| ABRUPTO |
semper idem Ano XIII ...M'ESPANTO ÀS VEZES , OUTRAS M'AVERGONHO ... (Sá de Miranda) _________________ correio para jppereira@gmail.com _________________
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21.11.08
COISAS DA SÁBADO: SINDICATOS A MAIS, PROFESSORES A MAIS A ministra acabou por se enredar em contínuas negociações com os Sindicatos, - a ironia do destino é esta, nenhuma ministra esteve mais próxima de dar aos sindicatos o seu papel que Maria de Lurdes Rodrigues, para ser “levada” por eles que estavam também a ser contestados nas escolas, - e das escolas, a que deu uma autonomia sem paralelo no passado. O caso da complexidade burocrática da avaliação é típico, visto que ela foi desejada pelos professores para se defenderem, somando alíneas e itens, actos de verificação e contra-verificação, que tornaram o processo tão complexo que se revela inaplicável. Não foi na burocracia do ministério que a complexidade da avaliação nasceu, mas sim na vontade dos professores de se protegerem por um processo tão garantista que não funciona.O resultado destas cedências, de burocracia ministerial para burocracia sindical, foi que o fruto desses acordos ficava depois sem pais, ou pelo menos sem um dos pais, quando a coisa dava para o torto, como aconteceu com o acordo depois da última manifestação. E inevitavelmente tudo dava para o torto porque, por muito que isso choque os professores, a verdade é que ainda se está para descobrir nos anais das profissões, qual é aquela que avançando pela idade e antiguidade, sem riscos, quer ser avaliada por mérito, com os riscos inerentes e a diferenciação. Uma parte dos problemas com os professores titulares já vinha daí, embora o concurso tenha sido tão mal pensado e com tais laivos de injustiça, que dividiu as escolas como nunca acontecera. O processo de diferenciação profissional dos professores foi o pano de fundo para a contestação da avaliação, que lhe está muito ligado. Uma coisa é o discurso de auto-legitimição dos professores que se zangam imenso quando alguém diz que não querem ser avaliados, outra coisa é a realidade psicológica e grupal de que, sem pressão exterior, ninguém quer passar de uma coisa segura para insegura, acima de tudo ninguém quer ver o professor do lado diferenciado numa massa até então igualitária. (Continua.) (url)
© José Pacheco Pereira
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