Vale a pena corrigir o jornalismo péssimo que se faz em Portugal? Verdadeiramente acho que não vale a pena. Então em vésperas de um Congresso do PSD em que os jornais, rádios e televisões, precisam de afirmações bombásticas, tudo serve. Soube agora pelo noticiário da SIC Notícias, que pedi a "demissão de Marques Mendes". Nem mais, nem menos. De facto, não adianta: nunca defendi tal coisa. O que disse na Quadratura do Círculo, e apenas aí, foi que, se as propostas de revisão estatutárias de Mendes não fossem aprovadas, ele ficaria numa posição tão frágil que mais valia demitir-se. Na maneira como as coisas estão há-de aparecer sempre algum jornalista a dizer que é a mesma coisa, quando não é. Não, não vale a pena.
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senão não fazia mais nada...
já agora, o sururu do caderno quadriculado:
"Embora sem dossiers em cima da secretária, Cavaco levou consigo um banal caderno A4, de argolas, onde se adivinhava uma agenda longa de assuntos a debater." in Público 16-03-2004
" Há uma outra diferença, mais subtil mas politicamente mais relevante: Cavaco recebeu Sócrates não no habitual sofá reservado aos anteriores encontros entre Sampaio e o chefe do Executivo mas à volta de uma pequena mesa circular, sugerindo desde logo uma atmosfera de trabalho. Mais austera, mais de acordo com o perfil cultivado pelo próprio Cavaco durante os dez anos que permaneceu em São Bento como primeiro-ministro. " in Público 16-03-2004
Cavaco devia ter um daqueles moleskines da Louis Vuitton. Uma mesa de carvalho maciço quadrada com cadeiras a condizer e um sofá a perder de vista. Só assim se pode ser "alguém" na vida para a comunicação social...
(Filipe Figueiredo)
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Concordo plenamente com o seu post das 12:15 sobre o jornalismo em Portugal.
Gostaria no entanto de acrescentar que fiquei surpreendido, mas desta vez com o que ouvi no Jornal da Tarde da RTP. Informaram nesse noticiário, também de forma muito ambígua, que o Dr Pacheco Pereira 'sugeria' a demissão de Marques Mendes. Mais interessante foi ver nas imagens um jornalista da RTP a falar consigo como se tivesse sido ainda ontem! Suponho que não tenha feito quaisquer declarações à RTP pois, se assim fosse, poriam no ar as suas palavras...
Como costumo fazer frequentemente, esta semana vi a Quadratura do Círculo. Ficou claro que, de alguma forma simpatiza com Marques Mendes (comparando com as suas opiniões sobre PSL). Ficou também claro que considerava a demissão de Marques Mendes como expectável, caso o presidente do PSD não conseguisse aprovar a sua moção no congresso que hoje se inicia. Não se percebe por isso como é que os jornalistas conseguem pegar neste tipo de declarações e invertê-las completamente.
Só mesmo num país onde a informação é servida tipo fast-food é que este tipo de jornalismo pode ter algum sucesso. Qualquer ser minimamente atento apercebe-se da falta de rigor permanente e também, por vezes, da presença de má fé (ou senão de incompetência) na transmissão da notícia.
Vivo em Inglaterra desde 2002 e, sendo um 'consumidor' de informação, tenho tido a oportunidade de constatar sobre a falta de rigor e procura de sensacionalismo por parte de todas as televisões portuguesas. É frequente notar a ligeireza com que são transmitidos números de vítimas, ocorrência de catástrofes, factos políticos, etc. Às vezes dá vontade de rir, se não fosse de lamentar, quando se ouve a mesma notícia num canal português e se muda para um canal rigoroso como são, por exemplo, os da BBC. Para além da ausência de sangue, nota-se a ausência de emotividade e a procura de rigor na transmissão dos factos. Isso é aliás demonstrado nalgum atraso que às vezes se nota na transmissão da notícia por parte da BBC. Não, não é sinal de ineficiência mas sim, muitas vezes devido à necessidade de confirmar o sobre o rigor dos factos.
(Miguel Castro)
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Quando a “deixa” sem comentário de enquadramento apareceu posteriormente, percebi logo que seria o trampolim para o que efectivamente aconteceu : desvirtuar a verdade para ter a “cacha do dia”. Não começou hoje nem vai acabar amanhã. Ter ou não ter honestidade intelectual não faz parte das preocupações de muitos “ ansiosos primários” de diferentes sectores da nossa sociedade, incluindo o jornalismo. Não são a maioria, ou antes, não subsistem enquanto discurso dominante a longo prazo, mas no jornalismo são mais notórios porque em público exercem a que deveria ser a sua profissão. Analisando friamente, muitos “transmissores de notícias” do nosso país não têm como objectivo ser jornalistas, mas sim ser “paparazzis” do quotidiano, procurando notoriedade efémera a qualquer custo, (en)cobertos pela responsabilidade de editores que, numa visão prosaica, quando os “mandam” reportar, efectivamente os mandam ladrar e morder para que a notícia não seja o que a pessoa diz mas sim a marca da mordidela na canela.