| ABRUPTO |
semper idem Ano XIII ...M'ESPANTO ÀS VEZES , OUTRAS M'AVERGONHO ... (Sá de Miranda) _________________ correio para jppereira@gmail.com _________________
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13.4.06
COISAS DA SÁBADO : OS PRÓXIMOS TRÊS ANOS: TEMPESTADE OU BONANÇA? Olhando para os próximos três anos a primeira impressão de uma pessoa que viva dentro daquilo que se chama agenda mediática é a de uma acalmia anormal no plano político. O governo está confortável na sua maioria absoluta e o estilo autoritário do Primeiro-ministro dá o quanto de confiança necessário, fazendo a propaganda o resto; o Presidente está lá, sólido e previsível, garantindo um módico de equilíbrio para o sistema e impedindo abusos; a oposição está confinada ao seu deserto árido, com lideranças que todos consideram a prazo, mas que ninguém quer substituir por reserva e má fé. Tudo explodirá um pouco, ou talvez quase nada, daqui a dois – três anos na febre das novas eleições, não faltando quem ache que essas eleições manterão tudo como está.![]() Este olhar é comum naquelas pessoas que são politizadas, acompanham a vida pública com atenção, lêem o Expresso no fim-de-semana, discutem política, são da classe média na maioria dos casos e de meia-idade. Este é o país a que pertence a maioria dos produtores e consumidores activos de informação em Portugal. E no entanto… No entanto, a aparente acalmia política só pode ser aparente, a não ser que o mundo de palavras, intenções e anúncios a que assistimos seja puramente fantasmático, o que também é só por si uma receita para a perturbação. Tomemos ou não o governo a sério, os resultados sociais só podem ser os mesmos: os próximos três anos só podem ser anos de grande conflitualidade, e é impossível que essa conflitualidade não passe para a política. Tomemos as reformas que o governo anuncia pelo seu valor facial. Elas significam desemprego, despedimentos e desqualificações na função pública, racionalização de serviços, encerramento de instituições regionalizadas, aumento do custo de vida, mais impostos, menos salários, mais precariedade, pobreza e mediania, onde já não há pobreza absoluta. As expectativas que já são baixas irão ser ainda mais baixas. Se as reformas são para ser reformas, são para equilibrar o orçamento, diminuir as despesas, aumentar as receitas, racionalizar o estado, só podem ter este caminho no túnel, para haver luz no fim de um túnel que não se sabe bem que tamanho tem. Se nada disto acontecer, a crise continuará a agravar-se e fora dos sectores privilegiados pelo estado, os mesmos efeitos se farão sentir. Por isso convém não tomar como adquirida a paz pública e o sossego político. A não ser se já estivermos todos mortos sem dar por isso, o que também não é impossível de acontecer. (url)
© José Pacheco Pereira
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