ABRUPTO

22.4.07


A CULPA E' DOS SULTOES

O imperio otomano nao se baseava numa realidade nacional e, nem depois da Revoluc,ao Francesa, cujas ideias chegaram la', conseguiu gerar cidadaos. Quando tentou era tarde demais. A sua forc,a e a sua fraqueza estavam em assentar numa hierarquia de comunidades religiosas independentes, subordinadas a' primacia dos turcos e do Islao, mas autogeridas. Mais do que as rac,as e as etnias era a religiao o factor de distinc,ao protegido pela interdic,ao, sob pena de morte, de proselitismos e de conversoes do Islao para qualquer outra das religioes. Por sua vez, as conversoes de judeus, cristaos latinos e ortodoxos para ao Islao eram um caminho sem retorno que "matavam" os conversos nas comunidades de origem. O grau de hostilidade contra os conversos e' uma das fontes histo'ricas da violencia nos conflitos nas Balcas.

O resultado e' este mundo rigido e intratavel quando as fronteiras da identidade religiosa tem que se compatibilizar com realidades politicas que lhe sao alheias e "superiores".

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Naquelas terras, já o velho império romano oriental teve problemas de coesão entre ortodoxos, jacobitas, monofisitas, nestorianos, iconoclastas e seus opositores e quase tudo isso dissidências dentro do Cristianismo e antes da chegada do Islão, 1.000 anos antes dos Sultões… Pela duração, talvez a solução administrativa destes últimos tenha sido a solução menos má para um problema congénito

(A.Teixeira)

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O seu texto em título, publicado em 22.4.07 15:10 (JPP), que refere a triste história " da violencia nos conflitos nas Balcas " fez-me recordar um outro texto, ou um pequeno extracto de um texto de Marguerite Yourcenar que poética ou utópicamente fala de um vasto continente humano dos Balcãs aos Urais, onde "a infinita variedade das raças não destrói a misteriosa unidade do conjunto, tal como a variedade das ondas não quebra a majestosa monotonia do mar.” ( Contos Orientais, O sorriso de Marko, Publicações Dom Quixote, 3ª edição, Outubro de 1999 ).

(A.J. Almeida Rodrigues)

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© José Pacheco Pereira
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