ABRUPTO

12.5.08


COISAS DA SÁBADO: O MONSTRO AUSTRÍACO

De vez em quando, debaixo da pedra da “normalidade” lá aparece um monstro assassino, torturador, violador, pedófilo, capaz de fazer as mais violentas crueldades e de aparecer como bom vizinho, bom pai de família, cumpridor na sua missa aos domingos, caridoso e atencioso. Ninguém imaginava, dizem vizinhos correndo para as câmaras que o senhor X fosse o “carniceiro” que assustava vilas e bairros pela calada da noite. Até o deixava brincar com os meus meninos e ele ia lá a casa. Nem sequer é preciso muito esforço para fazer a história, tão paradigmática ela é, tão estereotipada, tão previsível é a história do “monstro no nosso seio”. Grande televisão, grandes títulos dos jornais, tudo com os sórdidos detalhes a aparecerem gota a gota, para uma multidão de jornalistas e audiências que vêem os Ossos, o CSI de Miami para os de calções, o de Nova Iorque para os sofisticados, as mil e uma séries com cadáveres, “profilers”, morgues, patologistas, videntes, génios loucos do crime ou da investigação, e mais um monstro para acrescentar à colecção do “true crime” lá em casa, é bem-vindo. Quem leu o Petit Journal, ou melhor viu as suas capas, sabe que isto não é novo. Jornais, televisões e crimes hediondos entendem-se bem. Alimentam-se uns aos outros. The show must go on.

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© José Pacheco Pereira
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