ABRUPTO

13.2.09


LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 13 de Fevereiro de 2009.

Retratos do trabalho na estiva aqui.

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Retratos da política aqui:
Enquanto o petit-comité da intriga e do telemóvel anda por aí aos tombos - entretidos uns com os outros e inchados de frivolidade - cada dia que passa conhece mais desempregados. Ao governo importaria controlar o que é que, a reboque da crise, é mais do que crise e redunda em mero oportunismo. Todavia, a insolência mediática que nos pastoreia ignora alarvemente os terríveis problemas sociais que estão a emergir. Veja-se, aliás, o que é que preocupa a esquerda, do BE ao PS da moção de Sócrates. O país é um e eles derramam para outro que só existe no papel. A vida das pessoas interessa pouco ao circo regimental e partidário. É irónico que seja o partido mais à direita - o CDS/PP - quem ainda, pelo menos ao nível do discurso, se preocupa com o "terreno". Ferreira Leite, com Rangel no Parlamento, também vai apresentando as suas alternativas e falando com quem pode, mas os abutres - ajudados por pequenos candidatos a futuros artistas de circo como Passos Coelho - estabeleceram um firewall praticamente intransponível. No meio disto tudo, o PS absolutista quer "discutir" casamentos, a "parentalidade", regiões, eutanásia e outras "prioridades" como se estivéssemos nos tempos áureos do bonzinho Guterres. Não aprenderam nada.
e aqui :
Recentremos as coisas. O casamento de homossexuais e a eutanásia são assuntos que não podem ficar enterrados porque estamos em crise. Isto é óbvio para qualquer pessoa com um gene ateniense. Que se discuta sem incómodo.
Outro osso é saber não largar o osso. De um lado temos MFL que não cede às sondagens, do outro temos um PS que vive para as sondagens: essas hárpias dão-lhe vantagem.
O que se deve perguntar. Se, por um acaso, esta crise vier a ser muito mais grave do que a representação que dela fazemos actualmente, qual das seguintes atitudes é uma traição à cidade: a que nos retira a ilusão, mas nos reforça o sentido colectivo - ainda que correndo o risco de ser desprezada - , ou a que pretende apenas a manutenção do poder?
e aqui:
Televisão ligada para assistir à competência desalmada (sem anima) e polida de Pedro Passos Coelho. Nunca aquele homem me faz abrir um pouco mais os olhos, me faz mudar a expressão dos lábios, me faz franzir um sobrolho. Tudo nele é liso, estudado, aprendido, ensaiado e competente. Não há nunca um rasgo de humor, um lapso (então gaffes nem falar), um tom confessional a permitir um desabafo. Tudo dito como manda o manual de como ser líder e primeiro ministro com um mínimo de risco, de investimento pessoal e de esforço. Mas o pior é a dificuldade que PPC tem em lidar com a verdade pois, tal como aquelas flores que de tão bonitas até parecem de plástico, também ele respira plástico, falso e hipocrisia. Senão vejamos: para quê insistir na legitimidade de Manuela Ferreira Leite, valorizar que ele cumpra o seu mandato se no minuto a seguir ele se diz disponível para ser primeiro-ministro e se o seu percurso é o de sistematicamente contradizer e opor qualquer declaração da líder do PSD? Porque é que ele investe tanto em, sempre que MFL toma uma posição, vir para a comunicação social dizer o contrário e o oposto. Se acredita que é importante estabilidade no PSD porque é que a sua intervenção política é tão activa enquanto oposição. PPC parece ser mais um deste políticos que infelizmente tão bem representam o pior dos políticos em Portugal, para quem a verdade é um conceito oco e que demonstram inconstância e desajuste entre as suas palavras e os seus actos, bem como nenhum respeito pelos cidadãos que o ouvem dizer num dia e desdizer no dia a seguir.

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© José Pacheco Pereira
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