ABRUPTO

12.3.06


LENDO / VENDO /OUVINDO
(BLOGUES, JORNAIS, TELEVISÕES, IMAGENS, SONS, PAPÉIS, PAREDES)
(12 de Março de 2006)


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Muito do que se escreve nos jornais sobre Milosevic é feito a partir da lógica do vencedor e do medo que têm os europeus quanto ao recrudescimento do nacionalismo, que a queda do Muro de Berlim trouxe para dentro das suas fronteiras. Se se tratasse apenas de condenar as violações de direitos humanos, Putin devia estar no Tribunal Internacional de Haia, pelo que fez na Chechénia. A história será mais benevolente com Milosevic, pelo menos a da Sérvia.

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Comentando as roupas da família Cavaco no Público, diz Paula Bobone: "A concepção da imagem não é XPTO, mas achei bem." Eu sempre pensei que as pessoas finas não diziam XPTO.

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Eduardo Cintra Torres no Público:
"Um ou mais canais disseram que os discursos na cerimónia de posse eram "chatos". A linguagem televisiva já não se coaduna com a transmissão integral de discursos. Como a TV controla a sua emissão, não há discursos transmitidos na íntegra, se esquecermos o episódio inenarrável de Gilberto Madail em directo às oito horas.
Mas, no caso de uma cerimónia, quem manda na TV é a cerimónia e não o contrário. A TV tem de obedecer. Ela gosta do ritual, da chegada dos "conhecidos", dos cumprimentos, do hino e da bandeira, do empurrão, do "daqui não vejo nada", do "há aqui uma certa confusão", mas não gosta dos discursos dos outros pois quer ter o monopólio discursivo no seu fluxo. Por isso todos os discursos são "chatos". No caso, não foram, nem o de Jaime Gama nem o de Cavaco Silva.
Esta situação é curiosa, porque a televisão é em grandíssima medida um contínuo discurso de talk-shows, convidados e jornalistas, artistas de novelas e de reality shows, um palrar impossível de conter. "

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© José Pacheco Pereira
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