ABRUPTO

22.8.07


A DEMOCRACIA, A LIBERDADE, A ORDEM PÚBLICA, A INTELIGÊNCIA, O GOVERNO E OS "VERDEUFÉMIOS" 13

ZLANs, ZLTs e Zs



Aqui há uns anos havia um movimento criado pelos soviéticos, no conjunto dos movimentos "unitários" que serviam a política externa da URSS, chamado Zonas Livres de Armas Nucleares (ZLAN). As autarquias do PCP e um número significativo de autarquias do PS e PSD, os habituais inocentes úteis, punham à entrada dos seus concelhos uns grandes cartazes a dizer que eram "zonas livres de armas nucleares". Tudo isto era relativamente inócuo e simbólico, embora não o fosse totalmente. As autarquias pagavam uma soma por pertencerem ao movimento, que ia servir para o financiamento destes movimentos pró-soviéticos e do PCP, e, de vez em quando, uma coisa que certamente atraía os respectivos inocentes úteis, havia umas visitas à RDA, com os autarcas muito contentes com as maravilhas do "socialismo real". Com o fim da URSS, estes movimentos desapareceram ou reciclaram-se.

Isto tem a ver com a chamada "estética" dos "verdeufémios", uma interessante afirmação do seu porta-voz para explicar por que razão andavam de máscara e embuçados, como o "el-rei de Portugal" do fado, embora eles se achem mais para o palestiniano. Aliás, esta questão da "estética" dava um tratado. É que entre estas heranças (como o de Eufémia) está um movimento que foi buscar á "estética" do comunismo o mesmo nome agora mudado em "Zonas Livres de Transgénicos" . Como com o ZLAN, que gostava imenso destas estatísticas (mais "estética"), parece que em Portugal, 27 municípios, 1 freguesia e 1 região já se declararam Zona Livre de Transgénicos. Espero que também isto não inclua qualquer pagamento, quota ou assinatura, para além dos gastos em papel e cartazes e propaganda absurda. Assim vamos nós cantando e rindo.

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Toda a discussão em torno dos "verdeufémios" teve, pelo menos, uma vantagem: Ficámos a saber que há certos crimes (baptizados com o patusco nome de "semi-públicos") que só têm consequências para quem os pratica se forem objecto de queixa das suas vítimas. É estranho, parece injusto (nomeadamente porque o receio de represálias pode ser determinante), mas é mesmo assim - e foi a percepção, agora, dessa realidade que me fez entender o que se passou comigo há um par de anos:

Foi quando me apercebi que era possível que, à vista de toda a gente, jovens assaltassem quiosques dos CTT, cabines telefónicas e parquímetros impunemente - cenas essas a que assisti por cinco vezes (nos Restauradores e nas Avenidas Novas, em Lisboa) e em plena hora-de-ponta, duas das quais mesmo nas barbas de agentes da PSP e da Polícia Municipal!

Revoltado e intrigado pela inacção destes, resolvi, a certa altura, abordar um - que me pareceu mais pachola - e perguntar-lhe a razão de tanta passividade. E o homem, com o ar fatigado de quem já disse a mesma coisa mil vezes, explicou-me: O mais que podiam fazer era abordar os larápios e identificá-los - eventualmente na esquadra, se houvesse possibilidade de os levar até lá. Em seguida, e como as empresas lesadas não apresentavam queixa, os jovens apenas tinham, como punição, um curto intervalo forçado na sua actividade - que decerto aproveitavam para um bem merecido repouso...

Na altura, ficou tudo dito. Agora, ficou tudo percebido.

(C. Medina Ribeiro)

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As ZLT não são algo tão "folclórico" com as ZLAN - a legislação consagra mesmo a figura da "zona livre de transgénicos", np artº 13º do Decreto-Lei nº Decreto-Lei nº 160/2005.

(Miguel)

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