ABRUPTO

21.8.07


A DEMOCRACIA, A LIBERDADE, A ORDEM PÚBLICA, A INTELIGÊNCIA, O GOVERNO E OS "VERDEUFÉMIOS" 9



Esta velha questão volta sempre, mas volta porque tem implícita um problema que é uma incomodidade para muitos: se a manifestação de Silves fosse de skinheads ou do PNR, contra uma herdade que tinha trabalhadores indocumentados do Magrebe, a GNR colocaria dois guardas a vigiá-la ou haveria um aparato bélico por tudo quanto era campo? E não haveria prisões e barrreiras policiais? E preciosismos jurídicos para explicar por que não houve detenções? E não teriamos já tido o PM com declarações veementes sobre a ordem pública e os energúmenos nazis?

Todos sabemos a resposta.

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Sobre esta questão do milho transgénico e dos verdes-eufémios muito se tem dito mas pouco se tem visto o problema na sua verdadeira dimensão. A mim parece-me claro que o verdadeiro culpado de tudo é o Sr. Agricultor (Sr. A - chamo-o assim uma vez que não sei o verdadeiro nome) que teima em trabalhar para ganhar a vida.

Ainda por cima numa actividade que, sabemo-lo todos, é trabalho-intensiva, de sol a sol e de alto risco pois além dos verdes-eufémios deste mundo, ainda pode contar com secas, inundações, ventos desmesurados, fogos postos ou de geração espontânea, pragas de gafanhotos ou outros coleópteros maléficos, taxas e impostos inesperados e inopinados e outras calamidades que me abstenho de mencionar.

Tivesse o Sr. A a esperteza de se ter inscrito atempadamente num partido político daqueles que, hoje ou amanhã, governam o país, no caso actual no PS, e não teria estes dissabores. Em primeiro lugar os eufémios, verdes ou de qualquer outra cor, quiçá vermelhos, teriam sido oportunamente aconselhados a não se meterem com o Sr. A preferindo um Sr. B qualquer, politicamente inócuo.

Em segundo lugar provar-se-ia que o milho do Sr. A, transgénico que possa ser, é total e absolutamente inocente de qualquer tentativa de prejudicar os ambientes ou a saúde das populações indefesas.

E, last but not least, ao Sr. A jamais lhe passaria pela cabeça a tonta ideia de se dedicar à agricultura de forma activa para ganhar o sustento dos seus. Para tal, uma qualquer sinecura ser-lhe-ia garantida, quiçá mesmo no Min. da Agricultura, onde o Sr. A poderia dar a sua contribuição à Pátria e o seu conselho a quantos pudessem pensar em cultivar qualquer coisa que não fosse do agrado dos eufémios deste país, conselho esse que adivinho sábio e cauteloso.

A gente pagaria com o prazer com que sempre pagamos.

Fez por isso muito bem a GNR em não ter intervido para acalmar os rapazes da Eufémia organização, que é para o Sr. A aprender e não ter a mania de se meter em cavalarias altas e andar a dar maus exemplos às gerações vindouras, com esta mania de trabalhar. Ainda por cima na agricultura!!!

A bem da Nação.

(JM)

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Ver e ouvir o Dr. Louçã em reacção às afirmações do ministro da agricultura sobre uma eventual conexão existente entre o BE e o terrorismo (não foi empregue o uso da violência contra a ordem estabelecida, pese embora não salvaguarda por quem de direito- a GNR - e em claro desrespeito pela justiça, segurança e liberdade de um indivíduo e de todo um Estado de direito?!) praticado pelos "verdeufémios" constitui, para não inovar, um autêntico elixir à capacidade de indignação do cidadão comum.
Por mero exercício mental, e depois de ouvir o Dr. Louçã, em uma das suas melhores performances de pregador da boa nova, decidi espreitar o blogue de um assessor do BE (o mesmo que publicitou as alterações aos conteúdos da Wikipedia sobre o perfil do PM a partir de um computador do CEGER) para saber como pairam as modas na blogosfera da esquerda do BE (sim, porque há varias esquerdas neste pequeno país), e em especial, a moda do movimento dos "verdeufémios". Et voilá !! O blogue «zerodeconduta» desvaloriza o acto terrorista dos "verdeufémios" alegando que o vandalismo e o desrespeito pela lei moram nas instituições e nos grupos económicos! Como é possível?!

Todos sabemos que o "pecado mora ao lado" e temos o dever cívico de o propalar mas estamos moral e civicamente impedidos de olhar, sem ver, que nem obstinados de uma seita, apenas para um dos lados (à direita ou à esquerda, consoante a escolha do "freguês") do nosso circuito.

Da minha parte, fico inquieta. Porquê?? Porque sou da idade dos "verdeufémios".

(Bárbara Rosa)

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Todos sabemos a resposta.

Tem razão, provavelmente sim.
Mas convenhamos que é um bocadinho diferente ameaçar fisicamente pessoas, incitar à violência racial (já morreu um cabo-verdiano em Lisboa, lembra-se?) de destruir uns pés de milho. Acho um pouco forçada esta comparação ainda que partilhe de todos os seus argumentos para condenar esta palhaçada

(JGR)

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Serão os alimentos geneticamente modificados prejudiciais para a saúde humana?
Não sei, não sou especialista na matéria e desconfio que grande parte das pessoas que por aí anda a gritar e a ceifar e a comentar também não.

Então em quem devemos confiar?
Em princípio, nas instituições estatais que devem explicar muito bem se estes alimentos são ou não prejudiciais à saúde humana e porquê. E não vale dizer que é um tema polémico e que os cientistas ainda não provaram nem uma coisa nem outra.

O que devia fazer o primeiro-ministro?
Devia primeiro perguntar aos seus ministros da agricultura e da saúde se este tipo de produção alimentar é ou não prejudicial para a saúde humana mas também deve perguntar ao seu ministro da administração interna qual a razão da inércia da GNR. E depois, perante o país, explicar tudo muito bem explicadinho. Inclusivé se o Estado anda a financiar ou não, directa ou indirectamente, esta gente.

Os "verdeufémia" serão aqui os heróis, os justiceiros?
Não, não são. São um bando de maníacos que acredita que vai mesmo salvar o mundo. E levam isto tão a sério que até acham que se pode tornar num modo de vida, uma espécie de novas cruzadas contra o mal.

Se fosse uma acção do PNR seria diferente?
Claro que sim. É óbvio que sim. Comparem as reacções ao cartaz do PNR no Marquês de Pombal e as reacções ao sucedido.

Mas então ao que andam estes "verdeufémia"?
Muito honestamente, julgo que as intenções nem são assim tão más. O problema é que esta gente sofre do síndrome do Robin Wood, acha que ainda vivemos na Idade Média e que as coisas se resolvem à pedrada. Sim, vivem uma utopia, a utopia do deus bom e do deus pastor que nos desvia daquilo que eles consideram ser o mal. Sim, são uma seita. E acham-se modernos. E, pior, acham que têm razão.

O que sai deste episódio?
Pelo menos uma pergunta: em que tipo de sociedade nos estamos a transformar? Sociólogos, psicólogos, antropólogos, biólogos, médicos, filósofos, por favor, ajudem-nos a compreender o que nos está a acontecer.

(Ricardo S. Reis dos Santos )

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