ABRUPTO

14.4.06


COISAS DA SÁBADO : FUTEBOLÂNDIA



Num debate organizado pelo Clube dos Jornalistas na 2 com os correspondentes estrangeiros em Portugal, para comparação das agendas dos órgãos de comunicação social nacionais e internacionais, todos eles se referiram à perplexidade que lhes causa o papel absurdo que o futebol tem em Portugal. Seria impensável, dizia um deles, que as eleições para a direcção de um clube desportivo, abrissem um telejornal, e um caso como o do “apito dourado” dificilmente teria a politização que cá tem e a correspondente cobertura comunicacional. É mesmo impensável que no Reino Unido, tão apaixonado pelo futebol, existissem diários desportivos como em Portugal (não há nenhum, está em criação um). Numa semana em que, mais uma vez, Portugal foi a Futebolândia, com horas obsessivas diante dos ecrãs todos, com uma média de quatro telejornais a abrirem com cada jogo individual, antes e depois do jogo, não contando as inúmeras vezes em que o mesmo jogo volta no interior do mesmo noticiário. A Futebolândia é um dos melhores retratos do nosso subdesenvolvimento.

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Concordo com o que diz acerca da importância do futebol em Portugal, mas por vezes essas coisas impensáveis acontecem noutros países. Talvez tenha passado despercebida em Portugal toda a polémica na Alemanha após a derrota por 4-1 frente à Itália, com vários deputados a exigir a presença do seleccionador Klinsmann perante uma comissão parlamentar, e a audiência tocante com Angela Merkel, que compreende a situação do treinador porque é parecida com a sua.

O Japão não foi poupado por este editor da Slate:

"Japan's cup delusion indicates a larger phenomenon: In economic matters, Japan is becoming increasingly unlike the American image of Japan. In the American mind, Japan is a nation of efficiency, hard work, and self-sacrifice, in which prosperity only comes from punishing labor. But Japan is embracing the reward-without-work philosophy that is the hallmark of, well, Americans. Japan has become gullible, believing in quack remedies for its severe economic illness. Prime ministers promise salvation through painless economic reforms. Now the World Cup is supposed to restore the economy with some vague soccer magic. Just hold a monthlong soccer fiesta and everything will be glorious again, as if Zinedine Zidane and Luis Figo can make the nonperforming loans vanish or fix the rigid school system or inspire a generation of risk-taking entrepreneurs. Starting today, Japan learns that soccer is a game, not an economic plan." (Artigo completo)

(Paulo Almeida)

(url)

© José Pacheco Pereira
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