ABRUPTO

12.11.11


COISAS DA SÁBADO: GREVES 




Esta semana é de greves, a contestação, que é também um exercício democrático, que não está na moda. Não são os “indignados” dos cartazes engraçados que as fazem, mas gente mais dura, menos “mediática”, com outro mundo social e político, mais velha. É verdade que muitos são comunistas, ou companheiros dos comunistas, outros sindicalistas próximos do PCP e do PS, mas muitos são aqueles a quem a palavra “trabalhadores”, tão desvalorizada no “economês”, se aplica com pleno sentido. 

É um mundo cada vez mais desprezado pelo discurso dominante, os restos de um Portugal que já teve alguma indústria, alguns caminhos-de-ferro, algum transporte urbano e fluvial. São motoristas, electricistas, mecânicos, revisores, pessoal da secretaria, serralheiros, pessoal da linha, mil e uma profissões diferentes que hoje classificamos mais por serem do “sector público” do que por serem modos honrados de trabalhar. Não são os mais pobres nem os mais desprotegidos dos trabalhadores, mas seria suicidário criarmos uma sociedade que os culpabilizasse por isso, por razões que pouco têm a ver com a vida difícil que muitos levam. 

Se começamos a considerar que justos só são os absolutamente pobres, e que tudo por aí acima são privilegiados – um típico ponto de vista de quem está “por aí acima” - caminhamos para a visão da sociedade que tinha António de Oliveira Salazar. Que abominava as greves, como se sabe.

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© José Pacheco Pereira
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