ABRUPTO

18.4.08


HUBBUB


1.

"Sou médico, que jurou lutar pela vida. Eu nunca matei ninguém pelas costas". Frase de Luís Filipe Menezes que só se pode aplicar a Ângelo Correia.

2.

Em seis meses de liderança só houve uma constância no meio da errância: a obsessão pelos "críticos", total, absoluta, patológica e ... instrumental para a vitimização e para esconder os erros políticos e a queda nas sondagens. Não há aliás nenhuma outra política consistente que não seja esta, é a única que explica tudo e vai explicar tudo.

(Há outra, mas fica para depois, os cem lugares de deputados que entre a Assembleia e o Parlamento Europeu, a direcção pode distribuir.)

3.

O prazo para as directas é um golpe puro, destina-se a que não haja discussão nenhuma, e que não haja possibilidade de organização alternativa capaz, frente à máquina que já está montada pelos especialistas. Menezes teve mais de dois meses contra Marques Mendes. Nas actuais condições de emergência pode ter que se aceitar o prazo, e ir a eleições com ele, mas ele deve ser combatido em nome da lisura e seriedade do acto eleitoral, e não deve passar em claro o truque.

4.

O argumento de que o "partido não pode passar dois meses virado para dentro" não colhe. Podem tentar usá-lo agora para impedir a discussão, mas arriscam-se a cortar agora para o ter depois. O que melhor faria ao PSD seria uma boa e frontal discussão interna, com candidatos que se confrontem sobre o programa para o país e sobre a sua visão da situação interna do PSD, incluindo o balanço do que aconteceu nos tempos mais recentes, e nunca foi verdadeiramente discutido: o acordo com o PP e o governo de coligação, a fuga de Barroso, o governo de Santana Lopes, o desastre de 2005, as direcções de Marques Mendes e Menezes. Só assim vale a pena e só assim o país pode prestar atenção ao PSD e reconstituir a sua credibilidade.

5.

Convém a Menezes dizer que foram os críticos que o derrubaram. Mas não fui eu que, como primeiro acto de liderança, pedi acordos ao PS em todas as áreas governativas fundamentais.

6.

Convém a Menezes dizer que foram os críticos que o derrubaram. Mas não fui eu que deixei cair o compromisso eleitoral do PSD do referendo do Tratado europeu.

7.

Convém a Menezes dizer que foram os críticos que o derrubaram. Mas não fui eu que permiti uma liderança bicéfala.

8.

Convém a Menezes dizer que foram os críticos que o derrubaram. Mas não fui eu que falei num "partido-empresa", em andar de carro escuro de luxo em comitiva, na classe executiva dos aviões, etc., etc.

(Continua.)

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© José Pacheco Pereira
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