Some days are honest and some days are not Some days you're thankful for what you've got Some days you wake up in the army And some days...it's the enemy Some days you work, most days you're lazy Some days you feel like a bit of a baby lookin' for Jesus and His mother Some days are better than others Some days...you feel ahead You're making sense of what she said Some days are better than others. " (in "Zooropa", Island/Polygram, 1993, Palavras de Bono Vox, M�sica dos U2 ) Tenham um bom dia, �an honest day�. 1.11.03
20:47
(JPP)
Sobre a nota com este t�tulo, Jos� Bento envia-me as seguintes precis�es: - "As ilhas francesas no canal, j� foram revindicadas por Madagascar, mas a Fran�a � a pot�ncia local e n�o permite sequer que se aflore a quest�o. - As Mauricias revindicam h� muito uma quota de pesca, na ZEE da Kerguelen, da esp�cie Legine, repetidamente negada. - As Mauricias reclamam a Ilha de Tromelin."
13:01
(JPP)
![]() O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES A FALTA �Eu sei que foge muito ao que pretendia sobre o amanhecer... Mas a verdade � que havia, para mim, amanheceres dos quais sinto falta... Falo de todos aqueles que come�avam com um olhar lan�ado para a �ltima p�gina do DN, com o intuito de desfrutar da cr�nica de Vasco Pulido Valente. Sextas, S�bados e Domingos come�avam assim... Boas manh�s que gostaria de reviver.� (Paulo Agostinho) DETALHES �H� um livro de um ex-professor meu, o Daniel Arasse, que se chama justamente Le D�tail, e que est� publicado na Champs Flammarion. Arasse era j� h� vinte anos, quando tive a sorte de ser aluna sua , o perito em arte do Renascimento que depois o tempo n�o fez mais do que confirmar. Diz ele nesse livro, e estou a citar de cor, que o pormenor do quadro que deixamos passar, que n�o vemos � primeira vista, � justamente o que condensa todo o sentido do quadro. Sem o pormenor - e fala de uma idade da pintura em que, ao contr�rio do que hoje acontece, a representa��o da realidade � a pr�pria raz�o da exist�ncia dessa pintura - � o "dar a ver" que est� em causa, porque o que se daria a ver estaria for�osamente incompleto sem o pormenor e a sua interpreta��o seria, ent�o, err�nea... Hist�rias de mensagens que chegam de um artista a um p�blico, portanto. Pod�amos, sem grande esfor�o, passar da arte para a esfera da literatura. S� que, com a mudan�a do modo de ver que ocorre no s�culo XIX - e que � acelerada pela difus�o em massa da fotografia e do cinema - o antigo "modo de ver" a arte fica irremediavelmente condenado. Quem passa hoje uma hora em frente da Mona Lisa, quem percebe, por exemplo, que ela se apoia numa varanda de estilo renascentista? Hoje o ver � diferente; e a surpresa que os seus pormenores me causam est� relacionada certamente com um acr�scimo de velocidade em tudo o que fazemos que nos impede, tamb�m, de observar o pormenor. N�o h� nada de saudosista nesta constata��o. � (Lu�sa Soares de Oliveira) INAUGURA��O DE UM EST�DIO E VAIAS �N�o posso deixar de discordar da sua opini�o relativamente � presen�a do PR e do Primeiro Ministro na inaugura��o do novo Est�dio da Luz. A presen�a de tais figuras n�o � redundante ou dispens�vel mas antes imprescind�vel dada a natureza e dimens�o do evento. Longe de confundir pol�tica e futebol esta presen�a s� pode identificar os portugueses, que em maioria seguem pelo menos regularmente este desporto, com a sua classe dirigente. At� do ponto de vista democr�tico acaba por ser saud�vel uma vez que poucas s�o as ocasi�es em que os pol�ticos se sujeitam a uma exposi��o crua a tamanha multid�o, com as respectivas vaias ou aplausos de sua justi�a. Poucos ser�o os espa�os hoje em dia que compreendam um grupo de pessoas t�o vasto e socialmente multifacetado como o que se encontra num principal est�dio de futebol lotado. Acabam por ser o mais pr�ximo que h� de um "espelho" da sociedade.