ABRUPTO

12.2.09


ÍNDICE DO SITUACIONISMO (38): VÁRIA


A questão do situacionismo não é de conspiração, é de respiração.
E, nalguns casos, de respiração assistida.

(Escrito em más circunstâncias, depois será corrigido.)

Hoje o Diário de Notícias está cheio de opiniões políticas disfarçadas de jornalismo (no Público também há algumas, mas terão que esperar um dia para ser analisadas porque estou em trânsito e preciso de um scanner... Lá voltarei.). Começa neste editorial:
O debate quinzenal com o primeiro-ministro, ontem na Assebleia da República, estava destinado a discutir questões económicas, mas acabou por ficar marcado por um episódio que revela bem o ponto a que chegou a discussão político-partidária em Portugal. José Sócrates acusou o PSD de "lançar a suspeição" sobre si, após a insistência de Paulo Rangel, líder parlamenrar social-democrata, em saber o que pensa o chefe do Governo das notícias sobre escutas aos magistrados do processo Freeport alegadamente realizadas pelo SIS (embora não seja responsável pela coordenação prática dos serviços, o primeiro-ministro tem a sua tutela política).

A questão era legítima e alguém tinha que a colocar, mas Paulo Rangel partiu para esta discussão fragilizado. Habilmente, Sócrates colou o PSD ao que tem chamado de "campanha negra", dizendo que o partido utilizou o cartaz da JSD (que tem o primeiro-ministro com um nariz de Pinóquio) para o "denegrir". O que só aconteceu porque Manuela Ferreira Leite nunca se demarcou da sua juventude partidária.
Esta agora! Para além da completa desproporção entre a relevância das duas questões (o eventual abuso dos serviços de informação para condicionar uma investigação judicial, questão suscitada por magistrados, e um cartaz de uma juventude partidária do Primeiro-ministro com "nariz de Pinóquio", representação comum durante todo o ano de 2008 em todas as manifestações da CGTP e dos professores), há um julgamento de valor sobre o cartaz um pouco bizarro e contra natura de quem nos jornais tem sempre uma concepção lata da liberdade da caricatura e uma crítica absurda a Manuela Ferreira Leite porque "nunca se demarcou da sua juventude partidária"... Devia? Porquê? Se se parar para pensar, não é isto um pouco estranho? Ou destina-se apenas a dar um pontinho a Sócrates num debate que lhe correu mal?

(Continua)

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© José Pacheco Pereira
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