ABRUPTO

17.7.07


IDEIAS FEITAS QUE CIRCULAM:
PODE ANTÓNIO COSTA GOVERNAR A CÂMARA SEM UM ENTENDIMENTO COM OUTRAS FORÇAS POLÍTICAS?

Não pode. A não ser que faça a mais corrente das gestões, que em nada combate os problemas estruturais de Lisboa. Que é essa a tentação parece evidente no anúncio da noite eleitoral: fazer grandes acções de espavento, – ainda vamos ver Costa a acompanhar os carros do lixo -, e olhar para o lado à espera que passem dois anos. O governo ajudará a Câmara como nunca esteve disposto a fazê-lo. Mas, mesmo assim, não chega.

Claro que uma coligação pode não ser formalizada, mas um acordo político sólido é condição sine qua non para governar a Câmara, ainda por cima com o grupo de vereadores pouco amável que lá está, com a provável excepção dos eleitos pela lista de Carmona Rodrigues. Vai-se começar a ver quando da distribuição de pelouros. Por isso, convém não nos deixarmos embalar na retórica: ou há um entendimento, mesmo que por baixo da mesa, e pode haver governo, ou não há, e tudo será espectáculo. Só que aquela vereação não é muito dada a ficar a ver na plateia variantes do burro e do Ferrari.

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O que diz vai precisamente ao encontro do que eu sempre pensei ao analisar estas eleições: o que interessa não são estes dois anos que aí vêm, mas sim os outros quatro. Se tivesse ganho qualquer outro candidato, o caso estaria muito mal parado, porque são evidentes a falta de condições para governar a câmara, sendo que qualquer dos outros, senão Costa, não teria o mínimo indispensável para o fazer: orçamento, entendimento com as restantes forças partidárias, apoio (e portanto também legitimidade) popular e, last but not least, apoio do Governo (indispensável de acordo com a nova Lei das Finanças Locais).

Porém com Costa, mantendo-se embora tudo o resto, a última questão está por si só resolvida. O Governo facilitará, mesmo que dê a ideia de que vai ser duro e objectivo na aplicação dos novos critérios financeiros. Só isso permitirá a Costa não fazer má figura – a figura que qualquer dos outros potenciais candidatos forçosamente faria – e preparar-se (ou ao PS) para uma posterior candidatura de quatro anos, essa sim, em condições totalmente distintas.

(Rui Esperança)

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© José Pacheco Pereira
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