� (Ant�nio Baptista) �A inaugura��o do novo e luxuoso est�dio da luz, foi envolta num espect�culo medi�tico t�o intenso e t�o bem elaborado que quando contactei com aquele momento julguei que se tratava de algum filme de Hollywood, n�o fossem as personagens t�o bem conhecidas. O ambiente criado de t�o espectacular que era fez-me pensar, sendo que para o fazer correctamente, consciencializei-me que teria de fazer um exerc�cio, complicado admito, de me abstrair daquele espect�culo todo. (�) Outro aspecto que fui tendo oportunidade de dissecar, foi o porqu� de tantas figuras medi�ticas. Uma resposta dada imediatamente, diz-nos que o Benfica � sem d�vida o maior (entenda-se em n� de s�cios) clube portugu�s, e que tal facto por si s� justifica a presen�a de, um Presidente da Rep�blica, que se diz de todos os portugueses, e que vai ao est�dio da luz representar uma propor��o, que embora grande n�o � total, e que afirma a alto e bom som, que aquele est�dio � um contributo para o desenvolvimento do desporto em Portugal, aquele mesmo que ir� servir para 3 ou 4 jogos do Euro2004, e durante o resto do tempo ser� utilizado de quinze em quinze dias por 22 profissionais, que na sua grande maioria n�o s�o portugueses, apetece perguntar que desporto e que desportistas!!! Um Primeiro-Ministro que, n�o se cansa de apelar, e muito bem, � conten��o or�amental e que, sujeitando-se a um espect�culo deprimente de assobios, vai l� para aplaudir uma obra que n�o faz menos �s contas do clube do que aumentar o seu d�fice, que grande exemplo Sr. Primeiro-ministro! A mesma personalidade diz que o Benfica e o seu est�dio s�o a marca que Portugal melhor projecta no estrangeiro, bom assim est� justificada a p�ssima imagem de que gozamos no estrangeiro e que certamente gozaremos no futuro, at� porque o Sr. Primeiro-Ministro bem sabe que os resultados n�o se alcan�am melhorando o exterior se o interior continuar podre, o que pode acontecer � que um dia a "a casa vem abaixo"! Um ministro que com a sua participa��o naquele espect�culo apenas deu uma imagem de um fundamentalismo perigoso, para quem est� no poder! Um ministro e um secret�rio de estado do desporto, que s� vieram confirmar a sua posi��o de figurantes, pois se aquele acontecimento era para o bem do desporto portugu�s onde estavam os governantes respons�veis directamente por esse fen�meno, todos tiveram oportunidade de falar (at� que n�o fosse para ter protagonismo e sentir o que � falar para 65 mil pessoas, oportunidade imposs�vel noutras circunst�ncias), caso do Sr. Presidente da C�mara de Lisboa! Bem poder�amos continuar por aqui fora neste exerc�cio, muito f�cil se conseguirmos e pretendermos atingir aquele estado de distanciamento necess�rio para criticarmos correctamente. Gostaria de deixar uma �ltima nota para os assobios que foram dirigidos ao Primeiro-Ministro, apesar de ter consci�ncia que o comportamento em multid�o e naquele estado de festa t�o complicado de avaliar, sou da opini�o que apenas d� uma imagem da ingratid�o das pessoas, isto porque foi aquele mesmo Primeiro-Ministro que abriu um precedente grave, aquando da aceita��o das ac��es do Benfica como garantia, enfim apenas um reflexo.� (Hugo Dur�o) PRAXES �Eu, ha alguns anos, que n�o era e nunca fui aluno do IST, fui quase praxado porque acompanhava um colega que tinha entrado. S� n�o aconteceu porque n�o estive com delicadezas com os Doutores Engenheiros e eles ent�o desisitiram da ideia. Concordo totalmente com o que disse sobre este h�bito absurdo da praxe.Neste reviver do passado que nunca existiu, com a excep��o de Coimbra. Eu acho curioso como � que as Senhoras Doutoras compram aquelas fatiotas ridiculas que afirmam, totalmente, a sua condi��o de mulheres (de saias). At� nisso a tradi��o � retr�gada. N�o conhe�o nenhuma fatiota de Doutora com cal�a em vez de saia. Conhece? Eu penso que n�s gostamos de imitar o pior da Am�rica ficcional, ent�o decidimos que deveriamos ter "Animal House"(s), sem a piada de Belushi, mas com as m�snotas, bebedeiras e uma selvajaria ainda maior que nesse r�publica fantasista do filme.