ABRUPTO

24.2.04


POEIRA

Hoje, há setenta anos, Elizabeth Smart escreveu no seu diário:

À noite, empurrei a mobília para a parede e dancei no meu quarto vestida com o fato de banho. Jazz. Ravel. Mozart. Jazz. Os ritmos de que não se escapa.

Elizabeth tinha uma paixão absoluta pelo poeta George Baker, mesmo antes de o conhecer, e afirmou sempre que acreditava no “amor verdadeiro”, indiferente às circunstâncias da vida. Escreveu-lhe várias cartas, até que um dia se encontraram numa paragem de autocarro, para depois se separarem e reencontrarem de novo. Teve dele quatro filhos, e escreveu em 1945, a partir dessa história de amor, um romance de culto: By Grand Central Station I Sat Down and Wept. O livro, escreveu um crítico, era “emotionally pompous, yet entirely endearing”, e nele se escreviam coisas como esta:

'Often a star was waiting for you to notice it. A wave rolled toward you out of the distant past, or as you walked under an open window, a violin yielded itself to your hearing. All this was mission. But could you accomplish it? Weren't you always distracted by expectation, as if every event announced a beloved. “

Outra coisa que Elizabeth teve de Baker foi um bocado de lábio, que lhe arrancou numa fúria. No seu diário, a seguir a contar a sua solitária dança, acrescentou: “You must dance. Abandon all else.” Sensibilidades modernas.

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© José Pacheco Pereira
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