| ABRUPTO |
semper idem Ano XIII ...M'ESPANTO ÀS VEZES , OUTRAS M'AVERGONHO ... (Sá de Miranda) _________________ correio para jppereira@gmail.com _________________
|
13.2.06
LENDO / VENDO /OUVINDO (BLOGUES, JORNAIS, TELEVISÕES, IMAGENS, SONS, PAPÉIS, PAREDES) (13 de Fevereiro de 2006) ![]() ___________________________ Já que o 11 de Setembro parece tão esquecido que já nem conta para as "agressões" de que fala o nosso MNE, vale a pena voltar aos 102 minutos trágicos que catorze mil pessoas viveram no World Trade Center, e que resultaram em 2749 mortos. Este livro, escrito por jornalistas do New York Times, baseia-se em entrevistas e transcrições telefónicas sobre o que aconteceu dentro das torres no meio do terror e da confusão, da valentia de alguns e da impreparação das autoridades para um evento daqueles em prédios com 400 metros de altura.Li-o com um calafrio muito especial porque, um ano antes, em 11 de Setembro de 2000, vivi vários dias praticamente dentro do WTC, alojado no Marriot Hotel, tomando o pequeno almoço no Windows of the World, para uma reunião matinal, exactamente o mesmo que matou um número considerável de pessoas que lá estavam um ano depois, e jantando no mesmo restaurante com Nova Iorque ao fundo. Uma amiga minha trabalhava na loja do andar panorâmico - a mobilidade profissional americana salvou-a - e muitas vezes tinha ido à livraria Borders, uma excelente livraria, onde havia um café no segundo piso e se podia estar horas a trabalhar. Esta é uma geografia muito especial, fresca na minha memória em 2001, que me permitiu "ver" demasiado bem o que se passou. * A ler, via Bloguitica , o texto e um início de debate sobre a "guerra de civilizações", a partir do artigo de Huntington de 1993. Como se percebe que muita gente fala do assunto sem ter lido o artigo e muito menos o livro (de 1996), como aliás acontece com o "fim da história" de Fukuyama, o que se discute é o título, vale a pena lá ir e repesar os argumentos. As datas são muito importantes: Huntington escreveu o artigo original oito anos antes do 11 de Setembro, e onze antes do 11 de Março, mesmo antes dos momentos mais críticos da guerra na ex-Jugoslávia, já para não falar de todos os conflitos no Afeganistão, Iraque, etc. E, pode-se discutir a generalização, mas a tese central do argumento de Huntington merece muita atenção: "It is my hypothesis that the fundamental source of conflict in this new world will not be primarily ideological or primarily economic. The great divisions among humankind and the dominating source of conflict will be cultural. Nation states will remain the most powerful actors in world affairs, but the principal conflicts of global politics will occur between nations and groups of different civilizations. The clash of civilizations will dominate global politics. The fault lines between civilizations will be the battle lines of the future." * Liberdades e terror, outra questão de que falaremos cada vez mais. Um típico liberal americano Nat Hentoff escreve sobre The War on Privacy no Village Voice. A citação que encabeça o artigo, do 1984 de Orwell, é cada vez mais certeira, para os EUA e para Portugal: "There was, of course, no way of knowing whether you were being watched at any given moment. How often, or on what system the Thought Police plugged in on any individual wire was guesswork. . . . But at any rate they would plug in your wire whenever they wanted to. You had to live—did live, from habit that became instinct—in the assumption that every sound you made was overheard, and except in darkness, every movement scrutinized. " * A discussão sobre se o avião voa ou não voa, no último LENDO / VENDO começa a animar. (url)
© José Pacheco Pereira
|