ABRUPTO

12.3.04


EARLY MORNING BLOGS 158

Aqui vai, cortesia de Rita Maltez, um fragmento do “Caderno de Caligraphia. Pertencente á menina Margarida Victória q. lhe oferece o victorino nemésio”, ao "rasgar da Bela Aurora" :

Tal o vigia de alba
Soprando o corno medievo
Avisa a malmaridada
De regresso à decepção,
Entretendo a insónia, escrevo
O poema que lhe devo
Plo que os seus olhos me dão.
É alta a Torre sem sono
Na Cidade poluída,
E eu penso que sou o dono
Dos passos da escada aluída.
Ah! Quantos terão tocado
Nela, na cítara, aqui,
Ao rasgar da Bela Aurora,
Como eu, sequiosos de ti?
Mas, de repente reparo
Na escada inteira, ___ e ao dativo,
A “ti” pergunto quem és,
Varrendo-te co a lanterna
Da cabeça até aos pés:
Mulher? a Torre? O pronome
De alguém na morte? Ou sou eu
O pálido cavaleiro
Que arranca longe, de lá
De onde ninguém tem notícia,
E sobe à Torre
Onde morre
A dona, e a carícia
De pai é essa a que faz?
Mas não. Tudo isto é poesia
E amor bem nosso, bem meus
Os versos, e teus os braços
Em que o cavaleiro jaz.
Quanto à escada da Torre ____
Abateu:
Não mais Cór de Alba ou Vigia,
Que o Cavaleiro sou eu.”


(Victorino Nemésio)

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© José Pacheco Pereira
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