� (Nuno Figueiredo) �N�o � s� a natureza imbecil e, muitas vezes, doentia dos que praticam as praxes que importa denunciar. � tamb�m a forma ap�tica e estranhamente conformista como os caloiros se deixam violentar sem o m�nimo protesto ou a mais leve contesta��o. Aflige-me verificar como jovens de dezoito anos - ou seja, jovens que, supostamente, j� t�m alguma no��o dos seus direitos e capacidade para fazer escolhas (por exemplo, pol�ticas) � n�o sabem dizer �N�o!�. Eu, que n�o fui mais nem menos que os meus colegas no tempo em que frequentei a universidade, recusei ser um figurino dessas palha�adas. Tive consci�ncia que podia escolher n�o ser humilhado ou maltratado. E escolhi. Em boa verdade, n�o � s� a bestialidade e a bo�alidade dos pseudo-doutores praxistas que est� aqui em causa. � tamb�m a total imaturidade, a latente letargia e a falta de sentido cr�tico que caracterizam, hoje em dia, os jovens acabados de entrar na maioridade. No fundo, muitos deles acabar�o iguais aos �engra�adinhos�. Infelizmente, parece ser tudo farinha do mesmo saco.� (Carlos �MacGuffin� do Contra a Corrente) CONSTITUI��O EUROPEIA �E faz algum sentido haver uma Uni�o Europeia sem Constitui��o? Na minha opini�o, se a UE p�ra, morre, como todas as coisas. Ali�s j� come�a a apresentar sinais de doen�a, gra�as � posi��o da Inglaterra, e ainda est� na adolesc�ncia. Acho que � daqueles casos em que apesar de n�o sabermos para onde vamos, a atitude s�bia � continuar em frente. Culturalmente, seremos hoje, cada um de n�s, na nossa �ntima ess�ncia, mais Portugueses ou Europeus? Finalmente, quanto � soberania, "it's just another word for nothing left to loose". N�o �?� (Manuel Ricca) (Continua)
12:34
(JPP)
Dois momentos que valem: a frase sinistra e verdadeira do Icosaedro (e o esplendor gr�fico da p�gina inicial) �existem assuntos sobre os quais preferia n�o ter opini�o formada.� e quase todo o Mem�ria Inventada.
12:10
(JPP)
desta vez n�o foram brilhantes, talvez porque, num chauvinismo quase constante e irritante, os avi�es franceses n�o trazem jornais em ingl�s. A �nica excep��o era o Financial Times. E n�o era por acaso, ou se tinham esgotado, porque perguntei: mas n�o h� pelo menos o International Herald Tribune e a resposta foi que n�o, n�o havia, nem costumava haver. Li ent�o , o Figaro, o Le Monde e o Nouvel Observateur. Come�o pelo �ltimo, que n�o lia h� s�culos e cuja leitura me confirmou o bem fundado da recusa. Trazia um extenso artigo sobre os �manipuladores de informa��o�, aqueles que os ingleses chamam �spin doctors�, sem o m�nimo interesse comparado com o que � habitual, - de novo, mas tem que ser dito ,- na imprensa anglo-sax�nica, onde esse tipo de actividade � not�cia comum. No artigo do Nouvel Observateur, tudo aparecia como se fosse novidade e a an�lise empalidecia por compara��o. J� no Figaro e no Le Monde, havia coisas mais interessantes. O F�garo trazia uma not�cia sobre a renova��o da force de frappe nuclear francesa e sobre a doutrina aceite pela Fran�a do cen�rio de um ataque nuclear a na��es que usassem armamento qu�mico e biol�gico. Pelos vistos, n�o s�o s� os americanos. O Le Monde trazia v�rios artigos sobre um tema recorrente franco-galo-franc�s: le d�clin. Para al�m dos artigos de opini�o, havia um dossier sobre a boa performance francesa no dom�nio do �social�. No entanto, come�a a haver um enorme inc�modo pol�tico com a verifica��o da retoma americana e o atraso europeu. Para temperar, li um n�mero antigo da Granta, dos que est�o empilhados na estante �para ler�, sobre �Necessary Journeys�, que me pareceu, digamos, adequado. Por �ltimo, vi, naqueles min�sculos ecr�s, o filme por excel�ncia para os grandes: o �ltimo Matrix. Mas � t�o mau, t�o mau, que at� num ecr� de rel�gio se pode ver.
