ABRUPTO

16.6.06


LENDO / VENDO /OUVINDO
(BLOGUES, JORNAIS, TELEVISÕES, IMAGENS, SONS, PAPÉIS, PAREDES)
(16 de Junho de 2006)


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No Público de hoje, um grupo de artigos sobre as "utopias" da Internet como comunismo primitivo, ou, conforme os gostos, comunitarismo cristão igualmente primitivo, ou a "civilização da gratuitidade, profetizada por Agostinho da Silva". Vai dar ao mesmo. Estas nem sempre benévolas utopias são a milionésima encarnação do repúdio pela propriedade, tão antigo como a existência da dita, tão populares e tão "primitivas" como as sociedades de caçadores-recolectores. Elas contêm em si, para além de um utopismo político que tem sempre dado péssimos resultados porque se traduz sem excepção em engenharia social "primitiva", ou seja à força, uma confusão sobre as raízes da miséria e da exclusão. No caso da Internet pode ser tudo de graça, pode acabar o direito de autor, pode o mundo dos bits ser "gratuito" (como se lembra num artigo ainda "continua a ser impossível fazer download de bifes, sapatos e casas para habitar ", ou seja, os átomos resistem aos bits), que a fronteira da exclusão/inclusão centrar-se-á nas literacias. E as literacias estão muito desigualmente distribuídas e não é impossível que as mesmas tecnologias, que parecem favorecer a "civilização da gratuitidade", acrescentem ainda mais um fosso aos que já existem. É que não são as tecnologias, nem os efeitos tecnológicos, que mudam a sociedade. É a sociedade que muda a sociedade. Está tudo explicado na obra de um alemão chamado Karl Marx, que tinha que pôr na ordem um seu amigo, Engels que era industrial e acreditava demais no progresso. Marx também acreditava, mas tinha na cabeça um outro ratinho a roer-lhe os optimismos positivistas: a luta de classes.

Ah! já me esquecia , o Público não faz parte da "civilização da gratuitidade" e por isso há que comprar o jornal, ou usar uma técnica da "acumulação socialista primitiva", ou seja, o roubo, para o colocar gratuito em linha.

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© José Pacheco Pereira
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