ABRUPTO

15.4.06


NUNCA É TARDE PARA APRENDER:
AMERICANOS, MERCADO NEGRO, GASOLINA, PARADAS MILITARES

Le char Romilly, premier char allié entré dans Paris le 24 août 1944

Antony Beevor, Paris After the Liberation, 1944-1949

Picture of Paris After the Liberation, 1944-1949Nos primeiros meses após a libertação de Paris, ainda a guerra continuava, os soldados americanos eram os heróis. Eram divertidos, sem preconceitos, e tinham tudo o que faltava à cidade: gasolina, rações de combate, meias de nylon. Foi uma festa, como se sabe. Depois a coisa começou a azedar. Muitos soldados e oficiais americanos meteram-se no florescente mercado negro e alguns associaram-se a grupos criminosos que tornaram Paris uma cidade muito perigosa à noite. Era só uma questão de tempo até os ciúmes cumpriram a sua função e espicaçarem os jovens franceses contra os GIs, na partilha dos favores femininos. Por fim, chegou a política, fundindo a hostilidade de De Gaulle aos americanos, com a propaganda comunista anti-americana do início da guerra fria. Depois das meias de nylon, veio a gasolina: os americanos ( e neste caso também os ingleses) ficavam furiosos com a mania das paradas militares que De Gaulle repetia umas atrás das outras. Para colocar a França à força entre os vencedores da guerra, De Gaulle fazia desfilar a divisão Leclerc por tudo e por nada. Nas bancadas, onde estavam por obrigação diplomática, os americanos viam passar todo o seu material de guerra, tanques, fardamentos, armas, transportes, cedido aos franceses, gastando a preciosa gasolina que faltava, sem a mínima bandeira, insígnia, referência à proveniência de tudo.

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© José Pacheco Pereira
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