ABRUPTO

10.11.04


A FELICIDADE, IDEIA NOVA NA EUROPA 2

"É muito reveladora a questão da felicidade e da alegria e paz, assim como a forma como as palavras são utilizadas ao longo dos tempos.
Mas o que importa é que o latim era uma língua composta, essencialmente, por vocábulos concretos e, principalmente, ligados às actividades dos homens. Assim FELIX, ICIS significava fecundo, fértil, só mais tarde passou a adquirir o significado que lhe damos hoje. Enquanto a palavra alegre, do latim ALACER, ALACRIS,(-IS, -E) significava vivo, esperto, alegre. Daí provavelmente, as palavras alegria e paz serem as que aparecem na Bíblia.
Quanto a Bonheur (bon heur>> sendo a combinação de bon(bonus,a,um) e heur que ainda existe em françês e significa sorte, logo o significado de bonheur é mais próximo de boa sorte, i.e., algo aleatório, algo não controlável, algo deixado ao acaso... e a sorte de Saint Just acabou como a de Robespierre."

(Ana da Palma)

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"Penso que não se deverá esquecer o termo "bem-aventurados", muito repetido no sermão das bem-aventuranças, que significará o mesmo que "felizes". Quando Jesus Cristo afirma «bem-aventurados os que sofrem», no fundo, julgo, quer dizer «felizes os que sofrem», ou melhor, «alcançarão felicidade os que sofrem»; a felicidade aqui entendida como a «glória celestial». "

(Mário Azevedo)


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"Entretanto, e a propósito do luminoso esclarecimento do leitor ácerca da “bem-aventurança” – e que me parece de facto cabal – ocorrem-me outras afirmações bíblicas que me parecem de maior valor existencial que a frase de Cristo que o leitor cita. Nomeadamente, a afirmação: “bem-aventurados os pobres de espírito porque será deles o reino dos céus”.

Se associar isto à parábola sobre os “lírios do campo”, julgo que fica bem expressa a ideia de que a felicidade requer conformismo com o curso essencial da vida (da nossa e da dos outros em geral). O que obviamente está nos antípodas da visão comunista sobre a capacidade do Homem se transformar a si próprio (e aos outros) pela força da vontade. Visão, de resto, comum ao fascismo militante e aos fundamentalismos religiosos."

(José Luís Pinto de Sá)

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© José Pacheco Pereira
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