| ABRUPTO |
semper idem Ano XIII ...M'ESPANTO ÀS VEZES , OUTRAS M'AVERGONHO ... (Sá de Miranda) _________________ correio para jppereira@gmail.com _________________
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16.11.08
COISAS DA SÁBADO: O PROJECTO DO PODER SOCIALISTA E AS “NACIONALIZAÇÕES” O governo socialista de Sócrates, na sua maioria absoluta, tem mostrado uma apetência muito especial para utilizar todos os instrumentos do estado para solidificar e ampliar o seu poder político. Tem isso de comum com os governos do PSD, e mesmo com o PP nas suas pastas. Mas, se é justo referir a partilha de intenções e objectivos, é injusto comparar as práticas e os resultados. Os socialistas e Sócrates vão muito mais longe, até porque lhes é consentido irem muito mais longe pela falta de escrutínio que, pelo contrário, abunda e bem com o PSD. Se somarmos a isso que, em muito do establishment social, incluindo fundações, universidades, instituições culturais, comunicação social, eles são dominantes, temos uma ideia do seu domínio sobre a sociedade portuguesa a partir de cima. Só escapa deste poder uma parte da economia, das autarquias, da Igreja e das instituições de solidariedade social, onde a presença do PSD é mais forte. Uma das características do actual governo foi reforçar os mecanismos clientelares e de patrocinato, já não em relação aos “pequenos”, mas acima de tudo, aos “grandes”. A resposta dos nossos “grandes” foi naturalmente positiva porque, tratando-se de ganhar dinheiro, historicamente em Portugal os socialistas são bons parceiros e a dependência geral de todo o negócio do poder político leva-os a crescerem sempre encostados aos governos. Abdicam neste processo de muita da sua independência, mas como a independência, num país pequeno e com bens escassos, só traz complicações, não querem saber disso para nada. A excepção é a Sonae e paga um preço elevado por isso. Com o governo de Sócrates tudo quanto é negócio passou para o interior dos gabinetes ministeriais, sem regras, sem concursos públicos, sem “traços” nos arquivos públicos, sem escrutínio. Agora a crise financeira deu uma nova dimensão ao poder do governo sobre a economia. Se certas medidas se podem compreender numa emergência, muito dificilmente se pode aceitar a prazo que o estado, em Portugal já imenso, clientelar, incapaz e mau gestor, volte de novo a ser usado como instrumento para a extensão do poder político socialista sobre a economia, como transparece nos discursos “ideológicos” do Primeiro-ministro. (url)
© José Pacheco Pereira
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