ABRUPTO

15.7.07


AS ELEIÇÕES DE LISBOA



podem ser das mais interessantes para compreender as mudanças de fundo na nossa política. O corpo eleitoral de Lisboa é um microcosmos do país, imperfeito mas revelador. Logo, nestas eleições poderemos (talvez) perceber o que se está a passar com o "cansaço do eleitorado" em geral; com a fragmentação do eleitorado partidário; com a cada vez maior fragilidade dos partidos (ou não) face à competição de "independentes" próximos do seu eleitorado; do voto com a carteira e do voto com o coração; do papel dos aparelhos partidários na mobilização eleitoral, da abstenção por "cansaço" ou recusa; do peso do "nacional" no local, embora o local seja aqui muito próximo do "nacional"; do papel da militância nos pequenos partidos na sua hierarquia no voto; do modo como os resultados do PS (versus Roseta), do PSD (versus Carmona), do CDS (versus o passado de Ribeiro e Castro e as promessas de Portas); do PCP versus BE e vice-versa, vão gerar crises internas; do modo como essas crises "sobem" do aparelho para cima e atingem as lideranças, de Sócrates no PS e de Marques Mendes no PSD, etc., etc. A multiplicidade de vozes que, de certeza, se vão ouvir na noite eleitoral, em particular no PSD, seja Santana Lopes, seja Luis Filipe Menezes, seja Aguiar Branco, sejam muitas outras prováveis, vai ser também interessante de ouvir. Haverá coisas sensatas e cacofonia, nas proporções habituais, ou seja a favor da cacofonia, mas a política em democracia é assim mesmo.

Se tal for possível, o Abrupto estará logo em directo da SIC a partir das 18.30, até porque serão eleições, como diriam os psicólogos, "pregnantes", para quase tudo. Já não estou certo que o sejam para Lisboa.

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© José Pacheco Pereira
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