| ABRUPTO |
semper idem Ano XIII ...M'ESPANTO ÀS VEZES , OUTRAS M'AVERGONHO ... (Sá de Miranda) _________________ correio para jppereira@gmail.com _________________
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23.7.07
LENDOVENDO OUVINDO ÁTOMOS E BITS de 23 de Julho de 2007 Em matéria europeia justificava-se que o Público dissesse formalmente aos seus leitores que tem uma determinada orientação editorial pró-europeísta, no sentido de defender o caminho para uma União Europeia como uma entidade política que se sobrepõe cada vez mais à soberania dos estados nacionais, um proto-estado a caminhar para um estado. Ou seja, assumir que o jornal tem uma orientação específica e que isso condiciona o seu conteúdo opinativo e acima de tudo noticioso, e que, em consequência, não é plural nesta matéria. Depois podia continuar como está, empenhado e pouco plural em matérias europeias, só que sem os seus leitores merecerem a transparência de serem informados.O jornal de hoje é mais um exemplo típico do que estou a dizer: em quatro páginas de destaque, com a habitual partilha entre Isabel Arriaga e Cunha e Teresa de Sousa, apresenta-se o "novo tratado" sem um átomo de dúvida, como um facto consumado, um processo em curso sem apelo nem agravo, sempre em termos laudatórios, sempre baseado num argumento de "necessidade" que a ninguém é permitido discutir. Nas páginas de Isabel Arriaga e Cunha, há dois pequenos artigos de opinião colocados na parte nobre do jornal, onde a opinião se apresenta como sendo mais do que opinião, como sendo autoridade, um de Carlos Gaspar e outro de Vitor Martins. São, por coincidência, coincidentes na coincidência de pontos de vista quanto à coincidente "necessidade" do "novo tratado". É muita coincidência. Por seu lado, Teresa de Sousa entrevista mais uma vez um responsável governativo, o Secretário de Estado dos Assuntos Europeus, numa tradição de entrevistas que quase nunca inclui alguém que seja verdadeiramente céptico sobre este caminho da Europa seguido nos últimos anos. Podem alguns entrevistados ter dúvidas e nuances de pensamento, mas estão sempre no mainstream. Valia a pena Teresa de Sousa voltar a reler o mesmo tipo de entrevistas que fez, ou que o Público publicou, nos tempos felizes da Convenção ou da semi-vida da Constituição Europeia, para se perceber o enorme irrealismo e o voluntarismo vanguardista nelas patente. Na época também foi tudo apresentado como sendo indubitável, feliz, pacífico e "necessário". O que se passa hoje é um remake, mas, quando se está empenhado, pouco se aprende. Hoje tudo isto se esqueceu no eufemismo de um "novo tratado", de que não se discute o conteúdo e consequências, mas apenas a "necessidade". Se o Público assumisse esse empenho, poder-se-ia aprender porque era claro o "lado", assim ficamos menos informados e mais desinformados. (url)
© José Pacheco Pereira
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