ABRUPTO

1.11.08


LIVROS DE QUATRO GERAÇÕES (82)

Entre os livros familiares há alguns mais familiares do que outros: os que eu li de maneira especial, ou por mérito do livro, ou por estranheza do leitor. Um dos livros que nunca mais esqueci, mesmo não o vendo fisicamente há dezenas de anos, foi o Amor em Portugal no Século XVIII, de Júlio Dantas. Li-o com 16 ou 17 anos, já então um feroz anti-Dantas por efeito do Manifesto de Almada, que o tinha tirado de moda e o tinha tornado um autor símbolo do mau gosto, cuja leitura para um jovem vanguardista com pretensões literárias "modernas", era contra natura. Mas a verdade é que o li e nunca mais o esqueci e foi preciso esperar pelas Memórias de Marcelo Caetano, descrevendo o Dantas, com quem partilhou um camarote numa viagem ao Brasil, usando mesmo as ceroulas que o Almada gozava, para atentar numa coisa que Marcelo (o da Bayer) dizia: Dantas escrevia muito bem. E muitas vezes com muita graça, elegância e humor. Pensando bem este livro não só me divertiu, fornecendo aquelas histórias mais ou menos anedóticas que fazem parte do nosso património de contar aos outros, como nos ensinava como mudam os costumes, pelo lado do humor.


Entre as páginas inesquecíveis deste livro estava a descrição do "namoro de estafermo e de estaca" e a da arte do beliscão dentro das igrejas, a "sensualidade sonsa do beliscão português". Vale a pena ampliar estes dois fragmentos do livro de Dantas e esperar que seja rapidamente feita uma reedição.


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© José Pacheco Pereira
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