ABRUPTO

12.2.06


LENDO / VENDO /OUVINDO
(BLOGUES, JORNAIS, TELEVISÕES, IMAGENS, SONS, PAPÉIS, PAREDES)
(12 de Fevereiro de 2006)


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Ouvindo The Legend of Sleeping Hollow de Washington Irving.

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The Hitler Book. The Secret Dossier Prepared for Stalin, Londres, John Murray, 2005. O dossier que foi preparado pelo KGB sobre os últimos dias de Hitler poderia parecer pouco interessante e podia pensar-se que nada acrescentava aos rios de tinta escritos sobre esses dias do fim. Bem pelo contrário, o livro, escrito essencialmente a partir de testemunhos dos "de baixo", os criados, as ordenanças, os guarda-costas, as secretárias, aprisionados e interrogados pelos agentes da espionagem soviética, lê-se sem parar.

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Novos descobrimentos: Titã em infra-vermelho.

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Alimento para a cabeça:

"A plane is standing on a runway that can move (some sort of band conveyer). The plane moves in one direction, while the conveyer moves in the opposite direction. This conveyer has a control system that tracks the plane speed and tunes the speed of the conveyer to be exactly the same (but in the opposite direction). Can the plane take off?"


Discussão no The Straight Dope e no kottke.org.
Em relação ao problema que citou no seu blog, o avião descola, mesmo que a velocidade do tapete seja superior á do avião. O que conta é a velocidade do avião em relação ao ar, só o vento influencia esta velocidade, não o terreno. Um hidroavião descola mesmo com uma corrente contra, muito forte. No problema em questão o avião descolaria, parado no mesmo sítio, logo que a velocidade atingida fosse a de descolagem.

(José Gameiro)

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Depende do aparelho e do vento.
No caso de um avião comum penso que não descola pois o avião está estacionário relativamente ao solo.
São as asas e o efeito sobre estas da deslocação do ar que sustentam o vôo.
No caso do tapete rolante a deslocação do ar nas asas não será suficiente para permitir a sustentação.
Há acção (motores) mas não há reacção (deslocação), que se traduz pelo movimento do aparelho que neste caso não existe. O facto de as rodas rodarem ao dobro da velocidade em nada altera a condição pois tudo seria igual se o avião estiver travado com os motores a trabalhar - não levanta; a menos que seja tipo foguete ou com descolagem vertical.

(J. Mineiro)

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A discussão sobre se o avião voa ou não voa é uma discussão tipicamente masculina. Não pena natureza eventualmente científica do tema, mas pelo tipo de problema, raciocínio ou modelo de argumentação que envolve. (Deve ser por envolver motores, ou coisa parecida…) Eu, que vejo aviões a aterrar o dia todo, pergunto-me de onde vêm, quem trazem e vejo-os como parte da (minha) paisagem.

E, quando excepcionalmente, os vejo a partir, imagino que seja o vento que não está de feição, ou o destino que lhes impõe uma rota diferente. O efeito da passadeira, a mim parece-me pura má vontade ou partida do destino.

(RM)

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Para um observador colocado fora da pista (referencial ar) que esteja a observar o fenómeno, imaginemos de lado, o movimento oposto entre o avião e a pista à mesma velocidade, com sentidos opostos, cria a situação relativa de ter o avião parado. Esta situação não é apenas uma sensação ou ilusão de o avião parecer parado, na verdade ele está mesmo parado para o referencial ar. Como tal, não se gera o fluxo de ar necessário para impulsionar o avião e obter assim a descolagem.

Se a velocidade da pista fosse superior no sentido contrário, como refere um leitor, nesse caso o avião começaria a andar em sentido contrário relativamente ao referencial ar, onde está colocado o nosso observador. Poderia até descolar, mas ao contrário, caso a aerodinâmica do avião o permitisse, o que obviamente não é o caso.

(Pedro Lima)

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A aparente complexidade do problema do avião reside unicamente num subtil paradoxo do enunciado, que postula que, mesmo com força a impeli-lo para frente (motor ou turbinas), o avião permanecerá estacionário porque o tapete rolante se desloca a uma velocidade igual em sentido contrário.

Ora o erro está em fazer a analogia com um automóvel, em que a deslocação deriva das próprias rodas.

Num avião é indiferente a velocidade do chão em sentido contrário.

O motor puxa para a frente e o avião nunca chega a estar estacionário pois por mais "rápido" que o tapete ande num sentido oposto, a força das hélices ou turbinas aplica-se ao "ar" e é isso que o impele.

Este é o erro do enunciado, postula uma situação que é impossível de acontecer e que, como tal, induz uma discussão sem fim.

A resposta a um enunciado correcto é,obviamente, que o avião levanta voo.

Já agora, recomendo o problema de Monty-Hall, capaz de levar pacatos matemáticos e cientistas ao confronto físico para resolver a questão. Este problema tem sido utilizado para testar como as pessoas reagem quando são confrontadas com uma verdade incontornável, matemática, provada, mas que foge a tudo o que julgavam possível.

Veja lá não se inicie outro conflito sangrento por causa de uma questão teórica.

(Davide E. Figueiredo)
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Novos quotidianos:
Domingo, Fevereiro 12, 2006 - O que eu já fiz desde as 8:40 .

.Fiz o pequeno-almoço de flocos de aveia e ovos estrelados
.Lavei louça, arrumei cozinha
.Arrumei quartos e fiz camas de lavado
.Fiz uma máquina de roupa e estendi-a
.Fiz outra máquina de roupa
.Ajudei Tiago com problemas de ângulos
.Ajudei Lucas com Lingua Portuguesa
.Dei uma volta pela Blogoesfera
.Procurei uns vocábulos difíceis na Internet para o trabalho
.Estou a dar banho ao Lucas
.Escrevi este post.

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© José Pacheco Pereira
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