ABRUPTO

24.8.10


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1856 - Pastoral

Mote

Vai o rio de monte a monte,
Como passarei sem ponte?

Voltas

É o vau mui arriscado,
Só nele é certo o perigo;
O tempo como inimigo
Tem-me o caminho tomado.
Num monte está meu cuidado,
E eu, posto aqui noutro monte,
Como passarei sem ponte?

Tudo quanto a vista alcança
Coberto de males vejo:
D' aquém fica meu desejo
E d' além minha esperança.
Esta, contínua, me cansa
Porque está sempre defronte:
Como passarei sem ponte?

(Francisco Rodrigues Lobo)

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© José Pacheco Pereira
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