ABRUPTO

17.6.06



LENDO / VENDO /OUVINDO

(BLOGUES, JORNAIS, TELEVISÕES, IMAGENS, SONS, PAPÉIS, PAREDES)
(17 de Junho de 2006)


Os nossos homens no espaço. A Estação Espacial vista da terra:

ISS image from Munich Public Observatory

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Mais uma contribuição para a irrelevância da UE, ou, visto de outra maneira, mais uma demonstração do mesmo curso suicidário:
"Os líderes europeus decidiram ontem que uma parte substancial dos debates entre os ministros dos 25 Estados-membros passarão a ser abertos às câmaras de televisão, depois de o assunto andar a ser discutido há anos. "Queremos que entre ar fresco na casa da União Europeia", explicou o chanceler austríaco, Wolfgang Schüssel, que preside à UE até ao próximo dia 1 de Julho. Assim, "todas as deliberações do Conselho Europeu sobre os actos legislativos a adoptar em conjunto com o Parlamento serão abertos ao público, tal como as explicações de voto dos membros do Conselho", afirma o documento com as conclusões da cimeira dedicada à "política da transparência", noticiou a AFP."
(Segundo o Público de hoje.)
Os ingleses foram dos poucos a protestar porque sabem melhor do que os seus congéneres europeus o que é governar e decidir e a necessidade de o fazer de forma discreta, com a liberdade de debate e franqueza de opiniões, pouco compatíveis com a exposição pública dos locais de decisão. Foi o que fez a ministra britânica dos Negócios Estrangeiros, Margaret Beckett.

Esta variante do populismo mediático assenta na crença absurda de que este tipo de escrutínio em tempo real melhora a democracia, mas terá os efeitos exactamente contrários. Ao se parlamentarizarem os conselhos de ministros da UE, a política real, pura e dura, envolvendo interesses nacionais e dinheiro, tenderá a emigrar para locais informais onde não há qualquer escrutínio e responsabilização. Lóbis, funcionários, pessoal dos gabinetes, consultores, agradecem. Os conselhos de ministros europeus ficarão para a conversa políticamente correcta ou para as tiradas destinadas a serem publicitadas para efeito eleitoral interno. Os conselhos tornar-se-ão uma sucursal do Parlamento Europeu.

(url)

© José Pacheco Pereira
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