ABRUPTO

13.11.09


COISAS DA SÁBADO: CORRUPÇÃO – O QUE É DA ESTRUTURA E O QUE É DA CONJUNTURA

Tão importante como saber se A ou B foram corruptos e provar o facto em tribunal, é saber por que razão A ou B conseguiram fazer a carreira que fizeram, como é que A ou B puderam chegar onde chegaram sem ter nem qualificações, nem experiência profissional, sem ganharem qualquer concurso, fazerem qualquer coisa de mérito reconhecida por todos, em suma, terem lá chegado sem ser porque faziam parte de um partido e tiveram dentro dele apoios e protecção política ou estavam dispostos a trocas de favores e a prestar serviços, que os levaram onde chegaram. Isto é válido para o BPN e é válido para a Face Oculta, com a agravante de a Face Oculta ser no âmbito da coisa pública, logo mais dependente da decisão política.

Porque, - e eu sei quanto isto incomoda muita gente nos partidos, e deixou furioso o Primeiro-ministro, - uma coisa tem a ver com a outra. Se as nossas empresas públicas fossem no essencial despartidarizadas (e note-se que digo “despartidarizadas” e não “despolitizadas”) e não tivessem na economia o peso que têm (uma consequência de políticas socializantes), os problemas de corrupção no seu seio podiam ser tratados como “subjectivos”. Ou seja, como meros crimes que atingem os indivíduos e, quando muito, aqueles que possam ter mostrado negligência e falta de precaução face a práticas suspeitas. Como não é o caso, a conjuntura decorre da estrutura e há uma completa, total, absoluta responsabilidade política objectiva. De ministros da tutela e da cabeça deles todos, do Primeiro-ministro. Se se verificar que existe uma “rede tentacular” nas empresas do Estado, sejam quais forem as culpas subjectivas, há uma culpa objectiva que tem que ser exigida ao poder político, a José Sócrates, ele-mesmo.

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© José Pacheco Pereira
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