ABRUPTO

11.1.04


EARLY MORNING BLOGS 114

Eu que, em muitos dias, aqui desejo os bons-dias e que, no início do ano, desejei os bons-anos, encontro-me com este sermão do Padre António Vieira, no qual ele mostra a avareza do nosso desejar:

"Em um Mundo, digo, tão avarento de bens, onde apenas se encontra com um bom-dia, ter obrigação de dar bons-anos, dificultoso empenho! E na minha opinião cresce ainda mais esta dificuldade, porque isto de dar bons-anos, entendo-o de diferente maneira do que comummente se pratica no Mundo. Os bons-anos não os dá quem os deseja, senão quem os assegura. A quantos se desejaram nesta vida, a quantos se deram os bons-anos, que os não lograram bons, senão mui infelizes? Segue-se logo, própria e rigorosamente falando, que não dá os bons-anos quem só os deseja, senão quem os faz seguros".

(Como isto está tudo ligado, o genial padre fez este sermão cerca de quarenta anos antes dos trabalhos de Pepys, que temos acompanhado na Londres dos Fanáticos.)

Bom dia!

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© José Pacheco Pereira
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