ABRUPTO

30.3.06


LENDO / VENDO /OUVINDO
(BLOGUES, JORNAIS, TELEVISÕES, IMAGENS, SONS, PAPÉIS, PAREDES)
(30 de Março de 2006)


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A ler em papel, ou na rede pagando, no Público, o artigo de Augusto M. Seabra, "A judicialização da crítica". Levanta duas questões associadas:
"O paradoxo da situação presente é o de o regime geral de mediatização das sociedades, e de mercantilização da informação, fazer com que espaços propriamente de mediação crítica, com o que isso supõe de reflexão consistente e prosseguida, tendam a dissipar-se na própria imprensa escrita que teve a sua origem histórica em órgãos de "crítica", substituídos por uma mera intermediação, com apresentação dos novos "produtos" colocados no mercado à disposição do leitor-"consumidor".
Essa é uma reflexão que me importa, mas em relação à qual se interpõe imediatamente uma outra, suscitada por factos prementes de ordem diferente mas conexa, e literalmente risíveis se não fossem também graves. Na segunda-feira o executivo liderado por Rui Rio anunciou uma acção judicial contra o JN e uma participação-crime contra o seu director pela publicação nesse Dia Mundial do Teatro de um divertido anúncio falso declarando a venda ou cedência para exploração de um teatro, reconhecivelmente o municipal Rivoli, na prática pouco menos que abandonado pela Câmara Municipal do Porto. No dia seguinte era a notícia da providência cautelar de Margarida Rebelo Pinto e da sua editora para evitar a publicação do livro de João Pedro George Couves & Alforrecas - perante a coincidência é caso para nos perguntarmos se estamos a assistir a uma tendência de judicialização do direito à crítica."
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Outras agendas dos últimos dias: no Economist uma excelente reportagem sobre o Iraque ("Murder is certain"), mostrando a complexidade da situação, contrariando o estilo habitual de enunciar a simplicidade da invasão; penoso adeus a um dos regimentos mais célebres da história militar inglesa, os Black Watch, agora integrados no Royal Regiment of Scotland (Times); a HBO dedica uma série, Big Love, a uma família poligâmica (New York Times); um conjunto vasto de artigos, entre o apocalíptico e o "é grave, mas controlável", sobre a gripe das aves ("How serious is the Risk?" no New York Times); obituários, com a habitual qualidade, de Stanislaw Lem (no New York Times), entre outras coisas autor de Solaris; um artigo sobre "Gregory House" / Hugh Laurie, "polite - with a bite" no USA Today; as fontes do financiamento da Autoridade Palestiniana no Wall Street Journal; "Love and Money - Nine questions partners should ask each other before getting married", no Wall Street Journal. E é só uma muito pequena parte, do que a imprensa escrita tem para nos dar.

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© José Pacheco Pereira
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