O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: VOZES VINDAS DAS ESCOLAS (3ª série)
Causa-me alguma perplexidade verificar que "as vozes que vêm da escola" se focalizam em questões técnico-pedagógicas e de índole corporativa e evitam as referências ao que, se bem ajuízo, é essencial e lhes é prévio: a questão da autoridade nas escolas e do que é necessário fazer para a repor.
De facto, a escola teve, tem e terá de assegurar duas funções: a instrução e, pelo menos complementar e supletivamente a outras instituições sociais, a educação, entendida como o desenvolvimento de atitudes e comportamentos socialmente desejaveis. o problema é que essas atitudes e comportamentos não são ideologicamente neutros pelo que, nas réplicas do Maio, não admira que a função educativa da escola tenha sido violentemente posta em causa: a escola era "burguesa" e visava "a reprodução/manutenção das estruturas sociais burguesas" e da "ideologia dominante" ou, dito dum modo metafórico embora inócuo dado o meio, a colocação de "another brick in the wall" o que justificava a ordem, irada, "hey, teachers, leave the kids alone".
Ora, não é possível instruir sem previamente educar e não é possível educar sem o criterioso recurso a mecanismos de punição/recompensa que pressupõem a autoridade para os aplicar. E foi essa autoridade que os professores foram paulatinamente perdendo: de cedência em cedência, a escola foi-se transformando num mero local anárquico, violento, onde, sem custos, os progenitores depositam os rebentos enquanto fazem pela vida esperando que, sem sobressaltos nem canseiras, atinjam a idade em que não são obrigados a frequentá-la e, nalguns casos, transitem para a universidade.
Este estado calamitoso a que a escola chegou requer a reposição da autoridade do professor na sala de aula e da do (inexistente!) director na escola bem como a credibilidade/efectividade das sanções que lhe são inerentes o que obriga, por muito incorrecto que seja, a questionar dois tabus :
a obrigatoriedade da ferquência das escolas até aos 16 anos que, para todos os efeitos, impede a expulsão do sistema de todos aqueles que apresentarem incorrigiveis comportamentos desviantes; a gratuitidade do ensino: as pessoas tendem a desvalorizar e a desperdiçar tudo aquilo que lhes não custa nada.
(José Fonseca)
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Para quem se interessa por Educação, o texto de Lafforgue sobre a Educação na URSS e na Rússia de hoje é interessantíssimo.
Como o nosso caos educativo tem, segundo opiniões muito consensuais, origem na “ditadura” das direcções sindicais e do staff do Ministério, que são identificados com a Esquerda e de facto muito apoiados pela Esquerda política, é curioso ver que a cultura educativa e escolar soviética e hoje russa – considerada, pelos seus resultados, um sucesso consolidado de muitas décadas – apresenta tudo que viola a “cartilha” da esquerda educativa – disciplina, competição entre escolas, autonomia de decisão, diferenciação, apoio à progressão dos melhores alunos, etc., etc.
Lafforgue é um grande matemático francês que se demitiu de uma comissão nomeada para rever o ensino francês, quando lá encontrou todos os responsáveis pelo seu descalabro. O siteque criou para divulgar o caso. Para acesso directo ao pdfsobre o ensino russo, antes soviético.
(Eduardo Pedrozo)
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Tenho lido um coro de protestos acerca da Ministra da Educação no seu blog, por causa da revisão do ECD. A minha opinião é que pela primeira vez em muitos anos estamos perante um verdadeiro caso de sucesso na Governação. E a oposição neste aspecto devia ter a coragem de o dizer.
O tão propalado facto de os professores passarem a ser avaliados pelos pais é uma atoarda lançada para a comunicação social e que os jornalistas, que não fazem o trabalho de casa comeram. Os pais apenas têm que se pronunciar num item acerca dos professores e não irá ser isso que será determinante na sua avaliação.
O que está verdadeiramente em causa é que ninguém quer ser avaliado.
O ponto mais controverso da revisão do ECD é o facto de se permitir a existência de dois tipos de professores numa escola. Os titulares que têm acesso ao 9º e 10º escalão e os outros. Aqui é que poderão eventualmente vir a criar-se injustiças já que o novo ECD estabelece cotas para os professores titulares, que não poderão ser superiores a determinado número em cada escola.
Ora se esse número já estiver preenchido hoje vai ser necessário ou que os professores titulares já no 9º e 10º escalão mudem de escola, se reformem ou morram para que os outros por mais competentes que sejam, possam ter esse privilégio.
O que está mal já, que ainda predomina muito o laxismo. Por isso os titulares por muito incompetentes que sejam, nunca ninguém vai ter coragem de os denunciar para os mais aptos ocuparem esses lugares.
Já se sabe que se um professor estiver à beira da reforma mesmo que não faça nada todos os outros se vão calar. Isto segundo o princípio bem português, hoje és tu amanhã posso ser eu, ou seja cobardia.
Mas por outro lado é sabido que existe um problema de fundo na Função Pública. Os quadros que entram e os quadros que estão no topo da carreira ou dirigentes ganham pouco e os quadros intermédios ganham demais. Para isto mudar é preciso coragem. E a coragem também passa pela avaliação que a Ministra quer implementar.
Só gostava era de saber onde andam as palmas da oposição.
Ao não aplaudir só está a demonstrar que também está amarrada e ir a reboque dos sindicatos. Há-de chegar o dia em que os sindicatos vão aplaudir (já esteve mais longe) e depois vamos ver o PSD e o PP ao lado de quem?