10:35
(JPP)
No meu regresso, li com espanto (que j� n�o � sequer grande, porque isto � habitual�ssimo), uma pergunta a Fernando Lima, na entrevista do Correio da Manh�, a seguinte frase �minha�, entre aspas e tudo: �Pacheco Pereira disse que, enquanto director do 'DN', n�o se iria sentir � vontade quando tivesse que "ser simp�tico com o Governo." Tem receio de vir a ser pressionado pela sua proximidade ao Governo?� Isto � absolutamente espantoso porque a �nica, a �NICA , vez que me pronunciei sobre tal mat�ria, sem sequer citar Fernando Lima nem sequer o criticar a ele (como tamb�m foi parafraseado com excesso de imagina��o), foi a nota do Abrupto do dia 26 de Outubro. Nunca acrescentei nem mais uma linha e nunca disse mais nada em qualquer lado sobre o assunto. Ou seja, estas frases, ainda por cima entre aspas, s�o pura e simplesmente inventadas. Assim se fazem as coisas, se gera uma pergunta falsa para obter uma resposta viciada pelos termos da pergunta. � por isso que nunca aceito responder a qualquer pergunta citando terceiros sem eu pr�prio ter ouvido e lido a cita��o no original. Fernando Lima tem tamb�m experi�ncia suficiente para n�o cair nestes truques e caiu. ASSIM SE FAZEM AS COISAS 2 E j� que vem a jeito: porque � que nunca nenhum �rg�o de comunica��o social publicou uma lista de jornalistas que trabalharam (e trabalham) para os gabinetes ministeriais nos governos do PS e do PSD, em lugares que necessariamente implicam confian�a pol�tica? A favor da transpar�ncia...
10:25
(JPP)
que ficaram a� para tr�s, perdidas e sem dono. Uma, a do p�ssaro, �wren and vole with daisies�, � de um quadro de Keneth Lilly de 1856; a outra, a vela e a rosa matinal, � de um quadro de Vuillard, pintado por volta de 1900. Apesar daquela clareza mediterr�nica, o quadro est� na Esc�cia, iluminando uma sala da Scottish National Gallery of Modern Art.
10:13
(JPP)
com jet lag. Que horas s�o? A nuvem t�xica sobre a pol�tica portuguesa continua a crescer. Come�a a perceber-se o risco real de n�o haver justi�a para as v�timas, porque � sempre maior o entusiasmo pela agita��o a juzante, do que revolta pelo crime a montante. Os criminosos sabem disso, porque este � um crime no qual o poder � um elemento essencial, separando com um rasg�o profundo os que o t�m dos que o n�o t�m. O resto � o costume. O ressentimento continua uma espinha dorsal da vida nacional. Os blogues zangados com o mundo continuam zangad�ssimos. O correio electr�nico est� cheio de lixo. � dia das bruxas, tamb�m n�o seria de esperar outra coisa. Mas, dito isto, o meu ar � este, gosto do mundo todo com imensa curiosidade, mas � na p�tria que me reconstruo. � uma doen�a, claro, como explicava o senhor Fradique Mendes. Bom dia! Que horas s�o?
� Jos� Pacheco Pereira
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