Até a mim admira a total falta de interesse que estas eleições em Lisboa despertaram -- em mim e toda a gente que conheço, já para não falar nos eleitores. Não me lembro de ter falado do assunto uma única vez. Resolvi actualizar-me no Abrupto, enquanto vou vendo alguma televisão. O que retive destas eleições... As excursões! O verdadeiramente notável Dr. Júdice. Tão poucos dias e já é um histórico do PS. O discurso de Paulo Portas numa não-espécie de politiquês. O número verdadeiramente miserável de votos que elege um executivo para Lisboa. A continuar assim, a genialidade estatística do Dr. Coelho um dia vai concluir que o dobro de zero é muito pouco.
A confusão entre o PCTP/MRPP e o PCP é fácil de entender, mas a explicação para mim é outra: O PCP criou uma pseudo-coligação que para mim lhes retira todo o terreno na postura de moralização da vida política onde frequentemente se querem posicionar. Se há partido a aproveitar-se do que o sistema tem para oferecer, é o PCP -- e ainda dão mau nome à ecologia. Não sei o que é isso dos "verdes". Alguma vez existiram sem ser na imaginação fértil dos comunistas? Agora perdem votos para Garcia Pereira? Deviam perder mais!
(José Rui Fernandes)
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O ainda muito mal explicado caso das camionetas encerra em si vários problemas graves, que vão desde possíveis organizações por juntas de freguesia (segundo testemunho de “viajante”, segundo SOL) até à desfaçatez de envolver pessoas que nem sequer sabiam ao que vinham, alterando-se percursos de viagens e manipulando as gentes sem um pingo de vergonha. O que isto prova é uma coisa muito simples: o “jogo” tem uma só regra, chamada “vale tudo”. (...)
(Paulo Loureiro)
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Lendo os comentários dos seus leitores parece que a vitória do candidato António Costa foi coisa pequena. “Nunca foi tão fácil meter uma pessoa na câmara” diz alguém. Bom então porque não o fez o PSD? Às vezes sinto-me cansado deste futebolismo politico que só vê os penalties não marcados na equipa adversária.
Assinado:Óscar Carvalho, Eleitor não filiado nem simpatizante do PS mas que votou hoje António Costa.
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Afinal, quem são os vencedores e os derrotados da eleição de Lisboa, quando comparamos os resultados com as votações de 2005? Haverá algum comentador que se lembre de olhar para estes resultados, contando os votos, sem ficar cego apenas com o nº de vereadores? Essas cegueiras - plenas de partidarite - pagam-se caro, mais tarde e mais cedo.
Votos 2005- 2007 - % aprox.
PS - 75.022 - 57.907 -22%
PPD/PSD - 119.837 - 30.855 -74%
PCP-PEV - 32.254 - 18.681 -42%
B.E. - 22.342 - 13.348 -40%
CDS-PP - 16.723 - 7.258 -54%
PCTP/MRPP - 2.689 - 3.122 +16%
P.N.R. - 798 - 1.501 + 88%
FONTE: STAPE
COMPARATIVO: LISBOA Freguesias apuradas 53 Freguesias por apurar 0 Total de mandatos a atribuir em 2007 17 Total de mandatos a atribuir em 2005 17
Há anos me questiono porque será que os votos em branco não são contabilizados da mesma forma que os restantes "válidos". Se ficassem lugares vagos proporcionais a estes votos...
Rui Gonçalves
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O triste espectáculo da excursão de Cabeceiras de Basto define definitivamente o PS como um partido do terceiro mundo a relembrar outros tempos.
Azevedo Brandão
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O socratismo no seu melhor: micro-acções atrás de micro-acções - a passadeira, o buraco tapado, aquela viela arrumada – tudo flare a camuflar as acções de fundo.
O Case-study: como é que Carmona aparece como o verdadeiro grande vencedor da noite? Afinal este homem é que parece o sr. presidente. Virá algum dia a lutar pela liderança do PSD ?
Nuno M. M. Martins
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Pelo que estou a ver, as televisões deram, nos directos simultâneos, mais tempo ao CDS/PP, que não elegeu nenhum vereador, do que às candidaturas de Helena Roseta, Ruben de Carvalho, ou até de Fernando Negrão, que elegeram, e nem sequer têm dado voz aos outros partidos que não elegeram ninguém. É certo que é um partido histórico, mas há aqui qualquer critério que não consigo compreender.
