(Continuação de ontem, e com o meu obrigado pela colaboração com o Abrupto na noite eleitoral de Lisboa em directo da SIC e pelos milhares de leitores que por cá passaram.)
Um grande amigo meu e meu colega de Faculdade ( o Chico), nascido em 48, tido por toda a gente como alentejano de Vila Viçosa, portador de todos os sinais evidentes de tal origem, o cerradíssimo sotaque, os modos e até, a "étnica" maneira de vestir, quis, quando veio para Lisboa, em finais dos anos 60, tornar-se sócio da Casa do Alentejo e, para tal, preencheu a ficha de inscrição. Qual não foi o seu espanto quando, quinze dias depois, recebeu um postal pelo correio em que a Direcção da Casa do Alentejo lhe negava tal pretensão, alegando a sua não naturalidade alentejana; ele, espantadíssimo, protestou em vão pois os homens insistiam que ele não tinha nascido no Alentejo e os estatutos da Casa reservavam a admissão apenas a nascidos no Alentejo.
De facto, o Chico filho de gente abastada, tinha vivido os nove meses da sua vida intra-uterina em Vila Viçosa, mas os pais por precaução e porque podiam fazê-lo (nessa altura era feio ir ter os filhos a Badajoz ) vieram para Lisboa, no fim do tempo e ele acabou por nascer em Lisboa e voltar, apenas com dias, a Vila Viçosa onde sempre viveu, até vir para a Faculdade; e sabem os muitos que o conhecem que é um "castiço" alentejano, além de uma alma imensamente generosa.
Parece que se fosse hoje isso não seria problema, pois pelo que se viu nas televisões na mitigada aclamação de António Costa como Presidente eleito da Câmara de Lisboa, estava muita gente do Alandroal que como se sabe, é bastante perto de Vila Viçosa, o que pelos critérios actuais indicia que os eleitores do Alandroal poderão votar em Lisboa; consequentemente se pode inferir, que o Chico e até o Dr. António Costa , não terão no presente, qualquer problema em tornar-se sócios da Casa do Alentejo uma vez que o Alandroal já se tornou a 54.ª Freguesia de Lisboa.
(António José Ferreira )
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Está toda a gente (i.e., 2 comentadores) a perguntar se os pequenos partidos tiverem menos votos que o necessários para apresentar uma candidatura.
Isso não faz sentido nenhum - um partido precisa de 5.000 assinaturas para se registar nacionalmente, não para concorrer a uma eleição local. Por essa ordem de ideias, também poderiamos dizer que o PS e o PSD não chegaram aos 5.000 votos (nas eleições para a Assembleia de Freguesia da Mexilhoeira Grande - Portimão).
Esse ca´lculo só faria sentido se tivessemos a falar de eleições nacionais (e, aí, efectivamente, nas últimas legislativas o PDA não chegou ao 5.000 votos)
(Miguel Madeira)
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Li o seu blog e chamou-me à atenção o facto de os partidos terem menos votos que o número de assinaturas necessárias para formalizarem as suas candidaturas. Eu sou estudante do Instituto Superior Técnico e na altura das presidenciais andavam na faculdade alguns apoiantes do Garcia Pereira a pedir assinaturas. Pode parecer absurdo, mas andaram várias vezes dentro dos terrenos da faculdade, inclusive na cantina, a "chatear" os alunos enquanto comiam para assinar os papéis. Pediam para assinar, mesmo que o candidato não lhe agradasse. Assim tem uma ideia de como a grande parte das pessoas que assinam, nem apoiam o candidato. Queixavam-se que os orgãos de comunicação não lhes prestava atenção.
(Ricardo Pestana)
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Os números da abstenção são esmagadores, mas os partidos decidiram não entendê-los - ao menos em público - e ninguém faz a contagem dos votos, não das percentagens, aquela sim, clamorosa. É uma péssima indicação para o futuro, sobretudo quando vem do partido do governo, ao qual, a reter as declarações tonitruantes de vitória histórica, interessa acima de tudo obter o cargo e depois distribuir as zonas de influência pelos interesses em troca de apoios e alianças - o poder para decidir sobre os terrenos do aeroporto da Portela, o poder para decidir sobre a zona ribeirinha, o poder do urbanismo ...
Lisboa parece, de facto, na mais triste das acepções, o retrato do país: o mercado estrangulado em burocracia e reservas estatais, os empresários enredados em concursos e autorizações, a classe média sufocada sob impostos e ameaça (a falar mal só «na esquina do café e em casa»), e o poder negociando excepções, oportunidades, amigos.
Compreendo bem que os socialistas passem em branco a abstenção, porque lê-la os contraria. O que compreendo mal é que nenhum partido de direita ou centro-direita comece a interrogar-se se, como em França, não valeria a pena partir a forma e fazer oposição com mensagens realmente diferentes e ... opostas.