ABRUPTO

22.8.07


DA RETÓRICA MACRO (DAS "REFORMAS") À REALIDADE MICRO:
O CASO DAS ESCOLAS E DOS PROFESSORES (3)


school_internet.jpg (59999 bytes)Muitos dos professores que suportaram o pouco que funcionava nas escolas, que passaram anos a minimizar o experimentalismo governamental, que mudava de políticas educativas como quem mudava de camisa, que fizeram carreiras exemplares assumindo, até porque mais qualificados e reconhecidos como melhores, muitos cargos pedagógicos e de gestão nas escolas, que investiram na especialização nas suas áreas de competência, vêem-se agora prejudicados por critérios ad hoc, escola a escola (conheço casos em que o mesmo currículo especializado, graduações, mestrados, doutoramentos, é avaliado em diferentes escolas de maneiras completamente diferentes), e pela redução da avaliação da carreira ao escasso período de sete anos sem qualquer ponderação. Qualquer professor que dê aulas há quinze anos, o que acontece com os professores mais qualificados, vê-se ultrapassado facilmente por um professor com metade da sua experiência. Professores há anos no último escalão da profissão, com a carreira “congelada” por medidas administrativas, vêm-se empurrados para horários zero, sem qualquer componente lectiva, e, a prazo, afastados compulsivamente da carreira.

A hierarquia é necessária, mas há aqui uma perversão dos critérios de mérito de qualquer hierarquia na função pública. Em Portugal, onde a qualificação na função pública é escassa, é fazer exactamente o contrário do que se deve.

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© José Pacheco Pereira
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