ABRUPTO

1.5.05


IMPRENSA NACIONAL

O que é que se passa com as publicações da Imprensa Nacional, pagas com o nosso dinheiro de contribuintes, que permanecem muito bem escondidas e não se encontram nas livrarias? A caminho da Leitura passo pela livraria da Imprensa Nacional no Porto, se é que se pode chamar livraria àquele espaço, que aliás é do mesmo tipo de outras “livrarias” da Imprensa Nacional e que não são mais do que locais onde se compram impressos. Nenhuma é atractiva como livraria, nenhuma é gerida como livraria. As edições da Imprensa Nacional, algumas de alta qualidade, como a das obras completas de Aristóteles, permanecem confidenciais e ignoradas. Se eu, que acompanho com detalhe o que se publica, e passo a vida em livrarias, me surpreendo sempre com títulos que nunca tinha visto, nem sabia que existiam, o que fará um consumidor mais moderado? Para além de se poder contestar a orientação das suas edições, ou sequer a existência de uma editora do estado com estas características, não seria de exigir um melhor uso dos dinheiros públicos, divulgando-as? Os livros são para vender ou para ficar em armazém?

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Em referência ao que anota no seu blog acerca da Imprensa Nacional, permito-me esclarecê-lo do seguinte:

1. Sendo a INCM uma sociedade anónima que tem apresentado sempre resultados positivos e que não recebe quaisquer subsídios ou apoios do Estado mas, pelo contrário, contribui para os cofres públicos, quer pelo IRC que paga, quer pelos dividendos que entrega ao Estado, é de todo incorrecto afirmar que as publicações que edita são pagas com o dinheiro dos contribuintes.

2. O catálogo das edições da INCM encontra-se disponível no respectivo site na Internet, pelo que poderá qualquer interessado inteirar-se de tudo o que sai editando, a um ritmo que ronda os 70 títulos anuais. Alem disso, em todos os números do JL poderá encontrar um anúncio, de página, em que é dada publicidade às novas edições da INCM, as quais são também anunciadas em diversas revistas culturais e universitárias, que V. Exa. decerto conhecerá.

3. Se, quanto à nossa Livraria do Porto – que irá, em breve, ser profundamente remodelada – as suas observações são relativamente pertinentes, já quanto às restantes, designadamente as das ruas Sá da Bandeira, D. Filipa de Vilhena, Escola Politécnica, Portas de Santo Antão e Av. Roma, a sua crítica se afigura inteiramente improcedente, já que as mesmas não só apresentam nas montras, um amplo lote de obras editadas pela INCM como, em estantes acessíveis directamente ao público, têm em exposição a maioria das obras disponíveis do seu catálogo.

4. Como decerto será do seu conhecimento, o volume actual da edição portuguesa leva a que muitas livrarias utilizem todo o seu espaço disponível, em regra não muito amplo, para expor as obras de grande procura e rápida venda e não as destinadas a públicos mais restritos e de mais lento escoamento (que, muitas vezes, não aceitam sequer receber à consignação) como acontece com as editadas pela INCM, pela Fundação Calouste Gulbenkian ou por instituições universitárias ou culturais.

(Alcides Gama / INCM Director Comercial)

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© José Pacheco Pereira
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