| ABRUPTO |
semper idem Ano XIII ...M'ESPANTO ÀS VEZES , OUTRAS M'AVERGONHO ... (Sá de Miranda) _________________ correio para jppereira@gmail.com _________________
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19.12.06
PERGUNTAS ENTRE O ESPAÇO E O CIBERESPAÇO 6 Texto em movimento, V. 1 "These talking machines are going to ruin the artistic development of music in this country. When I was a boy...in front of every house in the summer evenings, you would find young people together singing the songs of the day or old songs. Today you hear these infernal machines going night and day. We will not have a vocal cord left. The vocal cord will be eliminated by a process of evolution, as was the tail of man when he came from the ape."Sousa tem razão, diz Lessig. Estava aqui em génese uma mutação cultural que de facto iria acabar de certa forma com as canções em coro na rua mas que, como se verificou, esteve longe de acabar com as cordas vocais. Verdade também que Sousa dizia que, se alguém iria ganhar dinheiro com a sua música, ele queria uma parte para ele e recusou-se a deixar que gravassem a sua banda. Hum... e o outro lado? O outro lado da mesma história. Sem a tenebrosa "recording industry", quantos "rapazes" nunca ouviriam uma única marcha de Sousa, quanto mais uma área de Caruso, ou um concerto de Toscanini, só para ir aos hits das primeiras décadas do fonógrafo? Eis-me um optimista do capitalismo. Não diria o exacto oposto de Lessig, mas perto. Hum... o outro lado. Se vou por aqui, fico eu do lado errado àquele onde me quero colocar. Armadilhas destas coisas. Verdade seja que é sempre assim, nada corre inteiramente mal, nada corre inteiramente bem. Mas o meu ponto, a pergunta de Clausewitz, é outra: para me aproximar de uma coisa que é nova, - o ciberespaço é em muitos aspectos radicalmente novo - devo ser optimista ou pessimista? Grosso modo, é isto. Como me "aproximo" melhor, sendo "apocalíptico" ou "integrado", para usar os termos de Eco? (A plateia para que falo é certamente "integrada"...) Eu sei que não é só uma questão de "puro saber", onde A vê branco, B vê preto. Quando ouvi a palestra de Eben Moglen ele diz que os livros foram o primeiro produto produzido em massa. "Asneira" pensei. Foram as armas. Ele diz "os livros" e eu digo "as armas". Bom Moglen, de boas intenções está o Inferno cheio... Começo pois com Clausewitz, o da arte da guerra. Formulo assim a pergunta: como deve um General proceder quando tem que atravessar com o seu exército de tanques um lago salgado, a superfície ideal para os tanques atravessarem, num sítio onde não chove há cem anos? Resposta minha ( e de Clausewitz): o bom General colocará seriamente a possibilidade de poder haver uma chuvada torrencial e os seus tanques ficarem atolados. Em matéria de guerra não se podem correr riscos que não se antecipam, até certo ponto. É a Lei de Murphy: se uma coisa pode correr mal, correrá necessariamente mal."Necessariamente" ou provavelmente? A fórmula inicial parece ter sido "things will go wrong in any given situation, if you give them a chance", até se chegar a variantes de "everything that can possibly go wrong will go wrong". A fórmula que uso acima, ela própria uma aplicação da Lei de Murphy à Lei de Murphy, cortando o "if you give them a chance" é a pior. Mas o bom General... Aproximar-nos do ciberespaço usando a Lei de Murphy parece-me uma vantagem heurística, pode-se ficar a saber mais e mais prevenido e as surpresas tenderão a ser boas. Claro que os prognósticos sólidos, só no fim do jogo. Comecemos. (Continua.) Etiquetas: ciberespaço (url)
© José Pacheco Pereira
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