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(JPP)
PRÍNCIPIOS BÁSICOS PARA SE PERCEBER PORTUGAL(Dedicado à navegação do
Mar Salgado)
É muito pequeno.
É bastante pobre.
É muito periférico.
Somos todos primos uns dos outros, logo a democracia é difícil.
Os bens são escassos, a competição pelos bens é muita.
Dada a escassez dos bens, a inveja está muito socializada.
A ignorância é muita.
A abundância da ignorância acentua nas novas gerações a tendência adâmica de pensarem que o mundo começa com eles.
Efeitos do adamismo : o número de pessoas que pensam estar a arrombar portas, que já estão abertas há muito, é elevado. O alarido que fazem ao passarem pelas portas abertas é inversamente proporcional à resistência das portas.
A preguiça é muita e é induzida pelos critérios de mediania dominantes.
Entre as letras e as artes de consumo trabalhoso e as de consumo preguiçoso, tenderão a acentuar-se as segundas.
A música e o cinema, a televisão e a moda, são de consumo preguiçoso.
Há muita coisa que não vale a pena tentar explicar. Primeiro, porque já está mais que explicada há muito, depois porque não é por falta de explicação que as coisas mudam.
(Continua)
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Os princípios de JPP ajudam, de facto, a perceber Portugal. Mas parece-me que alguns deles devem ser aprimorados.
Portugal não é bastante pobre. Isto é quase ofensivo para três quartos da população mundial. O princípio verdadeiro: Portugal é pouco rico.
Portugal também não é muito periférico; Portugal foi muito periférico e ainda é um bocado periférico. Mas dito como JPP disse soa a desculpa e a esquecimento dos aeroportos e da internet.
O princípio de os bens serem escassos, e grande a competição por eles, está muito bem posto. Mas JPP talvez queira esclarecer que não se refere aqui aos bens que há em Portugal, mas sim aos bens que há onde houver.
Um princípio que JPP certamente vai acrescentar é o de que Portugal é um país católico. Isto ajuda a perceber três ou quatro coisas.
Mas talvez JPP se esquecesse de um princípio verdadeiramente iluminador para quem quer perceber o nosso país: Portugal é essencialmente igual a outros países pequenos, pouco ricos e um bocado periféricos.
(Ateu Católico)
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"A ignorância é muita.
A abundância da ignorância acentua nas novas gerações a tendência adâmica de pensarem que o mundo começa com eles.
Efeitos do adamismo : o número de pessoas que pensam estar a arrombar portas, que já estão abertas há muito, é elevado. O alarido que fazem ao passarem pelas portas abertas é inversamente proporcional à resistência das portas."
Mas essa parece-me ser a história da humanidade. E talvez mal esteja a humanidade quando as novas gerações deixarem de ser adamicas. É que existe a possibilidade de existir um ganho imperceptível mas constante ao longo da história da humanidade nesse arrombar de portas abertas.
(timshel)
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Ateus e também católicos costumam afirmar ou pelo menos insinuar que uma causa estrutural do atraso portugues (em certos domínios e em relacao ao mundo
industrializado) é ser um país católico. Esta é uma hipotese interessante mas que pode eventualmente estar errada. Senao vejamos. É sobejamente conhecido que a Baviera, patria do actual Papa e o mais católico dos Laender alemaes, é uma das regioes mais ricas e desenvolvidas da Europa. Para além de sobressaír entre os Laender alemaes pela sua pujanca economica é muito claramente um importante centro de desenvolvimento tecnológico e científico a nível mundial. Poderia citar aqui também como outros exemplos o norte de Itália, a Austria ou o "tigre" celta (a Irlanda), ou no panorama leste-europeu a Polónia e a Hungria.
No outro lado do espectro religioso gostaria de recordar o caso protestante da Escandinávia que durante muitos seculos (no caso da Finlandia até recentemente) abrigou uma grande pobreza. Isto tudo para dizer que as tradicoes religiosas sao apenas um factor entre muitos, e poderao até nao ter qualquer ligacao com a situacao (economica, etc...) de um povo. Claro está, pode ser que no caso português o "catolicismo" do pais seja o factor mais relevante, só falta que alguém apresente a prova...
(Filipe Paccetti Correia)