ABRUPTO

10.4.06


LENDO / VENDO /OUVINDO
(BLOGUES, JORNAIS, TELEVISÕES, IMAGENS, SONS, PAPÉIS, PAREDES)
(10 de Abril de 2006)


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Certeiro e duríssimo, o artigo "Medíocre, mesmo mau!" de Graça Franco no Público (sem ligação) de hoje, contra a política orçamental do governo.Uma contribuição para a diminuição da "treta", que cada vez mais abunda no engolir indiscriminado da propaganda governamental:
"Vamos falar verdade: o défice de 6 por cento conseguido pelo actual Governo em 2005 não é um bom resultado. É, na melhor das hipóteses, um resultado medíocre que, conjugado com o escandaloso agravamento do rácio da dívida pública em mais de cinco pontos percentuais num único ano (passando de um limiar abaixo de 60 por cento em 2004 para uma previsão de quase 69 por cento este ano), só pode ser entendido como um mau resultado. O efeito do galopar da dívida está já à vista: em 2006, de acordo com os números enviados a Bruxelas na semana passada, o Governo espera gastar, em juros, tanto quanto em investimento, perto de 4,4 mil milhões de euros. Em rigor, os números de 2005 só não são péssimos porque o nosso desejo de que "resulte" o trabalho desta equipa para bem do país é tão grande que risca o pessimismo da análise económica."
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Mais uma razão para contestar as quotas, erradamente chamadas da "paridade", e mais uma razão para contestar a hegemonia masculina na política: os géneros lêem diferente. Os homens são escapistas, as mulheres apaixonadas, diz um inquérito do Guardian, sobre os livros preferidos por sexo:
"The results are strikingly different, with almost no overlap between men's and women's taste. On the whole, men preferred books by dead white men: only one book by a woman, Harper Lee, appears in the list of the top 20 novels with which men most identify.

Women, by contrast, most frequently cited works by Charlotte and Emily Brontë, Margaret Atwood, George Eliot and Jane Austen. They also named a "much richer and more diverse" set of novels than men, according to Prof Jardine. There was a much broader mix between contemporary and classic works and between male and female authors.

"We found that men do not regard books as a constant companion to their life's journey, as consolers or guides, as women do," said Prof Jardine. "They read novels a bit like they read photography manuals." Women readers used much-loved books to support them through difficult times and emotional turbulence, and tended to employ them as metaphorical guides to behaviour, or as support and inspiration."
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Ainda a propósito do inquérito divulgado no The Guardian sobre os diferentes gostos ficcionais dos sexos, parece-me interessante, mas duvidosa, esta conclusão de Lisa Jardine relativamente ao mercado livreiro e aos prémios literários:

Prof Jardine said that the research suggested that the literary world was run by the wrong people. "What I find extraordinary is the hold the male cultural establishment has over book prizes like the Booker, for instance, and in deciding what is the best. This is completely at odds with their lack of interest in fiction....

"On the whole, men between the ages of 20 and 50 do not read fiction. This should have some impact on the book trade. There was a moment when car manufacturers realised that it was women who bought the family car, and the whole industry changed. We need fiction publishers - many of whom are women - to go through the same kind of recognition," Prof Jardine said.

A este respeito, partilho das reservas que algumas autoras já mostraram face às conclusões algo apressadas do inquérito:

The psychotherapist Susie Orbach professed surprise at the final list - "Where are the young women?" - but said women's continuing weakness for the happy ending with a wedding wasn't a shock: "There is still all of this longing in our psychology. We want these lovely redemptive romantic endings, to be seen and understood, but within the confines of femininity."

Julie Birchill questioned the value of any poll about women's literature: "I think if people had been hooked up to lie detectors the winner would have been Jackie Collins."


Influenciadas talvez pelos preconceitos académicos em relação à literatura light, as autoras do inquérito não referem uma parcela muito significativa - com grandes sucessos de vendas - do mercado livreiro dirigido ao público feminino, a chamada "chick lit" dos diários de Bridget Jones & Cia (que tem entre nós "primas" distantes nas Margaridas Rebelos Pintos e respectiva prole). E, como parece sugerir Orbach, estas jovens autoras, apesar do verniz de (pós?)modernidade, acabam por reproduzir e promover ad nauseam os velhos clichés femininos do final feliz, do "Príncipe Encantado", e da mulher que, feitas as contas, o que mais teme na vida é ficar velha e sozinha. Isto levaria decerto a outras conclusões ainda mais inquietantes e reveladoras...

(Daniela Kato)

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