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semper idem Ano XIII ...M'ESPANTO ÀS VEZES , OUTRAS M'AVERGONHO ... (Sá de Miranda) _________________ correio para jppereira@gmail.com _________________
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15.10.06
PARA SE COMPREENDER O PORTUGAL DE SALAZAR E O PORTUGAL QUE FEZ SALAZAR 3 Do boletim confidencial dactilografado da Direcção Geral dos Serviços de Censura à Imprensa - Boletim Diário de Registo e Justificação dos Cortes , secção "Questões de ordem moral", de Junho de 1935: ![]() * Estes boletins da Direcção-Geral dos Serviços de Censura em que podemos ver os casos concretos daquilo que todos sabemos que existia, em que vemos o "making-off" têm sido uma real iluminação. As decisões sobre o que é moral ou imoral intrigam, pois após a leitura destes excertos, sou levada a crer que há uma extraordinária arbitrariedade em tudo, mais do que uma deliberada reflexão sustentada teoricamente por uma precisa ideologia ou filosofia onde se baseassem os conceitos moralidade/imoralidade. Talvez esta forma algo informal, apesar de bem intuída e apreendida, e em sintonia com a "moral" do regime tenha tido os seus perigos pela dificuldade em ser identificada e combatida. É insidiosa e melíflua. Tal como a deliberada ocultação de factos, nomeadamente crimes, ocorridos, que venham abalar a crença de uma vida de "bons costumes". Apesar de saber da existência da censura, fico realmente chocada, pela abrangência e pelos seus tentáculos. É mais difícil perceber a forma como o nosso "viver" foi sendo moldado à imagem de uma falsa mansidão, e a extensão (mesmo temporal) dos efeitos desse fazer, do que perceber a censura, por exemplo, no meio artístico. (url)
© José Pacheco Pereira
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