ABRUPTO

12.3.06


NUNCA É TARDE PARA APRENDER

The Army of Alexander the Great (Men at Arms Series, 148), written by Nicholas Sekunda / Angus McbrideNick Sekunda, The Army of Alexander the Great, Osprey, 2004

Retrato de um exército antigo. Durante milénios era uma verdade universal que não se brincava com os exércitos. Agora, na Europa, com excepção do Reino Unido, parece que nos esquecemos. No campo de batalha estava-se diante da morte, mas, atrás do campo de batalha, da vitória ou da derrota, dependia tudo, destruições, violações, tortura, escravidão. Os antigos sabiam isto muito bem. Neste estudo sobre o exército de Alexandre, várias coisas surpreendem o leitor actual. Primeiro, o grau de organização do próprio exército, compreendendo vários tipos de infantaria, de cavalaria ligeira e pesada, de unidades de reconhecimento, e a sua maleabilidade organizacional. Alexandre várias vezes o reorganizou em função do seu comportamento em combate e do tipo de reforços que o iam incorporando. Como todos os grandes generais, como Napoleão, Alexandre promovia os seus oficiais por mérito em combate. Segundo, o exército de Alexandre era o de uma confederação, incluindo tropas da Macedónia, o corpo central, e unidades das cidades gregas que estavam sobre o seu domínio. Nem todos falavam a mesma língua, por exemplo, os gregos compreendiam com dificuldade o crioulo do grego que falavam os macedónios. Nem sequer se viam muito bem uns aos outros. Os gregos achavam os macedónios uns semi-bárbaros e os macedónios retribuíam considerando os gregos uns hesitantes e uns medricas. Por último, há toda uma série de pequenos detalhes que revelam o tempo. Nas marchas os cavaleiros iam a pé ao lado das suas montadas, que não podiam correr o risco de cansar. Imaginem Alexandre e os seus Companheiros, a nobreza real da Macedónia, a andar a pé milhares de quilómetros. Os cavalos não tinham ferraduras e entre marchas e cargas de cavalaria, tinham que ser substituídos regularmente. Este era um aspecto fundamental da logística de um exército antigo. Há muito mais, sobre tendas, transporte do fogo, refeições, gritos de guerra, tudo.


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© José Pacheco Pereira
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