ABRUPTO

5.5.05


DOIS ANOS


O ESTADO DO ABRUPTO

1. Ao fim de dois anos, cerca de 2300 notas publicadas, milhão e meio de visitantes, usando os contadores mais avaros (na verdade bastante mais, porque o contador esteve inactivo várias vezes e não conta desde o início), dois milhões e meio de “Page Views” (idem), com ligações a mais de dois mil blogues e milhares e milhares de citações, um pouco por todo o lado na rede e fora dela, o Abrupto é uma “empresa de sucesso” e devia agradar ao yuppie que há em mim. Infelizmente, se tal existe em mim, e o Dr. Freud preveniu-nos para que todos os demónios existem, tenho dificuldade em encontrá-lo. O Abrupto contenta-me, e estes números contentam-me, mas o que me contenta mais não é bem isso. Já o disse e repito: o Abrupto é o “jornal” que, desde que me conheço, gostaria de ter tido, parte da minha voz. Não a minha voz, mas parte da minha voz. Feita do ruído do mundo, do meu ruído, da fala incessante, dos quadros, dos versos, da música, das palavras, que nos faz o que somos. O Abrupto é sobre isso, o Abrupto é isso.


2. Um das novidades minimalistas do novo arranjo gráfico do Abrupto manda todos os contadores para o fim do blogue. Não haverá qualquer número de leitores na parte mais visível do blogue. O Abrupto nunca entrou em conflitos de números com outros blogues para saber quem é o "primeiro", típico e compreensível nos blogues que só têm uma agenda política. Mas os números traduzem uma orientação, a que podemos chamar “editorial”. Foi desde início um desejo que a maioria dos leitores viesse de fora da blogosfera e isso foi sempre uma característica do Abrupto, que é lido um pouco por toda a gente que acede à Internet portuguesa, a julgar pela correspondência - e cerca de 7800 mensagens permanecem ainda por responder ou ter seguimento - e pelos contactos pessoais com os seus leitores. É igualmente lido por um número significativo de portugueses da diáspora com relevo para a Europa, os EUA e o Brasil. Tentará continuar assim.


3. O critério que sempre me pareceu mais importante para medir o impacto não é apenas o número de leitores, mas o da citação, um pouco como acontece na avaliação das revistas científicas. Os resultados são inequívocos e são-no por defeito, porque o Abrupto deve ser o único blogue português que conheceu uma campanha activa contra a colocação de ligações, uma interessante, reveladora e um pouco infantil forma de censura, por puras razões políticas à esquerda e à direita. Blogues que têm dezenas e dezenas de ligações omitem deliberadamente o Abrupto, outros gabam-se de o referir e citar sem colocar ligações como se isso fosse mérito. Que lhes faça bom proveito. Mesmo assim, o Abrupto faz parte da lista do Top 100 da Technorati , que acompanha cerca de 9500000 blogues com "2,739 links from 2,117 sources" (o outro blogue português que faz parte desta lista é o Gato Fedorento com "2,514 links from 2,285 sources"). É o equivalente a vir na lista dos 500 da Forbes, só que em muitíssimo mais pobre.

4. O Abrupto não tem comentários e continuará a não ter, por razões que a consulta a qualquer lugar na Internet, com um número significativo de consultas, torna evidente. No entanto, publicou e publicará todas as contribuições que entenda substantivas, com a fragilidade do meu critério pessoal. Mas o "Abrupto feito pelos seus leitores" é uma parte fundamental da identidade do blogue e por exclusivo mérito dos seus leitores pode-se encontrar nos seus arquivos documentos, memórias, informações e pontos de vista de grande qualidade comparando com a comunicação social "exterior" à rede. Recordo, por exemplo, o que os leitores do Abrupto escreveram sobre a memória das bibliotecas, os exames de Física e Matemática, ou sobre os problemas "computacionais" que "justificaram" os atrasos na colocação dos professores.

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© José Pacheco Pereira
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