“Nos Estados Unidos, os media passam para o público (entenda-se, povo americano) uma narrativa política semelhante, com pequenas diferenças de uma publicação para outra, mas que revelam intercâmbio de ideias entre os jornalistas e os políticos daquele País.
Na União Europeia (U.E.) não existe uma partilha do mundo político nas mentes dos europeus dos vários países; não existe uma contínua actualização da narrativa política que permita ao público europeu assimilar os acontecimentos da mesma forma, ou sentirem-se uma parte de um todo comum.
Muito mais importante que discutirmos quem deve ter direito a voto, a veto, a comissários em Bruxelas, etc., seria o dever de concluir que a inexistência de uma narrativa política comum - tornando o europeu comum intangível, irreal e irrelevante - é um factor que inviabiliza o projecto da Constituição Europeia, neste momento. “
“Comprei um telemóvel Sony Ericsson que se enquadra no topo da sua gama. No entanto, reparo que os menus do mesmo têm erros ortográficos incompreensíveis, do tipo «inìciar», para além de ser um verdadeiro martírio escrever mensagens curtas dada a falta de acentuação. Para obstar a uma eventual apoplexia ortográfica, sou tentado a alterar o idioma para inglês, este tratado de forma correcta!
O ponto da questão é: um telemóvel topo de gama, com o português como opção de idioma (porque este mercado não será desprezível), mas tratado de forma plebeia (porque esta língua vale o que vale...), é este um dos sintomas da globalização e da integração na Europa? Será este um pequeno reflexo, mas exemplificativo, do que valerá a nossa cultura (neste caso, a nossa língua) na futura comunidade europeia?...”
(José Manuel Figueiredo)
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“É tempo de olharmos a praxe como um fenómeno social que a todos diz respeito. Ao longo destes anos, a praxe era considerada pela sociedade civil como uma prática que apenas podia ser discutida no interior das faculdades e que apenas a elas dizia respeito. Hoje, muito devido aos abusos recentemente surgidos e à luta dos movimentos anti-praxe, este polémico tema saiu do mundo hermético da faculdade, sendo discutido nos fóruns, jornais, televisões... O manifesto seguidamente apresentado tem como principal propósito o de envolver pessoas da sociedade civil nesta luta contra o autoritarismo, elitismo, seguidismo, veiculados na praxe. Este ritual é celebrado num ambiente de medo e de coacção impostos pelo topo da hierarquia praxista. A todos os que queiram acabar com este ritual atentatório da dignidade humana pedimos que enviem a sua assinatura e indiquem a sua actividade para antipodas@portugalmail.pt ou contactem para os números 964407305(Luísa Quaresma) /963133349(Ricardo Coelho).
MANIFESTO ANTI-PRAXE
Porque vemos na praxe uma prática que atenta contra os mais elementares direitos humanos, nomeadamente a liberdade, a igualdade, a integridade física e psicológica e a livre expressão da individualidade, ao mesmo tempo que exalta os valores mais reaccionários da nossa sociedade.
Porque não vemos qualquer motivo para a existência de hierarquias entre estudantes, tendo em conta que todos devem ser tratados por igual nas relações interpessoais.
Porque acreditamos que a tradição nunca poderá ser um entrave à mudança e, muito menos, poderá alguma vez legitimar um comportamento inaceitável em qualquer sociedade.
Porque não aceitamos o poder auto-instituído e nada democrático dos organismos da praxe, que se constituem em estruturas paralelas com regras próprias.
Defendemos que a recepção aos novos alunos, sempre que se justifique a sua existência, se deve basear em relações de igualdade. Nesta iniciativa, os estudantes olhar-se-ão nos olhos e tratar-se-ão por “tu”, construindo um conjunto de redes de solidariedade e de camaradagem não exclusivas. Todos se divertirão por igual, deixando a diversão de uns de ser a humilhação de outros. Desta forma, incentivar-se-á o verdadeiro altruísmo que consiste em ajudar os outros sem exigir qualquer contrapartida.
Defendemos igualmente que a faculdade deve ser uma instituição aberta ao mundo que a rodeia, transformando-o e sendo por ele transformada. Uma instituição que deve proporcionar a livre intervenção e fomentar a criatividade, não impondo códigos de conduta nem promovendo a segregação. Mas este ideal nunca será concretizável enquanto o espírito da praxe reinar na faculdade.
Exigimos ainda que as instituições de Ensino Superior tomem sobre si a responsabilidade de prestar todas as informações e aconselhamento necessários aos estudantes.
Exercemos desta forma o nosso direito à indignação. Como parte da sociedade civil pensamos que o que se passa no interior das faculdades diz respeito a todos. Logo, jamais poderemos fechar os olhos à triste realidade das “tradições académicas”. E juntamos a nossa voz à voz de todos os que lutam diariamente contra o cinzentismo da praxe e se batem por uma faculdade crítica, aberta, democrática e feliz!"
(Luísa Quaresma)
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“Sou estudante do Instituto Superior de Engenharia de Lisboa(…) Não querendo interpretar o papel de “advogado do diabo”, não posso deixar de defender a figura, na generalidade, dos dirigentes associativos, até porque já o fui, apesar de criticar fortemente as actuais condutas de contestação e linhas de acção reivindicativa.
Como tudo, entendo que não deveremos entrar em fundamentalismos, e considerar que os dirigentes associativos são, como referiu um dos leitores do abrupto, “... Aqueles jovens são, muitos deles, estudantes com um estatuto especial, que podem andar o ano inteiro em festas por todo país, teoricamente em representação da instituição...”, entendo existir um pouco de exagero e excesso nestas palavras, até porque pessoalmente, enquanto dirigente associativo nunca pautei a minha conduta pelos referidos parâmetros.
O papel dos dirigentes associativos é de extrema importância quer para o funcionamento interno de um estabelecimento de ensino superior, executando papel regulador, de colaboração ou mesmo como contra-poder. A outra vertente interna é dinamização de vários aspectos desportivos ou culturais, contribuindo assim para uma formação pessoal dos indivíduos, como pessoas integrantes de uma sociedade. Á que encarar uma licenciatura não simplesmente como uma formação cientifica de cinco anos (ou talvez mais!), mas como um processo de construção quer do próprio individuo quer da própria sociedade em que está inserido, e aqui o papel do Associativismo, salvo melhor opinião, é fundamental. Esta foi a parte em que fiz o papel de “advogado do diabo”, já que dei uma na ferradura, vou agora dar uma no cravo...
No que concerne a política educativa e à relação com a tutela é que os dirigentes associativos borram a pintura, muitas vezes instrumentalizados pela esquerda, pela direita ou mesmo pelo “big brother” televisivo deste país à beira mar plantado, perdem-se por entre acções pouco inteligentes e um discurso enfadonho completamente deslocalizado da realidade do dia-a-dia de qualquer estudante.
(…)
Assim sendo entendo que existe uma necessidade de separar o que é a “figura de Dirigente Associativo”, das figuras (tristes) feitas pelos dirigentes associativos, para que o associativismo não morra esgotado nem asfixiado por aqueles que mais o deveriam apreciar e defender, os estudantes."