ABRUPTO

13.2.09


COISAS DA SÁBADO: SÓCRATES E OS IMPOSTOS

O Primeiro-ministro deixou há muito de governar e ocupa os dias a fazer comícios de propaganda eleitoral, que passam reverentemente nas televisões como se fossem informação. Corrijo: passa parte dos dias, porque outra parte passa a lidar com o caso Freeport. Entre uma coisa e outra pouco tempo sobra para os negócios da nação, que está à deriva a guiar-se pelas estrelas. Espero que saibam que há pelo menos uma que não sai do sítio a não ser em milhares de anos e que se chama Polar.

Exactamente porque são estes os tempos em que vivemos, convinha ao Primeiro-ministro ter alguma prudência antes de se colocar no papel de Robin dos Bosques, uma personagem cuja actividade não é propriamente recomendável, mesmo com o pretexto de “ser para os pobres”. Nessa função de Robin, anunciou que no futuro haveria um agravamento dos impostos dos ricos para que seja possível desagravar os da “classe média”, medida que apresenta no mesmo estilo de Louçã nos comícios do BE. Como todos os economistas dizem e qualquer pessoa que pare para pensar também, a medida não tem qualquer efeito na intenção pretendida, visto que só daqui a pelo menos dois anos, na hipótese académica do PS ganhar as eleições, se poderia aplicar. E mesmo assim, está por saber se nos “ricos” se incluirá como de costume muita classe média e se entre a actividade lucrativa do Robin e os pobres de Sherwood não ficará muito dinheiro pelo caminho para pagar os custos de gestão do bando e a comida do Frei Tuck.

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© José Pacheco Pereira
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