ABRUPTO

20.4.09


COISAS DA SÁBADO: TER “BOA IMPRENSA”

No passado, dizia-se que era importante um político ter “boa imprensa” e havia regras fundamentais para o conseguir. A mais decisiva era a de nunca atacar a corporação dos jornalistas e tratá-los como príncipes, como o centro do mundo. Havia uma outra escola, mais cínica, a que Jaime Gama um dia deu expressão, que era a de que “com os jornalistas ou há poder para os despedir, ou dinheiro para os comprar”. Como havia sempre de tudo um pouco, a “boa imprensa” obtinha-se “a andar”, mas evitava-se falar disso como se, ao falar-se, ela se dissipasse de um momento para o outro.

Hoje a “boa imprensa” voltou como obsessão, mas de forma embrulhada mais tecnologicamente e com o jargão da moda e muitos blogues, twitters e Facebook. Muita “interactividade” anónima e muita comunicação gutural. É o mesmo produto de sempre, mas adaptado aos deslumbramento tecnológicos, que disfarçam muita iliteracia cultural no brilho das luzinhas e no silvo dos “toques”. O exemplo vem de fora, porque hoje há um rei estrangeiro da “boa imprensa” que se chama Obama, e, todos os que por cá têm ambições, imitam-no, verdade seja, à portuguesa.

(Continua.)

(url)

© José Pacheco Pereira
Site Meter [Powered by Blogger]