| ABRUPTO |
semper idem Ano IX ...M'ESPANTO ÀS VEZES , OUTRAS M'AVERGONHO ... (Sá de Miranda) _________________ correio para jppereira@gmail.com _________________
|
30.10.11
RTP
A
privatização da RTP não é igual às outras privatizações, porque mais do
que a racionalidade económica (ou melhor o desespero com as contas) será
a politização do processo que vai contar. Nesta altura percebe-se com
clareza qual é a intenção do Governo: sanear financeiramente a RTP para
vender um canal a um grupo "amigo" na comunicação social e, pelo modo
como é distribuído o espaço publicitário, fragilizar todo o sector
privado de comunicação de modo a torná-lo dependente do Estado. Este é o
primeiro acto, que pode ser adiado pelo clamor de todo o sector privado
(Impresa, Media Capital, Rádio Renascença, Sonae, etc., todos afectados
pela diminuição acentuada da publicidade), ou não. Mas o segundo acto é igualmente interessante: tudo indica que a RTP, com o beneplácito do Governo, está a fazer uma concentração de meios na RTP Informação, que permanecerá pública. Ou seja, o Governo vai deixar nas suas mãos um canal informativo, exactamente uma das áreas onde existe uma oferta privada, a SICN e a TVI24, o que torna absurdo justificar-se a necessidade de intervenção do Estado no jornalismo e nas notícias. Os contribuintes vão pagar um canal de notícias competitivo no cabo com os canais privados para que o Governo, este ou qualquer outro, mantenha uma mão "amiga" no controlo da informação, uma área mais do que sensível para o poder político. Terceiro acto e ainda mais absurdo: por que razão a privatização é apenas de um canal de televisão, e deixa tudo o resto intocável? Por que razão os canais de rádio da antiga RDP, integrados no grupo RTP, não são privatizados? Qual é o argumento que justifica que o Estado continue a ter canais como a Antena 1 e 3, admitindo a especificidade da Antena 2, num panorama de rádio ocupado por uma oferta privada plural e diversificada? Nenhuma, nem em termos de princípios de "emagrecimento" do Estado, nem de racionalização de custos, apenas de "desenho político" das privatizações. E por último, o que está a fazer a comissão criada para definir o serviço público de comunicação social? Esta vê todos os dias pelos jornais o Governo a tomar decisões que deveriam depender das suas recomendações, cujo conteúdo quando for conhecido não serve para nada, a não ser que legitime a posteriori todas as decisões já tomadas pelo ministro da tutela. E ninguém se demite? (url)
© José Pacheco Pereira
|