ABRUPTO

30.7.10


COISAS DA SÁBADO:  PROTEGE A “JUSTIÇA” O PRIMEIRO MINISTRO ? (1)


Aparentemente “acabou” o caso Freeport dando origem a acusações de corrupção. Havia portanto, na visão do Ministério Público, alguma coisa de irregular no processo de licenciamento do empreendimento. Essas acusações envolvem os representantes nacionais dos promotores, e delas foram excluídas à ultima hora, um autarca e alguns funcionários menores do Ministério do Ambiente. Pode ser que esta lista seja aquela para que o MP entende haver indícios suficientes para incriminar, não o contesto. Só que não conheço um único cidadão, um único político, que sendo envolvido por acusações directas de corrupção por parte de terceiros, não tenha pelo menos sido ouvido. Dito com toda a clareza: admito que José Sócrates, então Ministro do Ambiente, nada tenha a ver com o assunto e o seu nome tenha sido abusivamente usado, e haja apenas responsabilidade objectiva, só não admito que num caso como este nunca tenha sido ouvido pela justiça. Isto é que é absolutamente excepcional, para alguém que é sujeito a acusações directas de corrupção, para alguém que estava objectivamente envolvido no processo quer como decisor, quer pelos seus familiares. Qualquer Presidente da Câmara teria sido imediatamente ouvido, mas neste caso, o antigo Ministro de um ministério onde tudo aconteceu, e actual Primeiro-Ministro, parece ter sido sujeito a uma protecção especial, que mais do que o proteger de suspeitas, o deixa ficar para sempre envolvido nelas, Pode-se argumentar que houve cuidado dos investigadores de não envolver desnecessariamente o Primeiro-Ministro pelas suas funções oficiais, e admito que esta possa ser uma razão de peso. Mas, neste caso, essa razão inplica também uma gigantesca protecção, visto que não existe nenhum precedente de um político tão directamente envolvido que não tenha sido ouvido. Na verdade há uma excepção, Mário Soares no caso Emaúdio.

(Escrito antes de se saber o que entretanto se veio a saber...)

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© José Pacheco Pereira
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