| ABRUPTO |
semper idem Ano XIII ...M'ESPANTO ÀS VEZES , OUTRAS M'AVERGONHO ... (Sá de Miranda) _________________ correio para jppereira@gmail.com _________________
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8.1.07
PARA A HISTÓRIA DA SUBSIDIODEPENDÊNCIA DAS ARTES E DAS LETRAS: A "POLÍTICA DO ESPÍRITO" DE ANTÓNIO FERRO / SALAZAR É só traduzir para o "politiquês" dos nossos dias, duas frases entre muitas:![]() a "atmosfera em que lhes seja fácil criar" ![]() e o "simples e necessário estímulo às realizações materiais da arte", para se perceber como os argumentos para uma política estatal de subsídios data (como muitas outras partes do chamado "modelo social europeu"), dos totalitarismos dos anos trinta. Ferro era claro em apontar dois objectivos para a "Política de Espírito": corresponder à "aspiração definida, legítima, dos intelectuais portugueses" (em serem "apoiados" pelo Estado) e corresponder a uma vontade das "classes humildes, incultas, que sofrem a nostalgia da beleza sem lhe conhecer as formas", ou seja, a "democratização do acesso à cultura" e a "criação de públicos", como se diz hoje. Está lá tudo, nesta conferência de 1935, a propóstio dos prémios do Secretariado de Propaganda Nacional, mesmo o ataque à "arte degenerada", ou seja a que não servia a "propaganda" e por isso não tinha subsídios nem prémios. * Há um outro lado, o reverso da medalha sempre presente. Conheci bem o António Quadros, filho do Ferro. Um dia contou-me uma história invulgar. Perguntou-me: sabe você porque é que o Manuel Cargaleiro e o Ruben A. Leitão tiveram que saír de Portugal? Houve um concurso para a decoração da fachada da Faculdade de Letras. Os projectos foram apresentados em envelope fechado, identificados através de um pseudónimo. O projecto vencedor foi o do jovem Manuel Cargaleiro, documentado com fotografias do Ruben A que tinha uma paixão por fotografia. O Mestre Almada não terá gostado nada da escolha do vencedor. Terá armado grande "reboliço" no SNI pelo facto do seu projecto não ter sido escolhido. E as pressões foram tantas que o júri deu o dito por não dito, atribuíndo a execução da obra ao Almada e compensando os jovens vencedores com bolsas de estudo para Paris e Londres. A conversa terá sido de tal forma que ambos acharam por bem aceitar. Etiquetas: António Ferro, cultura, SNI, subsídios (url)
© José Pacheco Pereira
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