Sérgio Ganges
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O discurso de Costa fez-me lembrar os discursos de vitória das "misses": cheio de banalidades e lugares comuns e um imenso vazio de ideias. Não admira a dimensão da abstenção dos lisboetas.
João Mourato
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O candidato do PPM, Gonçalo Maria Pacheco da Câmara Pereira, não foi eleito, isto quer dizer que Lisboa vai deixar de ter as tradicionais bifanas e sardinhas?
Bruno Vermelho
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E, já agora, Manuel Monteiro que acorde para vida e que abandone a política activa. É que ficar atrás do PNR e da figura sinistra de Pinto Coelho, só pode nisso resultar. Parece que até a personagem caricatural que acompanhava MM na campanha teria feito melhor resultado.
João Marques
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Afinal a vitória de António Costa não foi, como o próprio procurou fazer passar, e também o seu correligionário Jorge Coelho durante toda a emissão televisiva tentou transmitir, tão retumbante como isso.
Para quem deixou o lugar no Governo como todo-poderoso Ministro da Administração Interna, com o peso de segunda figura do actual Partido Socialista, com a mobilização de toda a estrutura de meios ligados a ambos, e o apoio da comunicação social afecta, apostando na maioria absoluta, o resultado final ficou muito aquém do que a conjuntura favorável da queda do anterior executivo camarário poderia prenunciar...
Parabéns ao 1.º Ministro pela magistral jogada, em que para além do afastamento de um potencial rival, fica claramente beneficiado no foto-finish comparativo!
(Filipe Rebelo)
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Em resposta ao seu colaborador Paulo Pedro:
De acordo com os dados oficiosos do STAPE todos os pequenos partidos obtiveram menos do que os 5000 votos correspondentes às assinaturas necessárias para formalizarem as suas candidaturas: PCTP/MRPP 3122, PNR 1501, PND 1187, MPT 1052 e PPM 745. Dá que pensar. E mesmo o CDS PP ficou pouco além, com 7258 votos.
(Eduardo Tomé)
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Dá vontade de rir a festa histórica que parece que não acontecia há 31 anos... parece que 55 mil pessoas votaram em António Costa, 10% dos votantes em Lisboa. Ridículo. Só pessoas medíocres se dão a esta festa, mas desta gente que segue o sr. primeiro ministro não se espera mais... deviam receber os resultados, agradecer aos votantes, sentirem-se tristes por 35% das pessoas terem votado e por dessas 35%, 30% terem votado neles, e irem-se embora.
Nunca foi tão fácil meter uma pessoa na câmara como vereador, bastava arranjar 7 mil pessoas que se tinha lugar na câmara de Lisboa... brrrrr.... assustador...
(...)
Por fim, o lobby Manuel Monteiro, como é possível a atenção mediática que Manuel Monteiro recebe (todas as semanas num frente a frente na SIC Notícias e outros...) quando tem menos votos que o PNR... quanto a Garcia Pereira, continua a ser o maior dos pequenos, mas só tem voz quando há eleições...
Tristeza de gente que podendo, não vota...
Hugo Filipe
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As práticas arcaicas - TRANSVERSAIS A TODO AS FORÇAS PARTIDÁRIAS NACIONAIS - de transporte maciço de militantes (quando o são), de cacique, etc, estão na base de: - um número de voto nulos e brancos superior ao números de votos obtidos pelo CDS - uma abstenção de 62,61% Os resultados traduzem uma profunda crise estrutural do sistema político, e não somente um reflexo conjuntural.
Mais: não creio que os 32734 eleitores que votaram em Carmona se revejam nas políticas levadas a cabo por ele em Lisboa. Traduzem, isso sim, do meu ponto de vista, um voto de protesto face à posição adoptada pelo PSD, na pessoa do seu líder nacional, que ao decretar, em horário nobre, a queda do Presidente da Câmara, assumiu a partidocracia como elemento central do nosso sistema democrático. Retirar a confiança política é algo que assiste às estruturas nacionais ou locais dos partidos. Tudo o mais é contribuir para a deformação das bases do sistema democrático.
Quanto a Helena Roseta, liderou um projecto ideologicamente desprovido de uma linha condutora, estruturante sob o ponto de vista ideológico: considero que a gestão da res publica não é compatível com "melting pots" ideológicos. Toda a praxis não alicerçada numa orientação política de fundo sólida e coerente acaba por se deformar. Espero que não se transforme num Zé - Parte II. Tem potencial para mais.